Göteborg News #01

Faz um tempo que ando pensando em escrever um pouquinho sobre as notícias que circulam nos jornais e etc de Göteborg, mas eu estou me preparando para a minha primeira despedida de solteiro aqui na Suécia e por isso não havia começado ainda. A despedida de solteiro não é a minha e eu to super ansiosa porque aqui na Suécia despedida de solteiro é levada bem a sério – tanto para o noivo quanto para a noiva – e apesar de eu não ser tão pop (ainda) eu vou passar por essa ano que vem, sem sombra de dúvida.

Ok, depois da data eu posto maiores informações aqui no blog, talvez umas fotos! Mas como eu ia dizendo… fazia um tempo que eu tava afim de comentar algumas notícias que rolam nos periódicos gotemburgueses só que eu preciso de tempo para não escrever apenas abobrinhas e ter os dados corretos. Eu até tinha separado alguns recortes de jornal, mas no fim das contas eles encontraram o lixo antes de eu ter tesão de escrevê-los. Por conta do último post recebi alguns coments muito interessantes de uma senhorita Maria Carolina – com links de reports relacionados a Suécia. Por coincidência – ou não – um deles era justo sobre o tema que havia pensado escrever.

O objetivo não é a produção de um texto de cunho jornalístico e sim de deixar alguns dados e informações sobre a cidade e o país em que vivo, misturado a alguma experiência pessoal – quando possível.

“Boneca Deficiente” Cria Polêmica em Göteborg – Essa foi da contribuição da Maria Carolina, que deixou o link com reportagem em português da R7 (aqui). O “lançamento” da boneca foi na semana passada, e claro que a aparência “peculiar” do brinquedo gerou as mais diversas discussões. A boneca não está a venda mas foi exposta nas prateleiras de lojas e mercados e sua embalagem traz os seguintes dizeres: “trate-me como um deficiente mental”. Segundo a GIL (Göteborgskooperativet för Independent Living) o brinquedo marca o início de uma campanha pela discussão de como os deficientes mentais são tratados pela população em geral, destacando que os deficientes mentais são pessoas como as demais.

Um dos membros da GIL declarou que a maioria das pessoas dizem coisas estranhas como “Uau! É fantástico que você compra sua própria comida!” e isso faz com que um deficiente se sinta como um completo idiota. Apesar de discordar quanto a aparência da boneca concordo que mesmo numa sociedade como a sueca é necessário expandir a discussão acerca da capacidade/incapacidade dos deficientes mentais. Primeiro, porque nem todas as deficiências mentais são graves e segundo, porque há falta de informação e isso cria preconceito.

Por trabalhar com um CP skada (paralisia cerebral) vivo muitas situações que vão do hilário ao ridículo. Às vezes as pessoas olham para mim e dizem: “O seu trabalho é lindo! Parabéns!” e outras vem para me dizer: “Sabe a posição em que ele está dormindo… vai deixar ele com dores. FAÇA ALGUMA COISA.”… Tipo, o Zé gosta de dormir na cadeira de rodas, às vezes ficamos meia hora, 40 minutos no spårvagn e ele simplesmente dorme. Não é diferente de uma pessoa normal que dorme no ônibus, trem; mas sempre tem alguém para cutucar e dizer que não está certo. Se eu dormir no trem, ninguém vai cutucar o Joel e dizer: “Olha, a cabeça da sua namorada está torta, ela vai ter torcicolo…” E dai, o que fazer?

Como assistente de um CP-skada eu percebo que as pessoas tem de conversar mais sobre o assunto, entender que mesmo aquelas pessoas com cara de retardada (como a da boneca) tem muito mais entendimento do que a expressão sugere. É super interessante no meu dia-a-dia perceber que algumas pessoas tem dificuldade de entender que como assistente de um deficiente mental eu não estou para pensar, sentir e decidir por ele (somente em questões específicas), e que na verdade eu sou mais como um porta voz, alguém que por estar perto há algum tempo aprende a identificar alguns sinais e pode conseguir coisas que a pessoa em questão quer mais rápido.

Eu não entendia isso no início e muitas vezes eu agi como uma idiota por insegurança, por não saber como tratar como uma pessoa que tem deficiência mental. Agora que eu já tive contato com vários CP-skada sei que até mesmo aqueles que tem cara de retardado não são tão retardados como parecem, e que a gente diz oi para eles como diz para qualquer pessoa, apertam a mão ou o  quê, e fala principalmente olhando para o deficiente, e não para o assistente, mãe, pai, irmão, primo, namorado, amiga, amigo… etc. Se definitivamente não der para fazer isso porque a pessoa não entende, a pessoa ao lado vai explicar, e você não vai pagar mico; ao contrário, vai ter mostrado respeito.

Na dúvida, trate o deficiente mental apenas como uma pessoa.

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Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #16

Tava na dúvida se escrevia ou não um post hoje porque não ia dar tempo de escrever sobre o que eu queria, mas no fim das contas to aqui sentada no sofá ouvindo Simon&Garfunkel pra contar um pouco sobre as velhas novas de sempre.

Pra variar, lavei a roupa e ela está no sacola de lavar roupas (dobrada) em frente ao guarda roupa. Eu não tenho preguiça de lavar roupa, acho super legal – vou até a lavanderia coloco tudo para dentro da máquina que lava e depois tudo dentro da máquina que seca e por fim trago a roupa de volta – mas morro de preguiça de guardar as roupas. Eu fico na duvida se abro ou não as portas do guarda roupa só para tirar a prova se realmente a roupa não pula lá para dentro bonitinha. Até abri as portas antes, mas desisti, uma vez que meu guarda roupa tá tão desorganizado seria uma besteira esperar que as roupas se guardem sozinhas…

Cozinhei feijão. Eu tinha que contar isso porque cozinhar feijão é algo que tem me feito muito feliz. Verdade que o clima colaborou essa última semana: todos os dias foram ensolarados, todos os dias com temperaturas mais ou menos nos 20, 20  e poucos graus Celsius, mas isso tem aumentado minha saudade do Brasil. Parece bobo, e é, mas para mim a Suécia é um país de inverno constante e chuva, daí esse clima agora  lembra primavera… primavera em Maripá-Paraná-Brasil: tantas flores para todos os lados, os dias quentes, as noites frescas, aquele cheiro de grama recém cortada no ar, cheiro de churrasco (não é churrasco churrasco, mas o cheiro de uma carne “grillando” é o mesmo do churrasco de domingo) todo mundo animado porque o frio foi embora; parece que logo vão desabrochar as orquídeas nas árvores, e vai chegar aquela penca de feriados que é tão típico de setembro, outubro e novembro… eu até pude usar vestido, gente!

E o feijão… temperei com bacon, alho e cebola. Claro que já enchi o pandu de feijão preto, arroz e uma saladinha. Amanhã vou levar junto na minha marmitinha do trabalho. Dia desses eu cozinhei feijão preto e fiz tipo uma sopa com legumes e tals que levei para o trampo e aí uma guria veio me perguntar o que eu tava comendo! Achei a maior graça, ela ficou me olhando desconfiada (achou que eu tava comendo um tipo de “peixe” – não tenho nem ideia que tipo de peixe possa ser tão preto…) e eu explicando que era feijão. Depois um guri também veio me perguntar: o que é isso? E eu: feijão preto. E ele: mmmm, feijão preto? E eu: é, feijão preto, você cozinha… E ele impaciente: mas tem esse nome mesmo? É tipo feijão preto, como… black beans? Dai eu (rindo): Isso mesmo, black beans. Achei muito engraçado porque eu tenho dificuldade de pronunciar o “ö” sueco, e para falar feijão preto (svarta bönor) você usa o danado; ou seja, como a gente tava falando sueco eu devo ter dito quase “feijão preto” e ele ficou na dúvida se era mesmo isso que eu queria dizer.

Eu e Zemta, cachorra da família – numa dos inúmeros trapixos do lago Mjörn.

Fim de semana a gente foi para Sjövik, e eu adoro: por causa do lago perto, por causa de ter um dia em família, porque é tudo tão tranquilo e calmo. Pena que passei mal, e to desconfiada do meu anticoncepcional. Depois que fui aquela consulta com a dermatologista não consigo mais pensar na danada da pílula como algo benéfico. Li a bula da coisa e os efeitos colaterais são tudo que ando sentindo ultimamente. Essa semana vou visitar o vårdcentralen (posto de saúde) para fazer acompanhamento (de seis em seis meses visitamos uma enfermeira especializada no atendimento a mulher que faz orientação anticoncepcional e dos exames de rotina – tipo papanicolau e do câncer de mama) e vou conversar com ela sobre isso.

Ganhei uma magrela e agora que o tempo está bonito to seca para fazer a estréia. Hoje ia comprar os pneus novos para ela – porque a bike é usada e velha mas tá com tudo em cima com exceção dos pneus – mas desisti porque percebi que eu não poderia arrumar a bici sozinha. Ou seja, vai sobrar para o Joel.

E a roupa… ainda tá na sacola. Acho que tenho de fazer algo a respeito. Tchau!

O batismo da princesa Estelle

Fonte: diariodigital.sapo.pt

Hoje o país de maioria ateia praticamente parou para assistir ao batismo da princesa Estelle, nascida em 23 de fevereiro. Estelle é herdeira do trono da Suécia, segunda na linha de sucessão. Apesar da moral do rei da Suécia andar em baixa, muita gente se espelha nos atos da família real sueca e a Igreja Sueca espera que o batismo da princesinha causa uma enxurrada de batismos durante o ano.

Parece brincadeira, mas quando do casamento da princesa Victoria em 2010 muita gente entrou na onda e casou também. O nome escolhido para a princesinha – Estelle – causou certa polêmica por não ser um nome tradicionalmente sueco, mas já é com certeza o nome mais popular entre as recém nascidas do ano de 2012. Assim, por que os suecos não entrariam na onda do batismo também?

Segundo o Göteborgs Posten – jornal de maior circulação da cidade de Göteborg – no ano de dois mil e sete 67% das crianças nascidas na Suécia foram batizadas contra 53% no ano passado (segundo dados da Igreja Sueca). Infelizmente a notícia não trazia maiores informações como se o número é restrito a bebês filhos de suecos ou filhos de pessoas que pagam impostos para a Igreja.

Enquanto isso no mundo das pessoas “reais”…

Faz calor de novo. E muito. Tanto que – durante meia hora – desejei muito ter usado shorts. Claro que logo depois estava bem feliz por ter o casaco junto – ainda levo um casaqueto para todo o canto. Ontem quase tivemos uma chuva de verão – e isso me entusiasmou: o tempo fechou, trovejou, choveu forte e parou.

Hoje durante  dia pude me embasbacar de novo com a capacidade sueca de ficar quase  sem roupa em qualquer lugar público: qualquer metro quadrado de grama é disputadíssimo pela mulherada com seus biquínis enormes. Comentei isso no trabalho com um colega, e ele me olhou espantado. Seguiu o diálogo: “Ué, no Brasil vocês não andam de mini blusa e sarongue?” Não, tem gente que gosta de mini blusa, mas não é todo mundo que usa. Normalmente as pessoas se vestem de modo normal quando não estão na praia ou a beira de uma piscina. “Ahhhh… (meio desapontado, meio envergonhado) Sempre imaginei as mulheres brasileiras com um cabelão pela cintura, desfilando de biquíni e canga por todos os lados”.

What?

Apenas sorri. Afinal, eu sempre achei que no Hawaii as mulheres…

O ateísmo na Suécia

Desde que eu mudei para a Suécia muito eu tenho visto e ouvido sobre a massa ateia dominante no país. Como eu comentei com o Lucian no coments do post passado a porcentagem varia entre quase 90% e menos de 60%; e a explicação para isto é muito simples: de acordo como a pergunta é formulada o número de respostas positivas e/ou negativas para a questão pode indicar uma porcentagem maior ou menor daquilo que será interpretado pelo leitor como “ateu” na Suécia.

Se, por exemplo, alguma instituição realizar uma pesquisa na Suécia com a pergunta: Você é Cristão? alguns dos entrevistados podem responder “não” mesmo não sendo ateu. Primeiro porque  o cristianismo não é a única religião que tem um Deus; segundo poque ser ou não ser cristão na Suécia não traz nenhum tipo de status (não sei se traz ainda em algum lugar do mundo  – com exceção das pequenas cidades, óbvio) e terceiro porque alguns cristãos tem maior ou menor facilidade para protestar a fé.

Eu já encontrei com pessoas para as quais “ser cristão” está relacionado ao fato de participar de uma igreja pentecostal. Se apenas forem contados os cristãos pentecostais de um país (da Suécia, por exemplo) o número de crentes será menor. Isso não seria muito estranho… afinal, cada qual tem seu jeito de pensar. Alguém aí assistiu  “Machine Gun Preacher” (Redenção – no título em português)? O filme conta a história de um missionário estadunidense que resolve se meter no meio da guerrilha no Sudão para resgatar crianças órfãs. O Sudão fica na África, em uma das regiões dominadas por guerrilhas. Eu não diria que Redenção é um filmão, mas encaixa aqui no que eu to tentando explicar.

 

Aqui vai um resumo do filme (quem tá afim de assistir pule o próximo parágrafo):

O protagonista é Gerard Butler (o rei espartano de “300”), um cara viciado em heroína e bandido que se converte ao cristianismo após ter quase matado um índio. Ele tem uma filha e uma mulher, e a família passa por seus “apertos” depois de ele largar a “vida fácil” (clichê). Tudo muda depois que a cidade em que ele mora é arrasada por um tornado e ele decide abrir uma empresa no ramo da construção civil. Vida melhorando e tals, ele ouve um missionário falar dos problemas das guerra civis na África e voa para lá para ajudar. Quando ele volta aos EUA está muito mudado, meio transtornado e numa noite ouve Deus pedir para que ele construa uma igreja nos EUA e um orfanato no sul do Sudão. Apesar de alguma dificuldade ele compra terras no meio da zona de conflito, constrói o orfanato e começa a acolher crianças. Como muitas crianças chegam até o orfanato moribundas, muito doentes e outras aos pedaços ele decide sair numa caçada por essas crianças que estão no poder do LRA (Lords Resistence Army, grupo de guerrilheiros do Sudão que saqueiam aldeias e matam todos os adultos para capturar crianças e fazê-las soldados ou prostitutas) apoiado por um grupo de guerrilheiros que já lutava contra o LRA. Ele tem muitos problemas financeiros para continuar com esse projeto louco, vende a empresa, passa por uma crise familiar, uma crise de fé e por fim, quando achei que ele ia morrer numa emboscada – só para ficar mais dramático – o filme se encerra mostrando quem é o verdadeiro missionário – que continua na África como um “Rambo pelas crianças” – com a pergunta: “Se alguém sequestrasse uma pessoa querida para você e eu prometesse que posso trazê-la de volta, importaria de que forma eu iria fazer isso?”

O líder do LRA é Joseph Kony e ele tem uma legião de seguidores que acreditam que ele seja o escolhido pelos espíritos para liderar o povo e  implantar um novo regime de governo na Uganda. A LRA age, além do Sudão e Uganda, no Congo e acredita-se que seja responsável pelo rapto de cerca de 66 mil crianças. A questão “Kony” está em bastante evidência depois que um vídeo foi publicado no início de março no You Tube por Jason Russel com o título “Invisible Children”. Há muita polêmica ao redor do envolvimento dos EUA na captura de Kony uma vez que circula o boato de que isso seria apenas uma desculpa (de novo) para que os americanos pudessem entrar em mais um território africano rico em petróleo.

 

Disputas econômicas a parte (eu muitas vezes odeio os EUA, não vou deixar meu preconceito ganhar asas com mais uma das boas intenções das forças armadas mais competentes e equipadas do planeta) e voltando a questão do “ser cristão”, quando estive em Borlänge uma guria me perguntou se a maioria dos brasileiros é católica; ao que eu respondi um não sei, há algum tempo o Brasil era considerado o maior país católico do mundo mas agora eu acho que ele é um dos maiores países cristãos do mundo. Sabe o que ela entendeu? Que todos os brasileiros haviam se tornado evangélicos pentecostais. Alguns cristãos suecos acreditam que católico não pode ser considerado cristão porque a Igreja Católica é muito rica e “não tem” um monte de missões espalhadas pelo mundo. Missões que levam Jesus e melhoram a vida das pessoas. Além disso, a América Latina tem um monte de problemas sociais e para eles (aqui) cristãos são aqueles que lutam contra os problemas sociais – como o missionário Rambo dos EUA que foi para o Sudão caçar o LRA e libertar as crianças. Quem é cristão muda o mundo.

Bom, acho que não preciso explicar que não estou criticando a posição de nenhum pentecostal, não é? Até mesmo porque penso que um evangélico pentecostal tem maior facilidade de professar a fé do que um católico, por exemplo. Eu mesmo muitas vezes respondo a pergunta: Você é cristão? com um: Eu sou católica. Atualmente eu não pratico o catolicismo, não por falta de uma igreja católica por aqui mas porque vou me casar luterana e quero participar desta congregação, aprender seus valores e tals. Pessoalmente sinto que as únicas diferenças estão na questão da Virgem Maria e dos santos, mas eu já to fugindo dessa conversa porque não to afim de discutir quem nasceu primeiro (o ovo ou a galinha?).

Com todo esse bla bla bla acho que ficou claro né? Se alguma instituição realizar uma pesquisa com a seguinte pergunta: Você acredita em Deus? outras respostas e outros resultados aparecerão, e se a questão for mais aberta ainda – do tipo: Você acredita na existência de um ser superior? – as respostas trarão os mais diferentes resultados.

Por fim, há sempre o detalhe da interpretação de quem está lendo a pesquisa, não é mesmo? Se você encontra uma reportagem com o seguinte título “Apenas 12% dos suecos se declaram cristãos” isso não  significa que os outros 88% sejam ateus. Há, no mínimo, a mesma porcentagem de islâmicos (eles acreditam em um deus, ainda que ele não seja o Deus da Santíssima Trindade venerado pelos cristãos) e os agnósticos.

Sabe o mais engraçado de tudo? A maioria dos suecos que eu conheço acreditam em Deus!

 

A Música na Suécia

Hoje acordei e o Joel me perguntou: Como é aquela música dos olhos? Ele queria saber qual era o nome de Pela Luz dos Olhos Teus – que eu acho mais do que linda; mostrei para ele dia desses quando escutamos Tom Jobim e ele também se apaixonou. Exatamente: nem só de Michel Teló vivem os homens, ainda que caipiras. Ultimamente tenho ouvido muita bossa nova e mpb, advinhem? Para o casório – aquele lance durante o jantar quando as pessoas tem que conversar e tals.

Felizmente, quem mora na Suécia ou já passou por aqui (e por alguns outros países na Europa) sabe da enorme vantagem e facilidade que é ter o danado do Spotify instalado no computador: ele é simplesmente uma biblioteca de música e você pode ouvir praticamente o que quiser sem ter de fazer o download das músicas.  Quando estive no Brasil umas das coisas que me fez falta foi justamente ele, o Spotify.

Bom e mau, porque não ouço “música sueca”. Foi a Moura que me perguntou em um coments o que os suecos ouvem e a verdade é que não sei. Quando eu vou em festinhas na casa de amigos suecos rola muita música que não é para dançar. Quando alguém quer dançar coloca bastante músicas velhas, tipo sucessos dos anos 80 e 90 – inclusive ABBA, Madonna e Michael Jackson. Tem um outro estilo que eu não sei definir, mas sei que tem muita gente que curte que é mesmo dessa banda aqui:

 

Você não tem impressão que ele está cantando fora do tempo da música? Tem uma série de bandas que ouço com um som semelhante, mas a única que me lembro é essa aqui – ainda mais porque esse tipo de batida não é a minha praia. Lembro que essa música tocou muito o verão passado, assim como as músicas de uma cantora chamada Veronica Maggio. O verão do ano passado foi só dela, com o sucesso “Jag kommer” (“Eu vou” ou “eu chego”), entre outros:

 

Na Suécia a música como um todo é uma coisa levada muito a sério e as crianças tem aulas de música desde o ensino fundamental (Grundskola) dentro da grade curricular dos cursos. Os interessados podem até mesmo cursar um ensino médio em que a linha principal do curso é a teoria musical.  Não é estranho as pessoas terem um piano em casa ou algum outro instrumento não tão convencional como o violino; eu  mesmo conheço uma família em que ambos – marido e mulher – são violinistas e as crianças já estão aprendendo o instrumento.

É graças a esse sistema de ensino que uma garota de 19 anos (na época) sueca  fez uma composição para o filme “Arn – O cavaleiro”. O nome dela é Laleh, e ela é simplesmente uma das queridinhas da nação. A música dela é muito suave, as composições beiram as de uma orquestra, mas ela também tem algumas canções mais pops. Detalhe: nesta música (que fez parte da trilha sonora de Arn) ela compôs letra e melodia. Com vocês, “Neve”:

 

Algumas das grandes estrelas da música sueca (ao menos as mais antigas e consolidadas) passaram pelo grande festival da canção que é o Melodie Festivalen. Ou foi. Quando eu assisti esse ano – pela primeira vez – achei tudo muito forçado e comercial. Mas o programa mostrou muitas das revelações da música sueca, como o grupo sueco mais famoso do mundo ABBA, e todo mundo jura de pés juntos que o programa já foi muito melhor.

Falando em música sueca que faz sucesso no mundo, alguns artistas tem maior reconhecimento fora da Suécia do que aqui dentro, como é o caso de bandas de rock – desde heavy metal até rock gospel – e cantores de hip hop. Quem primeiro me chamou atenção para isso foi a Renata, pois ela que me contou conhecer bandas muitos boas de rock da Escandinávia (e Suécia) que eu nem imaginava. Segundo o site wipash.net as três melhores bandas de heavy metal sueco em 2009 foram Opeth, In Flames e Dark Tranquility (concorda Renata?). No meio do hip hop, com  certeza Timbuktu é absoluto, apesar de ter um ritmo bem marcado e próprio. Também gosto do som dele, por isso escolhi para deixar aqui Resten av ditt liv (Pelor resto da sua vida):

 

Umas das cantoras suecas de que eu gosto, além da Laleh, chama Eva Dahlgren. Não é aquela coisa assim, que eu escuto tanto, mas acho o trabalho dela muito bom. “Ängel i rummet” (Anjo no quarto) é a minha favorita:

 

Deu para perceber que a música sueca é bem lagom não é? Tranquila e tals, mesmo aquelas que são para agitar. Mas nem todas as bandas são assim. Há, existem os podres da música sueca também, aquele tipo de música que é considerada politicamente incorreta: contra pretos pessoas de cor, mulheres, homossexuais e etc. (Diz o Joel que ele já foi um cara sério, mas só alcançou algum sucesso avacalhando). Eu vos apresento Eddie Meduza:

 

Além desse tipo, também tem bobalhões. É gente, graças a Deus Tiririca e Falcão não fazem parte de um fenônemo exclusivamente brasileiro. Esse cidadão aqui esteve no Melodie Festivalen desse ano… Senhoras e senhores, Sean Banan:

 

Essa foi cruel não? Felizmente, a música sueca tem seu futuro garantido, graças a artistas bons como a Laleh e esse duo aqui (pasmem) de duas garotas de vinte e poucos anos. Para encerrar o post com chave de ouro, First Aid Kit – The Lion’s Roar:

 

PS.: Acho que habilitei algum corretor automático de ortografia, então algumas palavras em sueco aparecem erradas. Já tentei arrumar mas se continuar… bom dai sabem!

Casar na Suécia

Fonte: lembrancinhasonline.blogspot.com

Eu vou casar genteeeeee!

Mas primeiro, um parênteses:

(Depois que comprei o smart phone sinto que abandonei meu notezinho, e como consequência, a internet. Sempre adorei checar meus e-mails – lê-los e respondê-los sempre foi meu vício… O caso é que tenho o Hotmail no celular e recebo tudo “na hora”. Às vezes respondo, às vezes não; tudo depende da minha vontade de brigar com o sistema do aparelho que tem sueco como idioma. Dai que leio tudo como antes, mas respondo quase nunca – inclusive escrevo menos aqui e apesar de seguir e ler uns 20 blogs diferentes, nunca deixo comentários. Isto soa como desculpa e é, mesmo assim eu acho que devo uma satisfação para todo mundo que sempre lê o blog e comenta, ou que pelo menos comenta volta e meia: sou preguiçosa e indisciplinada, mas amo o blog de todo mundo que está nomeado nestas pequenas listinhas de links do lado esquerdo! E mais um par que não está mas que vou nomear ainda hoje…)

Na real eu sou casada, uma vez que eu e Joel dividimos cama, comida e quem vai deixar ou pegar as roupas na lavanderia; ainda assim queremos realizar aquela cerimônia tradicional na igreja e tals. E como prometi – agora que já sei onde e quando – decidi começar uma série para contar as facilidades e dificuldades de ter um casamento sueco. Por enquanto não vou ter muito o que dizer (o casório sai só no ano que vem) além das questões da reserva do local e igreja mas estas são, ao mesmo tempo, o ponto de largada e uma das decisões mais importantes.

Casar na Suécia em princípio não tem lá tão grandes diferenças com o casar no Brasil: tem-se a cerimônia do casamento propriamente dito – que pode transcorrer na Igreja ou não, tendo a presença de um pastor ou de um juiz de paz. Na Suécia rola apenas uma cerimônia porque não existe o casamento “civil” e “religioso”, é apenas “o casamento”. Para o caso nostro – das exportadas – fica a critério de cada par a realização de um casamento a mais na Embaixada do Brasil em Stockholm que serve apenas para que o mesmo papel que diz que você é casada na Suécia seja válido no território brasileiro. Penso que é mais simples proceder assim do que realizar o casamento civil no Brasil também (maiores informações aqui).

Depois do “casamento” é que rolam as diferenças: a festa é um pouco menos agitada – não teve dança em nenhum dos três casamentos dos quais eu participei – e todo mundo fala e conversa muito. Sabe aquele lance de filme, que um padrinho vai lá na frente e começa a fazer piadinhas a respeito do noivo, ou a irmã enciumada da noiva começa a falar merda dela? Não, nenhuma irmã enciumada acabou com qualquer das festas em que estive, mas rola muito dessa conversação o tempo todo. O pessoal fala de um tudo: das travessuras de infância, de babaquices da adolescência e dos micos na universidade ou trabalho, faz homenagem, chora… e assim o tempo passa entre a entrada, o prato principal e o café. Dai rola uma espécie de intervalo, e depois tudo começa outra vez agora com o bolo, talvez uma salada de frutas, algum drinque especial e show pirotécnico. Detalhe é que em dois desses casamentos em que estive não havia nenhum tipo de bebida alcoólica (definitivamente sem chance alguma de rolar dança – pouquíssimos suecos arriscam qualquer passo de dança sóbrios) e no terceiro rolou uma tentativa de bailinho que murchou – e foi ali que eles partiram para o show pirotécnico.

Obviamente que quando faço essas comparações penso nas festas de casamento que fui no Brasil, com no mínimo 250 convidados e muito churrasco, cerveja, whisky e dança. O pessoal gosta de caprichar na decoração, nas flores que serão escolhidas para as mesas e para a Igreja, de ter um requinte a mais durante o jantar, mas o tchan do momento sempre ficava para a hora do “baile”. E isso eu entendi que posso esquecer por aqui.

Casamento sueco é mais íntimo – a maioria deles com  menos de 100 convidados – e a maior preocupação é com a forma como a mesa foi posta, se as pessoas foram distribuídas de forma inteligente para que elas desfrutem de uma conversa tranquila e amigável durante todo o jantar – que vai durar umas seis horas – se o pessoal responsável pela animação do casamento desenvolve a coisa legal… Animação aqui não é um tipo de banda não, é que eles costumam preparar algum tipo de brincadeira que envolva os convidados, nada espalhafatoso, mas animado o suficiente para todo mundo dar umas boas risadas.

Na verdade, o fato de os casamentos suecos serem festas íntimas tem um ponto que eu considero imensamente positivo: ninguém fica fazendo beicinho porque não foi convidado para a festa, os noivos não precisam convidar os vizinhos e amigos dos pais e também não precisam convidar todos os primos e parentes de segundo, terceiro e quarto grau. Tudo isso por causa do famoso e irrepreensível lagom sueco e também porque todo mundo sabe que o casamento na Suécia custa (e muito) caro.

Sim, quando eu e Joel começamos a busca pelo local da festa eu quase desisti: a maioria dos salões abertos para aluguel de festas (como de casamento) cobra o aluguel mais a refeição por cabeça. Só como exemplo: um dos salões de festa que fomos visitar ficava às margens do lago Anten, um local muito aconchegante e bonitinho, mas muito simples. O aluguel seria de quase R$1,5 mil e o preço do buffet de 200 pilas por pessoa somando cerca de 22 mil reais só pelo local da festa mais o jantar (a entrada, o prato principal – com direito a duas taças de vinho – e o café). Ainda faltaria o bolo da noiva – que eles confeccionam a parte por um precinho exorbitante. Caí de costas.

Outra coisa complicada é que se você sabe o local no qual quer realizar a festa e quer tê-lo não importa o quanto custe tem que correr com todas as forças para chegar primeiro: é estranhamente louco como tudo já está agendado para os próximos dez anos. Rapidez e paciência para com os administradores e/ou responsáveis pelo local que nunca respondem o telefone, salões de festas com páginas na internet com pouquíssimas informações e um número de telefone – daqueles que ninguém vai responder; gente mau humorada que não gosta de falar com estrangeiros (peça para o noivo resolver o pepino daí), cara de pau para não parar de respirar quando eles te dizem que o aluguel do local custa só R$ 8 mil, e por aí vai…

Felizmente, encontramos outro lugar a beira de um lago, também muito simples e que nos dá a oportunidade de ter o jantar ao ar livre (se o tempo cooperar) para o qual podemos contratar o serviço de buffet que quisermos. Fica imensamente mais barato contratar esse tipo de buffet (no mínimo a metade do preço) e comprar a própria bebida que será distribuída aos convidados. Agora só precisamos decidir qual será o cardápio da festa!

Já que churrasco não vai rolar, aceito sugestões!

Göteborg News

Se um dia eu começar um post com “esse blog ficou às moscas porque eu to sem tempo” é porque estou mentindo. Eu tenho tempo, mas às vezes quero só ficar de boa com o Joel, ou sair – quando tem sol aqui em Göteborg a gente tem mesmo de aproveitar, correr para fora o mais rápido possível e lagartear porque ninguém sabe ao certo quantos 5 minutos esse sol vai durar – estou me esforçando mais para encontrar outros suecos, fazer amizade (não rola se a gente fica grudado no Brasil por meio do computador); e só e simplesmente, sofro de um incurável complexo de Macunaíma. Muitas vezes até penso  “hummm agora dá um tempinho para escrever no blog” mas no momento seguinte é apenas: ai que preguiça!; o que significa mais um dia sem posts.

Como eu não vou conseguir botar a prosa em dia, vamos de rapidinhas:

  • Tive uma apresentação oral no SAS ontem. Coisa bem simples, apresentar uma pequena análise do livro “Simon och ekarna” que – eu consegui gente! – terminei de ler na semana passada. Apenas 5 minutos de fala com ajuda de power point para salientar algumas questões da história, nada de contar o resumo do livro.  Fiquei quase maluca, mesmo, estava tão neuroticamente nervosa que cheguei a passar a noite em claro. Fiz e refiz a apresentação 5 vezes, o Joel teve de me assistir – e me ajudou um bocado com dicas; fiz e refiz o texto que deveria entregar juntamente com a apresentação; suei frio e estava tremendo de nervoso. Seria a primeira vez que eu faria uma apresentação oral em sueco… e deu certo. Tipo, não foi assim uma Brastemp, mas eu consegui não gaguejar muito e nem tremer.
  • O SAS agora não é mais SAS A, B e C porque a partir do outono o SAS vai passar a ter o nome de SAS 1, 2 e 3. Por esse estranho motivo quem termina o SAS A agora não vai diretamente para o SAS 2 e tem que fazer a matrícula para o curso até 21 de maio.
  • Chove muito em Göteborg e a metereologia informa que o tempo continuará fechado por pelo menos mais 10 dias. Todo mundo sabe que a metereologia não é uma ciência exata – ainda bem! – mas no caso de Göteborg… O mais engraçado de tudo é que o otimismo ainda está lá em cima: hoje mesmo vi um cartaz com os dizeres “A primavera mais linda é aqui”.
  • A Västraffik (empresa que opera o transporte público em Göteborg) tá de mal comigo: domingo levantei as 5h30min da matina para sair trabalhar as 6h e poder estar no trampo às 7h porque nos fins de semana os trens e ônibus tem um horário especial e não circulam com tanta regularidade como nos dias de semana. Isto posto, estou eu sob o frio de 3 graus no ponto esperando o spårvagn que vem mas não para. Cheguei 20 minutos atrasada. Ontem voltando para casa depois do trampo cheguei a estação as 22h e perdi o trem que deveria sair às 22h01 (eles são “relogiosos” com o tempo). Parti para o ponto de ônibus, que chegou três minutos atrasado. Como eu teria de fazer uma troca no meio do caminho, adivinhem? Perdi o trem de novo e cheguei em casa 15 minutos mais tarde.
  • To tentando comprar uma bicicleta. Usada, claro, porque bicicleta aqui custa o olho da cara. Todo mundo usa um site de compra e venda (meio que estilo do Mercado Livre) que chama Blocket. Já liguei para no mínimo 3 anúncios e ninguém responde nem liga de volta. Outros tantos já venderam a bike que estava lá na página – e ainda está! Recebi uma dica da Maíra de Stockholm: a polícia vende bikes que foram deixadas aqui e ali e nunca foram reclamadas.
  • Outra opção seria fazer uma conta e emprestar bicicletas. No centro da cidade tem um monte de estações com bicis (lacradas, obviamente) e você pode emprestar uma magrela e pedalar por 30 minutos sem pagar nada por isso. Para tanto você precisa apenas abrir uma conta que custa 250koroas (mais ou menos 80pilas) para ter o direito de emprestar as bikes pelo período de sete meses. O problema é que as estações com as bicicletas existem apenas no centro da cidade!
  • Uma Caipira na Suécia informa: ser vegetariano pode fazer mal para a pele. Calma, nada de pedras que eu explico: fui fazer uma consulta (de novo) por causa daquela marca sem nome que ainda tenho na bochecha. Dessa vez foi uma médica muito gente boa que me explicou um monte de coisas e disse que o que eu tenho é rosácea – uma doença facilmente confundida com acne – que piora, entre outras coisas, quando o indivíduo tem falta de vitamina B. Dai ela disparou: você é vegetariana? Porque vegetarianos tem uma tendência de apresentar falta de vitamina B no organismo… e eu tive um insight: desde que mudei para cá deixei de comer a mesma quantidade de carne que comi a minha vida inteira. De certo modo, como melhor porque inclui peixe a minha dieta, mas eu vivi um período de comer nada que não fosse massa – tão de saco cheio de peixe e carne com gosto de papel que eu estava. Claro que enquanto eu estive no Brasil enchi a pança de churrasco, e quando voltei para cá a marca estava menos vermelha – eu achando que havia sido a pomada. Depois piorou. Agora tô feliz com a médica – que foi supimpa – e apesar de ter recebido mais uma pomada (lá vamos nós de teste outra vez!) ao menos to satisfeita de saber o nome do boi.
  • Outra coisa é que ela me deu um puxão de orelha porque não uso protetor solar. Claro que sempre usei no Brasil, mas desde que mudei para a Suécia, sei lá, a gente não sente o calor do sol aqui. Ela disse que mulheres que tomam anticoncepcionais estão mais sujeitas a manchas na pele e devem sempre usar protetor solar com fator mínimo de 30 levando em consideração que o filtro deve ter proteção tanto contra UVA como UVB.

Por hoje é só pessoal!