Pra não dizer que não falei de flores

Julho é um tempo lindo onde as rosas estão maravilhosas nos jardins de toda a Gotemburgo e ainda em agosto algumas plantas apresentam cachos lindos. Mas o post não é sobre rosas, apesar do título e introdução, é sobre morte e vida.

A farmor do Joel morreu há 15 dias, mas o funeral foi só hoje. Eu estava em dúvida se escreveria alguma coisa a respeito principalmente porque não é lagom expor certas questões familiares. Apesar de eu não ser sueca me preocupa a questão de ser lagom  ou não pelo fato de que eu amo e respeito muito a família do Joel. Pra não correr o risco de magoar ninguém, eu vou falar de algumas impressões sem entrar em detalhes.

A farmor tinha quase 82 anos, e teve um AVC. Foi um dia triste, longo e tenso pois a família foi avisada que ela teria somente algumas horas de vida. E eu estava esperando o velório, que ocorre quase de imediato em todo o Brasil (assim que o corpo é liberado do IML). Então teria velório e choradeira e tudo o mais. Mas não. E não sei o porque.

Foi bonito, muito bonito hoje na igreja. Uma coisa simples, discreta, com apenas alguns amigos e parentes próximos. Eu deixei uma rosa no caixão, e essa foi a minha participação. Depois da cerimonia não teve sepultamento e sim uma recepção para celebrar a vida dela.

Foi bem estranho para mim essa coisa de não ver o corpo – uma vez que o caixão está fechado. Mas eu achei bem interessante essa coisa pequena na Igreja, onde apenas amigos e familiares estão ali realmente porque gostavam aquela pessoa muito. É feio demais no Brasil aquelas pessoas que vão no velório de alguém para comentar se o indivíduo tava quebrado demais ou de menos em vista do acidente, ou se ele parecia “tranquilo”.

Pra mim a morte não é uma coisa tranquila. Talvez seja coisa de “gente jovem”, que acha que a morte não está para “nós”, ou algo de todo ser humano que não consegue aceitar o mistério de ser finito… Apesar disso, não tenho medo de morrer, seja lá o que isso signifique.

Medo mesmo me dá de ser como muita gente, morta em vida: sem sonhos, sem esperança, e às vezes sem ninguém para lembrar da sua existência…

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Agora vamos prosear!

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