Coisas de Caipira #02

To em casa… Putz que saudade que eu estava do meu canto! Tomei um banho super (tem gente que tem problemas para cagar quando está fora de casa, já eu tenho problemas para tomar um banho decente!), fiz uma comidinha da hora e gastei metade do português que acumulei enquanto estive fora (no trabalho é só sueco) com o Joel.

A vida é boa!

Quando eu trabalhava de faxineira nunca compreendia porque suecos – que tem fama e que realmente não tomam banho todos os dias em algumas épocas do ano – tem dois banheiros na casa, sendo um com uma ducha e um segundo com uma banheira; ou vice-e-versa. O que eu não vi nesse tempo é a sujeira em que o pessoal costuma deixar o banheiro… principalmente a ducha. Como a gente estava semanalmente visitando os clientes – ou no mínimo, quinzenalmente – sempre achei que o relaxo da coisa era por causa da dependência da Marinete aqui; tipo, não vou limpar, eu tenho empregada, ela vem em 3 dias e vai dar um jeito nessa bagunça.

O causo é que a família para que eu trabalho tirou férias mas os assistentes que querem vão junto (pessoas com deficiência tem direito à assistência pessoal mesmo quando viajam para fora da Suécia), e como eles vão passar um bom tempo na praia e também por sermos um grupo que trabalha com a mesma pessoa a empresa providenciou um apê para a gente morar – tipo, alguém foi para fora do país e alugou o apê com tudo dentro para a empresa. Cheguei lá e a ducha estava daquele jeito… Me dá um nojo tomar banho em banheiro sujo que vou te contar hein? E eu nem para ter levado meu havaianas junto. O problema é  que a “nhaca” não tá só no chão, no chão a gente dá uma lambuzada com o “mopp” mesmo, mas no resto… Moral da história: entro no banho com os olhos fechados e saio o mais rápido possível!

To tentando ler os blogs que eu gosto de “cabo a rabo”: já que tenho internet no celular eu posso rir sozinha enquanto to com a bunda no trem ou no ônibus. Hoje eu estava imersa  no “Boneca de Neve” – blog de uma portuguesa, moradora de Nyköping cujo nome é… Joana – rindo a beça por causa de duas coisas que ela contou: que quase morreu de susto quando uma senhora puxou conversa com ela  numa sauna, e que por ocasião de uma vacina chegou a conclusão de que os vikings não morreram.

Sábado passado eu estava no mercado comprando ingredientes para fazer um bobó de camarão e como eu resolvi fazer a coisa de última hora e não tinha mandioca ( mas ia fazer de qualquer jeito mesmo) seria com batatas. Aqui na Suécia as batatas que são mais moles depois de cozidas recebem o nome de “mjölig” (a tradução direta não faz sentido, então explicando: é um adjetivo para coisas que são fáceis de converter em farinha…); e estas são realmente melhores se a intenção é fazer um purê ou coisa do tipo. Mas eu não lembrava o nome, e lá estavam três variedades de batatas separadas e etiquetadas em seus saquinhos me esperando, enquanto eu tentava avaliar com une-dune-tê qual era a tal da batata macia (o Joel estava ocupado com um alce nesse momento, em outra história). Nisso aparece uma senhora com cara de mãe – ou cara de quem entende de comida – ou simplesmente com cara de sueca (ou seja, ela ia saber qual era a variedade da batata que eu queria) e eu viro para ela e…: Com licença, eu… Ela: Eu não sou funcionária do mercado. Eu: (Em pensamento: Jura? Achei que o pessoal do mercado tinha mudado o uniforme! Tá muito mais moderno!) Desculpe, mas talvez você pode me ajudar?! Eu quero fazer um purê de batatas, qual dessas variedades é a melhor? (com meu melhor sorriso). A mulher fricou me olhando uns segundos meio – sei lá – então monossilábica: Mjölig… Eu: Muito obrigada!

Lendo o relato da Joana hoje lembrei desse e outros eventos que já me ocorreram nesse ano e quase meio de Suécia. No Brasil eu nunca passei uma viagem de ônibus sem puxar conversa com alguém e eu sei lá se isso é coisa do interior ou o quê, mas quando não tinha ninguém para gastar o português simplesmente conversava com o cobrador do metropolitano. Aqui se você puxa conversa com alguém sem um “motivo” bem definido… passa como doido!

E a questão das enfermeiras “vikingianas”: a primeira vez que fiz um exame de sangue por estas terras a moçoila que fez a coleta foi tão jeitosa que eu nem senti a picada da agulha. A segunda vez eu fui toda confiante e voltei para casa com uma marca roxa ao redor da veia: não foi a mesma moça, e eu sei lá se essa guria que lançou a agulha no meu braço não estava praticando para os jogos olímpicos (lançamento de dardo), mas nunca senti tanta dor em uma coleta de sangue na minha vida!

Enfim, é maravilhoso ler as experiências do pessoal que esta aqui há mais ou menos tempo que eu e perceber que, apesar de emigrantes de tão diferentes partes do mundo temos em comum essa coisa do choque cultural mais ou menos brutal, sob diversas perspectivas.

O melhor de tudo é que sobrevivemos!!!

PS.: Para quem tem curiosidade de ler sobre a história de outros brasileiros espalhados na Suécia, os blogs que acompanho estão relacionados na coluna “Cumpadis e Cumadis”, ao lado direito do texto. Mais abaixo, na coluna “Coisas de Caipira” há alguns outros blogs de brasileiros espalhados pelo mundo (USA, Alemanha, Croácia, Noruega) de gente que acho que é engraçada e interessante de ler. Para quem quer mais, dá um clique na imagem “Mundo Pequeno”: lá você tem a lista dos blogues de brasileiros espalhados pelo mundo (curioso para saber como é a vida dos emigrantes brasileiros no Japão? Em algum lugar da África? Austrália? França? Tudo isso está lá!).

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4 comentários sobre “Coisas de Caipira #02

  1. Hahaha eu estou mesmo a imaginar a cara da senhora no supermercado! Já vi caras assim muitas vezes… De certa forma é engraçado, mas por outro lado dá-me pena essa falta de competências sociais, assim como o facto de que muitos só se libertam depois de beber um par de cervejas… Um pouco de abertura e simpatia nunca fez mal a ninguém, né? Mas felizmente vai havendo excepções. Um dia eu adormeci no comboio e, ao chegar ao destino, houve dois senhores que me acordaram. Foi muito simpático da parte deles, pois eu poderia ter dormido mais uma hora se pudesse hehe… E numa loja houve uma menina que me perguntou se eu achava que o casaco lhe ficava bem. Pequenos contactos destes deixam-me nas nuvens durante todo o dia, pena serem tão raros!

    Espero que você recupere do trauma da enfermeira viking, eu demorei uns tempos! ;)

    Obrigada por seguir o blog e por mencioná-lo, nós (eu e o blog, claro) ficamos muito contentes. Beijo

  2. Acho a suécia um lugar admiravelmente belo, mas não sei por quanto tempo eu consegueria viver com pessoas tão “distantes”. Eu precisoooo ajudar a senhorinha a atravessar a rua, e isso incluí em pegar na mão. Como eu irei partilhar dos meus comentários com desconhecidos se as pessoas não aceitam um simples olhar… E convenhamos que banheiro sujo também não rola. Belíssimo por fora, mas por dentro das casas dos nativos não deve ser não. huhuhu….. Como tudo na vida, existem as vantagens e desvantagens né.

  3. Oi Tati!
    As vezes acho que estou ficando como eles: perdi minha capacidade de abordar as pessoas e parecer natural ao fazer isso. Fico tao nervosa que nao é comum a conversa nao engatar… sei lá o que é isso, talvez seja so na minha cabeca mas eu penso que tem muito de suequice em mim agora…
    Beijos!

  4. Oi Joana!!
    Tem sido muito legal ler seu blog, dei muitas risadas e esse é o estilo de escrita – como o seu – que mais me prende.
    Muitas das coisas sobre o que voce escreve eu tenho pensado também e isso me fascina. Incrível, pois nunca moramos perto e tudo o mais…
    Bom, quer melhor exemplo do que meu caso com o Joel?
    Beijos

Agora vamos prosear!

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