O frio sueco

Uma das coisas que vai demorar deveras para me acostumar é a questão da distância. Não, não é a distância que estou do Brasil – isso não vou acostumar mesmo, e eu falo é da distância que as pessoas tomam uma das outras por aqui.

A Suécia é definitivamente um país difícil para se fazer amigos. Cinco meses e meio é pouco para tamanha pretensão, mas eu me sinto verdadeiramente longe de conquistar a amizade de algum deles. Não me refiro a amabilidade e gentileza, quem conhece o povo sueco sabe que são na maioria amáveis e gentis, me refiro a amizade mesmo, essa coisa de chegar e falar de um tudo e nada e ainda ser extremamente divertido só porque essa/aquela pessoa é especial, é um amigo.

Um, que eu não falo sueco. Não para falar de sonhos, esperança, amor, fé, raiva, frustração… dos desejos que posso melhor comunicar estão os do tipo “eu quero água, eu não quero chá, café? sim, obrigada” só. Sinto imensa vontade de conversar alguma coisa inteligente para variar, e às vezes eu nem tento ficar enchendo a cabeça do Joel porque até a mim me cansa meu monólogo com ele. Sorte que a paciência dos suecos é grande.

Dois; que as pessoas são mais reservadas. O comum aqui é que você tem um grande amigo que foi o cara/a mina que começou com você no mesmo jardim de infância – ou seja, pessoas que aprenderam a usar calças sem fraldas juntas. Sabem tudo um do outro. Tem quase um casamento, tão grande é a história de… tudo. Sim, apesar do que dizem as más línguas, os europeus tem mais de um amigo, o que não significa que eles se comportem de forma parecida com a nossa. E, uma vez que estamos na Suécia… quando se encontram não tem gritaria e xingamento, não tem abraço e retetê porque, afinal, amizade verdadeira também é uma coisa lagom.

Três; que as pessoas são muito reservadas. Gostam de falar, mas tem hora para isso. Gostam de dançar e ouvir música, mas tem hora para isso. Gostam de ter tempo para si mesmas, e se isso significa ficar longe dos outros não tem problema.

Não penso que eu seja uma pessoa difícil de se relacionar e tenho tentado, mesmo com meu sueco ruim, mas é de desanimar. Eu já sei de cor todas as perguntas que cada pessoa com quem eu vou conversar pela primeira vez vai fazer, e sempre fico imaginando uma forma de continuar a conversa, mas até agora… fica cada vez mais claro o quanto as pessoas são gentis, e que gentileza é uma forma bem bonita de ser distante.

Sinto falta de calor. Calor humano…