Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #17

Esses dias me peguei pensando que não tenho ideia se os “episódios” de “Pequenas grandes coisas da minha vida sueca” estão numerados corretamente… Ainda não conferi, e se de repente o próxima capítulo for o número 33 não se assustem!

Ainda com relação ao blog, gostaria de pedir de novo para os leitores deixarem um coments sobre o novo tema/aparência/layout. Nem percebeu que o tema mudou? Legal, isso significa que meus textos são tão fascinantes que nem deixam que o leitor percebam qual a moldura… hahahaha! Eu to insistindo nisso porque é muito difícil eu receber críticas negativas aqui no blog – é sempre: seu blog é muito engraçado, você escreve muito bem, que linda sua história, que linda você é… ahh! Eu sou super né? Não que eu deseje que apareça alguém para furar os meus olhos e esmagar a minha auto estima, é que também é muito legal quando alguém deixa feedbacks construtivos. Pode ser, por exemplo, assim: Oi, adoro o seu blog mas…

Estou com saudades pacas do Brasil. Não do Brasil-Brasil, mas parafraseando a Maíra Albuquerque (menina, adorei o que tu escreveu sobre isso no Facebook!) TO COM SAUDADE DO MEU BRASIL! Sim, leitores de Maripá-Paraná, morro de saudades dessa “vila”, do leitE quentE esquenta a gentE, churrasco e bla bla bla etc e tal. Já escrevi isso aqui tantas vezes que até parece ladainha de missa, mas acredito nunca ser demais repetir que, apesar de ser uma princesa morando em um reino, minha vida não tem nada de conto de fadas. Esses dias me bateu uma saudade enorme de salão de beleza!

Por exemplo, é uma questão de senso comum que todo mundo que muda para a Europa começa a viajar mais; e isso está certo. Faz parte do mesmo senso comum que o viajar mais está relacionado a ficou rico; e isso está errado. Não posso dizer que meu salário é igual ao que eu ganhava no Brasil, porque não é. É maior o salário e o custo de vida também: aluguel custa no mínimo o dobro (triplo ou quadruplo se calcular pelo tamanho do apê que você ta alugando), a gasolina a R$4 pilas o litro e fazer uma obturação no dentista sai por no mínimo R$250 (por cárie, não por dente). Uma das primeiras coisas que a gente nota por aqui é a enorme quantidade de gente com dentes amarelos e tortos: amarelos por conta do “snus” e tortos porque eles preferem viajar a ter um “sorriso colgate”. Não tenho cárie e meus dentes são perfeitos, já meu cabelo…

Já reclamei em alto e bom tom – inclusive dediquei um post inteiro a esse “problema cabeludo” –   que os produtos para cabelo aqui – além de caros – simplesmente não combinam com meu humor: eu compro, uso duas ou três vezes – e meu cabelo fica bonito, a partir da quarta vez volta a paiosidade de sempre… Minha longas madeixas estão tão secas que não posso usar meu cabelo solto! E qualquer hidratação que você escolha num salão meia boca aqui custa no mínimo 300 pilas (por causa do tamanho do meu cabelo). A equação aqui se torna a seguinte: gastar 300 pilas para arrumar o cabelo ou comprar uma viagem de 3 dias para a Espanha pelo mesmo valor?

Fomos convidados para dois casamentos – os dois em agosto – e desde abril to procurando algum vestido bonito para a ocasião. Difícil, porque a moda sueca não caiu no meu gosto principalmente devido a questão das cores serem muito pastel. Agora no verão as vitrines deram uma colorida legal num movimento que eu nomeei de “restart sueco”: azul royal, rosa choque, verde limão, amarelo e laranja de trabalhador de rodovia… mas tudo o que é formal e festa tem as cores de sempre. Suecos tem um medo danado de estampas também, então o que você mais vê por aqui é o xadrez e listrado, qualquer coisa fora disso é muito simples, tipo verão, ou muito louca, tipo uma coisa para usar numa balada ou o quê, quando sua intenção é aparecer.

O tamanho europeu também é cruel com meu corpito: o 34 fica bom no busto, o 36 no corpo e o 38 na bunda. Com o 34 o busto fica perfeito, a questão é apenas quanto tempo eu aguentaria sem respirar ou respirando moderadamente – sem contar que eu pareço ter uma bunda de tanajura… O 36 fica um pouquinho grande nos seios, mas acho que daria para disfarçar legal usando dois sutiãs; ok no corpo mas a bunda ainda fica marcada demais. Se eu comprar o 38 fica mais ou menos legal na cintura e não marca tanto a bunda, mas então tenho de comprar enchimento para os seios. A maioria dos vestidos que não acompanham o corpo são bem esvoaçantes e cheios de “rabos” (como diria a minha mãe): um lado é mais comprido, ou atrás é mais comprido que na frente, ou o modelo tem várias pontas… Que saudade dos meus vestidos sob medida, lindos e floridos feitos pela minha mãe!!!

A vida é dura não?

To cansada pacas, trabalhei todos os dias no mínimo 5 horas desde a terça feira passada, e hoje ainda tenho que ir para a escola porque vai rolar a apresentação do curso de sueco do próximo semestre. Sorte que é o último curso que eu tenho que frequentar, porque mudaram minha escola lá para o caixa prego – 30 minutos de trem – e não me deram chance de trocar para uma escola mais perto daqui – apesar de ligar direto para o Vuxutbildning e chorar as pitangas.

Ta rolando a Euro Copa e com isso matei minha vontade de assistir futebol. Sério, adorei perder 90 minutos olhando um monte de homens correndo atrás de uma bola. Assisti Portugal e Alemanha (0x1), Itália e Espanha (1×1) e Suécia e Ucrânia (1×2). A Suécia perdeu depois de uma virada espetacular da Ucrânia, e eu percebi que mesmo num país que não tem no futebol um time forte e nunca ganhou uma Copa do Mundo que o pessoal pára tudo para assistir, compra camiseta, vai para os bares, torce, vibra e fica triste porque o único cara bom de bola do país (Zlatan) não consegue levar o time nas costas afinal. Apesar disso tudo, ninguém fala de outra coisa e realmente acredita que o time furreba da Suécia pode bater a Inglaterra na próxima sexta.

O otimismo sueco é mesmo inacreditável…

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Concurso de textos do Borboleta

Faz mais  ou menos um mês escrevi um texto para o concurso “Uma Música, Mil Lembranças” do blog Borboleta Pequenina Somniando na Suécia. O concurso terminou em 31 de maio e agora rola a votação, o texto preferido da galera vai ganhar uma tela muito linda!

Quando escrevi o texto não pensei em ganhar a tela mas sim em tentar colocar em palavras uma época especial da minha vida. Foi muito legal escrever um texto para o blog de outra pessoa e receber críticas boas a respeito dele. Por causa disso decidi deixar aqui um pedacinho dos textos que participaram do concurso, e quem quiser pode entrar no blog da Somnia e votar no seu preferido. O objetivo do concurso era o de contar lembranças referentes a uma música que fez parte de uma época especial da vida do autor.

Não estou pedindo votos (acho que ganhei uns 3 votos até agora) mas quem quiser conhecer um pouco da minha história com o Joel, pode dar um pulinho no link que vou deixar abaixo. Aqui vai um cadinho de cada texto – após o nome do autor e a da música que inspira as lembranças:

Texto 1  Que sorte a nossa hein? (autor Ricardo Perez, música “Ai,ai,ai,ai” Vanessa da Mata)

O relacionamento deles havia acabado há pouco mais de um mês. Programada para ser a comemoração de 4 anos juntos, a viagem não foi cancelada e ambos acharam que tudo bem. Tinham sido felizes juntos mas o que fazer se não dava mais certo, se as brigas tinham se tornado mais frequentes que os bons momentos, se havia tantas outras possibilidades, tantas outras paixões perdidas por aí, tantos outros corpos a serem descobertos? Então, pegaram o avião com a certeza de que tinham o que festejar. Seria um final feliz.(para ler o texto na íntegra clique aqui)

Texto 2 Escorrendo pelos dedos (autora Ingrid K Lima, música “Slipping trough  my fingers” ABBA)

Parece que o tempo passa cada vez rápido, o tempo escorrega pelos meus dedos. Sinto mesmo que foi ontem que eu vim ao mundo, mas se páro para pensar que já fazem 12 anos que estou vivendo simplesmente não acredito. Se pensar que apenas poucos anos atrás que eu queria estudar no colégio que estou hoje e isso já correram dois anos. Quando me lembro que queria viajar para vários lugares para os quais já viajei. As emoções que eu vivi, as pessoas que eu conheci, tudo isso é fantástico! (para ler o texto na íntegra clique aqui)

Texto 3 The Story (meu texto povo! Música “The Story” Brandi Carlile)

Foram sete meses até nos reencontrarmos, sete meses marcados por ansiedade, impaciência, insegurança, “The Story” e uma santa loucura. Uma loucura movida por lembranças fantásticas – de um amor de verão; pela certeza de que ele me conhecia como ninguém apesar do curto tempo em que estivemos juntos e pela necessidade que eu tinha de dizer para ele: “aquelas semanas maravilhosas não eram uma fantasia, elas são uma verdade porque eu fui feita para você”. (para ler o texto na íntegra clique aqui)

Texto 4 A história da amor entre Pingo e Laura (autora Nina Sena, música “Com minha mãe estarei”)

Eu adoro lembrar da minha avó. Porque foi com ela que senti amor pela primeira vez na vida. Foi ela, com seu jeito simples de mulher interiorana e lutadora e mãe de uma penca de filhos e avó de uma porrada de moleque, quem me ensinou sobre cuidar do outro, sobre solidariedade e amar a todos sem fazer desdén de ninguém. Eu nunca havia pensado nisso, mas foi vovó quem me ensinou o dom de ser generosa. Ela repartia o amor tão bem entre os netos quanto a sopa que sempre fazia em quantidade bem maior que precisava porque sabia que sempre iria aparecer alguém na sua porta com fome. Esse amor era tão bem distribuído que se você perguntasse pra cada um dos netos quem era o mais querido da vovó, cada um iria dizer: eu mesmo, claro! (para ler o texto na íntegra clique aqui)

Espaço para comentar: eu chorei quando li esse texto da Nina, na minha opinião foi lindo demais e o melhor de todos. Quem não lembra das músicas de Maria na infância?

Texto 5 Já sei namorar ( autora Beth Lilás, música “Já sei namorar Tribalistas”)

Quando eu era menina, formava com minha irmã e mais duas amiguinhas um quarteto a que denominamos  “Quarteto fora de si” parodiando um famoso daquela época chamado “Quarteto em Si”, e eu sempre ficava com a voz aguda e estridente da boa soprano que era, ou melhor, achava que era. Cantava muito, parecia uma cigarra durante o dia e também inventava palavras em inglês que eram bem parecidas no som com as originais, já que eu não manjava nada daquela língua.  Era tão divertido cantar com as amigas ou mesmo sozinha em casa, no quarto, no banheiro, em banhos demorados em tardes quentes de domingo. Coisa boa, tempo bom! Babaluuuuuuuuu! (para ler o texto na íntegra clique aqui)

Texto 6 Os verdes campos da minha infância (autora Irene Cechetti, música “Os verdes campos da minha infância” Agnaldo Timóteo)

Nos sábados e domingos a escola se transformava em um salão de baile. As carteiras eram encostadas e a música tocada por instrumentos musicais como a sanfona, violão e pandeiro que animavam os pares dançantes. Foi num desses bailes que conheci meu primeiro namorado. Uma paixão, um amor puro e verdadeiro que meu pai, um italiano ciumento e brigão, de uma maneira violenta, dando um soco na cara do “meu príncipe encantado” colocou um ponto final no romance. (para ler o texto na íntegra clique aqui)

Texto 7 Até mais ver (autora Daniela Barbagli, música “Até mais ver” Trio Virgulino)

Era algo transcendente que ditava o ritmo dos passos numa sintonia sem igual. A felicidade estava no ar. Num desses momentos mágicos, quando o sol estava quase a raiar, a música parou. O silêncio da caixa de som não interferiu no ritmo do salão. Com o céu clareando, continuamos dançando ao som de nossos próprios passos: dois pra lá, dois pra cá; dois pra lá, dois pra cá… a areia trazida das dunas fazia um chiado difícil de resistir. (para ler o texto na íntegra clique aqui)

Gostou de algum dos textos? Clique aqui e deixe seu voto na enquete que aparece ao lado direito da página!

Vi ses!!

De Assistente SOCIAL para Assistente PESSOAL

O assunto de hoje é trabalho!! Mas primeiro: estou experimentando o novo tema do blog e gostaria que o pessoal deixasse nos coments um “o que estou achando desse novo visual”. Ainda gosto mais do tema antigo mas ao mesmo tempo acho que esse aqui é mais simples tanto no que diz respeito a navegação quanto no que diz respeito a facilidade de acesso e de visualização dos posts. Digam se ficou mais fácil comentar também!

Så där… (então é assim) em julho do ano passado eu consegui o meu primeiro emprego aqui na Suécia – que foi como Marinete (faxineira) – e quase que na mesma semana (acho que apenas um 3 ou 4 dias depois) consegui fazer um teste como assistente pessoal, no que eu tenho trabalhado até hoje. Às vezes quando alguém me pergunta o que eu to fazendo aqui eu digo “Sou assistente pessoal” e o fulano já responde “Que bom, tá trabalhando na sua área então…“; e simplesmente não: assistente SOCIAL (socialsekreterare em sueco) é uma coisa, e assistente PESSOAL (personlig assistent em sueco) é outra. .

Talvez essa confusão tenha a ver com o fato de que a Suécia não fica na Suíça mas mesmo assim ainda me perguntam se o chocolate aqui é bom e se eu já falo alemão… Primeiro que para ser assistente social (tanto no Brasil quanto na Suécia) é preciso obter um diploma de bacharel em Serviço Social – no Brasil – ou de Socionom – na Suécia. Para ser assistente pessoal não é necessário um curso universitário mas sim paciência e vontade de trabalhar com pessoas doentes, idosas e com deficiência (física e/ou mental) – ou seja, assistente PESSOAL está mais para a área de saúde.

Cursei a universidade durante 4 anos e obtive meu diploma de Serviço Social, tendo trabalhado durante 5 anos como assistente social de prefeitura. Assistente social definitivamente não cuida de pessoas, assistente social é para auxiliar indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social a ter conhecimento e acesso aos seus direitos tendo como objetivo maior a superação da situação de vulnerabilidade/risco. Mais ou menos grego, não? Certo, vamos focar somente no fato de que assistente social não cuida de pessoas e que não trabalha individualmente.

Assistente pessoal é só simplesmente alguém para cuidar de uma pessoa. O assistente pessoal vai estar ao lado de um indivíduo e ajudar ele/ela a realizar as tarefas do dia-a-dia: fazer comida, comer/beber, organizar a casa, ir ao supermercado, tomar um ônibus, ir ao banheiro, tomar banho, se vestir, tomar remédios na hora e quantidade certa.  O trabalho que um assistente pessoal vai desenvolver depende somente do grau de dependência da pessoa com quem ele trabalha (que recebe o nome de brukare): algumas pessoas recebem assistência de apenas algumas horas por dia, enquanto outros dependem de assistentes 24 horas.

Não penso que seja difícil ser um assistente pessoal na Suécia. Para conseguir um trabalho como este basta falar sueco e ser simpático (consegui meu trampo mais por ser simpático do que por dominar a língua =). Além disso, existe uma rede de organizações que trabalham em benefício do brukare, assim quando este precisa de órteses e próteses; ir ao dentista, médico ou psicólogo; trocar a cadeira de rodas ou consertar o óculos basta ligar para a pessoa responsável e tudo será arranjado. Uma dessas organizações é o Hjälpmedelcentralen (centro de aparalhos de ajuda – mais ou menos), que trabalha com as cadeiras de rodas (rullstol), lampadas de laser (peklampa) que são utilizados pelos deficientes que não podem falar e usam a linguagem “Bliss” e com o “lyften” (um aparelho que parece um guincho utilizado para auxiliar os assistentes a mover o brukare da cama para a cadeira de rodas, por exemplo, de forma que não é necessário ser forte e carregar um indivíduo que não pode se sustentar nas próprias pernas), entre outras coisas.

Ainda que o brukare seja muito doente e extremamente dependente sua assistência será garantida pelo governo. O atendimento a saúde não é gratuito na Suécia, mas as consultas tem um preço acessível a todos e se você tem algum tipo de doença ou o quê que te leva a gastar mais de mil coroas por ano com o atendimento de saúde você recebe o dinheiro de volta por meio do imposto de renda; ou por meio de um cartão chamado “frikort” deixa de pagar pelas consultas a partir do momento em que o cartão mostra que a marca de mil coroas foi alcançada. Existem taxis especiais para usuários de cadeiras  de rodas (färdtjänst), e esse tipo de taxi tem um preço fixo e  bem menor do que os demais. Ainda, os assistentes pessoais não são pagos pelo usuário, e sim pelo INSS sueco (Försäkringskassan).

Eu já enviei os meus documentos da graduação na universidade traduzidos para a Högskoleverket e só estou esperando a resposta deles para tentar conseguir o meu diploma como assistente social por aqui. Para isso, preciso também terminar o SAS 2, o que vai acontecer talvez em dezembro desse ano. Então, não há pressa em obter a resposta da Högskoleverket, pelo menos ainda não.

Fica talvez para o ano que vem voltar a ser assistente SOCIAL e deixar de ser assistente PESSOAL…

Göteborg News #02

Eu estava pensando que gostaria de escrever mais no blog, ainda mais quando eu conheço pessoas que escrevem todos os dias. Encontrei (na verdade, foi ela que me encontrou) uma parceira blogueira aqui de Göteborg que acabou de completar (ontem) um ano de Suécia. Fiquei super feliz em conhecer o blog dela – ainda não nos encontramos mas já estamos planejando um café – porque ela consegue escrever muitas das coisas que eu queria mas nunca tenho tesão nem disciplina para, tipo sobre os cafés de Göteborg, restaurantes, lugares, blá blá blá. Quem quiser conferir dê uma passadinha no Diário de uma Teimosa – ou melhor, da Vânia.

E antes de entrar no assunto do Göteborg News de hoje, gostaria de deixar um recado e um feedback para os leitores do blog: tenho recebido e-mails que comentam da dificuldade de deixar comentários por aqui. Gente, eu não sei porquê, já mexi nas configurações de coments e deixei o mais simples possível. Quando comecei o blog foi pura barbeiragem porque era eu que esquecia de acionar a caixinha do tal “permitir comentários” mas agora não posso entender o que seja. Eu também tenho dificuldade de comentar em blogs do Blogger e penso que talvez seja algum tipo de rixa virtual isso: quem é usuário Word Press tem mais facilidade aos blogs de usuários do Word Press e o mesmo acontece entre usuários do Blogger. Dai lascou-se né? Uma vez que a maioria do pessoal que conheço tem Blogger…

Enfim, para tentar melhorar isso e deixar os leitores mais a vontade resolvi mudar a aparência do blog – alguns temas tem os controles da página bem mais acessíveis e permitem mais funções, então não se assustem se a página estiver com um visu diferente na próxima vez que vocês acessarem.

Parada Gay de Göteborg: Mesmo não sendo ativista da causa gay (acho que sou ativista apenas da minha própria causa) achei que seria muito legal compartilhar essa aqui no blog. Não apenas porque foi um grande e importante evento na agenda da cidade de Göteborg como também porque foi a primeira vez que participei de uma coisa assim.

Participei e participei né. Estava na cidade no domingo – quando a parada aconteceu – e encontrei com amigos que estavam indo para a concentração. Sim eu tenho amigos e amigas homossexuais aqui, e foi graças a eles que aprendi que esse tipo de gente é apenas gente como a gente e não morde – mas esse papo é pra depois… Conversa vai, conversa vem, acabei por ir junto com eles para a concentração e fiquei ali observando o pessoal chegar e organizar “os pelotões da parada”. Fui junto com a galera uns 200 metros e depois fui para casa – ainda tava morrendo de cansada e definitivamente nem um pouco afim de caminhar os outros quase que mil metros até o ponto final.

Eu sei muito pouco acerca do universo gay, mas achei extremamente interessante o que vi aqui em Göteborg durante a parada. Primeiro, que a “parada gay” aqui não chama “parada gay” e sim Parada Arco-Íris (Regnbågsparaden). A semana passada foi a semana do Festival HBTQ (numa tradução literal: gays, lésbicas e simpatizantes) e por toda a cidade foram espalhadas bandeiras com as cores do arco-íris (os ônibus e spårvagn’s também tinham) ao mesmo tempo em que ocorriam seminários sobre homossexualismo e pequenos shows com artistas gays. Foi uma verdadeira Semana Arco-Íris.

O tema da Semana Arco-Íris de Göteborg desse ano foi “Vamos colorir Göteborg”, numa alusão de que Göteborg precisa estar mais colorida e feliz – acho que faz imensamente bem para uma cidade tão preto e branco como Göteborg receber um pouco de colorido. Não é a toa que usamos expressões do tipo “a coisa está preta” para situações ruins e dizemos que “o mundo está muito mais colorido” quando nos sentimos felizes. Pra quem não sabe, o termo gay no inglês é nada mais nada menos do que “feliz”, e acho que fica bem claro porque os homossexuais acabaram por receber essa nomeação.

Ok, se você tem uma imagem ruim a respeito dos homossexuais, eu peço para deixar de lado por um momento. Também tive uma imagem depreciativa dos gays a vida inteira: vivi numa cidade pequena em que todo mundo conhecia todo mundo e vocês podem imaginar o que aconteceu quando derepente um rapazito resolveu sair do armário e mostrar toda a “gayseza” dele. Eu nunca sabia se era para rir – porque ele abusava do cabelo vermelho, roxo, roupas extravagantes – ou para chorar – porque todo mundo sabia que ele tinha sido expulso de casa e que o pai dele batia nele se ele tentasse visitar a mãe e os irmãos.

Nem preciso mencionar a questão de que a cultura brasileira reforça isso, afinal, todo mundo sabe. O fato é que cheguei na Suécia pensando o seguinte: não tenho nada contra gays, mas nada a favor também. A gente é bobo pra caramba né? Tudo bem, vocês não, mas eu fui (e ainda sou) muito arrogante pensando que de alguma forma teria que dar a minha aceitação para as escolhas de vida de outras pessoas. Caí do cavalo: uma das primeiras pessoas que conheci por aqui é gay e simplesmente maravilhoso. Em poucos meses me vi cercada por tantos gays que são tão “pessoas normais” que mudei minha visão de mundo sem esforço e sem perceber.

Acredito em Deus e na doutrina da igreja, mas simplesmente deixo para Deus julgar o que é certo ou errado. Aprendi uma coisa muito legal com meu amigos/as gays: amar todo mundo, indiferente das escolhas. Não vou e não quero fazer uma pregação, mas penso que a Igreja Sueca faz um trabalho lindo acolhendo os gays (inclusive a Igreja Sueca é uma das organizadoras da Semana Arco-Íris) que vai exatamente de encontro com o ensinamento de Jesus Cristo, ensinamento de amor.

Segundo o GP mais de 9 mil pessoas participaram da parada. Eu nunca fui a uma parada desse tipo no Brasil, e não sei se posso acreditar no que vejo na televisão, mas sempre me pareceu que o negócio era como que uma grande festa. Por aqui era só um mundo de gente caminhando segurando bandeiras com as cores do arco-íris, com música (mas uma música lagom), sem alcool, sem gritaria; famílias, pessoas idosas, deficientes, crianças em carinhos de bebês ou caminhando com seus passos curtinhos lado a lado com homens de mãos de dadas e mulheres de mãos dadas.

Não é que a Suécia seja um mundo perfeito, aqui também tem muito preconceito contra homossexuais. A polícia já ajudou a deportar estrangeiros gays de volta para países como o Irã, Iraque e Somália – onde ser gay é ser condenado a pena de morte. Mas a sociedade sueca quer conversar, esta aberta ao diálogo e quer melhorar. Existem algumas pessoas no Brasil que estão tentando estimular o diálogo e a discussão a respeito do homossexualismo e eu recomendo que quem quiser e puder deve acompanhar o site da “Rose e Ann” (nomes fictícios, elas assinam apenas R. e A.) Nossa Colcha de Retalhos, que traz muita informação sobre o universo gay. A falta de informação aumenta o preconceito e tem muita gente que quer distância de homossexuais por imaginar que ser gay é contagioso.

E é, de certa forma: o movimento gay tem cores contagiantes…

Fonte: Sveriges Radio

Despedida de SolteirA

Oii povo! Ontem foi a despedida de solteira da Anna (nome fictício, bem sueco! hahá) – uma sueca que eu considero minha amiga. Como comentei no post passado despedidas de solteiro são levadas muito a sério por aqui, e para complicar descomplicando vou explicar que a despedida de solteira da noiva tem o nome de möhippa, e a despedida de solteiro do noivo de svensexa. 

Foi a primeira möhippa “oficial” que participei. Digo “oficial” porque da primeira vez que estive na Suécia fui ao casamento da Ellinor e a irmã dela preparou uma mini despedida de solteira dois dias antes do casório. No fim das contas fomos parar numa sauna e essa história eu contei aqui nesse post.

Já em relação a esta möhippa a coisa foi muito diferente e começou a mais de um mês atrás (o povo aqui é traquino pacas, maior organização): desde abril eu estava sabendo que a data da despedida de solteira da Anna seria em dois de junho. Foi criado um grupo no facebook e então as ideias começaram a pipocar. Como eu sou principiante, fui apenas seguindo a discussão. Em meados de maio o roteiro estava definido e todo mundo sabia o que aconteceria, menos é claro, a noiva. Tanto a möhippa quanto a svensexa costumam ser uma surpresa para a vítima. O termo talvez não seja apropriado no caso das noivas, mas os noivos pagam cada mico!

Cada participante deveria levar um presentinho para a Anna, e escolher entre fazer um bolinho para o fika ou levar um presentinho de sacanagem. Eu como não entendi que tinha de escolher um ou outro fiz uma máscara de carnaval e um bolinho. Nem deu nada, o pessoal achou muito bonitinho que eu tava lá (ah, que legal uma brasileira!). Agora, sem mais delongas, vou a um resuminho dos fatos:

– a noiva chegou de olhos vendados, e daí todo mundo usou o famoso “surprise” quando ela tirou a venda. Imediatamente ela teve de trocar das roupas normais para um vestido tipo anos 80 (de cetim) e usar uma faixa de miss (I’ll get a married – eu vou me casar), uma tiara com os mesmos dizeres, um daqueles anéis de boate que piscam e etc;

– cada um se apresentou, bebemos, comemos o fika e ela abriu os presentes;

– na sequência rolou um quiz com perguntinhas sobre a história do casal que foi demais porque a resposta certa não era exatamente a resposta correta mas responder a mesma coisa que o noivo já tinha respondido (por e-mail). Coisas do tipo qual a roupa que vocês usavam no dia do primeiro encontro? Eu não saberia responder (o que o Joel diria?)! hahaha… foi hilário.

– ela recebeu uma sacola com todos os presentes de sacanagem que fizemos, uma caneca de pedir esmola e um cordão com os prêmios. O objetivo era que por 5 koroas (colocados dentro da caneca) qualquer pessoa compraria um bilhetinho com o qual poderia ganhar um dos presentes de sacanagem, um pedaço do vestido dela ou uma dança. Para a execução da dança havia três opções: balé, break/disco ou robô.

– ela também recebeu três provas: tinha que tirar fotografias ao lado de 5 coisas que lembrassem o noivo; perguntar a cinco casais qual era o segredo para um relacionamento feliz e tirar fotos nas estátuas mais famosas de Göteborg (Posseidon, Gustav Adolfs e Kopparmärro).

– a partir daí saímos para o centro e caminhamos, a noiva pedindo as 5 koroas da rifa (algumas pessoas participam e são muito legais, já outras…), dançando, tendo o vestido picotado (os vestido estava sobre outras roupas, ela não ficou pelada – nem meio pelada), tirando foto com as celebridades acima citadas e tals.

No caminho encontramos outra möhippa e mais duas svensexa que estavam rolando na Aveny. Um outro local em que eu já vi o desenrolar dessas despedidas de solteiro é o Slottskogen, mas o pessoal caminha a cidade inteira, então começa lá e termina não sei onde e vice-versa. Ontem uma das svensexa tinha um ônibus inglês vermelho… e na outra o noivo tinha uma cueca amarela na qual estava escrito “5 koroas”. Não, não era a cueca que valia isso, mas sim o aluguel da tesoura para você cortar um pedaço da cueca onde você quisesse…

Depois de cumprir todas as tarefas, nos reunimos em um restaurante e tivemos um jantarzinho, mas a galera iria terminar o dia no Liseberg, eu que não fui porque tava pregada e iria começar as sete da madrugada no trabalho hoje. Eu queria deixar umas fotos mas primeiro tenho que pedir a permissão da minha amiga (não é legal postar fotos dos outros sem perguntar!).

Foi um dia muito gostoso. Sim, o retetê começou as 11h e eu fui embora quase 20h e o pessoal ainda estava animado.  Algumas moças tinham espumante e beberam durante o dia, mas a maioria ficou mesmo na água, cafezinho e uma taça de vinho no jantar. Tudo muito lagom, nada de gritaria e humilhação – isso fica mais para uma svensexa mesmo.

A Josy (do blog Enfim Suécia) comentou que a cunhada dela estaria preparando uma möhippa para ela. Espero que o pessoal seja maravilhoso contigo como foi com minha amiga Anna ontem! Eu já tô ansiosa pensando o que será que o pessoal vai aprontar comigo!

Só tenho pena do Joel…

Advinha quem é o noivo?