Portueco

Eu falo português em casa afinal, quando conheci o Joel ele já era fluente na língua e isso assusta um pouco as pessoas. Tipo, eu estou conversando com alguém e a pessoa: quanto tempo você mora na Suécia? E eu: um ano e meio (que eu completo só mês que vem, mas desde o mês passado eu digo um ano e meio); e a pessoa: puxa, você fala muito sueco! E eu: meu noivo é sueco; e a pessoa: Ah! Tá explicado… vocês falam sueco em casa. E eu: não. E a pessoa: Nãoooo???

Não acho tão estranho, afinal, aprendi muito sueco com a família do Joel e por causa dos amigos em comum que temos. A maioria das pessoas que fica tão impressionada com meu sueco está normalmente me comparando a outros estrangeiros que vêm para cá com a família. Não é estranho imaginar: eu vim para cá sozinha, e tinha o Joel que falava português comigo, assim como mais umas duas ou três pessoas que eu encontrava eventualmente. Meu inglês é pobre, assim achei melhor tentar conversar em sueco mesmo… foi difícil, mas deu certo. Agora imagine a outra situação: a pessoa muda para cá com a família (no caso de famílias africanas, com muitas crianças) e vai procurar fazer amigos entre outras famílias emigrantes do seu próprio país (nem sempre, mas na maioria dos casos). Essas pessoas não tem vínculos com suecos – e não é tão simples estabelecer vínculos com esse povo – e não tem porque treinar o idioma. Não é estranho que eles passem anos e anos sem falar mais do que hej e hej då.

Acho que fluência no inglês também ajuda a retardar o processo, afinal, por que ficar se ferrando e tentando adivinhar palavras e frases e mais todo o blá blá blá quando é muito mais prático e rápido – e dinâmico – ir direto ao ponto? A maioria dos suecos podem conversar inglês fluentemente e não se importam nem um pouquinho de treinar o idioma com quem quer que seja!

Seria simplismo reduzir as questões de aprendizado somente a estes poucos casos, e cada um sabe como o quanto é fácil ou difícil (eu acho díficil pacas) aprender sueco. Mesmo assim, eu insisto que uma rede de amigos ou familiares que ajudam (não aqueles que não tão nem aí) fazem uma enorme diferença para aprender uma língua nova – quando se vive fora do país.

Agora cheguei num ponto que misturo as bolas, então em casa tá rolando na verdade um portueco: eu começo falando em português mas coloco umas palavras em sueco no meio ou então invento um gerúndio para o sueco (sabe que sueco não tem o ando, endo, indo como em trabalhando, comendo, dormindo). Dias desses falei para o Joel: dai eu tava flyttando as coisas… e o Joel se estraga na risada: Flytt o quê???

É claro que eu tenho que rir também…

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