Casar na Suécia

Fonte: lembrancinhasonline.blogspot.com

Eu vou casar genteeeeee!

Mas primeiro, um parênteses:

(Depois que comprei o smart phone sinto que abandonei meu notezinho, e como consequência, a internet. Sempre adorei checar meus e-mails – lê-los e respondê-los sempre foi meu vício… O caso é que tenho o Hotmail no celular e recebo tudo “na hora”. Às vezes respondo, às vezes não; tudo depende da minha vontade de brigar com o sistema do aparelho que tem sueco como idioma. Dai que leio tudo como antes, mas respondo quase nunca – inclusive escrevo menos aqui e apesar de seguir e ler uns 20 blogs diferentes, nunca deixo comentários. Isto soa como desculpa e é, mesmo assim eu acho que devo uma satisfação para todo mundo que sempre lê o blog e comenta, ou que pelo menos comenta volta e meia: sou preguiçosa e indisciplinada, mas amo o blog de todo mundo que está nomeado nestas pequenas listinhas de links do lado esquerdo! E mais um par que não está mas que vou nomear ainda hoje…)

Na real eu sou casada, uma vez que eu e Joel dividimos cama, comida e quem vai deixar ou pegar as roupas na lavanderia; ainda assim queremos realizar aquela cerimônia tradicional na igreja e tals. E como prometi – agora que já sei onde e quando – decidi começar uma série para contar as facilidades e dificuldades de ter um casamento sueco. Por enquanto não vou ter muito o que dizer (o casório sai só no ano que vem) além das questões da reserva do local e igreja mas estas são, ao mesmo tempo, o ponto de largada e uma das decisões mais importantes.

Casar na Suécia em princípio não tem lá tão grandes diferenças com o casar no Brasil: tem-se a cerimônia do casamento propriamente dito – que pode transcorrer na Igreja ou não, tendo a presença de um pastor ou de um juiz de paz. Na Suécia rola apenas uma cerimônia porque não existe o casamento “civil” e “religioso”, é apenas “o casamento”. Para o caso nostro – das exportadas – fica a critério de cada par a realização de um casamento a mais na Embaixada do Brasil em Stockholm que serve apenas para que o mesmo papel que diz que você é casada na Suécia seja válido no território brasileiro. Penso que é mais simples proceder assim do que realizar o casamento civil no Brasil também (maiores informações aqui).

Depois do “casamento” é que rolam as diferenças: a festa é um pouco menos agitada – não teve dança em nenhum dos três casamentos dos quais eu participei – e todo mundo fala e conversa muito. Sabe aquele lance de filme, que um padrinho vai lá na frente e começa a fazer piadinhas a respeito do noivo, ou a irmã enciumada da noiva começa a falar merda dela? Não, nenhuma irmã enciumada acabou com qualquer das festas em que estive, mas rola muito dessa conversação o tempo todo. O pessoal fala de um tudo: das travessuras de infância, de babaquices da adolescência e dos micos na universidade ou trabalho, faz homenagem, chora… e assim o tempo passa entre a entrada, o prato principal e o café. Dai rola uma espécie de intervalo, e depois tudo começa outra vez agora com o bolo, talvez uma salada de frutas, algum drinque especial e show pirotécnico. Detalhe é que em dois desses casamentos em que estive não havia nenhum tipo de bebida alcoólica (definitivamente sem chance alguma de rolar dança – pouquíssimos suecos arriscam qualquer passo de dança sóbrios) e no terceiro rolou uma tentativa de bailinho que murchou – e foi ali que eles partiram para o show pirotécnico.

Obviamente que quando faço essas comparações penso nas festas de casamento que fui no Brasil, com no mínimo 250 convidados e muito churrasco, cerveja, whisky e dança. O pessoal gosta de caprichar na decoração, nas flores que serão escolhidas para as mesas e para a Igreja, de ter um requinte a mais durante o jantar, mas o tchan do momento sempre ficava para a hora do “baile”. E isso eu entendi que posso esquecer por aqui.

Casamento sueco é mais íntimo – a maioria deles com  menos de 100 convidados – e a maior preocupação é com a forma como a mesa foi posta, se as pessoas foram distribuídas de forma inteligente para que elas desfrutem de uma conversa tranquila e amigável durante todo o jantar – que vai durar umas seis horas – se o pessoal responsável pela animação do casamento desenvolve a coisa legal… Animação aqui não é um tipo de banda não, é que eles costumam preparar algum tipo de brincadeira que envolva os convidados, nada espalhafatoso, mas animado o suficiente para todo mundo dar umas boas risadas.

Na verdade, o fato de os casamentos suecos serem festas íntimas tem um ponto que eu considero imensamente positivo: ninguém fica fazendo beicinho porque não foi convidado para a festa, os noivos não precisam convidar os vizinhos e amigos dos pais e também não precisam convidar todos os primos e parentes de segundo, terceiro e quarto grau. Tudo isso por causa do famoso e irrepreensível lagom sueco e também porque todo mundo sabe que o casamento na Suécia custa (e muito) caro.

Sim, quando eu e Joel começamos a busca pelo local da festa eu quase desisti: a maioria dos salões abertos para aluguel de festas (como de casamento) cobra o aluguel mais a refeição por cabeça. Só como exemplo: um dos salões de festa que fomos visitar ficava às margens do lago Anten, um local muito aconchegante e bonitinho, mas muito simples. O aluguel seria de quase R$1,5 mil e o preço do buffet de 200 pilas por pessoa somando cerca de 22 mil reais só pelo local da festa mais o jantar (a entrada, o prato principal – com direito a duas taças de vinho – e o café). Ainda faltaria o bolo da noiva – que eles confeccionam a parte por um precinho exorbitante. Caí de costas.

Outra coisa complicada é que se você sabe o local no qual quer realizar a festa e quer tê-lo não importa o quanto custe tem que correr com todas as forças para chegar primeiro: é estranhamente louco como tudo já está agendado para os próximos dez anos. Rapidez e paciência para com os administradores e/ou responsáveis pelo local que nunca respondem o telefone, salões de festas com páginas na internet com pouquíssimas informações e um número de telefone – daqueles que ninguém vai responder; gente mau humorada que não gosta de falar com estrangeiros (peça para o noivo resolver o pepino daí), cara de pau para não parar de respirar quando eles te dizem que o aluguel do local custa só R$ 8 mil, e por aí vai…

Felizmente, encontramos outro lugar a beira de um lago, também muito simples e que nos dá a oportunidade de ter o jantar ao ar livre (se o tempo cooperar) para o qual podemos contratar o serviço de buffet que quisermos. Fica imensamente mais barato contratar esse tipo de buffet (no mínimo a metade do preço) e comprar a própria bebida que será distribuída aos convidados. Agora só precisamos decidir qual será o cardápio da festa!

Já que churrasco não vai rolar, aceito sugestões!

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4 comentários sobre “Casar na Suécia

  1. Que legal saber como são feitos os casamentos ai, achei bem interessante. Aqui no Brasil de fato encontramos salão + buffet por preços bem mais acessíveis, mas procurei bastante na época. Bjoss

  2. Nossa, tem que querer muito prá desembolsar essa grana toda hein? Vixi… como é caro! Boa sorte nas suas buscas e que seja uma festa linda. Na beira de um lago já é um começo de cenário idílico…

  3. Eita que notícia booooaaaaa! Que massa, Maria! Me diz uma coisa, quais datas vocês estão cogitando? Imagino que vocês não chegaram nessa parte dos preparativos ainda, mas eu gostaria de fotografar o casamento :)

    Beijos
    Maira!

    PS: menina, eu sou a mesma coisa… no meu aniversário ano passado, minha sogra me deu um smartphone de presente e aí minha participação na internet caiu pra zero. Eu continuo lendo todos os blogs (uns 40, haha), checando todos os emails instantaneamente, até falando no skype, mas respondendo email e escrevendo no meu blog que é bom, nada!

  4. Oi gente!

    Pois é Renata, quem procura sempre acha. Depois, acho que não é apenas o fato de ser Suécia, mas também a questão de ser uma cidade grande. Quando eu era pequena – ainda que não em Barbacena – lembro que o salão de festas para o casório era sempre o salão da igreja, e se tinha de pagar alguma coisa era a limpeza. Depois começou a questão de aluguel de salão, mas láaaa na minha cidade é só um dos locais que é mais ou menos caro, e ainda assim, muito barato.

    Cíntia, eu vou deixar uma foto no próximo post do local. É mesmo fantástico, eu me apaixonei quando vi. E concordo contigo: é muito caro. Mas aqui o salário também é maior, então se for comparar com isso…

    Maíra, temos a data sim e a minha irmã já se nomeou a fotógrafa oficial do “evento”. Mas… sabe como é, a gente sempre pode negociar!

    Beijos!

Agora vamos prosear!

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