Morte e Vida Severina

Se somos imensamente diferentes em nosso universo subjetivo, há uma coisa que inevitalmente nos faz muito iguais: a morte. Eu sabia que a minha nona estava doente, e que dois anos é um tempo longo demais para ver novamente quem tem 93 anos de muita luta e calejo. Ou não – ela sempre foi tão forte. Só não esperava enfrentar isso assim cedo.

Dai o que a gente faz? Eu tenho feito esta pergunta com tanta frequência nos últimos dias que cheguei a conclusão que a resposta mais certa é NADA. O ser humano é engraçado nesse sentido, a gente sempre quer encontrar respostas e soluções simples para um tudo, e no fim, a única coisa certa é aceitar que somos limitados e que algumas coisas simplesmente não podemos.

Talvez seja só um jeito de não sofrer – ao menos não muito. Talvez faça sentido que a minha oração preferida seja: “Senhor, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que posso e sabedoria para distinguir uma das outras.”.

A fé no divino e numa vida após a morte é apenas um instrumento de negação à nossa finitude? Quem sabe… Enfim, que eu saiba, ter fé nunca fez mal a ninguém…

— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

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2 comentários sobre “Morte e Vida Severina

  1. Bem, enquanto eu espero o post mais recente ter seus comentários liberados, escrevo aqui (espero não esquecer o que queria escrever lá).

    Há 2 semanas perdi uma amiga num assalto aqui em Recife. Foi uma merda de sensação. Fiquei pensando “e se fosse comigo? com minhas amigas? com meus pais?”. E foi com ela! Não podia ter sido, nem com ela, nem com ninguém. Dá raiva, sabe? Porque a ordem natural da vida é os pais morrerem antes dos filhos…

    Meu avô vai fazer 91 e minha avó 85, esse ano (avós paternos, os maternos já se foram tb). É uma pena que a sua nona tenha partido, sempre é uma pena. Mas depois de 93 anos, imagino que ela tenha curtido a vida plenamente, com todas as suas dores e prazeres. E é bom que ela tenha te visto feliz, dando esse passo tão grande na vida, sendo amada e descobrindo, literalmente, o mundo!

    Bjos :*

  2. Não é que eu goste de velórios, e toda essa coisa que envolve a morte, mas é importante. Nessas horas a gente sempre pára e questiona o mundo, as relações, nossas escolhas…
    Eu tenho certeza de que a minha mormor viveu intensamente, eu apenas sinto por ela ter sofrido tanto no fim!

Agora vamos prosear!

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