O Brasil não é só Rio de Janeiro

Dia desses eu no trem (temos trens de novo!!!) e escuto a conversa de dois jovens:

Ele: todo mundo sai viajar e tenho pensado nisso. Eu quero sair e fazer alguma coisa diferente, grande… talvez a gente podia ir juntos.
Ela: Opa, que legal! Sim a gente podia ir para a Grécia! 
Ele: Não, Grécia não… todo mundo vai para a Grécia. Vamos para a Tailândia ao invés disso!
Ela: Aham… todo mundo vai para a Tailândia também!
Ele: O que eu queria mesmo era ir para a América Latina, para o Brasil…
Ela: Ta louco? Eu tenho uns amigos que foram para o Rio de Janeiro e olha só: no primeiro dia eles foram assaltados e levaram o dinheiro deles, no segundo dia foram assaltados de novo e ficaram sem máquina fotográfica e celulares. Se você acha que isso é tudo eles ainda foram assaltados uma terceira vez, até o usb da minha amiga carregaram embora!
Ele: É, mas nada disso acontece se você fica experto, a gente não precisa ir para uma favela!
Ela: Não precisar não precisa mas lá tudo é favela… além disso não é bom para mulheres irem para o Brasil porque os homens de lá não tem nenhum respeito. (e falando meio baixo) Ela foi quase estuprada na frente do namorado!

Três coisas me passam pela cabeça quando eu ouço uma conversa como essa: primeiro, que eu tenho uma opinião muito dura e preconceituosa contra gringo que vai para o Brasil e quer entrar numa favela, pelo motivo que for… pra não ser politicamente incorreta, paro por aqui.

Dois, é que eu acho um saco que todo mundo entende o Brasil a partir de três palavras: samba, futebol e Rio de Janeiro. E pensar no tamanho do Brasil! E na diversidade cultural! E na cara do povo quando eu digo que “não sei sambar” e que eu não morava nem no Rio de Janeiro e muito menos na praia. É, o Brasil tem 6 mil quilômetros de praia mas eu fui nascer as beiras do mar de soja e milho, lá onde comer carne não é pecado e ser vegetariano é que é ser esquisito. Minha cidade não tem estádio de futebol, acho mesmo que é uma das  únicas cidades no Brasil que construiu uma pista de corrida para tratores – é um “tratoródromo”; o maior show que já teve por lá foi de Fernando e Sorocaba (na minha opinião, claro); a gente dança, canta e vive sertanejo (alguns gostam de vanera, vanerão e mais um monte de coisas gaúchas também); e nem por isso sou menos brasileira que uma carioca.

E três… puxa essa coisa do machismo brasileiro realmente não casa com o feminismo sueco – se é que eu posso simplificar as coisas desse jeito. Só para reafirmar: não sou a favor de nenhum “ismo”. A verdade é que há uma imagem muito forte de que as mulheres latinas gostam de homens sem vergonha, porque somos todos passionais e queremos emoções fortes, sejam quais sejam.   Também posso acrescentar que as brasileiras (em especial) são fáceis e promíscuas. Homens acostumados com mulheres como essas não respeitam ninguém; e apesar de não concordar que o X esteja aí, também não acho que seja hora para discutir quem nasceu primeiro – o ovo ou a galinha; ao menos não nesse blog. O que posso afirmar é que os homens brasileiros são extremamente confiantes em si mesmos e muitas vezes não aceitam um não como resposta. Em contrapartida, na Suécia nenhuma mulher precisa se preocupar com avanços indesejáveis porque qualquer movimento incalculado de um homem pode e será usado contra ele em um tribunal em um processo de assédio sexual ou estupro, como no caso de Julian Assange.

O que eu quero testemunhar é que me dá um sentimento super estranho, mais ou menos do mesmo jeito que me incomoda que alguém pergunte como vai meu alemão e se a Suiça é mesmo fria, me incomoda escutar as pessoas falando que no Brasil tudo é uma merda, que a violência está em toda a parte e que as mulheres só servem para servirem.

Enfim, estamos mal na foto hein?

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Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #22

Me disseram que agosto é o mês da noivas na Suécia e eu acho que é mesmo, ou pelo menos para mim foi: fui a dois casamentos… no sábado passado estivemos em uma boda de um casal muito apaixonado que se casou em uma ilha; o tema do casório foi a Idade Média e o noivo não tinha terno – estava meio de cavaleiro, digamos assim. O mais lindo de tudo foi que os pombinhos fizeram a travessia entre a igreja e o salão de festas de barco, um barco muito lindo de madeira, tipo um veleiro.

Mas talvez  seria melhor dizer que agosto é o mês de fazer festa pois além dos casamentos fomos a duas festas de aniversário; uma delas de 50 anos. Não tenho certeza de já ter comentado no blog o quanto é importante a comemoração dos cinquentinha – ou pelo menos é dentro do círculo de amizades que tenho – mas o pessoal capricha na comemoração. Comemoramos os 50 anos de um Zé em meados de agosto, e a festa foi emocionante, com os melhores amigos contando as farras e os podres da junventude e a família entregando as travessuras de criança do cidadão. Eu me emocionei muito quando a mulher e as filhas do Zé se puseram a cantar Fields of gold enquanto um telão exibia fotos da família: o Zé com as filhas recém nascidas, cozinhando com a esposa, brincando na neve com as crianças, velejando, em diversas viagens com a família e os melhores amigos… foi arrepiante!

É super interessante como a alma de uma festa desse calibre (como um casamento ou a celebração do aniversário de 50 anos) na Suécia é a formalidade, a festa tem quase que uma pauta a ser seguida: os convidados chegam e são recepcionados com um drinque leve, depois são convidados a sentar (nessa festa de 50 anos os lugares estavam marcados como em um casamento), a comida é servida, começam os discursos, o café é servido, continuam os discursos, pausa para respirar ar fresco, depois vem a torta (ou o bolo de casamento/aniversário) e mais café, as últimas homenagens e discursos.

E tudo fica ainda mais incrível se comparado a festa de aniversário da Jenixa (aquela nicareguenha das vitaminas): nada de pauta, nada de organização, nenhum discurso ou homenagens. Como ela trabalha com muitos latinos os únicos suecos da festa eram o marido dela e o Joel e todo mundo estava gritando em falando espanhol, eu e o Joel cochichando em português – eu traduzindo o pouco que entendia daquela maravilhosa balbúrdia – enquanto  eu inventava um “portunhol” para me comunicar com os demais (a maioria não fala  sueco) e usava meu sueco capenga com o marido da minha amiga. Uma loucura. Todo mundo falando ao mesmo tempo, um tentando gritar mais alto do que o outro e do que a música latina que rolava no som – sem falar que tinha duas crianças pequenas… A festa começou atrasada e as mulheres sentaram em uma roda para falar de crianças, dos cabelos, das unhas, de maquiagem, dos móveis e todas aquelas coisas que eu nunca consegui conversar com uma sueca.

Enquanto toda a festa se desenrolava e o pessoal comia e tomava ao mesmo tempo que dançava e conversava fiquei comparando a “nossa festa” com as demais festas suecas a que fui. Lembro bem que durante o primeiro casamento sueco em 2009 achei tudo tão bonitinho, tão organizado e íntimo, tão emocionante com os melhores amigos se rasgando em homenagens… para em seguida morrer de decepção quando os noivos foram embora, o que deu fim ao jantar antes da “festa começar”! Simples assim: os noivos saíram, algumas poucas pessoas passaram a recolher a bagunça e o resto foi para a casa dormir, sem dança, sem auê, “sem festa”. A festa dos 50 anos do Zé também foi assim, acabou quando eles disseram: então pessoal, muito obrigado pela presença de vocês. Por hoje é só, a gente se vê na festa de 75 anos do Zé (ahãn, o humor sueco é…).

É certo que a Jenixa não completou 50 anos mas se eu pudesse usar uma palavra para definir a festa de aniversário dela seria “festa”. Já com relação a um casamento ou 50 anos sueco eu diria que a melhor palavra seria “evento”. Isso não quer dizer que as comemorações suecas não sejam boas, afinal, a gente nem sempre vai a um evento para se divertir e ainda assim sai muito satisfeito. Ou não – quando vi os noivos irem embora no sábado mais uma vez no final do “jantar” e antes do “baile” me deu um desapontamento!

Será isso caipirice demais?

Emagrecer é preciso!

Levanta o dedo quem engordou depois de mudar do Brasil para cá (ou para outro canto do mundo)… ahá, sabia que eu não tava sozinha nessa!!! Hahahaha…

Às vezes eu penso que isso faz parte do processo e adaptação e é impossível fugir a regra – tomara que seja isso mesmo, senão vou ter que admitir que sou preguiçosa demais e nunca me exercito… Bom, assinei com uma das melhores academias de Gotemburgo por um ano – paguei mensalmente o valor X – não cheguei a aproveitar o investimento. Tenho que confessar que depois de abril as minhas visitas a academia passaram de duas por semana para uma, e depois uma de vez em quando até que em junho eu já não dei mais as caras por lá mesmo…

Mas, com relação a questão do aumento de peso estar relacionado a mudança não é apenas desculpa. Quando mudamos de país geralmente nos deparamos com duas situações: ou amamos a comida local e nos deleitamos, ou odiamos e comemos só porcaria… E mulher, bem, nós mulheres temos o fator hormonal que contribui para que gorduras e doces sejam adoravelmente apetitosos quando nos sentimos um cadinho deprimidas. O período de adaptação é cheio de altos e baixos, marcado por muita saudade, tristeza bate mesmo, sentimento de solidão e tals… nada mais fácil do que preencher o vazio com a imensa variedade de godis suecos, ou chocolate, ou sorvete (o clássico!), ou… bom, opção é o que não falta não é?

Esses dias quando escrevi sobre as vitaminas a Joana do blog Boneca de Neve me deu a luz: ela compartilhou nos coments que se exercita em casa. Eu nunca tinha pensando nisso, sério! Então, primeiro, obrigada Joana; e segundo, acabaram minhas desculpas para fazer a mala da academia, que não vai dar tempo de chegar para a aula (na verdade, a presença precisa ser confirmada 30 minutos antes da aula começar, no local), que o spårvagn tá de férias (mais uma semana) e que tomar o ônibus demora o dobro do tempo; que eu não aguento o papo do vestiário a mulherada falando da bunda incrível do professor (que nem é incrível, que fique bem claro)… Comprei uma revista de fitness (em sueco – malhar aqui também está dentro da onda do faça você mesmo), andei lendo as páginas da Women’s Health e da Boa Forma na internet e tals, peguei um treino de 15 minutos (que eu demoro 40 pra completar – com aquecimento e alongamento – no mínimo) e to fazendo em casa.

Quero deixar bem claro que não concordo que instrutor de exercício físico seja dispensável – nem poderia, minha irmã mais velha é formada em Educação Física, ia me pegar pelas orelhas se escrevo uma coisa dessas aqui no blog. Ah, e a Lu também! – ainda que na Suécia você não precise de formação acadêmica para ser personal trainer e instrutor de dança e etc e tals em uma academia. Respeito muito o profissional de educação física e deixo bem claro que eu não montei a minha sequência de exercícios – não tenho conhecimento para isso, escolhi coisinhas simples daquelas séries de revista (fique linda em 60 dias – eu sei que não funciona assim) só para me mexer e estou trabalhando com um pouco de peso, sempre em frente ao espelho para corrigir postura, bem devagar, respeitando meu tempo; afinal, é bom ter consciência de que estou há um bom tempo “parada”.

Já vejo os primeiros resultados: to mais animada, com mais disposição até para malhar de verdade (quem sabe volto para academia), quem sabe correr – hãããã… não, acho que correr não rola. Ainda tô na fase de ter muita dor pós exercício – eu sou fraquinha povo, não tenho condicionamento para 1 minuto de polichinelos! – mas o melhor de tudo é que agora vão se completar duas semanas que eu to nessa e to seguindo bonitinho o programa. To bem feliz=D.

Como eu já comentei por aqui que sou muito indisciplinada para seguir as coisas por conta própria decidi compartilhar a experiência aqui no blog;  primeiro porque manter um diário ou o quê ajuda e segundo porque em final de outubro quero postar quais foram os resultados do meu programa fique linda em 60 dias (vão ter se passado um pouco mais de 60 dias, mas…).

Meu objetivo principal com o programa é melhorar o condicionamento físico. Tá, sério agora: quero perder a gordura abdominal, a pochete. Devo confessar que assistir ao abdômen sarado das jogadoras de vôlei de praia Larissa e Juliana durante os jogos em Londres me inspirou muito, mas isso não é trabalho para 60 dias, isso é coisa para vida toda. Eu posso ter um abdômen assim (às vezes eu quero realmente) mas isso é trabalho pesado e contínuo, que não vai aparecer em dois tempos – a menos que alguém saiba onde é que foi parar a lâmpada mágica do Aladin. Talvez ela esteja com a Larissa e a Juliana?

Tirei minhas medidas, anotei em um caderninho. Estou pesando 56kg, tenho 1,59m; não me considero gorda, mas a pochete realmente incomoda. Voltar aos 54kg não seria mal… mas não entrei em nenhuma daquelas dietas loucas de revista, não aguentaria viver a base de iogurte e de amêndoas. Eu me alimento bem, mas faço isso errado: comia duas vezes por dia até quase estourar. Já mudei os hábitos alimentares, como mais frutas, não repito 3 vezes a porção – e eu sei o quanto é difícil quando tenho uma bela macarronada diante de mim; tomo um café da manhã decente, bebo muito mais água…

Enfim, vou atualizando o status do meu desafio de tempos em tempos. Quero comprar umas aulas de zumba para ter mais exercícios aeróbicos, e por enquanto vou fazendo a sequência que escolhi (é essa aqui – não por acaso) dia sim, dia não.

E agora, é hora do “pega”.

Faça você mesmo

Não tenho ideia se este é um costume europeu mas já repeti várias vezes aqui no blog que os suecos vão muito na onda do faça você mesmo, desde coisas simples – como o pacote das compras no supermercado – até coisas mais complexas – como pintar a casa e a decoração para o casamento.

Como assim, a decoração para o casamento? Isso mesmo.  Semana passada – no sábado – fomos aquele casamento tão comentado aqui nessas páginas e advinha quem estava ajudando o pessoal a fazer a decoração para a festa na sexta a feira a tarde? Eu Zinha da Silva.

Fonte: mittdrombrollop.blogg.se

E ficou simplesmente lindo. Mas, para variar, eu não tenho fotos porque nem pensei em tirar uma foto do negócio pronto… cabeça de vento. Ficou mais ou menos assim como a imagem ao lado (com exceção de que as velas estavam em castiçais altos, mas no mais tudo muito semelhante: o salão era branco; as toalhas, guardanapos e louça brancos; os arranjos com rosas brancas e detalhes em verde). Tudo simples, mas muito lindo e tudo – os arranjos, o buquê da noiva e o arranjo da lapela do noivo – confeccionado pela mãe da noiva.

O melhor de tudo é que cada revista de noiva sueca (e os melhores sites de noivas como o Bröllopstorget) dão dicas de como preparar o casamento praticamente sozinha: com a ajuda de algumas amigas e as irmãs (quem tem) e mãe (quem quer), a noiva faz os convites, o programa da igreja e da festa, os arranjos, a decoração e o buquê, às vezes até o bolo do casamento (quem fez o bolo eu não sei, mas no fim de semana a decoração do bolo de casamento ficou por conta das irmãs da noiva – com a supervisão da própria – e ficou um charme); detalhes esses que ajudam, e muito, a diminuir o rombo da carteira por conta do casório.

Eu definitivamente estou super dentro da onda “faça você mesma” no que se refere ao meu casamento. Infelizmente ainda não sou tão pró a ponto de entender sueco de cabo a rabo, mas já adquiri uma revista de noivas e já estou garimpando sites de casamento – em sueco – porque visitar as páginas brasileiras me dá um desespero: tudo é luxuoso demais, quase nada conta com “como fazer por si própria”, e tudo é cheio de muita propaganda – contrate o serviço da empresa tal, especializada em qual e que te cobra os rins.

Obviamente algumas coisas não há como fazer sozinha, como o buffet do dia do casamento e a fotografia, por exemplo; coisas que eu prefiro pagar a ter dor de cabeça depois. Apesar de ter gente que compartilha ótimas experiências de alguém da família ou amigo que preparou o jantar eu não arriscaria – penso que fazer comida para um pelotão de gente não é para qualquer um; e além disso, quem quer ter boas recordações de um dia especial como esse tem que contar com um fotógrafo experiente. Para tudo o mais, ainda tenho um ano pela frente (tempo de sobra até para confeccionar um convite de casamento por dia, se eu quisesse).

Me sinto mais avarenta, obviamente, mas também muito mais criativa. E já que to morando na Suécia…

Sueco como segunda língua

Falei que eu ia chegar lá, e quero explicar uma coisa: pelo tom dos posts que escrevo sobre estudar sueco na Suécia e pela quantidade de reclamações que envolve o assunto parece que não estou contente como a coisa caminha. Para não deixar ninguém na dúvida: NÃO ESTOU CONTENTE com a forma como a coisa caminha.

É ser chata? É, mas parece que tudo na Suécia que é voltado ao imigrante funcionando meio boca tá bom: Arbetsförmedlingen é maravilhoso pra uns e desgastante para outros, SFI e SAS uma enrolação… Eu sempre me lembro da Paula me dizendo que eu não devia espera muito do SFI – mas brasileiro é aquela coisa né? Sempre alimentando uma esperança de que, quando for a minha vez, vai dar certo! E…

…deu, de certo modo. Eu falo sueco, mas não graças ao SFI, tampouco o SAS ajudou alguma coisa. E mesmo sendo tão ruim eu continuo porque eu decidi que com o diploma de Sueco como Segunda Língua a coisa seria mais fácil. Não sei se é mesmo, tem alguém lá na frente (com diploma de SAS) que pode me confirmar isso?? É…?

A última foi que para começar o segundo semestre de estudos esse ano (ainda penso o ano letivo como o brasileiro) fiz a matrícula em maio para continuar na mesma escola que estudei todo meu sueco (ABF), mas as vagas lá acabaram e fui parar naquela escola esquisita que falou só das saídas de incêndio e da página deles na internet durante um encontro obrigatório em junho (mó legal). Na segunda tive a primeira aula e descobri o porquê da tamanha ênfase que eles deram no site deles: o curso é a distância. A professora disse que a presença nas aulas não é obrigatória desde que o aluno faça todos os exercícios de uma ferramenta na internet chamada “Novo” (passei as férias inteiras recebendo um chamado no meu e-mail porque eu não tinha preenchido meu perfil no “Novo”, até entrei em contato com a escola para então receber uma senha que nunca funcionou… pensa se meu curso de sueco dependesse disso? Estaria literalmente lascada).

Não que ache que curso a distância não presta, penso que tem muita gente que se esforça muito quando faz um curso a distância e realmente estuda, estuda até mais do que pessoas que estão em um curso presencial. Mas eu não vou discutir a qualidade do ensino a distância e os seus méritos e/ou funcionalidades, uma vez que só posso afirmar mesmo é que ensino a distância não dá certo para mim e que eu não tenho ganas de estudar se tô me sentindo sozinha no barco. Eu sou literalmente uma Maria vai com as outras e preciso de companhia para me sentir motivada: estudar sozinha não rola!

Desisti do curso na Hermods (a tal escola para qual fui agora) e fiz a matrícula de novo, não antes sem preencher um formulário de reclamações junto a Vuxenutbildning explicando que eu estava muito desapontada por ter de esperar até setembro para começar meu curso já que eu tinha feito matrícula em maio, mas que eu preferia deixar de estudar agora do que “frequentar” um curso a distância – o qual eu não tinha escolhido. Por causa dessa reclamação o pessoal da Vux me ligou e afirmou que deixaram de firmar contrato com a Hermods porque eu não sou a unica estudante que reclamou e que disse não ao curso a distância. Segundo a encarregada que entrou em contato comigo a Hermods deveria oferecer o curso presencial (além do curso a distância) para que os alunos que não escolheram a modalidade a distância possam frequentar aulas presenciais.

Agora minhas férias de sueco foram estendidas até 17 de setembro. O negócio é me focar no trabalho e tentar aprender o que posso lendo e estudando por conta própria (durante esse tempo). No fim das contas, dá na mesma, por um período.

Vamos ver quais serão as cenas do próximo capítulo dessa novela!

Despedida de SolteirO

Olá! Algum tempo atrás contei para vocês como é que funciona a despedida de solteirA aqui na Suécia, e hoje quero compartilhar como é que funciona a depedida de solteirO. Como eu expliquei nesse post aqui a depedida de solteira tem o nome de möhippa e a despedida de solteiro de svensexa.

Apesar do nome lembrar sexo a svensexa não tem nada a ver com isso. Dizem que a svensexa é uma tradição existente na Suécia desde 1600, quando o noivo era o organizador do evento, uma forma de despedida dos amigos e das farras da vida de solteiro. A partir de 1800 a svensexa passou a ter características que lembram a svensexa atual, quando o noivo promovia campeonatos e brincadeiras entre os amigos. Foi a partir desse período também que a organização do evento passou a ser responsabilidade do bestman (melhor amigo do noivo). Claro que eu não posso afirmar que as despedidas de solteiro sueco não incluem putaria (como no Brasil, onde despedida de solteiro é muitas vezes sinônimo de “meus amigos pagaram uma stripper/puta”) mas acho meio difícil uma vez que pagar por sexo na Suécia é crime.

Em resumo, na svensexa o pessoal “sequestra” o noivo e leva ele para pagar mico na cidade e depois para fazer alguma coisa legal. Cada svensexa é diferente uma vez que a galera tenta explorar as qualidades e os defeitos do pobre coitado do noivo ao extremo: pode ser que os amigos peçam para ele tocar violão na praça em troca de dinheiro, ou que ele tenha que fazer um discurso anti-feminista em frente à universidade, por exemplo. No verão não é difícil topar com várias despedidas de solteiro na cidade, especialmente em finais de semana, e você vê de tudo (mesmo): caras vestidos de frango, com snorkel e máscara de diving, com sunga (aqui na Suécia sunga=king kong), de maiô de natação, de cueca, pelado…

O que eu acho mais legal é que ninguém é obrigado a fazer nada e o noivo apenas entra no clima e se diverte (um dos únicos momentos da vida em que o sueco se permite a “sair da casinha”). Um dos melhores amigos do Joel se casa no sábado e eu vou contar como foi a svensexa dele para vocês terem uma idéia:

– a gang sequestrou ele as 8 da manhã de um domingo. Sequestrar significa invadir a casa, vendar o cara e levar ele para o primeiro desafio – que normalmente é uma  pegadinha.

– o João (nome fictício) supostamente pularia bungee jump de olhos vendados. O detalhe é que na verdade ele estava a 50 cm do chão com um colchão em frente dele. Eu vi o vídeo do negócio e apesar de ele não ter pulado como se fosse realmente o bungee jump, foi hilário.

– ele recebeu uma sacola de variedades que deveriam ser vendidas no centro (artigos de merda, tipo 1,99).

– cantou para pedir dinheiro.

– dançou Michael Jackson – também para ganhar dinheiro (não ganhou nem um real com isso!).

– com o dinheiro que ele conseguiu ele deveria comprar alguma coisa e oferecer para os passantes experimentarem (ele comprou creme para as mãos).

Fonte: Google. Bom, ele não tinha as armas… mas o kilt escocês, sim!

– ao final de cada atividade ele ganhou uma peça de roupa e peruca, ao final ele estava vestido como William Wallace do filme Coração Valente.

– com o traje ele deveria conseguir que alguém fizesse o retrato dele a mão (foi feito por uma criança de 11 anos… imagine!).

– o João teve que fazer o discurso do filme (da guerra escocesa contra a Inglaterra) em um café super lotado.

– todo mundo foi para uma prova de queijos e cerveja.

– paint ball.

– churrasco (sueco) e cerveja.

Em algumas svensexa o povo passa dos limites: já colocaram gente em uma bóia no canal enquanto os amigos, ao redor, jogam ovos. Não acho a mínima graça nisso – até pode ter coisas para pagar mico, mas não para humilhar – esse humor Jack Ass e Pânico só é engraçado para as mentes insanas dos organizadores, e para ninguém mais.

Uma das coisas que acho complicado com relação a toda essa brincadeira é que na maioria das vezes é a noiva que ajuda a galera a enganar o noivo. Sou péssima com essas coisas, acho que ia entregar tudo nos primeiros dias e por isso já avisei os amigos do Joel que infelizmente eles não podem contar com a minha ajuda quando forem organizar a svensexa dele.

Mas até lá, quem sabe… tudo muda todo tempo!

As Aventuras de Rino

Podia até ser um conto infantil mas não é nada mais do que uma criancice minha. Nada de mal, afinal, “ainda que adulto eu não esqueci como é que se brinca” (desconheço a autoria). Nem tampouco o quanto isso é bom! E já que podia ser um conto infantil…

Era uma vez… um rinoceronte de tecido muito simpático nascido na Inglaterra. O rinoceronte precisava ganhar a vida e por isso acabou viajando para a Holanda onde conseguiu trabalho em um parque de diversões, o Efteling. O trabalho não era lá muito difícil, consistia apenas de esperar em uma prateleira até o dia em que alguma criança muito insistente conseguisse convencer os pais a gastarem três euros em um daqueles jogos duvidosos de derrubar latas. Com um pouco de sorte ele seria o bicho de tecido que sairia da prateleira para um lar holandês, de preferência um daqueles que não fosse habitado por gatos ou cães ou pelo menos, por nenhum gato ou cão que adora morder, arranhar e/ou estraçalhar bichinhos de tecido.

Eu vos apresento… Rino Rinoceronte.

Esse ainda não é o final da história, mas é que preciso de mais um era uma vez… uma moça do Paraná que viajou para a Suécia. Ela e o namorado resolveram dar uma voltinha de carro por aí, e a aventura acabou desembocando em Efteling, aquele parque de diversões holandês. A moçoila nunca tinha andado de montanha russa (com 27 anos na cara!) e apesar do medo de altura achou isso o maior barato! Então ela quis aproveitar todos os brinquedos de “média e alta intensidade do parque”, menos um: o Barco Viking. Todo mundo acha Barco Viking um brinquedinho de nada, mas a moça tem um medo esquisito de balançar, e sempre que olha o brinquedo pensa que alguém vai cair enquanto está no alto e morrer esmagado pelo barco na volta. Bobagem, disse o namorado, que começou a insistir que ela devia ir.

Pararam para resolver o impasse e foi aí que a moça viu uma barraca daquelas “acerte as latas e ganhe uma pelúcia” em que havia um leãozinho de tecido – talvez 30 cm – com as cores mais lindas do mundo. Ele parecia feito a mão e tinha cara de ser todo molinho. Ela queria o leãozinho. Então a conversa dos dois mudou para tipo… ela: eu não quero ir para o barco viking, eu quero brincar de derrubar as latas. Ele: Todo mundo sabe que as latas devem estar grudadas umas nas outras, você não vai ganhar nada. O barco viking é mais legal, vamos lá. Ela: Eu tenho medo de balançar, não quero brincar dessa brincadeira, eu quero derrubar as latas. Ele: O jogo das latas é dinheiro jogado fora, vamos no barco viking que é de graça. Ela: Mas eu quero aquele leão de tecido e sempre fui muito boa de pontaria… claro que eu vou ganhar alguma coisa! Ele: Sim, e também vai ganhar se ir para o barco viking… nada vai acontecer se você balançar, olha lá, é bem mais tranquilo do que a montanha russa. Ela: Eu vou no barco viking se formos para o jogo das latas. Ele: Hmmmm. Tá bom, mas primeiro o barco.

Então eles foram para o barco viking e apesar da moça fazer o maior escândalo e ter gritado desde os primeiros 30 segundos de balanço até a hora que o treco parou, mal conseguiu se sustentar nas pernas correu para a barraca dos bichinhos de tecido tentar a sorte. Derrubou 6 latas de 10 e ganhou… um rinoceronte de tecido de 15 cm. Ela ainda olhou uma última vez para o senhor leãozinho, mas quando olhou para o rinoceronte de novo percebeu que ele tinha como que um sorriso e achou ele bem mais simpático que o outro. Decidiu que ele se chamaria Rino.

Quando voltaram para o carro ela percebeu que o Rino era inglês e pensou que já que ele tinha viajado até a Holanda ele ia achar o maior barato sentar na frente e curtir a paisagem enquanto eles tocavam para a França. Tudo acabou virando um super brincadeira, o Rino emprestou os óculos de sol dos viajantes e até deu uma de “loro”, viajando no ombro da moçoila paranaense.

Desde lá, a cada vez que ela viaja para um lugar novo a moça faz questão de levar o Rino junto afinal, com uma companhia tão sorridente e simpática, claro que a viagem fica bacana. Ninguém sabe se ele já tinha esse sorriso antes de encontrar a moça paranaense, mas é certeza que depois disso ele nunca deixou de sorrir (mesmo quando dividiu casa com a gata “Gatinha” da irmã da moça).

Fim.

Faz um tempo comentei com a Mari (do Mundo da Mari) sobre o Rino, que ele me acompanhava nas viagens e que eu tirava fotos dele e tals e ela disse que eu devia escrever um post sobre as “Aventuras de Rino”. Enrolei e enrolei, depois de Alguero decidi que devia escrever, mas vai ficar uma lacuna porque quando a gente foi para Dalarna em março levei ele na mala mas esqueci de tirar fotos. O mesmo aconteceu quando estive em Halmstad, mas fora esses foras, sempre registrei a presença do Rino quando ele foi viajar comigo: no carro para a França/Alemanha, em casa no Brasil, em São Paulo, em Curitiba (ao lado da onça pintada da minha prima), em Balneário Camboriú (e arredores), em Göteborg, em Alguero…

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Qual é que é que será o destino da próxima aventura do Rino??

=D