Eu sou traquinas!

Você já ouviu aquela expressão borboletas no estômago? Essa é  uma sensação bem comum para mim, a diferença é que as borboletas estão no meu cérebro, ou talvez seria melhor dizer vagalumes? A minha mente voa constantemente com idéias, pulando de uma para outra numa volta ao mundo tresloucada num milésimo de segundo rumo ao ponto original. Não raras vezes eu me pego tendo pensamentos absurdos ou realmente sonhando acordada. Eu realmente tenho uma capacidade surpreendente de armazenar informações inúteis [do tipo você sabia que… os vagalumes tem uma substância química chamada luceferina e é ela que quando combinada com oxigênio emite a luz do bichinho?] e lembrar delas em ocasiões inesperadas. E eu não sou TDHA.

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Em inglês, também é chamado de ADD, ADHD ou de AD/HD.

Eu sou traquinas!!

Primeiro: eu não gosto muito dessa moda de que todo mundo se auto intitula alguma coisa que tem um nome mais ou menos esquisito (tipo TDAH) sem antes ter consultado um especialista que disse: você É isso. Segundo, antes de parar na Suécia nunca havia visto uma criança que não fosse traquinas o suficiente para que se desconfiasse que ela estava ligada na tomada. Agora resolveram inventar uma síndrome até para isso, e as mães [leia-se pais também] fazem fila atrás de um diagnóstico de TDAH só para dopar a criança e ter um pouco de sossego. Que coisa feia… se não quer trabalho não tenha filhos!

Entendo que crescer fora dos padrões não é fácil, e esta aí o porquê de rótulos. Mas eu não quero isso para justificar meu comportamento, mesmo porque essa coisa de um turbilhão de idéias é fantástica quando eu preciso desenvolver um trabalho criativo. Mas… no meu trabalho antigo, por exemplo, todo mundo reclamava da minha falta de disciplina com minha mesa e papéis e livros – que na verdade refletia o caos dos meus pensamentos; e eu mesmo me perdi muitas vezes naquilo que estava fazendo. Eu vivia estressada com isso até ler um artigo sobre a “funcionalidade” das pessoas, digamos assim, que eu chuto que foi na [revista] Seleções Reader’s Digest.

Nota: eu tive um ávido hábito de ler. Tudo: revistas, jornais, Sabrina, livros de ficção/romance/didáticos, artigos na internet… infelizmente, muita coisa boa que eu li eu não lembro se era um artigo em uma revista ou na internet, ou num livro, ou num jornal…

O artigo dizia que cada pessoa trabalha de uma forma diferente. Eu não sou organizada e muitas vezes me perdi no trabalho tentando ser organizada só porque todo mundo achava isso o correto. Eu lembro de ficar muito tempo tentando terminar alguma coisa que não fluía só para seguir o padrão de “termine o que você começou antes de começar outra coisa”. Minha vida profissional melhorou muito quando eu aceitei que funciono melhor no modus operandi não linear: fazer duas ou três coisas no mesmo dia, por exemplo, trocando de atividade toda a vez que empacava.

E só para deixar algumas moçoilas com inveja, por exemplo agora eu escrevo enquanto troco uns beijinhos e gosar med Joel [ expressão sueca para chamego, que se lê gussar]. A explicação é só para o caso de alguém com mente poluída ter lido gozar… porque primeiro você gosa, depois você… entendeu?

Faz um mês que eu to trabalhando e essa semana minha patroa me chamou a atenção duas vezes porque eu faço todas as coisas ao mesmo tempo, e a faxina tem que funcionar como num relógio. Concordo, o problema vai ser eu tique-taquear!!! Eu até tentei falar para ela que eu funciono melhor desse jeito, mas ela apenas sorriu…

Felizmente ou infelizmente, não é desculpa!

É claro que disciplina é bom, e usualmente essencial; mas na falta dessa, antes de me rotular como TDAH ou qualquer coisa do gênero, prefiro apelar para o compromisso: eu amo ter a liberdade de ser do  jeito que eu sou e por ela eu me comprometo a fazer as coisas bem feitas, mas no tipo Maria Helena de ser. Infelizmente, já vi que não vai rolar…

Vou me lascar um bom tempo sendo mais ou menos atrapalhada para funcionar no modo suíço em plena Suécia!

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Agora vamos prosear!

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