Problema cabeludo

Sabe aquela história de que tudo que você come influencia a aparência da pele e dos cabelos? Acredito piamente. Depois que eu mudei meus cabelos não são mais os mesmos e infelizmente eu percebo que isso não é somente por causa da falta dos meus velhos e conhecidos produtos para os cabelos.

Um, que eu sou preguiçosa ao extremo com questões de beleza e gosto de tudo que possa ser muito prático. Meus cabelos são compridos e ondulados [ao natural], mas eu fiz uma progressiva há algum tempo – muito tempo, diga-se de passagem – e por isso eles estão mais ou menos lisos ainda. O bom da escova progressiva que eu fiz – Isaaaaa que falta você me faz!!! – é que além de alisar o cabelo fazia uma hidratação profunda. Resultado: cabelos lisos, brilhantes, maleáveis, fáceis de arrumar e sem nós. Eu podia ir para um show de rock [se eu gostasse] e tocar o terror a noite inteira. No fim só precisaria pentear com os dedos e voilá! Linda em 30 segundos. Dois, eu não como mais do mesmo. Não que eu coma porcarias porque eu como muita fruta por exemplo, mas sei lá, nada é igual antes.

Atualmente estou numa transição para o black power. Porque se eu durmo ou vou para o vento o cabelo fica em pé. E com relação ao vento, Göteborg é como Cascavel, então quem conhece pode imaginar o resultado. Nada mal para uma cultura em que a maioria esmagadora das mulheres tem um cabelo liso – lisíssimo, daqueles que não se revoltam por nada – e que, por esse exato motivo, sonham com uma cabeleira um tantinho que seja revoltada e volumosa. Tanto que, para meu horror e desespero, a primeira vez que eu [quase] comprei um produto para cabelos no mercado eu simplesmente peguei a primeira coisa em que eu vi a palavra volume – nada mais natural, uma vez que todos os produtos que eu conhecia até então eram para o controle ou redução do volume. No caminho para o caixa eu percebi que o produto não era redutor de volume, e sim maximizador de volume. Voltei correndo para a prateleira e me vi em um thriller medonho onde de todos os produtos saltavam as letras como que gigantes diante do meus olhos: max volume! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Comprei uma máscara com queratina, a única que encontrei com a embalagem em inglês, para reestruturação capilar. Nota: uma série de produtos apresentam as instruções da embalagem apenas em sueco, norueguês, dinamarquês e finlandês; é mole? Usei e abusei, mas a minha disciplina é tanta que o resultado não é muito positivo. Ao final, nem posso dizer se o produto é bom ou não é, porque eu não tenho paciência para ficar com ele na cabeça durante os 7 minutos recomendados pela embalagem.

To me coçando para ir para um salão, oscilando entre o sentimento de pânico e desespero. Pânico, porque eu amo meu cabelo comprido, e ia ter um piti se alguma cabeleireira “criativa” resolvesse picotar ele para dar volume, por exemplo. Oj! Nem posso imaginar. Desespero porque a cada dia eu vejo meu cabelo com mais e mais nós, e nó no cabelo é sinal de alerta: cabelo com nós=cabelo gritando por hidratação.

Eu sei que preciso cortar alguns centímetros do meu cabelo para melhorar o aspecto. Mas alguns centímetros para mim significam um dedo ou dois, aquele tipo de corte que é o desespero dos homens (amor… reparou que eu to diferente? Cortei 0,5 cm do cabelo hoje!), e não 10 cm. Cabelo curto é lindo, e principalmente lindo para quem gosta de ter cabelo curto. Eu quero minha longas madeixas!! E quem tem longas madeixas sabe o quanto é preciso esperar até poder usar o adjetivo “longas”.

Hoje, me enchi de coragem e enchi o saco do Joel para ir comigo à um salão. Eu já tinha entrado lá e visto alguns produtos da Matrix, então achei legal. Foi muito engraçado porque na hora que o Joel terminou de fazer a pergunta a mocinha que nos atendeu perguntou se eu buscava produtos, e eu disse que ‘não, quero fazer um tratamento aqui’, e quando o Joel terminou de traduzir ela disparou maravilhas a respeito de um tratamento brasileiro fantástico que…

Custaria entre 2500kr e 3000kr, por causa do tamanho do meu cabelo.

oO

O problema não é [apenas] o fato de o tratamento custar entre R$600 e R$750 reais, porque aqui tudo com relação a cabelo e beleza é muito caro. Ninguém faz unha por menos de 150kr (quase R$40). Só a mão, pé é mais o mesmo valor – e elas não tiram a cutícula, apenas empurram. O problema é que eu não conheço o Brazilian Blow Out [na internet todas as pesquisas relacionadas dão resultados como: mulheres loucas pelo Brazilian Blow Out! Sucesso! Lindo!!! mas é internet né?], alguém que tenha feito o tal tratamento, e muito menos a mocinha que estava tão entusiasmada explicando a coisa toda – que enfim é uma escova progressiva ou inteligente. E quando ela arrematou com “eu uso no meu cabelo”… bem, basta dizer que não me entusiasmou.

Resultado: nem tive coragem de entrar em outro salão pra continuar a pesquisa. O Joel apenas sorriu… e eu continuo com meu dilema cabeludo: ir ou não ir [ao salão], eis a questão! Gastar tudo isso sem saber se eu ainda vou ter cabelos 15 dias depois do tratamento? Comprar mais algum outro creme que eu consiga ler o rótulo e me amarrar para esperar os 7 minutos? Recorrer a tratamentos caseiros? Aproveitar os nós do cabelos e fazer dreadloks?

Alguém com uma dica?