Good News! Bad news…

Eu tenho  personnummer (lê-se como quiser, mas em sueco ficaria algo como perxum-num-mer – eu to aprendendo ainda!) desde quinta-feira. E eu tava esperando tanto!!! Precisava, também, porque na verdade você existe de verdade só depois de ter o dito cujo.
 
Mas… sexta-feira aqui também foi uma espécie de feriado – tudo estava aberto menos partições públicas e algumas outras coisas – e na segunda também. Dai que para mim começar em SFI – Svenska sueco För para Invandrare estrangeiros e para ter o cadastro na agência de empregos sueca (arbetsförmedlingen) esperei quase 15 dias. E… nada. SFI só em junho e, bem, na agência de empregos eu quase não entendi nada porque o cara falava suinglês – que é o termo que eu inventei para definir as pessoas que dizem que falam inglês mas falam sueco com alguma palavra em inglês no meio.

É quase divertido. Eu tava eufórica a Páscoa inteira – menos por causa da gripe – e dai ontem eu murchei. A maioria dos anúncios de empregos tem como requisito o sueco. Eu quero aprender, mas a escola está cheia. A vida é dura não??

É dura mas é linda, maravilhosa. A primavera aqui é absolutamente fantástica. Quando eu cheguei há 15 dias quase tudo estava marrom e cinza, e agora há um tapete de flores brancas e lindas por todos os cantos, na beira das estradas, em meio as árvores cheias de folhas novas e explodindo de verde! E as árvores da praça da avenida que parecem ipês, com flores rosas como aquelas das Crônicas de Nárnia quando as árvores “conversam”…

 

Isso, e o sol. Ahhhh eu adoro sol, e ele tem dado os ares da graça todos os dias na última semana. Isso mesmo. O clima está bom, o vento é frio – pra caralhooo!!!, e todo mundo florescendo junto com as plantas, dá para perceber a felicidade geral devido ao calor de 16 graus. Sério, está quente para a primavera – algumas pessoas até brincam dizendo: ahh, você trouxe o sol e o calor do Brasil na mala?

Taí mais uma prova de que o ser humano só valoriza aquilo que não tem. E é sempre bom lembrar que eu não to falando de brincar de contente, mas de lembrar que há sempre coisas boas, mesmo quando nem tudo é da forma como gostaríamos. Aqui eu vi um monte de gente que sai de casa para curtir o sol, só assim e simplesmente: faz uma mochila com alguns sanduíches, água, uma manta pra jogar na grama e vai para qualquer lago ou parque, só e simplesmente curtir o sol.

Eu sempre acreditei nessa coisa de “quem sabe faz a hora e não espera acontecer”. E é isso – eu fiz um cartão da biblioteca de Gotemburgo hoje (quase tive um orgasmo: nunca vi tantos livros!! Claro, é tudo sueco, mas eu chego lá!), emprestei um livro “Lära Svenska” (aprenda sueco) e vou aproveitar para estudar. Quem sabe eu faça uma mochila com sanduíches e de quebra… 

Em pouco tempo, não vai ter problema nenhum o detalhe do requisito sueco.

Ps. Essa m€#d@ de wordpress trava muito e eu nem consigo escrever direito. As fotos são minhas e eu tirei aqui perto de casa.

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Morte e Vida Severina

Se somos imensamente diferentes em nosso universo subjetivo, há uma coisa que inevitalmente nos faz muito iguais: a morte. Eu sabia que a minha nona estava doente, e que dois anos é um tempo longo demais para ver novamente quem tem 93 anos de muita luta e calejo. Ou não – ela sempre foi tão forte. Só não esperava enfrentar isso assim cedo.

Dai o que a gente faz? Eu tenho feito esta pergunta com tanta frequência nos últimos dias que cheguei a conclusão que a resposta mais certa é NADA. O ser humano é engraçado nesse sentido, a gente sempre quer encontrar respostas e soluções simples para um tudo, e no fim, a única coisa certa é aceitar que somos limitados e que algumas coisas simplesmente não podemos.

Talvez seja só um jeito de não sofrer – ao menos não muito. Talvez faça sentido que a minha oração preferida seja: “Senhor, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que posso e sabedoria para distinguir uma das outras.”.

A fé no divino e numa vida após a morte é apenas um instrumento de negação à nossa finitude? Quem sabe… Enfim, que eu saiba, ter fé nunca fez mal a ninguém…

— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

Uma caipira na Suécia!

É, agora é isso mesmo. To na Suécia há uma semana e pensei em escrever um pouco do que eu fiz até agora. Então… Na segunda eu começo o meu trabalho novo, que é com limpeza. Só depois que eu melhorar o meu sueco eu posso conseguir outros tipos de trabalho.

Ahá – é claro que a sentença acima é uma brincadeira. Hummm eu sei que tudo é lento no início. Eu sabia que não falar sueco… bem, dificultaria um pouco as coisas, e eu não to com muita paciêcia nem de pensar ou prestar atenção em inglês. Paciência não é o meu forte.

E não é que as coisas não estão acontecendo. Elas estão: eu dei entrada na minha identidade sueca na quinta-feira passada, e isso é importante para mim começar com o SFI (sueco para estrangeiros) e o registro para ter mais oportunidade de encontrar um trabalho. Além disso, estou conhecendo gente nova e isso eu acho muito legal, uma vez que aqui é mais fácil ter um emprego por QI.

Reencontrei pessoas e pessoas que eu conheci ano passado, e até fiz algo inédito: fui a um jogo de futebol no estádio!! Era o time de Göteborg contra… não sei, mas foi muito muito bom (mesmo que o Göteborg perdeu de virada)!! É maravilhoso estar aqui, e eu to cheia de vontade de viver tudo que eu puder… é claro que eu tenho saudade, muita saudade, de tudo que ficou no Brasil.

Tem um buraco na minha vida agora, e uma tristeza estranha. Mas se tem uma coisa que eu possa dizer que eu aprendi aqui é que a gente (eu) muitas vezes tem uma perpectiva errada sobre sucesso. Eu estava tão stressada com a questão do emprego que nem tinha percebido a coisa mais óbvia do mundo: eu não vim para a Suécia para trabalhar. Vim para a Suécia para ficar perto do Joel – e isso graças a Deus é uma realidade grande e quente, todos os dias, várias vezes por dia.

Obviamente, eu quero trabalhar. Mas isso é uma coisa que vai acontecer naturalmente… o mais importante eu já tenho.

Como é que se faz??? =/

Como a gente deve abraçar pessoas queridas ao sabermos que não vamos encontra-las para algum tempo? O que devemos dizer? A gente se vê no facebook? De repente, encontrar essas pessoas no mundo virtual parece uma coisa tão sem noção como querer comparar gelo colorido com sorvete.

Eu sou chorona. Mas eu já me despedi muitas vezes sem derramar uma única lágrima, sem ficar com olhos rasos dágua, com certa indiferença até. Agora meus olhos estão inchados e eu sinto pesar até mesmo pelos gritos da vizinha para que o guri dela vá tomar banho. Cá entre nós, sempre senti certo pesar por ela gritar tanto e também pela vergonha que a criança passava ao ter que se recolher das estropolias do dia assim… mas a coisa é que isso também compõe o quadro do que é a minha vida, e me traz conforto.

Como o barulho das máquinas de costura da minha mãe, ou meu pai arrastando os chinelos pela casa. O “bi, bi, bi – bó, bó, bó” que é a gíria que só a Angela usa. E as tiradas da Lu. Mas quando a gente faz escolhas, tem de abrir mão de algumas coisas para ter outras. Eu to feliz, apesar de sofrer por saber que não vou ver meus pais e amigos queridos.

Enfim, como esse não é um espaço para reclamar… é só para registrar que é difícil pacas. E que não existe, pelo menos que eu saiba, uma forma de dizer tchau ou até logo que não pareça extremente medíocre diante da grandeza desse sentimento, do amor que sentimos pelos que são caros. Daí que eu entendi que saudade é uma coisa tão grande assim para compensar toda a estranheza de uma despedida…

Be Happy!!!

Eu queria ter escrito tantas coisas essa semana. Porque, enfim, foi uma semana de despedidas… fizeram até uma coisinha no meu trabalho, e no fim já havia uma brincadeira em que a Lu dizia: Viva! A Maria vai embora!!! Ao que todo mundo respondia: VivAaaaAAAaAAa!!!

Mala pra fazer, guarda roupa para arrumar e desarrumar, e tudo tão bagunçado. Recebi muitos e muitos abraços dizendo: SEJA FELIZ MARIA! Conversei com pessoas que eu nunca imaginei ter uma conversa, e me surpreendi com uma coisa: eu percebi que muitas, muitas pessoas, deixam os sonhos apenas no plano dos sonhos, e se consideram velhas demais para fazer alguma coisa, ou pobres demais…

Cidade pequena, é sempre aquilo (quem morou já sabe):

Ow, fulana, é verdade que você tá indo? Pra Suíça né? Não!!?? Pois  é mesmo Suéééééécia… hummm, ouvi comentarem esses dias, mas vai casar mesmo? Ah tá. E você fala alemão já? Ah não é alemão… então mas que coisa, quem diria não é? Mas olha, tem que aproveitar viu? Éééééé… você é jovem, não tem filhos e tals, tem um bom emprego,  uma rendo boa, tem que experimentar esse mundo, porque depois que tem casa e isso e aquilo e marido e filhos, a gente se acomoda… eu mesmo até pensei em fazer isso um dia, mas a vida… sabe como é? Então moça, mas que bommm… é isso! Sucesso para você fulana, seja muito feliz!!! 

Eu recebi tantos “seja feliz” que eu já me sinto realmente imensamente feliz. Mas ainda porque eu acreditei em uma coisa que eu nem acreditava: amor. Quando se ama não se é velho demais. Para aprender, ou experimentar, ou tentar, ou começar, ou recomeçar, ou para terminar… ééééééé. Porque é preciso aprender a deixar também.

É preciso coragem. Mas principalmente, coragem de ouvir o que quer o coração. E qual é o coração que não quer felicidade??!

Acredite! Seja feliz!!!