Sobre a tristeza e o suicídio

Decidi filosofar um pouco, afinal é domingo e então, nada melhor para se fazer – na Suécia não tem futebol na tv no domingo a tarde, nem Faustão… hahaha! Além do que eu não tenho tv! Num dos coments de um post que escrevi semana passada as meninas R e A disseram que no blog Escreva Lola Escreva havia um guest post sobre a Suécia (datado de primeiro de março) que tratava sobre a questão das relações entre homens e mulheres.

O autor do post é o José Tarcísio que vive em Stockholm, estuda física mas se interessou também por estudar a sociedade sueca. E como não poderia deixar de ser, uma das coisas mais impactantes dessa sociedade é a igualdade entre homens e mulheres. Além da questão da licença parental, ele aborda o fato de que meninos e meninas vestem qualquer cor e brincam com qualquer brinquedo (fato: eu vi uma foto da princesa Victoria exibindo um macacão azul sobre a barriga, deduzi que o herdeiro do trono sueco seria menino… e A recém nascidA chama Estelle! Esqueci completamente de onde estava); e que as mulheres tomam iniciativa na paquera sem serem tachadas de oferecidas e etc..

O post é realmente interessante (leia aqui), mas o que me chamou a atenção foram os coments: lá pelas tantas um anônimo escreveu que “Só para lembrar, essa terra ‘perfeita’ é a 28a no ranking dos suicídios“. oO. Primeiro, o post não é sobre suicídio, é sobre relações de gênero. Segundo, nós brasileiros temos um orgulho meio bobo não é? Se algum país é melhor do que o nosso em alguma questão social, temos sempre de lembrar que o “nosso” povo é considerado, visto e aclamado como o mais feliz e simpático do planeta.

Sério?! Brasileiro é feliz (mesmo) ou eufórico? Não, eu não quero nem posso afirmar que brasileiro seja infeliz e tenho mesmo muito orgulho de pensar que se o brasileiro não é realmente o povo mais feliz e simpático do planeta é, no mínimo, o mais otimista. Mas posso usar isso como justificativa? Brasileiro vive na violência, mas no mais… sem problemas, porque somos felizes. Brasileiro vive na miséria, mas no mais… sem problemas, somos felizes. Brasileiro é machista e corrupto, mas no mais… você sabe, somos felizes. Não parece demais esse tipo de comparação? Sueco é seco e individualista, por isso é triste. Sueco é feminista, por isso é triste. Sueco é materialista, por isso, triste.

Seria perfeito apenas colocar tudo num saco subjetivo de “felicidade” e “tristeza”. Eu chuto que seria mais acertado dizer que brasileiros tem um traço cultural muito mais quente do que suecos. Gritamos, choramos de soluçar, rimos às gargalhadas, dançamos mexendo todo o corpo. Até aí, sem novidades. Mas isso não é o “natural” em todo o planeta: nossos amigos vinkings tem de estar um tanto quanto embriagados para soltar a franga porque culturalmente é inadequado rir alto, gritar, chorar ao soluços, dançar como loucos… Não é lagom.

Dai o anônimo continua: “Se a coisa lá é tão boa e funciona tanto assim, pq se matam tanto?“. Seria interessante perguntar então: porque os brasileiros não enlouquecem ou cometem suicídio diante de tanta merda que acontece no Brasil? Eu amo o Brasil de paixão, mas ninguém pode negar que temos problemas seríssimos estruturais, políticos administrativos e sociais que afetam toda a população brasileira. Graças a Deus que brasileiro é otimista!!… Brasileiro tem “jeitinho” pra tudo, e tudo vai ser resolvido de uma forma ou de outra. Brasileiro tem fé. Brasileiro joga junto e tem força na peruca!

Pra mim essa palavrinha significa um tudo: “junto” (ou equipe, ou time, se preferir) é um indicativo de proximidade. Há uma série de estudos que mostram que povos do norte do mundo tem uma noção diferente de espaço pessoal (leia o livro “Como conquistar as pessoas”, de Allan e Barbara Piece), sendo que essa diferença se acentua ainda mais em países chamados orientais: não é adequado tocar, nem mesmo apertar as mãos de pessoas com as quais você não seja íntimo; que dirá abraçar, beijar, fazer um carinho ou um cafuné. Brasileiro ri junto, grita junto, chora junto, dança junto. É só pensar em estádio de futebol e carnaval: uma multidão pulando e se amassando, transpirando e se atropelando… achando tudo fantástico. Sueco sorri sozinho, nunca grita, chora sozinho, dança sozinho. Aqui ninguém tem o direito de se meter na vida dos outros. Isso mesmo, cansado das vizinhas fofoqueiras, tia, primas, irmãs e todo mundo que se mete na sua vida? Mude para a Suécia e comece imediatamente a sentir falta disso. Aqui, se você está triste ninguém não vai fazer coisa alguma a respeito a menos que você demonstre que “alguém” pode. “Ninguém” vai abraçar uma pessoa melancólica e dizer um: você não está sozinho… Uma das piores sensações do mundo é quando imaginamos que ninguém se importa conosco, que ninguém vê nossas lágrimas, que ninguém vai sentir nossa falta. É certo que um depressivo pode e vai perseverar na angústia e sofrimento até decidir por si mesmo ser feliz, mas será que apoio não vale realmente nada?

Penso que a questão do frio e do sol influenciam também, mas pouco. Ou será que o frio e escuro ajudaram a moldar a cultura desses povos? Foi difícil para mim me habituar a falta de sol, sobrevivi ao inverno a basa de vitamina D. Além disso, é certo que o corpo produz uma série de substâncias que induzem ao sono e ao despertar que são acionadas de acordo com a luz solar. Se o sol aparece as 9h e some as 15h… Ok, “baiano passa o dia todo na rede”, e na Bahia é quente pacas, tem luz a beça… O calor também induz a preguiça, mas não é de preguiça que eu to falando: to falando de sentir sono e cansaço.

O frio mais intenso que existe nos países europeus é a falta de calor humano. Que esse é um fator existente de sobra no Brasil e em falta por aqui, não há como contestar. Duvido, no entanto, que a questão do calor humano tenha alguma relação com as questões de gênero: um povo não é mais ou menos caloroso de acordo com seu grau de feminismo ou machismo; o Brasil poderia ter relações de gênero mais equilibradas e ainda ser o campeão de felicidade e otimismo.

Há um órgão internacional que trata da prevenção ao suicídio, e de acordo com o site deles a incidência do ato tem diminuído gradualmente na Suécia, passando a ser mais frequente entre jovens do que entre idosos, não sendo maior do que a média mundial. Segundo a OMS, na Suécia a estimativa de suicídios é de cerca de 18.1 entre os homens e 8.3 entre mulheres (dados referentes ao ano de 2006, relativo a grupo de 100 mil pessoas), sendo que no Brasil a taxa é de 7.3 e 1.9, respectivamente (ano de 2005 – grupo de 100 mil pessoas). Apesar de a taxa sueca ser quase 3 vezes maior entre homens e quase 4 vezes maior entre mulheres do que no Brasil, não há muito o que comemorar pois os dados recebidos pela OMS dependem diretamente dos sistemas de dados de cada país. O que quero dizer é que países como o Irã, por exemplo, apresentam uma taxa de suicídio de 0% – afinal, as tentativas de suicídio no Irã não podem ser só tentativas, ou você consegue ou será condenado a morte.

Por fim, tristeza no Brasil vira música sertaneja, pagode ou cervejada; e há quem goste e aprove todos os três…

“Sem nome”

Um dia li não sei aonde que vaga-lumes piscam porque tem uma substância química no abdômen que produz luz (chamada luceferina) e que as cigarras cantam também porque tem uma membrana no abdômen que vibra. Nesses casos, a luz do vaga-lume e o canto da cigarra são utilizados para chamar a atenção da fêmea. Também li certa vez na revista Super Interessante que a memória humana pode ser dividida em 5 grupos diferentes; que os olhos nunca crescem (nascemos com os olhos desse tamanho mesmo); e que as orelhas e o nariz nunca param de crescer.

Não tenho certeza de que as informações estão corretas (não to a fim de pesquisar também), afinal faz tempo que li e algumas nem lembro onde! Isso é apenas para mostrar que eu sou ótima para guardar informações, ainda mais daquile tipo que ninguém usa (como a protagonista de a Hora da Estrela – Clarice Lispector), que sou curiosa e que por isso mesmo me frusta muito quando quero saber de uma coisa e não posso.

Faz um ano que tenho uma mancha estranha no rosto. Definitivamente não parece câncer, às vezes parece uma micose (acreditei nisso bastante tempo), coça se me exponho ao sol e fica vermelha. O problema é que cresce, e se multiplica, e até agora, não tem nome nenhum.

Já consultei médico no Brasil, dois médicos “gerais” diferentes aqui na Suécia, e agora um especialista. O primeiro disse que eu havia irritado a pele, possivelmente com as unhas (poderia ser mesmo, na época parecia apenas uma espinha inflamada, eu tinha muitas espinhas “internas” e tenho o terrível hábito de arranhar o rosto enquanto leio…). O primeiro médico aqui na Suécia disse definitivamente que era micose. O segundo que não sabia ao certo. O especialista que é uma inflamação ou outra coisa que… nem eu nem o Joel entendemos direito, um pré câncer… sei lá. Não tem nome.

Estive quarta mais uma vez com o médico, ele acha que não é necessário fazer um exame, que não é grave; mas eu estou frustrada e insatisfeita: não vejo melhoras, e a coisa que começou como uma “espinha inflamada” se transformou em três pontos estranhos na pele, um com quase 2 cm de altura. Não sei se são meus olhos, minha frustração, o medo de que isso não suma e cresça e cresça, ou se é porque eu sei de tantas coisas que não fazem diferença nenhuma e justamente disso que é importante não sei nada! Não tenho um diagnóstico, ninguém me diz o nome disso é “mancha de pele”, é natural e você não precisa se preocupar, ninguém diz isso é micose, vai desaparecer em 2 anos porque o tratamento é demorado… Então eu dei o nome de “sem nome” para deixar meu lamento e algumas fotos aqui. Quem sabe alguém que lê sabe do caso de algum primo de uma amiga do sobrinho da tia-avó que teve um caso semelhante…

A “coisa” apareceu depois que passei uma semana na praia de Balneário Camboriú ano passado. Pareceu uma espinha inflamada, em seguida queimadura de cigarro, apareceram mais duas pequenas manchas, a cor varia entre o rosa claro e salmão (quase vermelho); nunca machucou ou ficou em carne viva mas às vezes a pele parece cheia de bolinhas e irregular, coça após exposição solar. Depois que comecei a usar o antibióco percebo que a pele entre as manchas e ao redor está escurecendo. Já usei cinco tipos de pomadas diferentes, 3 delas para micose, a última contendo “klobetasonburyrat” (butirato de clobetasona?) e agora vou iniciar com uma “sexta” tentativa que contém cortisona (não peguei a pomada ainda, deixo o princípio ativo nos coments). Estou tomando um antibiótico com “lymecycline” e “tetracycline”.

As duas manchas menores também começaram bem pequenas, como uma espinha. Mas sem inflamação.

Como parece minha "amiga" de perto.

Quem souber de algo, abrigada.

Cinema Sueco

Ingmar Bergman (Fonte: Blog do Alfredo)

Já que essa foi a semana do Oscar decidi me aventurar no tema. Gosto muito de cinema, não só de assistir os lançamentos, mas de ver e rever filmes que marcaram tanto a minha história como a história da sétima arte. Semana passada assisti, por exemplo, Modern Times (Tempos Modernos de Charles Chaplin) e essa semana rolou 12 Angry Men (12 Homens e uma Sentença). Meus filmes prediletos dos últimos tempos são com certeza Changeling (A Troca), Inception (A Origem)  e The Hangover (Se beber não case).

Desde que me mudei assisti a uma série de filmes suecos, desde aventuras  infantis como Emil e Bröderna Lejonhjärta (“Os irmãos coração de leão” de Astrid Lindgren – ela é o Monteiro Lobato da Suécia) até a trilogia Millenium de Stieg Larsson. Não sou crítica de cinema e não posso avaliar atuação, direção, luz, fotografia, e os ects de todos os aspectos de um filme: para mim filme bom é aquele que me emociona ou faz pensar – a não ser no caso de comédias, obviamente, que são boas se fazem rir. O que mais gosto nos filmes suecos é que as pessoas parecem de verdade.

Quando comecei a estudar sueco há um ano atrás baixei “Man som hatar kvinnor” (Os homens que não amavam as mulheres) que agora está nas telas com a versão americanizada “The Girl With Dragon Tatoo” (A garota com tatuagem de dragão). Eu li Stieg Larsson meio sem querer, foi a Angela que comprou exatamente na época que eu viajei para a Suécia a primeira vez, peguei o livro emprestado e demorei uma cara para terminar. Li primeiro o segundo, depois li o primeiro e nunca li o terceiro. Deu preguiça.

Em todo caso, assisti a versão sueca no mínimo 10 vezes – eu queria aprender sueco e apesar do filme ser longo, é legal. Eu tava me coçando para ver a versão hollywoodiana e fui logo depois de ser lançado (aqui, em dezembro passado). Decepcionei, justamente porque as produções holywoodianas são demais: a Lisbeth é uma guria que teve a economia controlada toda a vida e tem uma moto super cara, por exemplo. Sei lá, acho que me acostumei tanto com a versão sueca que a americana para mim é simplesmente… fora da realidade. Também não curti a Roney Mara no papel principal, nem entendi porque ela foi indicada ao Oscar, mas… vá lá, não sou expert e ponto.

Em fevereiro saí mais de Stieg Larsson e de Astrid Lindgren e assisti “Simon och Ekarna” (Simon e a… árvore); “En enkel till Antibes” (difícil traduzir, uma coisa como Sozinho para Antibes) e “Katinkas Kallas” (O Aniversário de Katinka). Todos dramáticos. Acho que cinema europeu é mais adepto dessa versão, além do que as “comédias” que assisti dificilmente arrancariam risadas de onde eu vim. Talvez alguns suspiros, ou um sorriso amarelo.

O maior nome do cinema sueco é Ingmar Bergman, diretor que morreu aos 89 anos depois de fazer mais de 50 filmes, ganhar 3 Oscars na categoria de melhor filme estrangeiro e receber muitas críticas. Foi de Bergaman o primeiro filme em que uma mulher mostrava os seios enquanto se banhava numa praia (Sommaren med Monika – Monica e o desejo – de 1952); uma coisa que é bastante natural dentro da cultura sueca mas que foi vista com erotismo e censurada em muitos países na época.

Além de Bergman, pode-se citar Greta Garbo, artista nascida em Estocolmo que participou de mais de 40 filmes e fez grande sucesso em Hollywood na era do cinema mudo e na década de 30. Atualmente, trabalham em produções fora da Suécia Max von Sydow (O Exorcista), Naomi Rapace (Sherlok Holmes – O Jogo de Sombras) e Stellan Skarsgard (Thor), entre outros. Na Suécia, entre os atores mais populares pode-se citar Sven-Bertil Taube, Malin Morgan, Michael Nyqvist, Peter Haber (que está na versão americana de “Os homens que não amavam as mulheres”), Helen Sjöholm e Frida Hållgren – sem citar nenhum dos atores que participaram dos filmes de Bergman, como Harriet Andersson.

E por hoje é só pessoal!

PS.: Quem está no Brasil e quer assistir algum filme em sueco pode encontrar a Trilogia Millenium no Filmes Hunter (filme com legendas em português).