We Can Do It

Falar das mulheres suecas é muitas vezes falar de feminismo, principalmente do ponto de vista de pessoas como nós (latinos), que vivemos em um mundo de longe machista. Pra falar bem a verdade, acho ridiculamente chata essa discussão e só vou me dar o trabalho de escrever algumas linhas porque eu tenho ouvido e lido tanto ultimamente sobre igualdade de gêneros que chega a ser dolorido.

Pra mim, há muito mais perdas do que ganhos em ambos os sentidos. Não estamos em uma guerra contra os homens a favor dos direitos das mulheres, ou o que quer que seja. Anatonicamente homens e mulheres são muito diferentes. Psicologicamente, podem ser muito diferentes ou não – independente do sexo. Mas é a definição cultural que demarca o quanto machista ou feminista é uma sociedade. E é isso que os suecos já entenderam: os pais (pai e mãe juntos) educam o filho/a de forma igual.

Meninos aprendem obrigações domésticas e meninas vão trabalhar no quintal. Blá blá blá, blá blá blá, mas na verdade quem fala disso é quem está de fora, quem chega como eu. Suecos já esgotaram essa discussão há muito tempo e se alguns leitores bem lembram, para a sociedade sueca o importante é ser lagom  (você pode ser o que quiser, desde que esteja na medida sueca de ser). E para mim isso é mais importante.

Eu acho tão exaustivamente chato quando alguém decide defender ardentemente o feminismo, o machismo, ou qualquer “ismo” que seja. As pessoas gostam tanto de criticar a religião (leia-se o catolicismo) por causa do discurso salvação versus  condenação, mas não percebem que estão atirando pedras em telhados de vidro: seja feminista ou você será sempre burra e retardada, seja machista ou as mulheres dominarão o mundo, seja racista ou negros e pobres conquistarão espaço na sociedade… e por aí vai. Eu sou bem mais o lagom, seja o que quiser, desde que essa seja a sua decisão.

E é assim que funciona para mim. Eu acredito na frase (We can do it!) mas simplesmente tem dias que eu não quero. Porque eu to cansada, porque eu gosto de ser uma donzela, porque eu penso que a arma maior de uma mulher é a doçura, porque eu acho bonitinho ser protegida por alguém que quer me cuidar (sim, eu sou a mocinha que será salva pelo herói!) e só e simplesmente porque eu quero e acho legal. As mulheres podem tudo, e penso que é maravilhoso viver em um tempo e numa sociedade em que as pessoas concordam com isso, mas isso não significa que eu tenho que querer fazer tudo o que posso sozinha.

Caraca que pensamentinho pequeno não? Quem pensa dessa forma será facilmente dominada por um homem. Por que? Eu sou brasileira, graças a Deus, mas não é por isso que sou menos feminista. Só que minha cultura é diferente, não posso negar. E mudar a raiz cultural de um povo é um processo longo e demorado, que não vai ganhar em nada se eu começar a gritar o meu “ismo”a todos pulmões. Essa etapa já passou e o segredo da transformação está nas mãos de quem educa as crianças. Se são só as mulheres que fazem isso no Brasil, porque ainda somos uma sociedade em que o homem pode mais?

Quem educa os meninos a pensarem assim? Os pais que não acompanham o crescimento deles, ou as mães que fingem que o fazem?

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4 comentários sobre “We Can Do It

  1. Que bom que a Suecia já debateu o que tinha que debater.
    Infelizmente aqui no Brasil a caminhada apenas começou, por isso da necessidade de se falar em feminismo, e no que mais vierem a inventar que traga a igualdade.

    Depois que a galera entender que feminismo não quer dizer superioridade feminina, aí estaremos um bom caminho andado…

  2. hahahah!! tudo isso é louco!! eu amo está aqui na suécia eu gsto de tudo e não pretendo voltar ao brasil , a nao ser um passeio!!mim apaixonei pela a europa quando aqui estive no ano de 2006 só tinha 19 anos! foi ótimo e mais uma vez aqui estou. bjs!

  3. O feminismo não é necessariamente contraparte do machismo… existe para combater ele, quando se manifesta, aliás, combater qualquer injustiça contra uma mulher, seja qual for, cometida por um homem, ou homens, já é taxado de feminismo, ou querer ‘emascular’ os machos… sim, se ouve essas coisas, sem sequer tocar nas palavras homem ou mulher, simplesmente citando fatos, desde que o ouvinte ou leitor fique sabendo que tais fatos envolvam homens e também mulheres. Não acredita? Tente. Eu também não acreditava isso ser possível em pleno 2013. Burra é mulher machista, não mulher não feminista. E a respeito da Suécia… vi isso, não sei se é verdade: http://blogdas30pessoas.blogspot.com.br/2012/08/se-esta-ruim-na-sueciaimagina-aqui.html
    Alguns comentários são brilhantes.
    E dizem que não existe ‘femismo’… fui procurar algum dicionário que esclarecesse o termo mas http://pt.wikipedia.org/wiki/Femismo … tá complicado. Querem dizer que feminismo e femismo é a mesma coisa, e pronto.

Agora vamos prosear!

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