Amanhã: Brasil!

Isso mesmo: amanhã estou chegando ao Brasil e estou tão ansiosa que sei lá o que eu faço comigo mesma (quem acompanha o blog sabe que essa coisa de não saber o que fazer comigo mesma é meio frequente, então… significa que eu vivo muitas emoções, todo o tempo – =P hahaahaha!). Decidi deixar registrado um status de como deixo a Suécia.

Fonte aqui

Essa semana a temperatura caiu de novo, ficamos na marca dos 5 graus em Göteborg e desde ontem parou de chover. Sim, pois há cerca de duas semanas atrás tivemos geada e muito frio (aqui quando a geada chega ela não some de um dia para o outro, como é o comum lá pras bandas donde vim), tanto que me obriguei a tirar meu super casaco vermelho de inverno do guarda roupa. Mas aposentei o bichim em seguida pois começou a chover diariamente (sim, choveu todos os dias nas últimas duas semanas até ontem) e as temperaturas subiram. Ontem, nevou em Stockholm mas eu não vi geada de novo.

Hoje fui a escola fazer uma prova (quase dormi em cima dela então nada de ganhar um A) e ontem foi meu último dia de trabalho antes da viagem. Saí de casa desprevenida e sentia meus dedos congelando enquanto eu empurrava a cadeiras de rodas do Zé e o Zé pela cidade, abaixo de chuva de pedra. Não, não somos masoquistas, é só que precisamos andar uns 50 metros até o ponto do bonde, e a chuva de pedra na Suécia parece mais chuva de feijão; são pedrinhas miudinhas caindo, nada comparado ao que acontece no Brasil.

Coisas que acontecem na vida de um assistente pessoal: o Zé queria fumar e saímos ao ar fresco para ele poder pitar o cigarrinho dele e daí uma senhora chega na minha frente, faz uma pose de espanto e choque e dispara o sermão do “como é que VOCÊ faz isso com ELE? Você não percebe que ele é doente? Meu Deus, meu  Deus…” Olha para mim com o olhar mais desaprovador da face da terra e vai embora. O Zé ri, eu suspiro. Já nem explico que a escolha é dele, que se fosse por mim ninguém no mundo fumaria… A ironia do destino é que uns minutos depois (quando ele já havia acabado o cigarrinho) chega um senhor e “Parabéns! Seu trabalho é lindo!”… é… Obrigado, tipo.

E eu preciso de sol. Não tenho nenhuma ambição de ficar morena não, preciso só e simplesmente de sol! Chove, chove e chove em Göteborg (parou ontem) e agora os dias começaram realmente a ficar escuros. Eu tenho uma lembrança forte com relação ao ano passado, e esse ano eu tenho a mesma impressão: não é que os dias comecem a ficar mais e mais escuros lentamente, é que em uma semana de repente o sol para de nascer as 7h da matina e só dá as caras as 8h. Esse fim de semana é Hallowen na Suécia e os relógios serão atrasados em uma hora para o horário de inverno… ainda assim,  continuará escuro.

Fico ainda mais feliz ao pensar que deixo a Suécia escura e fria para ir ao Brasil (tomara que não chova!) quente e ensolarado. Vai ter o aniversário do meu irmão mais lindo e Arrancadão de Tratores, sem falar que vou comer todas as gostosuras que minha mãe faz, e churrasco, e tirar os colos atrasados com meu pai, e andar a cavalo, e visitar o trabalho novo da minha irmã, e…

Acho que o blog vai estar meio abandonado viu… vou ter tanto o que fazer, e serão só três semanas!

Vi ses då och då!

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Os 11 melhores momentos de sempre!

Hallå där! Hoje eu tô aqui participando de um jogo entre blogueiras e quem me passou a peteca foi a Joana do blog Boneca de Neve! Eu acho um barato esse mundo da blogesfera pois por meio dele conheci e fiz contato com muita gente bacana e o melhor de tudo: todas elas tagarelas como eu!

A Joana premiou o meu blog com o Prêmio Liebster e como parte do discurso de agradecimento eu tenho que contar quais foram meus  “onze melhores momentos de sempre”. Mas primeiro, muito obrigada! Meu grande sonho é a paz mundial! Opa, isso é discurso de miss, então deixa para lá…

Eu vou tentar ser sucinta pois do contrário esse post vai ficar enorme!!! Joana: quase que me fez fundir a cuca de tanto pensar e pensar! Procurei por algumas memórias que me marcaram porque me fizeram sentir corajosa ou muito feliz, “quentinha no coração”. Elas não estão escritas em ordem/grau de importância, foi mais do tipo o que me veio a cabeça:

1. Momento sem licensa para matar – eu e a Lu armadas até os dentes com vassouras e gritos e colocando a prova todos os nossos instintos para acabar com um terrível camundongo fujão! Detalhe que a Lu estava super grávida – de uns 7 meses talvez? Não, nós não atingimos o objetivo.

2. Momento protesto – todo mundo tem um dia daqueles, e num dia daqueles no trabalho usei um nariz de palhaço por duas horas  para fazer um protesto silencioso em uma reunião na prefeitura em Maripá.

3. Momento felizes para sempre – advinha? Advinha? Esse é de quando o Joel me pediu em casamento… ah, o amor!

4. Momento Bésame Mucho – da memória do nosso primeiro beijo! A cantada do Joel  foi… mais do que demais, não tenho palavras para definir… a história toda (para os curiosos) está aqui.

5. Momento sexta feira – eu e a Angela tínhamos o ritual da sexta feira: fizesse chuva ou sol, calor ou frio esse era o dia da cervejinha e conversa furada. Essas sextas feiras… Amiga, minhas sexta-feiras não são as mesmas sem você!

6. Momento cresci – eu também já tive que parar de fazer birra uma vez na minha vida. Isso aconteceu o dia em que decidi vencer a tristeza e abraçar a felicidade! E sabe o quê? Deu certo!

7. Momento vou ficar para titia? – sabe aquela coisa que chamamos de sobrinhos? Eles são uma cousa danada de boa na vida da gente sô! É sim, Matheus, Thomas e Junior… Problema é ver esse povo crescido (maior do que eu atualmente) e que eu envelheci (estou abandonando a casa dos 20); sem falar de ter que aguentar que meu irmão caçula me botou no forno! Inconcebível!

8. Momento colo…na verdade, não importa quantos 29 anos a gente tenha na cara, sempre é maravilhoso contar com colo de pai e mãe. Eu usei o colo da mãe e do pai até os 27… Agora isso me faz falta…

9. Momento irmãs e irmão – tem um bocado de coisa que fizemos juntos. Coisa de irmãos fica gravado para muito tempo na memória e no coração! Não dá para contar tudo, mas por exemplo, quando eu e o Jorge tocamos violão (ou jogamos PS), quando minha consultora de moda e beleza particular Ana me dava uns pitos porque eu não estava cuidando do visual (ou quando saímos para a balada) ou quando eu a Gio fomos de carroça para São Clemente (eu não queria contar das nossas gordices de filme regado a sorvete!)… e por aí vai.

10. Momento mundo novo – não me refiro a mudar para a Suécia, me refiro a aprender uma nova língua porque isso sim, mas do que literalmente, é desbravar um mundo novo. Primeiro é uma coisa angustiante: todo mundo fala e você entende patavinas. Depois, pequenas conquistas: entendi isso; entendi a frase inteira; entendi um texto inteiro. Depois vem o caos quando respondemos a todo mundo na língua nova ou até mesmo na língua mãe usamos palavras da língua nova. Oxê! Nesse aqui entra por exemplo o dia em que pedi sorvete em sueco na Itália – lol! E quando conversando em português com o Joel falo uma coisas como: jag kan inte entender isso aqui!

11. Momento sonhar juntos… – sabe que tem alguns amigos com quem a gente faz papo furado, tem o pessoal que é o mais animado e combina melhor com festa, tem o pessoal para quem a gente conta nossos medos, e tem aqueles com quem a gente abre mais facilmente os sonhos. Às vezes sai só abobrinha, nada dentro do possível, mas ainda assim é tão bom!!! Meus amigos sonhadores… é  ou não uma delícia? Eu e a Maira entravámos em cada viagem…

E como diriam os Looney Tunes: por hoje é só pessoal! Mas antes disso, e os selecionados para receber o prêmio Liebster de hoje são:

Aprendendo a Viver na Suécia
Aventura no Gelo
Enfim Suécia
Moda Escandinava
Mulher de Fases
Mundo da Mari
Pensamentos Desatados
Sonhos Escandinavos
Suécia, Queridos!
Uma Brasileira na Croácia
 

Minha lista tá mais curta do que o exigido pois eu deveria indicar 11 blogs. O problema é que alguns dos blogs que eu acompanho já estão na lista da Joana, e outro é que o prêmio é para blogs com menos de 200 seguidores. Eu leio cerco de 25 blogs, comento em cerca de 12 mas alguns já forma indicados, como eu falei, e outros estão acima da margem dos 200 seguidores. Então meninas, passem a bola para 11 blogs please!

E o desafio de vocês é compartilhar com a gente 11 momentos em que ri até faltar o ar ou ter dor de barriga! Eu vou ler todas vocês viu?

A gente se vê por aí!

PS.: Quem quiser acompanhar as respostas das demais blogueiras pode clicar em cima do nome dos blogs (acima) que eu vou deixar os links conforme elas forem postando!

Socionomexamem! Vivaaaaaa!

Fonte aqui

Puta palavrão não? Mãe, desculpe aí os termos vulgares… Mas isso tem um significado tão grande que nem sei o que fazer comigo mesma essa semana depois de receber a resposta da Högskolverket (sim, o idioma sueco é cheio de palavrões, no bom sentido…) na terça e…: meu diploma de Serviço Social é válido na Suécia!!!

Isso significa tudo: de repente é como se eu tivesse acabado a minha graduação em Socionom (esse é o nome do curso de Serviço Social na Suécia) e definitivamente, muitas portas vão se abrir; profissionalmente falando. Aqui na Suécia há um curso específico de assistência social (Socialsekreterare) e um curso de Serviço Social (Socionom, como disse). A principal diferença é que quem tem o diploma de Socialsekretarare pode trabalhar como assistente social de prefeitura (para o governo) e ONGs (se não me engano). Quem tem Socionomexamem – como eu agora! =D – pode trabalhar dentro das escolas, do governo, das ONGs, dentro da área hospitalar e etc e até no judiciário ou como curador(a)… isso mesmo: aqui na Suécia o Judiciário não pode designar qualquer um para fazer/prestar serviço de graça não!

Claro que eu to imensamente feliz. Eu até tinha comentado com a Fernanda (do blog Aprendendo a Viver na Suécia) que eu estava com medo de ter o meu pedido negado… eu tive contato com muita gente que teve o pedido negado e teve que começar tudo de novo (inclusive cursar disciplinas suecas de ensino médio para ter a possibilidade de entrar na universidade). Mas olha só a coincidência (ou não): eu e a Fernanda enviamos os pedidos mais ou menos na mesma data (em algum dia de maio) e ela recebeu a resposta duas semanas antes de mim. A Fernanda é formada na área de educação e tem pós (se você é da mesma área dela ou apenas tem interesse de entender toda essa história pode ler ela aqui) e eu não – isso que estava me dando um medinho de não vai rolar, não vai rolar…

A Fernanda até tinha me passado o telefone da Högskolverket para eu entrar em contato, mas eu estava um pouco desanimada de tanto ouvir gente dizer que não tinha conseguido… esperei. E na terça-feira quando recebi o envelope, meu coração tava a mil: recebi três vias e na terceira, um documento com timbre e com letras grandes dizendo que “Sua formação corresponde a  graduação em Socionom“. Fiquei eufórica!

Isso significa duas coisas: primeiro, que a qualidade das universidade públicas brasileiras (apesar de sucateadas) é muito boa. Não estou querendo dizer que a Suécia é um país modelo em educação, que aqui tudo é lindo e perfeito não. Estou dizendo que os padrões suecos de exigência descartam uma grande quantidade de profissionais estrangeiros (que com diploma universitário trabalham de motorista de ônibus, por exemplo) e não só aqueles vindos da África, das Arábias, Ásia e do leste Europeu: profissionais de enfermagem espanholas tem dificuldade em obter a validação de seu diploma universitário aqui. Ou seja, se meu diploma de graduação foi aprovado é porque eu sou pró (é claro) e porque a universidade em que obti a graduação é de qualidade (UNIOESTE gente, campus de Toledo). E pelo que eu entendi, a Cíntia (do blog Minha Aquarela) que teve o diploma válido pela Högskolverket também estudou em universidade pública (UEL, de Londrina), o que reforça ainda mais o que eu to querendo dizer.

Segundo que, mesmo que meu curso de Serviço Social no Brasil não tivesse nada a ver com a Suécia eu não tenho a obrigatoriedade de frequentar nenhum curso complementar. Na carta em que recebi eles me dizem que meu curso apresenta pontuação superior ao curso sueco, e que a sugestão deles é que eu frequente um curso sobre a sociedade sueca e sobre legislação sueca – para que seja mais fácil para mim, e não por exigência deles. Diante disso, povo do meu Brasil que lê esse simples blog: acreditem na educação brasileira, vão para a universidade (de preferência, pública). E agora vem o discurso: nós brasileiros temos que parar de afirmar a todo o momento que nosso país é uma merda, que todo mundo só pensa em futebol e no final da novela das oito (que todo mundo sabe que começa as nove), que a política não tem jeito, que todo mundo é corrupto e blá blá blá. Temos muito o que fazer para que o nosso país dê certo sim, mas podemos começar por aprender a valorizar o que temos (e que sabemos) que é bom: nossas universidades públicas por exemplo.  Se elas são elitizadas e etc isso é problema nosso! Quem é pobre, negro, índio, mulheres e etc tem que ter coragem de gritar e lutar por seus direitos. Eu sou filha de pedreiro e toda a minha família se sacrificou para que eu frequentasse a universidade. Nós podemos, se quisermos, transformar essa situação!

Eu to fora do Brasil por enquanto, mas eu pretendo voltar e com a experiência que obtive aqui ajudar a fazer o Brasil ainda melhor. Isto porque a Suécia é um país de primeiro mundo e aqui há muitas experiências que funcionam mil maravilhas? Talvez… mas o meu pensamento é que simplesmente às vezes é mais fácil encontrar soluções quando “estamos de fora” e, independente da sociedade sueca ser assim ou assado, cada experiência abre nossos horizontes e faz desabrochar a criatividade.

Discurso bonito né? Eu quase podia pensar numa carreira política… mas agora eu vou estar muito ocupada aproveitando para melhorar a minha vida com o meu diploma de universidade pública brasileira que é válido na Suécia!

Quem sabe num futuro então… não? Ô meu pai!! hahahaha…

Todo dia ela faz tudo sempre igual…

…me sacode as seis horas da manhã,
me sorri um sorriso sensual e me beija com boca de maçã!
 

Eu gostaria muito que essa fosse a melodia da minha vida, ao menos de segunda a sexta – com exceção da parte das seis horas da manhã porque, convenhamos: com frio e chuva tem coisa melhor do que ficar na cama e dormir até cansar de ficar deitado?

Entrei numa rotina meio louca (de novo) porque vamos viajar e três semanas de Brasil significam três semanas sem ganhar dinheiro. Não fiquei mais capitalista depois que mudei e nem to pensando apenas em grana, mas como eu trabalho por hora recebo as férias antecipadas (ou não, eu decidi guardá-las para quando eu quiser sacar a grana, ou seja, para pagar as despesas do casório). Trabalhar por hora significa uma maior flexibilidade – eu posso sair agora sem perder o trampo e sem maiores problemas do que organizar minha agenda de forma que as pessoas com quem eu trabalho não fiquem na mão enquanto eu saio… mas eu não tenho “férias pagas”, aquela coisa que me foi tão natural nos meus 5 anos de prefeitura.

Eu não tenho saudade do meu trabalho na prefeitura, fico feliz pelo tempo que passei lá e por tudo que aprendi, mas trabalhar no governo brasileiro exige um estômago de avestruz, daqueles que digerem qualquer coisa como pedra, sapos, lagartos e merdas metida goela abaixo. E me acreditem, há muito o que ser engolido quando se é assistente social em início de carreira (em qualquer profissão em início de carreira há, eu acredito, mas não posso afirmar com segurança a não ser com relação a minha própria experiência). Mas enfim, sinto falta da rotina: acordar as tals horas e sair para o trabalho, terminar as x horas e voltar para casa tendo o fim de semana livre, isso é definitivamente uma coisinha que me faz pensar…

Por exemplo, na quinta trabalhei 5 horas em um trampo e 4 horas no outro (com intervalo de 3 horas entre cada), trabalhei 8 horas na sexta (isso é bom) mas 10 horas no sábado (começando as sete da manhã, o que significou acordar as 5 porque horário de ônibus e trem no fim de semana é diferenciado), e mais 8 horas no domingo (de novo começando as sete…). Hoje trabalho 4 horas (entre 16 e 20h30), amanhã 9 horas, na quarta seis horas e quinta… aff, cansei de explicar.

Todo esse papo deve fazer (ao menos) com que algumas pessoas tenham dó de mim e pensem puxa que confusão! Tadinha dela não? O blog dela é tão legal e ela é tão esforçada… Outras vão pensar que aff, isso não é nada: eu morava em São Paulo e pegava 6 ônibus diferentes para chegar ao trabalho, trabalhava como um cão o dia todo e tinha que pegar os mesmos 6 ônibus para voltar para casa, ganhando uma ninharia por mês…

Não quero que ninguém tenha dó de mim. Só penso que seja importante (sempre quero frisar isso no blog) que morar fora do Brasil significa ralar também. Ganhamos um bom salário? Sim. O transporte funciona melhor e é mais limpo e tranquilo? Sim. Vivemos com mais segurança? Ao menos em Göteborg, sim. Não sou uma mártir, definitivamente, e quem escolheu trabalhar fui eu, quem me candidatou a esse tipo de trabalho fui eu e é isso que eu faço todos os dias (inclusive sábado e domingo) quando eu não estou na escola ou sorrindo lá de uma linda fotinha tirada de Algero… caracas, isso foi em julho!

Recebo e-mails de gente que me pergunta como conseguir um emprego/trabalho na Suécia e eu não sei o que dizer, mas ter inglês fluente (ao menos) é um bom ponto de partida (afinal…). Preparar um bom CV, assim como você faria no Brasil. O que você faria para ter um bom trabalho no Brasil? Estudaria? Acho natural que as pessoas tenham o sonho de conhecer o mundo, mudar para os países que a gente assiste nas reportagens de tv e que tem uma sociedade tão distinta e interessante. Ganhar mais dinheiro (não há nenhum problema com isso) e viajar mais… mas, pelo menos no Brasil em que eu cresci isso não é assim tão impossível, a questão é aplicar energia no que você quer. Não é impossível conquistar um bom emprego no Brasil e desfrutar do dindim. A principal diferença é que no Brasil aprendemos a emprestar dinheiro primeiro (para a casa, o carro ou uma viagem), trabalhar e pagar depois. Aqui o povo aprende a trabalhar e guardar dinheiro (para a casa, o carro ou a viagem) e aproveitar o bem escolhido depois.

Eu tive que entrar nessa bonitinha também. Eu quero ir para o Brasil, muito bem, então eu tenho que saber quanto custa a passagem e quanto custa morar lá durante o tempo em que ficarei. Tenho que trabalhar, guardar o dindim para passagem, para a estadia no Brasil (mesmo ficando na casa dos pais…) e para o período pós Brasil, quando eu não vou ganhar salário porque eu não trabalhei 3 semanas. Se o meu trabalho é meio louco com horários esquisitos, tenho duas opções: melhorar meu CV para conseguir coisa melhor ou melhorar meu CV para conseguir coisa melhor. Estudar (melhorar o inglês e o sueco), adquirir experiência e boas referências.

Se você que tá lendo o post quer trabalhar na Suécia, na Europa ou simplesmente fora do Brasil, comece fazendo com que seu CV seja atraente. Seja um expert naquilo que você faz… Papo de palestra motivacional? Talvez! Mas sendo ou não a realidade é que esse é o primeiro passo para conseguir um trabalho em qualquer lugar, dentro ou fora do Brasil. E tenha um pé de meia.

Afinal, trabalho aqui é trabalho assim como em qualquer lugar do mundo. E acabou o meu recreio…

Casar na Suécia – Documentação necessária

Vamos para o Brasil em fins de outubro e minha mãe vai costurar meu vestido de noiva (uhuuuuuuuuuuuuu!!!!) então vocês podem imaginar a minha cabeça: e eu só penso naquilo… poderia fazer minha própria versão do Xote das Meninas: ela só quer, só pensa em se casar… Por isso e para quebrar a sequência de chorumelas do post anterior, resolvi escrever algo de utilidade pública: o que é necessário para casar na Suécia?

Primeiro: um partner (engraçadinha!) que esteja de acordo em casar-se com você. Obviamente que ninguém se casa sozinho, mas talvez seja bom lembrar que ainda existem países no mundo em que a mulher pode ser obrigada a casar-se com um homem ainda que esteja esperneando e gritando. Não é o caso da Suécia e por isso é bom que os interessados tenham certeza de estar de acordo do causo… Na Suécia o casamento de parceiros homossexuais é legal e pode ser realizado até mesmo dentro da Igreja Sueca (acho muito interessante isso: a Igreja Sueca deixa que o pastor decida se ele celebraria ou não casamentos entre homossexuais… sendo assim a única coisa que o casal precisa é encontrar um pastor que concorde em casá-los. E há muitos por aqui).

A cerimônia do casamento é chamada de “vigsel” e pode ser celebrada tanto na Igreja Sueca (religiös vigsel) como frente a um juiz de paz (vigselförrättare), uma espécie de casamento civil (borgerlig vigsel). Uma vez realizado um vigsel – tanto de natureza religiosa como civil – a pessoa não precisa realizar de novo; ou seja, se vai casar na Igreja Sueca não é necessário procurar um juiz de paz para casar no civil também. Casou, está casado; o documento gerado tanto na Igreja Sueca como no escritório do governo tem o mesmo valor e é enviado ao Skattverket onde será arquivado e incluído na ficha do indivíduo dentro do sistema de dados.

Assim como no Brasil, na Suécia os noivos devem provar que não há nenhum impedimento (hindersprövning) frente ao casamento e isso é feito junto a Skattverket. São três fatores que podem impedir um casamento na Suécia: ser menor de 18 (só com autorização do governo local – mesmo se os pais autorizem mas o governo local não, o casamento não sai), que os noivos não sejam parentes e que nenhum dos noivos esteja casado. Mesmo se você não é cidadão sueco (só turista, por exemplo) pode realizar o casamento na Suécia, mas ainda assim deve primeiro ir ao Skattverket e submeter-se à investigação por parte do escritório antes de receber a permissão de casar.

Para submeter-se à investigação da Skattverket é necessário preencher um formulário (7880) que pode simplesmente ser baixado da internet e enviado ao escritório da Skattverket quando ambos noivos tem registro na Suécia (por registro entenda-se personnummer). Nesse caso não é necessária a apresentação de documentos porque todos os documentos necessários existem junto a Skattverket. No caso de um ou ambos os noivos não contarem com o registro é necessário preencher o (mesmo) formulário e apresentar-se ao escritório da Skattverket com passaporte e mais um documento oficial de seu próprio país que comprove a condição civil de solteiro do(s) solicitante(s). Segundo a página do Skattverket esse documento não pode ter sido emitido há mais de quatro meses (para maiores informações a respeito do hindersprövning clique aqui – página em sueco). No caso dos dois noivos não terem nada a ver com a Suécia precisam apresentar ainda um documento de seu próprio país em que esteja claro que não há impedimentos para que fulanx e ciclanx se casem.

Infelizmente eu não encontrei (ou não entendi, a página está em sueco eu posso ter deixado passar) quanto tempo demora para que a Skattverket devolva o resultado da investigação, mas este vem na forma de outro formulário que será preenchido no dia do “vigsel” pelo pastor ou juiz de paz – aquele que vai para a Skattverket fazer parte dos arquivos do sistema…

Antes da chuva de arroz é também interessante pensar em como é que vai ficar o sobrenome: vai adotar um “son” ou vai continuar com o mesmo? A mudança de sobrenome, obviamente, não é obrigatória mas o envio de um formulário comunicando o causo a Skattverket (no caso de cidadãos suecos) é. Para aqueles que moram na Suécia mas não tem cidadania sueca o comunicado é opcional. No caso de querer comunicar significa preencher mais um formulário…

As informações do post foram retiradas da página da Skattverket (clique sobre o nome para acessar o conteúdo) e quem quiser conferir é bom dar uma checada, afinal, eu posso ter deixado alguma(s) coisa(s) passar(em). Fica a dica de leitura sobre acordo pré nupcial também, para refletir qual o regime de bens que o casal vai adotar com o casamento ou mesmo após o casamento. Na falta de um documento declarando que o casal quer um regime de separação de bens (äktenskap) o casamento se dá em forma de comunhão de bens (partnerskap), mas o regime pode ser alterado posteriormente a qualquer tempo através do preenchimento de outro formulário (plus uma carta dizendo quem tem o que) junto a… tchã-ram! Skattverket.

Agora fiquei com a musiquinha na cabeça: ela só quer, só pensa em se casar

Essa tal adaptação…

Esse fim de semana fiquei folgada em casa. Deixei um tempo para mim, resolvi me curtir acima de tudo. Eu li esse post aqui da Wilqui Dias e comecei a refletir um pouco sobre a minha própria situação… em resumo: será que eu vivo mais no virtual do que no real?

Fato é que é muito, mas muito mais legal ficar por aqui (blog, facebook, e-mail), falando com gente como a gente (estou sendo bem caipira agora, ok?) do que encarar algumas atividades do mundo real. Por exemplo: sexta a noite fomos dançar salsa com mais dois casais amigos e… eu me sinto um peixe fora d’água, eu sou a pessoa estranha do grupo. Não porque alguém me trate diretamente assim, mas porquê eu não to seguindo a conversa, porquê eu me sinto feia para caralho em roupas suecas (e quando uso roupas que trouxe do Brasil não ajuda muito também), porquê tá todo mundo falando de um assunto que eu não posso acompanhar (não tenho nada o que acrescentar) e porque de repente eu sinto que meu cérebro parou de trabalhar em sueco e volta para o português.

Eu não tenho o mesmo problema quando estou no meio de brazucas: não importa como estou vestida, não importa do que estamos falando (a Vânia bem sabe que o mais difícil então é me fazer ficar de boca fechada!), só e simplesmente não importa o exterior porque eu me sinto tranquila, bem, confortável – estou em casa, digamos assim. Sábado fui testar capoeira com um grupo de brazucas daqui e puxa, me senti tão bem, dei muita risada, fiquei feliz. A noite veio um povo (sueco) assistir filme em casa com a gente e eu… sei lá, parece que tenho que colocar o modo “lagom” em on e dai… lacou-se: não fale alto demais, não ria alto demais, não seja intrometida, não seja machista, não seja amante de carnes e açúcar, não goste de massa branca…

Tenho problemas com essa questão do politicamente correto sueco. Encontrei tanta feminista chata logo que mudei que cheguei a conclusão de que era machista. Sofri um monte porque me descobri uma mulher machista na Suécia e no fundo no fundo, também sou feminista; a diferença é que não sou chata nunca tive problemas com meu pai e não sou ativista. Sou a favor dos direitos das mulheres, da igualdade entre os gêneros, ao respeito ao corpo da mulher, do combate a violência contra a mulher mas não fico pregando isso e apontando o dedo na cara de outras pessoas e avaliando o quanto feministas elas são ou não devido ao tipo de sociedade em que foram criadas. Além dessa questão, não raro escuto piadinhas do tipo: a Maria é contra os vegetarianos porque ela adora carne. Sim, eu amo um bom pedaço de bife, mas não tenho nada contra vegetarianos e veganos, tanto que, se eu tivesse um pouco de disciplina entraria numa vibe dessas pelo menos por um ano só para reeducar minha alimentação. Convidei uma amiga vegano para um fika aqui em casa e fiz um bolo de chocolate sem leite e sem manteiga para a gente, e foi gostoso. Sem falar que os próprios vegetarianos/veganos nunca ficam me azucrinando por gostar de comer carne.

Ainda assim eu me sinto um elemento errado no meio de um cultura perfeita… Daí eu fico pensando no post da Wilqui, ainda, e me pergunto: será que se eu não tivesse tantos contatos brasileiros, o blog, um mundo virtual “mais interessante”, seria melhor? Seria mais fácil? É a questão da língua que me deixa a margem do grupo? Meu não ativismo social (pela paz do mundo, o direito das mulheres, a conservação do meio ambiente, o direito dos animais)? Minha falta de conhecimento sobre política sueca? É porque eu gosto de carne vermelha mais do que de peixe? É porque gosto de de gordura e de açúcar? E ainda por cima não pratico um exercício físico regularmente!

Afinal, eu tenho que deixar tudo isso para me adaptar? Eu tenho que “virar” politicamente correta para ser aceita por aqui? E/ou, até que ponto eu estou me excluindo porque gosto mais do meu outro mundo?

Isso tudo e eu nem estou com TPM.

Filme do mal

Ontem recebi um e-mail da minha professora de sueco dizendo que teria de assistir um filme para a próxima lição. Como saí do trabalho mais cedo ontem e a próxima lição é amanhã não tive muita opção senão estourar uma boa panela de pipocas e curtir meu cinema em casa.

Bom, ao menos essa era a intenção mas o filme não colaborou: “Play” foi lançado ano passado e recebeu ótimas críticas no circuito nacional.  Não sei bem como classificaria o filme, se um drama ou o quê, mas para mim ele significou duas horas de angústia. Se eu entendo alguma coisa de fotografia, essa foi a melhor coisa do filme: como a história é sobre dois grupos de adolescente as câmeras sempre parecem meio baixas e a perspectiva é de alguém que olha “de baixo”.

Sem mais chorumelas: um grupo de adolescentes negros (visivelmente descendentes de somalianos) aborda um grupo de adolescentes brancos – dois suequitos e um oriental que dá-se entender foi adotado por uma família sueca. As diferenças entre os dois grupos são gritantes: enquanto os meninos brancos parecem saídos de catálogo de revista os negros parecem ser tirados de um clipe de hip hop. Um dos rapazes negros começa a intimidar os branquelos dizendo que o celular de um deles (o menos do grupo) é o celular do irmão do primo do parente do vizinho do conhecido do tio de sei lá quem que foi roubado não sei quando. Apesar dos meninos brancos estarem visivelmente assustados eles fazem tudo que os negros mandam e seguem o grupo como zumbis idiotas (todo zumbi é idiota visto que não teria cérebro), sem gritar, sem protestar, apenas tentando fugir uma vez ou duas, para um lugar esquisito onde não há ninguém.

Se fosse uma parábola de Jesus, os branquelos poderiam ser as ovelhas.

No fim das contas os negros propõe uma aposta: quem vencer uma corrida fica com tudo que o outro grupo possui. É claro que eles trapaceiam, ganham a aposta e “tosquiam os cordeirinhos” – que além de tudo levam uma multa ao voltar para casa por não ter o bilhete do trem.

O filme ainda mostra mais alguns detalhes, tudo contribuindo ainda mais para definir e marcar quão grande é o abismo entre as culturas sueca e dos estrangeiros. Mas é absurdamente irritante como tudo se desenrola, tanto que eu tinha vontade de gritar.

O pior é que essa sensação não passou. Não consigo me conformar com a atitude idiota dos cordeiros suecos que simplesmente seguem os lobos somalianos até fora da cidade. Calma moça, é só um filme. Mas é um filme que foi baseado em dado reais e em boletins de ocorrências de roubo de celulares de adolescentes por outros adolescente aqui em Göteborg (a história se passa aqui).

Não sou parte do clube “mande os somalianos de volta a Somália”, afinal, não é a Suécia um país que busca fortalecer os direitos humanos e que luta por igualdade? Apenas trazer o povo para cá e dar-lhes uma bolsa não significa que alguém vai se sentir beneficiado com isso; ainda mais quando isso faz com que o resto da população olhe com maus olhos para o grupo por causa da religião, do jeito de vestir, do jeito de gritar por aí (que os brasileiros também tem), da aparente preguiça e falta de vontade, e daquela bolsa e auxílio que o governo dá.

Eu mesmo já reclamei aqui que o pessoal refugiado atrapalha nas aulas de sueco (não são todos, mas alguns são verdadeiras topeiras) e não penso que seja necessário explicar que isso não é uma questão pertinente somente ao grupo dos refugiados – há topeiras por toda a parte. O que mais me incomoda no filme não é a atitude errada do grupo somaliano (sim, porque eles são frutos do sistema e caem nessa por falta de opção blá blá blá – não concordo com esse discurso mas não vou discutir agora – mas ainda roubam e isso não é legal) e sim a atitude patética dos suecos, apática, medrosa, conciliadora até.

Isso me faz pensar em mim mesma como estrangeira aqui. Todo sueco tenta ser gentil comigo – sem exceções – não posso me lembrar de um indivíduo que fosse grosseiro. Mas isso não significa que não há aqueles que são/foram estúpidos – e agora eu não to falando de terem problemas na cabeça, to falando daquela estupidez para machucar. Sueco adora se gavar de sua ínfima capacidade ser irônico e há certos momentos que eu não sei dizer se alguém está rindo de mim ou está rindo comigo.

Isso que sou brasileira e não somaliana, não uso burka e nem véu, não sou negra e falo razoavelmente sueco, tenho uma família sueca que me ampara e apóia, venho de uma cultura europeizada (o sul do Brasil é muito “Europeu”)… imagina o que acontece para o povo da outra ponta?

Esse filme é do mal, me deixou sem esperanças! Não só na sociedade sueca, mas no ser humano…

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Tinha esquecido o trailler, sorry!!