Morte e Vida Severina

Se somos imensamente diferentes em nosso universo subjetivo, há uma coisa que inevitalmente nos faz muito iguais: a morte. Eu sabia que a minha nona estava doente, e que dois anos é um tempo longo demais para ver novamente quem tem 93 anos de muita luta e calejo. Ou não – ela sempre foi tão forte. Só não esperava enfrentar isso assim cedo.

Dai o que a gente faz? Eu tenho feito esta pergunta com tanta frequência nos últimos dias que cheguei a conclusão que a resposta mais certa é NADA. O ser humano é engraçado nesse sentido, a gente sempre quer encontrar respostas e soluções simples para um tudo, e no fim, a única coisa certa é aceitar que somos limitados e que algumas coisas simplesmente não podemos.

Talvez seja só um jeito de não sofrer – ao menos não muito. Talvez faça sentido que a minha oração preferida seja: “Senhor, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que posso e sabedoria para distinguir uma das outras.”.

A fé no divino e numa vida após a morte é apenas um instrumento de negação à nossa finitude? Quem sabe… Enfim, que eu saiba, ter fé nunca fez mal a ninguém…

— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

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