God Jul

Sábado eu tava no telefone com minha irmã mais velha e falamos um pouco sobre Natal. Tá tudo decorado com motivos natalinos desde o início de novembro – o que me deixa bem feliz porque a escuridão quase parece legal – mas para mim não é Natal: tá tão frio e é tão estranho tudo, para todo lado propagandas como “Compre antecipadamente o seu presente de Natal”, ou “Envie um presente de Natal para quem realmente precisa”; “Dê o presente de Natal que você não gostou para alguém que não tem nada”; “Não dê esmolas”; “Diga não à cultura do Papai Noel”… e por aí vai. Tem God Jul para todo lado – Feliz Natal em sueco – que me faz pensar sempre em inverno e Feliz Julho (viva São João!!… não??).

O Marcus e a Emília vieram da Noruega e ficam com a gente até depois do ano novo. Nem isso ajuda. Me sinto em férias escolares de julho – do julho brasileiro. To meio de saco cheio de usar roupas em camadas todo o tempo, ainda que depois que mudamos para o novo apê – que é mais quente – tenho até me surpreendido e andado sem meias pela casa (gente minhas unhas tão que dá dó). Fazia uma cara que não via meus calcanhares e levei até um susto. Precisei comprar uns cremes para amenizar a situação. Vou para o Brasil em duas semanas e ontem falei para o meu pai: “Nem sei se quero levar mala. Quero ficar o mais pelada possível…”. Ok, ok, não é para tanto, mas que dá vontade…

Semana passada a gente foi passear no Liseberg para ver as luzes de Natal, e além disso tinham uma multidão de crianças maravilhadas com porcos, galinhas e coelhos. O Liseberg é o parque de diversões da cidade de Göteborg e, apesar de a maioria dos brinquedos estarem fechados agora, estava cheio de pessoas que vieram apenas caminhar com as crianças, olhar as luzes e os animais e gastar dinheiro com doces. Eu também achei legal ter os animais por lá, porque havia renas também. Primeira vez que vi renas na vida, entendo perfeitamente a fascinação das crianças pelos porcos e galinhas.

O que mais me impressionou foi que há um presépio no Liseberg. Sim, a primeira vez que eu vi um presépio na Suécia foi num parque de diversões em que eu podia esperar um milhão de coisas, menos Jesus. Eu sinto falta de Jesus, pessoas falando do nascimento de Cristo. Parece tão esquisito Natal sem Jesus. É claro que não sou hipócrita e sei que no Brasil não há tanto fervor religioso como todo o mundo pensa. Mas é mais comum ter presépios nas lojas e tal – às vezes pequenos ou escondidos atrás do papai noel, mas tem.

Quase não dá para ver, mas são Jesus, Maria e José!

O melhor de tudo é que não ouvi nenhuma reclamação do tipo que o presépio não devia estar “lá” porque é um desrespeito com a população islâmica, porque é um desrespeito para com a maioria sueca – ateia. Sou super a favor da campanha pela extinção do papai noel como símbolo do Natal, mas acho uma hipocrisia enorme querer extinguir Jesus do Natal. No final das contas eu lembro a letra da música do Padre Zezinho que canta que o povo tem medo de Jesus – só porque ele tinha tanto amor.

Saudade de casa…