SOPA de letrinhas

Minhas férias ainda não acabaram, mas resolvi postar alguma coisa antes que os projetos SOPA e PIPA tornem a internet um lugar tãooo chato que ninguém mais vai perder tempo por aqui. Pra variar, os EUA só querem mostrar que continuam os donos do mundo apesar da economia decadente. Uma merda não?

Agora mesmo estava olhando na tv o Obama dando a notícia de que os EUA finalmente começaram a facilitar a entrada de brasileiros nas terras do Tio Sam. Não pela nossa simpatia, mas porque as pesquisas apontam que a classe média brasileira costuma deixar – em média – U$5 mil durante as visitinhas ao “States”. Diante da crise, a idéia é transformar os Estados Unidos em um país turístico, o que ampliaria muito os postos de trabalho. Indiferente disto, estava mais do que na hora dessa palhaçada com visto para os lados de lá acabar, porque chega as beiras da humilhação tudo que um simples mortal precisa apresentar ao consulado americano quando da solicitação do visto para os EUA.

Tudo bem, eu não sou fã. Sempre torci a beça para que todos os brasileiros se decepcionassem tanto com os EUA a ponto de desistirem de tentar qualquer coisa lá, mesmo que fosse passear. Eu queria que todo mundo viajasse para Inglaterra ou Austrália para melhorar o inglês, que todo mundo fosse para a Disneylândia européia – que dizem não é tão glamourosa mas enfim; que ninguém quisesse estudar ou morar nessa merda de país prepotente… Qual é? Eu fiz faculdade de Serviço Social em uma universidade pública, e explica bastante se eu disser apenas que Marx era rei e o capitalismo, o diabo. Graças a Deus, por mais forte que fosse o meu desejo super preconceituoso nunca se concretizou.

Simplesmente um dia a gente aprende que nem tudo é preto no branco, ou 8, ou 80 – que digam os suecos com seu lagom. Apesar de os EUA continuarem acoplados – na minha cabeça – as palavras dominação, preconceito, exclusão, discriminação e filhos da puta, eu já cresci o suficiente para entender que o problema é e ou está – mais do que no governo americano – nas grandes empresas. As grandes empresas dominam o governo americano, isso não há dúvida, e daí todo o mundo fica… em maus lençóis por causa da influência do Tio Sam. E quando digo todo mundo, me refiro a todos os países do planeta Terra.

Recentemente, passei por um período no qual odiei com muita força as grandes empresas multinacionais porque estava lendo o livro “Eu não existo sem você” (Melissa Fay Greene) e porque eu e Joel assistimos o documentário “Inside Job“. No livro, a jornalista norte-americana mostra como as grandes indústrias famacêuticas MATARAM milhões de pessoas (principalmente na África) porque conseguiram, junto ao governo dos EUA, o direito de que as patentes dos medicamentos de combate aos vírus da AIDS fosse protegido por 20 anos. Isso significou que até meados de 2000, o custo do coquetel era, por pessoa, no mínimo 10 vezes maior do que hoje e que governos de países pobres – todos os países da África se encaixam nesse perfil – jamais poderiam disponibilizar o tratamento a população. Pra reforçar, aquele documentário mostra que o governo americano é um simples fantoche na mão do pessoal da Wall Street: eles ganham bilhões, enquanto o povo estadunidense paga a conta. No final de tudo, a grande vilã da história é a mesma de sempre, a Dona Corrupção, aquela que nós, brazucas, conhecemos muito bem.

Brasil e Índia enfrentaram as multinacionais farmacêuticas e produziram os primeiros genéricos anti-AIDS no mundo. Uma vitória pequena, mas extremamente significativa, que demorou… Pergunta: quem vai enfrentar Holywood e as grandes gravadoras que querem extinguir a liberdade na internet? Se eles não tiverem dificuldade alguma de restringir medicamentos a pessoas morrendo, se não tem dificuldade nenhuma em ferrar a própria nação, será mesmo que o Congresso Americano vai recuar diante dos protestos dos internautas e algumas empresas?

Está na hora de o capitalismo mudar, de o capitalismo desencanar da forma “modo de produção turbo” para “modo de produção alguma coisa-que-não-lasque-tanto-assim-a-vida-dos outros”. Sei lá se rola, não sei se isso existe, se seria possível e tals, mas enquanto o capitalismo continuar selvagem, sem regulação, vamos continuar vivendo a montanha russa do desenvolvimento: ora com liberdade, ora sem; ora com acesso a saúde, ora sem; ora com acesso ao trabalho, ora sem; ora com acesso a lazer, ora sem; e mais todas as coisiquinhas que você mesmo pode incluir nessa lista.

Dizem que acreditar no impossível é o primeiro passo para tornar algo difícil real…

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Um comentário sobre “SOPA de letrinhas

  1. Eu assiti ao documentário qndo fiz Teoria das Organizações na universidade, passei qse um semestre deprimido, sem exagero (me manteve vivo nunca ter comprado um tenis Nike haha).
    SOPA nao contribui para o turismo ‘on uncle San’s land’. Por exemplo myself juntando money pro intercambio lá, motivo da escolha: influencia dos seriados que eu baixo, se nao tem como baixar nao tem influencia. Tiro no pé!

Agora vamos prosear!

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