Arbestsförmedlingen

Eu nem lembrava mais que eu tinha essa “conexão” na minha vida sueca, até ontem o tema cair numa conversa. O Arbestsförmedlingen é a agência de empregos do governo sueco, mas apesar do que o próprio nome diz ela não faz muita intermediação com ninguém.

Eu tenho uma arbetsgivare, que é uma pessoa dentro do Arbetsförmedlingen que “cuida” especificamente do meu caso, uma vez que sou estrangeira. Quando eu fui ao Arbestförmedlingen para fazer o meu cadastro e dizer que eu mudei para a Suécia e gostaria de trabalhar, me disseram que eu teria uma entrevista com uma pessoa e que a gente faria um “plano” para mim conseguir um emprego mais rápido. Eu fiquei bem animadinha com essa história de fazer uma plano e tal e não demorou mais que alguns dias para eu receber uma mensagem no celular dizendo que eu teria uma entrevista no Arbetsförmedlingen (puxa que palavrão! Eu vou usar só A de agora em diante para eles).

E a mensagem só dizia isso, que eu teria uma entrevista as 10h da quarta feira tal. Minha mente pululou de idéias, algumas até absurdas, imaginando mil e uma situações diferentes: será que eu iria fazer o tal plano? Será que era uma proposta de emprego? Será que será?

Quando da entrevista, tivemos o auxílio de uma tradutora. E essa foi a coisa mais legal que aconteceu no dia, porque, enfim, a arbetsgivare explicou todos os “programas” que o A tem para estrangeiros com permissão de trabalho. O A paga a metade do meu salário até que completem 36 meses do meu visto de residência – se eu trabalhar para uma empresa séria que tenha convênio com eles. Eles também me pagam se eu decidir (depois de aprender sueco) fazer um cursinho de 2 meses para aprender todas as expressões suecas dentro do Serviço Social. Eles me pagam para fazer práticas durante meu curso de sueco, que é uma coisa mais ou menos como um estágio remunerado, com a diferença de que, por incrível que pareça, eles pagam menos do que no Brasil.

Um detalhe: eu não traduzi meus documentos estudantis antes de trazer para a Suécia (diploma e histórico escolar) simplesmente porque não deu tempo. Não tinha tradutor na minha cidade e custava o dobro do preço para eles enviarem a coisa por correio. Depois de tudo, eu ainda tinha que buscar o registro de firma numa terceira cidade. Ficou assim. No dia da entrevista com o A eles me pediram, e eu não tinha comigo por outro motivo também: o A é o único órgão sueco que não consegue fazer as cartas chegarem a minha residência. Aliás, minha mãe me mandou uma carta com o endereço escrito errado – algumas letras trocadas – e chegou, eu não sei qual o problemas deles. No dia da entrevista a arbetsgivare pediu para mim reescrever o meu endereço porque, segundo ela, havia me mandado uma cartinha pedindo que eu troxesse até as “fotos da família” para ela conferir. Eu comentei que meus documentos ainda estavam em português e ela me disse que não importa, eles querem ver mesmo assim.

Conversamos e conversamos quase duas horas. Ela me explicou mesmo todas as coisas muito bem, e facilitou muito a questão de ter uma tradutora. Ela me deu um cartãozinho, disse que eu podia ligar caso houvesse dúvidas ou escrever um e-mail, que por gentileza eu deveria avisar a ela caso ficasse doente, mudasse, viajasse, estudasse, começasse a trabalhar ou qualquer coisa, fim. Depois de uns dias recebi o meu plano por correio: eu vou estudar sueco, buscar uma prática e depois tentar alguma coisa na área do Serviço Social.

Fiquei tão aliviada. Claro, porque isso me deu realmente um norte, uma direção. Quem pensaria em estudar sueco porque veio morar na Suécia? Foi tão absoluta a frustração que eu esqueci isso por completo. Até o dia em que minha amiga conseguiu uma prática em um café e o A disse que não poderiam paga-la porque ela não tinha 3 meses de residência aqui. Desisti de vez.

Eu não sei se existem pessoas com experiências melhores do que essa minha. Não sei também se a minha frustração por ficar sem trabalhar não acaba por contribuir para que tudo pareça mais negro e o A ainda mais incompetente do que deve ser. Só posso dizer que a sua contribuição se restringe ao banco de empregos que eu visito semanalmente.

É, eu tenho apenas 3 meses de Suécia, e isso não significa muito do ponto de vista de aprender o sueco por exemplo. Mas 3 meses sem trabalho é realmente difícil para quem trabalhou os últimos cinco anos em um emprego estável e tal, com salário caindo certinho na conta todo final de mês. Acho que a questão do salário nem pesa tanto como a questão de fazer alguma coisa, responder por um papel socialmente…

Eu tenho dúvidas que o Arbetsförmedlingen saiba realmente qual é o seu papel social. Então, como eles poderiam me ajudar a encontrar o meu?

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