A Música na Suécia

Hoje acordei e o Joel me perguntou: Como é aquela música dos olhos? Ele queria saber qual era o nome de Pela Luz dos Olhos Teus – que eu acho mais do que linda; mostrei para ele dia desses quando escutamos Tom Jobim e ele também se apaixonou. Exatamente: nem só de Michel Teló vivem os homens, ainda que caipiras. Ultimamente tenho ouvido muita bossa nova e mpb, advinhem? Para o casório – aquele lance durante o jantar quando as pessoas tem que conversar e tals.

Felizmente, quem mora na Suécia ou já passou por aqui (e por alguns outros países na Europa) sabe da enorme vantagem e facilidade que é ter o danado do Spotify instalado no computador: ele é simplesmente uma biblioteca de música e você pode ouvir praticamente o que quiser sem ter de fazer o download das músicas.  Quando estive no Brasil umas das coisas que me fez falta foi justamente ele, o Spotify.

Bom e mau, porque não ouço “música sueca”. Foi a Moura que me perguntou em um coments o que os suecos ouvem e a verdade é que não sei. Quando eu vou em festinhas na casa de amigos suecos rola muita música que não é para dançar. Quando alguém quer dançar coloca bastante músicas velhas, tipo sucessos dos anos 80 e 90 – inclusive ABBA, Madonna e Michael Jackson. Tem um outro estilo que eu não sei definir, mas sei que tem muita gente que curte que é mesmo dessa banda aqui:

 

Você não tem impressão que ele está cantando fora do tempo da música? Tem uma série de bandas que ouço com um som semelhante, mas a única que me lembro é essa aqui – ainda mais porque esse tipo de batida não é a minha praia. Lembro que essa música tocou muito o verão passado, assim como as músicas de uma cantora chamada Veronica Maggio. O verão do ano passado foi só dela, com o sucesso “Jag kommer” (“Eu vou” ou “eu chego”), entre outros:

 

Na Suécia a música como um todo é uma coisa levada muito a sério e as crianças tem aulas de música desde o ensino fundamental (Grundskola) dentro da grade curricular dos cursos. Os interessados podem até mesmo cursar um ensino médio em que a linha principal do curso é a teoria musical.  Não é estranho as pessoas terem um piano em casa ou algum outro instrumento não tão convencional como o violino; eu  mesmo conheço uma família em que ambos – marido e mulher – são violinistas e as crianças já estão aprendendo o instrumento.

É graças a esse sistema de ensino que uma garota de 19 anos (na época) sueca  fez uma composição para o filme “Arn – O cavaleiro”. O nome dela é Laleh, e ela é simplesmente uma das queridinhas da nação. A música dela é muito suave, as composições beiram as de uma orquestra, mas ela também tem algumas canções mais pops. Detalhe: nesta música (que fez parte da trilha sonora de Arn) ela compôs letra e melodia. Com vocês, “Neve”:

 

Algumas das grandes estrelas da música sueca (ao menos as mais antigas e consolidadas) passaram pelo grande festival da canção que é o Melodie Festivalen. Ou foi. Quando eu assisti esse ano – pela primeira vez – achei tudo muito forçado e comercial. Mas o programa mostrou muitas das revelações da música sueca, como o grupo sueco mais famoso do mundo ABBA, e todo mundo jura de pés juntos que o programa já foi muito melhor.

Falando em música sueca que faz sucesso no mundo, alguns artistas tem maior reconhecimento fora da Suécia do que aqui dentro, como é o caso de bandas de rock – desde heavy metal até rock gospel – e cantores de hip hop. Quem primeiro me chamou atenção para isso foi a Renata, pois ela que me contou conhecer bandas muitos boas de rock da Escandinávia (e Suécia) que eu nem imaginava. Segundo o site wipash.net as três melhores bandas de heavy metal sueco em 2009 foram Opeth, In Flames e Dark Tranquility (concorda Renata?). No meio do hip hop, com  certeza Timbuktu é absoluto, apesar de ter um ritmo bem marcado e próprio. Também gosto do som dele, por isso escolhi para deixar aqui Resten av ditt liv (Pelor resto da sua vida):

 

Umas das cantoras suecas de que eu gosto, além da Laleh, chama Eva Dahlgren. Não é aquela coisa assim, que eu escuto tanto, mas acho o trabalho dela muito bom. “Ängel i rummet” (Anjo no quarto) é a minha favorita:

 

Deu para perceber que a música sueca é bem lagom não é? Tranquila e tals, mesmo aquelas que são para agitar. Mas nem todas as bandas são assim. Há, existem os podres da música sueca também, aquele tipo de música que é considerada politicamente incorreta: contra pretos pessoas de cor, mulheres, homossexuais e etc. (Diz o Joel que ele já foi um cara sério, mas só alcançou algum sucesso avacalhando). Eu vos apresento Eddie Meduza:

 

Além desse tipo, também tem bobalhões. É gente, graças a Deus Tiririca e Falcão não fazem parte de um fenônemo exclusivamente brasileiro. Esse cidadão aqui esteve no Melodie Festivalen desse ano… Senhoras e senhores, Sean Banan:

 

Essa foi cruel não? Felizmente, a música sueca tem seu futuro garantido, graças a artistas bons como a Laleh e esse duo aqui (pasmem) de duas garotas de vinte e poucos anos. Para encerrar o post com chave de ouro, First Aid Kit – The Lion’s Roar:

 

PS.: Acho que habilitei algum corretor automático de ortografia, então algumas palavras em sueco aparecem erradas. Já tentei arrumar mas se continuar… bom dai sabem!