Carnaval Sueco

Um Olodum sueco: e foi bom!

Quando a gente (brasileiros) diz a palavra Carnaval, há um festival de imagens em nosso cérebro relativas a samba, axé, frevo, trio elétrico, feriado, bebedeira, mulherada seminua… Mas a história do Carnaval não é só do Brasil… incrivel não?

A  história do Carnaval começa há mais de 4 mil anos a. C. com festas promovidas no antigo Egito, principalmente eventos relacionadas a acontecimentos religiosos e rituais agrários na época da colheita de grandes safras. Desde essa época as pessoas já pintavam os rostos, dançavam e bebiam. Há também indícios que o Carnaval tem origem em festas pagãs e rituais de orgia em nada semelhantes com o nosso Carnaval (!). Em Roma, as raízes deste acontecimento estão ligadas a danças em homenagem ao Deus Pã e Baco, mais conhecidas como  Bacanais ou Dionísicas. Isso já soa mais familiar…

Com o advento da Era Cristã, a Igreja começou a tentar conter os excessos do povo nestas festas pagãs. Antecedendo a Quaresma, o Carnaval ficou sendo uma festa que terminaria em penitência na quarta feira de cinzas. Os cristãos costumavam iniciar as comemorações do Carnaval na época de Natal, Ano Novo e festa de Reis; e acentuavam a folia no período que antecedia a Terça-feira Gorda, chamada assim porque era o último dia em que os cristãos comiam carne antes do jejum da quaresma, no qual também havia, tradicionalmente, a abstinência de sexo e até mesmo das diversões, como circo, teatro ou festas.

Mas isto foi há muito tempo, e agora a orgia adentra a quaresma. Menos no Carnaval Sueco. Porque aqui não há cristãos suficientes para que a quaresma possa ser alguma coisa importante, e porque o Carnaval é em maio, e porque a cultura aqui é diferente e mais um monte de porquês.

O Carnaval Sueco que eu vi não lembra em nada o nosso Carnaval. Nos dias 27, 28 e 29 de maio Gotemburgo apresentou o Hammarkullen Karnavalen, que é o maior carnaval dessas redondezas. Sem orgia, sem bebedeira, sem loucuras. Apenas um desfile de culturas, um festival para apresentar danças típicas e para todo mundo comer muito.

Estacionei por duas horas abaixo de garoa hiper gelada porque eu queria ver o que o grupo de samba daqui apresentaria. É verdade, tem um grupo de samba aqui em Hammarkullen. Que eu não gostei. Não porque os suecos não podem sambar como as mulatas cariocas, mas porque o coordenador da escola resolveu aprensentar o tema Drácula, e todo mundo veio vestido de morte. Que chato isso: de repente o cara se sentiu o próprio Paulo Barros e inventou isso… o detalhe é que Paulo Barros mora no Brasil, onde samba e o nosso carnaval são uma grande tradição, e o povo quer nada menos do que espetáculo.

Não é que eu tenha virado expert no assunto, mas fiquei frustrada. Pô! Todo mundo pensa Brasil quando ouve samba, e o cara cagou no pinico. Todas as outras culturas coloridas, dançando alegres, e os passistas de samba vestidos de vampiro com lente de contato branca? Sorte que ao menos eles não carregram a bandeira do Brasil junto com a escola.

Teve um grupo com uma pequena tentativa de bateria de samba, e outro com uma tentativa de timbalada como do Olodum. Gostei muito. Isso “salvou” a representação brasileira do evento. A maior representação foi a boliviana, com danças e mais danças de todo o tipo. Estavam também curdos, e suecos, e… eu nem lembro! Eu estava tão anciosa pelo samba que nem vi direito os outros grupos… acho que isso contirbuiu para me frustrar ainda mais.

O melhor do Carnaval foram os curdos. Simples coloridos e alegres. Como carnaval tem que ser…

Curdos: os donos da festa!

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A Suécia é melhor do que o Brasil?

O Anderson me perguntou isso dia desses e eu respondi de pronto: não. NÃOOO???!!

É, uai. O que é melhor: Corinthians ou Flamengo? Ter namorado ou ter rolos? Morar junto ou casar? Ter filhos ou não? Chocolate branco ou preto? Cada um vai dizer uma coisa… porque tem sua própria opinião. O Matheus mesmo, para a primeira questão respondeu Grêmio.

Enfim, a coisa é que eu não mudei para cá porque desgosto do Brasil. Eu amo o Brasil, adoro aquela região agrícola em que eu cresci e aquela cidadela onde o povo vem pra cidade de caminhoneta em dia de chuva e tudo fica cheio de barro… todo mundo se cumprimenta no mercado e quando você vai a farmácia o atendente conta para todo mundo que você comprou camisinha.

Eu estou gostando de morar na Suécia e no último post eu disse que gosto muito do serviço de saúde daqui, que é grátis. Assim como as escolas aqui são muito boas, e a pavimentação, e o transporte público (eu adoro andar de spårvagn, o trem elétrico dentro da cidade); a segurança, blá, blá, blá. Mas a cidade também tem problemas: nesta semana dois carros foram incendiados por jovens perto daqui e a adminsitração pública decidiu que vai remover 90 professores deste bairro.

É mas no Brasil… no Brasil tem um monte de gente honesta e trabalhadeira que passa a semana inteira ralando por aquele salário mínimo de miséria, e ainda acredita. E o Brasil tá crescendo e melhorando! A nossa praga é a administração pública com um monte de gente inepta que fica cagando na cabeça de quem faz alguma coisa e/ou desviando dinheiro público. E eu não to falando só de políticos e o seu bando com cargo político, o famoso CC, mas de funcionário público também. Eu trabalhei 5 anos em uma prefeitura e vi de perto como (não) funcionam as coisas.

E daí adentra aquela velha discussão de o quanto o brasileiro é politizado, e que a culpa é dos nordestinos, porque não é o povo que pensa que elege o presidente da república… É, vai ver por isso São Paulo, Rio de Janeiro e as capitais do sul do Brasil são cidades modelo de qualidade no mundo… top de linha. Eu trabalhei com democracia participativa no SUL do Brasil e tinha que implorar para o povo participar. É mesmo tudo culpa dos nordestinos!

A questão não é gostar ou desgostar do Lula, ou da Dilma. Tem gente que gosta, assim como tem quem gosta de ver gente acidentada na internet, tem quem gosta de sofrer e é masoquista, tem quem gosta do Maradona e tem quem curte o Justin Bieber (é assim que se escreve??). A coisa é acreditar no potencial do Brasil.

Parece discurso político, mas não é. Eu gosto do Brasil. E acredito nele…

Brigadeiro de colher

Eu me sinto uma dona de casa. O bom é que aqui é tudo mais simples, afinal, tem máquina de lavar louça. Adoro fazer comida e bolo e sujar um monte de coisas! Nem preciso lavar depois…

Eu to aprendendo a fazer faxina sueca. Porque aqui se usa aspirador de pó, e as vezes um pano molhado. Só. Para limpar os móveis pano seco. E o pano molhado para o chão é úmido e sem sabão, ou no máximo um sabão com cheiro de sabão caseiro. Para as janelas, ou um produto específico para vidros ou pano molhado (só água, sem sabão).

Recebi uma carta do SFI, e parece que meu curso começa na quinta. Parece porque a carta veio para o meu endereço, mas meu nome estava totalmente errado (Maria Helena Jamas). Liguei para o SFI e a mulher falou sueco comigo. Fiquei puta! Caralho eu vou para a escola de sueco… porque será??? Desisti.

Dai fiz brigadeiro de colher e comi. Eu não curto chocolate, mas brigadeiro me salva sempre que eu fico muito chateada com essas coisas. Tanto que eu cheguei a conclusão de que toda mulher deve saber fazer brigadeiro de colher. Então a receita:

– 1 lata de leite condensado;

– uma colher de manteiga/margarina;

– chocolate em pó a gosto (eu prefiro aquele amargo).

Modo de fazer: junte tudo em uma panela e leve ao fogo brando. (Panelas tipo teflon são melhores, o doce não gruda). Deixe cozinhar até ferver. Quando estiver “desgrudando” da panela está pronto.

Se quiser, faça o brigadeiro. Eu sou preguiçosa e como assim, de colher.

Acredita que ninguém aqui conhecia brigadeiro???

O nome da rosa…

Hoje eu descobri o que é dor. E o nome dela é bältross (que se lê beltrus), um tipo de herpes que é prima da catapora. Em sueco, bält é cinto e ross é rosa, e o nome da doença é esse justamente porque você tem aquelas bolinhas tão conhecidas da herpes no tronco, na altura da cintura que formam um “cinto vermelho”.

E dai que coça e dói. Dói muito. Você tem dores nevrálgicas, que é aquele tipo de dor que fica esperando até você se distrair um segundo… e aí ela vem. Eu não durmo direito, e sinceramente não entendi a perspectiva otimista do médico quando ele perguntou se eu tinha as “bolinhas” há mais de 36 horas e eu disse “não”, e ele “vai sarar mais rápido”.

Eu vou parar de falar um pouco do meu cinto de utilidades – que me deu mais surpresas do que o cinto de utilidades do Batman – para falar do atendimento de saúde aqui. Eu penso que seja uma preocupacão de todo mundo que vai mudar para outro país. Afinal, o SUS a gente conhece e sabe o que (não) esperar dele.

Eu fui ao médico pela primeira vez 7 dias depois de chegar por causa de infecção na bexiga. Eu tava bem nervosa, afinal de contas eu nem tinha o tal número… Mas levei a decisão do visto expedida pelo Migrationsverket, e mais o passaporte, o Joel fez as honras explicando a história, e eu paguei 200kr (cerca de R$ 50) para ser atendida. E qual não foi a surpresa quando eu recebi um vidrinho para fazer xixi “aqui e agora”, e um quarto todo bonitinho e esterelizado com uma cama – hospitalar, água, cadeiras e um lavatório. Depois de 30 minutos entra no quarto o Senhor Doutor com o resultado do exame. Ele me tratou muito bem, falou em inglês comigo e fez algumas perguntas ao Joel. Explicou que não tinha aparecido nada no meu exame de urina mas isso deveria ser porque eu não reti o líquido no corpo por mais de duas horas. Fez mais perguntas. Conversou, bateu nos meus rins e perguntou se doía, bla bla, toda aquela história. Me deu outro vidrinho e pediu para voltar no dia seguinte. Explicou como e quando eu deveria coletar a urina. Perguntou se eu precisava de mais alguma coisa, e saiu com um até amanhã. Quando eu retornei no dia seguinte eu não precisei pagar a re-consulta. Foi a mesma coisa (sem a parte do xixi no vidrinho), e o exame mostrou a infecção. O médico explicou que tipo de infecção eu tive, falou do remédio que iria receitar e o tipo de reações adversas. Esclareceu que se eu sentisse isso ou aquilo deveria retornar rápido ao atendimento de saúde porque significaria que a infecção agravou.

Na semana seguinte eu fui para o controle de natalidade. Eu marquei a consulta pelo telefone, e fui atendida por uma médica que fez uma série de questões sobre meus hábitos alimentares, prática de exercícios e histórico de câncer (de mama e outros) e diabetes na família. Eu mostrei para ela o anticoncepcional que eu tomei no Brasil, e ela me recomendou outro com o mesmo princípio ativo. Recebi uma receita eletrônica, de forma que eu apenas preciso apresentar o passaporte em qualquer farmácia para retirar os comprimidos. E esse atendimento foi grátis.

Eu me senti muito segura e satisfeita com o atendimento de saúde aqui. Apesar de a minha família não ter plano de saúde e de a gente recorrer ao SUS na maioria das vezes, eu também paguei por consultas no Brasil e nunca fui atendida dessa forma. As vezes o médico nem te escuta. Quando eu estava fazendo o tratamento contra depressão o médico falou para mim: “você está doente e pode ser uma mentirosa, então eu vou conversar com o seu pai.”. E isso não foi com o SUS.

Dai esse médico que me atendeu por causa do bältross/herpes zoster tirou sarro da minha cara, tentou falar português, me deu dicas de sueco e dicas para casar rápido com o Joel. Depois disse para o Joel que a herpes zoster demora semanas para sarar. SEMANAS. Eu sinto como se tivesse piorado depois de iniciar o tratamento, e mais bolinhas apareceram, passo o dia inteiro na cama, tentando dormir…

Cara, a vida é dura. Mas o médico é otimista. E eu vou tratar de ser também…

Coisas estranhas!

Às vezes coisas estranhas acontecem. Como por exemplo um dia desses um sueco me perguntou se eu pensava que o povo sueco era fedido. Eu tipo… =$ Hã???? Foi muito engraçado…

Também me perguntaram qual coisa é mais estranha aqui. Na verdade, tenho uma lista grande de coisas estranhas… eu sou caipira então, talvez para muita gente isso seja bem normal. Mas lá vai:

1. Eu acho bonito e natural que todo mundo ame o sol aqui. O estranho é que quando há sol, há um monte de gente pelada na rua. Por pelado entenda-se micro saia ou short curto (curtíssimo), combinados com bata quase transparente de tão fina e top. Ou um homem de regata, por exemplo. Nesses dias normalmente eu estou usando duas blusas grossas e passando frio.

É bem normal todo mundo estar a vontade em casa. Normalmente está no mínimo 10 graus mais quente, então isso é tranquilo. Mas na rua? Com vento? Me avisaram que eu vou entender depois de viver o primeiro inverno aqui… então se eu sobreviver, conto para vocês.

2. Ficar pelado é normal. Tipo agora é pelado no sentido literal da palavra. Eu fiquei puta com o Joel andando de cuecas pela casa na frente das outras gurias. Agora estou quase acostumada. É normal também as crianças pequenas brincarem peladas (isso eu não sei se posso me acostumar).

3. Em todas as casas que eu fui, não tem lixeiro no banheiro. Depois de usar o papel higiênico você joga no vaso, e ele será descartado com a descarga.

4.  Café da manhã é como na novela. Tem suco e frutas e todo mundo come cereal. Saudável. É claro que eles comem pão também, com queijo, e tomam café. Sem leite e sem açucar. Mas isso é outra coisa. Um lanchinho ou fika.

5. Comida em geral. Tudo tem pimenta demais, sal de menos. Ou os doces são sem açucar…

Eu poderia achar estranho também que muitas pessoas são sozinhas aqui. Mas é bem normal, considerando o frio. E a evolução. É… pra que sair na chuva se você tem 346 amigos no Facebook? E quando chove aqui é frio pra cacete!

Pra mim é muito estranho a coisa com o Sol da meia noite. Isso não é uma coisa só da Suécia, então eu não deixei na lista acima. Todos os países para cima do círculo polar tem disso. A cada dia tem mais sol. Ontem anoiteceu perto das onze. Amanhece antes das 4h. E o dia será mais e mais longo até o dia 24 ou 25 de junho (eu não lembro). Não é que tenha um solaço desde as 4h da matina até as 23h, mas tem claridade. É super estranho porque se você acorda as 7h, já tem luz há 3h. E porque você tá indo deitar se agora mesmo está ficando escuro?

Puts! Eu sempre me levanto com a sensação de estar atrasada, e vou me deitar pensando nos meus pais: tirei onda com eles toda a vida dizendo que eles iam deitar com as galinhas (porque as galinhas “dormem” assim que escurece). Agora quem faz isso sou eu…

Só, para o post não ficar tão longo, eu me deixo aqui. Outro dia faço uma lista de pelo menos 5 coisas supimpas…

Obs.: Particularmente não penso que o povo sueco é fedido. Alguns deles não tomam banho todo dia, mas não é isto que dizem dos franceses?

Seja triste!

Essa semana eu precisei ficar triste. Porque eu não curto brincar de contente. Eu busco a felicidade, mas é louco você querer dizer que tudo é  bom o tempo inteiro. Não é. E eu chorei.

Tenho saudade da minha mãe, dos meus amigos, dos meus irmãos, de comer feijão e arroz, de ter almoço. De pegar o celular e ligar para um amigo e passar 20 minutos conversando a R$ 0,25. Dai que de repente quando você muda de mundo não tem mais uma série de coisas que eram tãoo normais. Falar português por exemplo. Dizer merda cara, filadaputa!!!!, caralho!? véio…  PQP! foda. foda-se! caraaaca… ou simplesmente e ai guria como você tá? PQP… eu tenho saudade de ter um emprego!

Tenho saudade de demorar 5 minutos para buscar molho de tomate no mercado. E de comer comida salgada. Ter café com gosto de café. De ter creme de leite! De ter alguém para perguntar… como é que se faz mesmo?

Não estou jogando a toalha, não é vontade de voltar para o Brasil. É só, porraaaaaaaaa que difícil! E dai a gente chora. Ou ao menos, eu choro. Porque é normal estar triste. Ser triste é que é uma doença.

Estou oficialmente cansada. E vai ter chuva até o fim de semana.

A vida é dura. Mas é boa!

Todo mundo odeia estar perdido

Hammarkullen, 2011

Pensando naqueles episódios de “Everybody hates Chris” eu estou criando uma lista de coisas para tentar entender porque parece que em alguns dias todo mundo odeia a gente. Alguns dias as coisas simplesmente não funcionam. E você ali, todo otimista, levando uma atrás da outra.

Nesta semana completo um mês de Suécia. E se eu for fazer uma avaliação séria, nada funcionou. Eu tinha uma boa perspectiva com relação a ter um emprego logo aqui. Veio a burocracia, eu tive que esperar. Eu iria começar o curso de sueco para estrangeiros – SFI. Mais burocracia e eu continuo esperando.

Hoje eu liguei para um cidadão atrás de trabalho. Eu falando em inglês e tals ele disparou algo em sueco e desligou. Vai a Maria pedir pinico para o Joel, para descobrir que ele achou que eu falava sueco e se eu ao menos entendesse, eu teria um emprego para começar amanhã.

A coisa é que se eu não precisasse esperar 4 meses até começar o sueco, eu estaria entendendo mais. O sueco é difícil para caralho, e eu pesquisando, e procurando, e me esforçando… mas sozinha. Parece que o governo odeia os estrangeiros, e se for olhar bem, todo mundo odeia os estrangeiros, até eu, porque muitos deles estão cagando no pinico o tempo inteiro e a merda respinga em todos os estrangeiros. Como eu.

Eu preciso explicar que “todo mundo” nesse texto é uma hipérbole?

Existe uma espécie de Bolsa Família na Suécia para os estrangeiros (sobretudo refugiados) que é exatamente como no Brasil: ninguém sabe ao certo como funciona, apenas que é um tanto fácil burlar algumas regras e receber um bom dinheiro mensal para coçar o saco. Se existe 1%, 5% ou 10% dos estrangeiros que fazem isso, eu não tenho a mínima idéia. Só sei que isto deixa o povo sueco bem irritado – o suficiente para que você tenha que provar que quer mais do que viver as custas dos impostos que eles pagam.

Isto posto, recomendo você aceitar que vai ser mais difícil do que imaginava, porque às vezes, focinho de porco é tomada e ponto. Mas (agora vem a parte Pollyana do texto)… Graças a Deus, basta que você faça amigos! Mostre à que veio…

Meus amigos suecos são incríveis. Eles me ouvem, tem paciência, abriram as portas para mim, me ajudam com o sueco! A Carolina, por exemplo, tira um tempo no café da manhã para tentar me ensinar um pouco. E agora a tia do Joel se dispôs a me dar uma lição – talvez – semanal de sueco. Enfim, nada do que eu imaginei que seria é, mas de certo modo é bem melhor.

Até, desculpe, mas eu preciso dedicar um espaço ao Joel. Eu odeio estar perdida – e isso acontece com frequência agora porque eu não estou entendendo muitas frases (mas ainda peço para que todos falem sueco!) ou porque por causa da minha caipirice eu não sei como me virar na “cidade grande”. Ele é atencioso, paciente, carinhoso, pró. Eu não estaria aqui se não fosse para ficar perto dele, mas ele faz valer esse esforço (EU AMO VOCÊ!).

A vida é uma gangorra com seus altos e baixos, clichês, bla bla bla. Não tenho tudo que quero, mas amo tudo que tenho, e vou esperar a gangorra subir para curtir melhor a paisagem…