Verbos pra que te quero – Parte III

To lendo muito sueco, e isso significa muito tempo para poucas páginas. Daqui a pouco rola prova sobre um livro (Manniskosaker) e a minha impressão é que o sueco piora quando começamos a ler. Seja porque gastamos um tempão caçando palavras no dicionário ou seja porque precisamos de concentração e silêncio, recebi a nota mais baixa no sueco desde que comecei a estudar – numa prova de listening (ouvir e entender); o resultado é que seria reprovada se a provinha não fosse apenas para obter uma média da capacidade de compreensão da turma. Hahá, ajudei a lascar todo mundo.

Resgatei o ‘Verbos pra que te quero’ do fundo do baú porque lembrei que esqueci de postar sobre os verbos suecos no passado. Na verdade, falta o imperativo também, mas isso fica para outro post. Voltando ao que interessa, os verbos suecos no passado não são muito difíceis e a boa notícia é que há verbos “regulares”; assim nomeados só para facilitar a explicação porque a unica coisa que diz meu livro de gramática é que os verbos em sueco são divididos em quatro grupos distintos. Por que? Porque um dia os vikings, sentados ao redor de uma fogueira, decidiram assim. Sério, tá no livro. Hahaha… claro que não, mas como o livro não explica o porquê dos grupos, também não posso explicar.

O sueco conjuga os verbos no pretérito e pretérito perfeito. O pretérito é o passado simples, aquele que mais usamos no dia-a-dia: eu comi, eu bebi, eu saí, eu trabalhei, eu estudei, eu li, blá blá blá. Para o preteritum sueco, os verbos se apresentam de três formas “regulares” distintas e uma forma irregular. Simplificando, podemos dizer que os verbos regulares em sueco terminam em de, te ou dde. Vamos de exemplo:

Os exemplos da linha verde correspondem aos verbos do grupo 1. Os verbos que fazem parte desse grupo tem acrescentado a forma do infinitivo apenas a complementação “de” na forma do preteritum: titta – tittade; arbeta – arbetade; sluta – slutade; diska – diskade (olhar/olhou; trabalhar/trabalhou; acabar/acabou; lavar a louça/lavou a louça). É importante lembrar que os verbos no infinitivo são os verbos base (acrescentando “att” antes da forma do infinitivo), que na grande maioria são terminados em a.

Os exemplos da linhas azuis correspondem aos verbos do grupo 2, subdivido em 2a e 2b. Nesse grupo, os verbos tem a terminação “de” ou “te” no preteritum, sendo que a terminação é acrescentada depois de se ‘comer’ a letra final da forma do infinitivo (ou seja, um ‘a’): lära – lärde; köra – körde; ringa – ringde; resa – reste; hjälpa – hjälpte; köpa – köpte (aprender/aprendeu; dirigir/dirigiu; ligar/ligou; viajar/viajou; ajudar/ajudou; comprar/comprou).

Os verbos do terceiro grupo no preteritum sueco tem como terminação “dde”; esse grupo de verbos tem a particularidade de que no infinitivo não são terminados em a, como: må – mådde; tro – trodde; bo – bodde; spy – spydde (sentir-se bem/sentiu-se bem; acreditar/acreditou; morar/morou; vomitar/vomitou). Eu realmente não sei porque a regra se aplica a um grupo e outro, mas na prática – na hora de falar – dentro desses três grupos “regulares” é só chutar a terminação “de” ou “te” (sempre lembrando de ‘comer’ uma letrinha quando falar “te”)’; se não for nenhum dos dois o verbo é irregular.

Denominei os verbos pertencentes ao grupo 4 como verbos com preteritum “irregular” porque a sua terminação não segue nenhum padrão. Alguns exemplos de verbos com preteritum “irregular”: att se – sag; att dö – dog; att äta – åt; att sjunga – sjöng; att springa – sprang; att dricka – drack; att gå – gick (ver/viu; morrer/morreu; comer/comeu; cantar/cantou; correr/correu; beber/bebeu; ir/foi).

O pretérito perfeito ou perfekt do sueco tem a seguinte forma: har+supinum; e é utilizado para falar de situações do passado que podem e não ter sido concluídas. Por exemplo: Jag har bott i Sverige i elva månader (eu tenho morado na Suécia onze meses) está explicando uma coisa que já fiz – morar na Suécia por 11 meses – mas que ainda não acabou; mas eu também posso dizer: Jag har smakat lax och tycker att det är gott (eu já comi salmão e acho que é gostoso) indicando uma ação que está no passado e que já foi completada.

O perfekt  apresenta a mesma terminação dentro dos quatro grupos de verbos –“t” ou “tt” – sendo que entre os “irregulares” há mudança apenas nas vogais que compõe o verbo, o que facilita na hora de falar – não de escrever. Para mim a utilização do verbo “har” causou certa confusão na hora da leitura, uma vez que no português ‘tem morado, tem amado, tem lido, tem…’ dá uma impressão de continuidade. A dica é observar se a frase contém um indicativo de tempo (hoje, esse mês, a semana passada, algumas horas, etc) e na falta desse traduzir o verbo “har” como : já vi, já amei, já provei, já bebi, blá blá blá … Entretanto, é muito importante lembrar que sett, älskat, smakat*, drukit… são traduzidos como visto, amado, provado, bebido… alguns exemplos:

O perfekt no sueco pode aparecer com a variação att ha+supinum ou hade+supinum, sendo esta última variação a forma do pretérito mais que perfeito (digamos assim) em que “hade” pode ser traduzido como ‘tinha, tive’, então: Jag hade dansat salsa för första gång i mitt liv = “Eu tinha dansado salsa a primeira vez na minha vida“.

E agora, prova!

*Att smaka é o verbo para experimentar comidas e bebidas; em outros casos é melhor utilizar att testa ou att försoka (testar e tentar).

** Eu to com pressa e não pedi para o Joel corrigir, se houver alguma coisa errada (vai ter) posto a correção nos coments!

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5 comentários sobre “Verbos pra que te quero – Parte III

  1. Hahahahah… minha correção é ínfima porque percebi que vc escreveu correndo mesmo. Está tão sueca que escreve “dançado” com “s”. Maria, você está bem demais no sueco. Eu voto prá você continuar ensinando aqui. Adorei! Que tal explicar sobre as “bisats”? Parabéns, você é uma ótima professora! Beijão

  2. Oi Cíntia!

    HPhapuhpaushPUHAPSuhpuhas!! Pior que é… Depois de terminar o sueco vou ter que fazer um curso intensivo de português! =P

    Mas o Joel me ajudou a corrigir e sim, teve duas coisinhas que esqueci: o passado de ver (att se) é “såg” e não “sag” como escrevi; e o perfekt de beber (att dricka) é “druckit” com ck – no post esqueci o c antes do k, eu sempre esqueço na verdade…

    Valeu o carinho…

    As bisats? Acho que não ouvi disso não… pera lá que vou consultar meu professor particular!

    Beijos

  3. São as orações subordinadas, aquelas que tem menos importância na frase, sempre seguidas por uma conjunção. Por exemplo: Eu escrevo no blog enquanto escuto música! Enquanto (medan) é a conjunção que liga. O problema é a ordem das palavras. Eu sempre erro, porque depois da conjunção tem regra. Verbo primeiro, se tem advérbio de tempo é depois… enfim, eu misturo, escrevo e falo errado! :D bj

  4. Hummm…

    Boa pergunta. Escrevi um post sobre “ordföljd” que chama “Decifra-me ou te devoro” (tem dois acho, sobre afirmações e interrogações), mas realmente não sei como funciona quando a frase não tem apenas uma sentença simples – ainda to na fase do sueco de 5 anos. Agora que eu to lendo percebo que é bem variado, vou perguntar para a Gunnel e em seguida, posto a resposta.

    =D

Agora vamos prosear!

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