Coisas de Caipira

Depois de um dia duro de trabalho, nada melhor do que um prato de macarrão. Na verdade, bom mesmo seria ter comido o kebab que eu não pude comprar porque esqueci a carteira em casa (!); o que me fez pagar um mico duplo: um porque já tinha pedido o kebab quando percebi a falta da minha plånboken, e dois porque eu tinha convidado o Moisés para comer. Ai Jesus, que vergonha!

Eu amo pasta. Comer é uma coisa que me faz feliz, e fazer comida também é legal quando eu não vou comer sozinha, blá blá blá, este não é um blog de culinária e enfim, tantos comentários sem nexo são produto da minha cabecinha que gosta tanto de voar. O quê é que foi filosofando em um prato de macarrão que eu me deparei com a questão: pelo que/o que é importante lutar? Porque eu vejo out doors e cartazes todos os dias conclamando as pessoas a lutarem por alguma coisa – inclusive contra a importação de carne do Brasil (porque os brasileiros poluem muito o meio ambiente durante o processo de produção, os animais sofrem e…) – e sinceramente, parece insano tudo isso.

Não que eu não me importe com os problemas mundiais como a fome, exploração de crianças, a violência, guerras, aquecimento global e tudo o mais, eu só não entendo porque as pessoas falam tanto, e falam e falam e falam. Eu to lendo um livro muito bom da Melissa Grey cujo título é “Eu não existo sem você” (e a solidão é meu pior castigo, =) que fala da AIDS na África, e como uma mulher lutou contra o preconceito e marginalização sozinha por muitos anos ao trabalhar/criar um orfanato para etíopes. Isso sim me inspira: enquanto tantas pessoas discutiam a AIDS na África, enquanto laboratórios de farmacêuticas – principalmente dos EUA – tentaram impedir a produção de medicamentos retrovirais (de combate ao HIV) em massa com preço acessível aos países em desenvolvimento, enquanto o governo etíope não fez nada pela população, alguém fez alguma coisa.

Sinto que muito se fala e pouco se faz e fica todo mundo naquele perfil do faço o que eu digo mas não faça o que eu faço. Também, com tanta coisa pelo que lutar e tantas pessoas gritando e fazendo propaganda pra tudo – na internet então… – às vezes de forma apelativa – pense nos pobres animais presos e infelizes – ou acusativa – você pode ficar parado diante disso? – e manipulativa – o seu futuro, o futuro de toda a humanidade depende das suas escolhas (lembra um pouco aquela coisa de correntes da internet: encaminhe a mensagem ou isso significa que você não ama Jesus, que você tem vergonha de Cristo e que vai para o fogo do inferno!)… é tanto para prestar atenção e avaliar que fica difícil decidir, o que me faz voltar a pergunta do início: pelo que é importante lutar?

Egoísmo a parte, o importante é lutar por si mesmo. Sim porque saco vazio não para em pé, e isso não se restringe ao comer, ao manter-se fisiologicamente vivo e em funcionamento. As pessoas tem que aprender a se gostar, a se cuidar, a se alimentar de coisas boas para a alma e o coração e então poder estender as mãos para outras coisas, outras causas.

Eu acredito que é importante se importar com mais do que o próprio umbigo, mas creio também que mais do que nunca vivemos em um mundo interligado, conectado e interdependente. Se cada um cuida do “seu” pedacinho como num quebra cabeça o geral também fica melhor. A sociedade sueca funciona dessa forma e se tem algo que eu admiro nos suecos é esse senso de responsabilidade de cuidar do que é seu, a família ou a própria vida, não importa, mas cuidar e fazer nisso o seu melhor. Aposto que quem tem partner por aqui sabe e entende o que eu quero dizer…

Lute pelo não sofrimento dos animais. Lute por um mundo mais limpo. Lute por um mundo mais igual, por um mundo sem fome, com todas as crianças na escola, em paz, com acesso aos mínimos sociais. Mas lute primeiro para que a sua vida e mundo seja cheio de luz e força, dai sim tudo o mais faz sentido.

“É dando que se recebe, mas ninguém pode dar o que não tem”.

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