Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #13

To escrevendo esse post desde a semana passada porque graças a Deus eu arranjei mais algumas horas trabalhando como assistente pessoal. Um experiência nova, empolgante e exigente, uma vez que vou trabalhar com uma pessoa autista. Bom, bom,bom; já li alguma coisa sobre isso mas nunca havia tido contado direto com algum autista.

E não foi só isso: na sexta feira fiz uma entrevista de emprego e paguei o maior mico. Tenho uma amiga sueca que é enfermeira, e um dia conversando e tals falávamos de trabalho quando eu disse que queria um extra para guardar dindim para o casório e ela comentou que estavam precisando substitutos para o trabalho dela. Ela me passou o telefone da encarregada e disse que era muito legal passar o dia com os moradores da casa e etc, e que era meio parecido com assistência pessoal. Eu entendi que era um lar de idosos, porque existem muitos lares de idosos aqui na Suécia que contam com assistentes fins de semana ou mesmo diariamente. No fim da entrevista descobri que o lar é para pessoas com deficiência mental… sorte minha que o pessoal do lar gostou bastante de mim. Eu me desculpei claro, mas devo ter podido estrelar “Morango do Nordeste” por alguns bons minutos.

Esse último não tem nada a ver com o trabalho com a pessoa autista. Falando nisso, estive hoje com um grupo de autistas por uma hora e pude vislumbrar por alguns instantes como esse universo é enorme: um autista pulava entusiasticamente no meio da sala enquanto outro estava totalmente concentrado com as formas de um objeto. Obviamente, muitos autistas conseguem ter uma vida sem assistência, mas eu tive a oportunidade de visualizar os casos mais complexos em que a pessoa precisa constantemente de uma âncora para ter um pé nessa vida que nós chamamos de normal.

Como diz o ditado, vivendo e aprendendo. Como esse blog não vive só de dizeres populares, um pouco da novela aprenda sueco na Suécia:

Eu falo e repito que odeio fazer trabalho em grupo. Primeiro, porque eu não fiz nenhum amigo na turma do SFI, e também não fiz nenhum amigo na turma do SAS. Na turma do SFI eu fiquei na minha depois que uma tailandesa disse bem na minha cara: “Eu tenho raiva toda vez que ouço você falar, porque eu moro aqui há quatro anos e não consegui terminar o SFI.”. Eu tentei dar uma resposta, mas ela só virou as costas e saiu. É a vida…

Na turma do SAS tem a Margareta, uma peruana que sempre conversa comigo. Mas ela tem uma criança e muitas vezes não vem para a aula porque a criança está doente. Às vezes ela chega atrasada e como não há lugares marcados na classe a gente não senta juntas. Foi o que aconteceu na última quarta-feira: quando ela chegou estávamos justamente separando grupos de trabalho para um debate, e uma chinesa já havia me chamado para fazer parte do grupo dela. Eu acho muito legal essa coisa de sentar com pessoas novas e conversar, mas trabalhar em grupo para mim é bastante difícil. Não sou flexível, não tenho paciência e… não tenho paciência.

Vamos simular um debate na próxima quarta e meu grupo escolheu o tema: “Coma comida orgânica/ecológica”. Sou parte do time a  favor da comida orgânica/ecológica, e o objetivo é apresentar argumentos suficientes para a causa. Entrei na internet depois da aula de quarta, pesquisei sobre o tema, escrevi algumas coisas e mandei para o pessoal do grupo. To no vácuo até agora. Isso me desgasta. Eu fico pensando que todo mundo tem seus compromissos e tals, mas não ajuda. Quarta feira vamos ter de falar na frente de todo mundo, estar seguros e preparados para isto; não rola olhar 5 minutos antes da aula o que é que dá para fazer… talvez seja só eu que precise me preparar para. Odeio fazer trabalho em grupo.

Esse relato escrevi no sábado. Fim de semana continuei no vácuo e quem quebrou o ‘silêncio’ da minha caixa de e-mails foi a professora avisando que não teria aula hoje; que booooommmmm. Em seguida uma das pessoas do meu grupo escreveu algumas linhas dizendo que ela não tinha encontrado nada “ainda” para contribuir com a construção dos argumentos. Ao menos alguém respondeu e agora temos uma semana de novo pela frente, quem sabe o que vou encontrar na minha caixa de e-mail na terça feira a noite?

Fico incomodada quando uso a expressão vida normal, por isso… não uma ou duas vezes me pego filosofando sobre o que seria uma vida normal. Trabalhar de segunda a sexta, começando as 8h e saindo as 17h; ter férias uma vez ao ano; viajar; completar a graduação, pós e mestrado; passar Páscoa e Natal em família; bla bla bla… Se for assim nada na minha vida se parece com uma vida normal; por aqui tudo muda todo o tempo.

Falando nisso, adjö blog en gång till… acabei de receber visitas!

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