Lar doce lar #02

Uma semana de Brasil e ainda to felizona com o sol, o calor e os mosquitos. Tudo bem, talvez nem tão feliz assim com o calor afinal, pois ontem cortei o cabelo e hidratei, fiquei lindona mas nem durou já que a noite rolei pra caramba na cama. Mas como a culpa é do Joel também (amorrrr, que saudade d’ocê!!!), e como brasileiro adora tomar banho e agora eu posso fazer isso mais de uma vez por dia, continuo satisfeita.

Eu tenho um lado bem… sei lá, to com dó do povo que vive da roça e perdeu tudo. Todo mundo espera a chuva só para tentar plantar alguma coisa outra vez, porque tudo que está na lavoura morreu. Em contrapartida, depois da visitinha ao salão meu cabelo – que estava meio morto apesar da intensa chuva de Göteborg – reviveu.

Aliás, eu amo ir ao salão. Só porque aquele é um momento pra mim mesma, porque tem alguém que vai lavar e massagear e hidratar o meu cabelo, e porque sempre me sinto uma princesa depois disso – ainda que vista shorts, regata e havaianas. E quando a gente tem uma profissional de beleza que é nota 10 – Isa, to falando de você – melhor ainda.

Acho que essa é uma das coisas que mais me faz falta na Suécia. Mas aqui no Brasil também sinto falta de coisas que eu tenho lá em Göteborg – mercado aberto até as 22h no domingo também, por exemplo – ou seja, coisas de cidade grande. Pagar com cartão em qualquer boteco também.

Falando nisso, esqueci de levar o cartão no mercado (C-Vale) hoje pela manhã e passei raiva. A compra deu R$27,97 e quando eu pedi o meu troco de R$0,03 centavos, a caixa me olhou com bico. Primeiro, que acho o cúmulo caixa de supermercado trabalhar emburrado. Segundo, se em um só dia 100 pessoas deixam R$0,03 centavos para trás, o dono do mercado, claro, ganha R$30,00. Assim, sem fazer nada – e isso que to falando de Maripá – Paraná, 3 mil habitantes; imagina nos grandes centros. Claro que se for alguém bem intencionado, vai orientar os funcionários a fazerem a coisa certa, afinal, de três em três centavos o cidadão pode perder muito mais do que imagina em um ano. Não me intimidei com o bico não, e fiquei lá esperando até me darem os três centavos.

Coisa de gente chata? Pode ser, mas ninguém vai me dar três centavos de graça. Aliás, tá muito mais fácil perder os três centavos, ou com o caixa do supermercado, ou na compra do pão, ou naquelas compras que dão pá pá pá e 99, e você nunca ganha o centavo de volta. Talvez uma bala. E se a pessoa é diabética, de que serve?

Outra coisa ridícula desse Brasil é patrão que paga funcionário com cheque de terceiros. Ao invés do cidadão receber o salário no fim do mês recebe um pepino: vai da sorte conseguir trocar o cheque em algum lugar, se não tiver de depositar e esperar mais sei lá quantos dias o dinheiro entrar na conta.

Por essas e outras me irrita o discurso sobre a corrupção. Que o Brasil é um país corrupto, infelizmente, não posso contestar. Afinal, nem receber o troco certo em mercado eu posso. E se faltar três centavos para pagar a conta, será que eu posso levar os produtos? Na minha opinião, consumidor não pode deixar passar os centavinhos não: paga-se um monte em impostos, tá todo mundo se lascando por causa da inflação e reclamando do governo (com razão); mas façam as contas dos centavinhos que se perdem na padaria, mercado, e todas as compras de ,99… ficou surpreso?

Economia não é apenas guardar dinheiro: é cuidar do dinheiro também…

 

Que ideia genial!!! Mas na Suécia eu não ganho balinha no troco…

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2 comentários sobre “Lar doce lar #02

  1. Olá !

    Bom, eu já fui caixa de supermercado e as mesmas pessoas que esperam os R$ 01,R$02,R$03 centavos de troco são as mesmas que quando a compra dá R$ 10,01, R$ 10,02, R$ 10,03 são as mesmas que não pagam esses centavos e normalmente os operadores de caixa não cobram. Então acho que no fim acaba sendo a mesma coisa! hehe

    Tudo de bom nas suas férias no Brasil! Recebi meu visto para morar na Suécia e em Junho me mudo de malas e cuias para perto do meu amor também!

    Abraços

  2. Oi Jose!!

    Parabéns pelo visto!!
    Eu fiquei mais brava com o bico da mulher do que o fato de não receber os centavos de troco. Já encontrei caixas de supermercado super legais que me deixaram levar os produtos e depois voltar e pagar a diferença de R$2 ou R$3. Acho que no Brasil a gente tem essa liberdade e “camaradagem” entre desconhecidos que é legal, mas se eu quiser meu dinheiro ninguém tem o direito de fazer cara feia.
    Tenho de admitir que fiquei meio pão dura de um tempo para cá, mas isso é resultado de ler e aprender muito sobre economia, poupar dinheiro e tudo o mais. A gente trabalha muito para ter dinheiro e muitas vezes não dá muito valor para isso. Acho que to bem mais pão dura do que imagino afinal…
    Na Suécia também tem centavos, e a conta do supermercado sempre foi arredondada para mais (se a conta fosse 149,50:-, eu pagava 150:-.). Nunca vi moeda de centavos sueca, nem sei se existe, e eu não curtia isso não. Mas daí eu fiz um cartão e é com ele que pago sempre.
    Prefiro pagar com cartão, sempre será cobrado o valor exato.
    Ah, seja bem vinda a Suécia!
    Abraços!!

Agora vamos prosear!

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