Uma Caipira em Oslo

Parece que minha vida é só passear ultimamente e sim, por um lado, acabei de voltar de Portugal e já dei uma esticadinha para Oslo. De certa forma acho meio esquisito escrever para falar de viagens, mas estou aprendendo a fazer isso melhor e até achando legal. Não que dê mais popularidade ao blog – na verdade, os posts sobre coisas normais do dia a dia é que são mais populares – mas acredito que tem muita gente que gosta de ler sobre esse tema, então aproveito o gancho para recomendar a leitura sobre uma viagem a Madeira (aqui e aqui), e outra a Londres (com início aqui).

O pulinho que demos até Oslo não teve nada a ver com turismo ou o tipo de viagem que fizemos até Portugal. Não porque Oslo fique apenas a três horas e meia de ônibus de Göteborg, mas porque fomos rever amigos. Aqui na Suécia é um tanto comum o pessoal passar um ano ou dois trabalhando na Noruega – ou pequenos períodos a cada ano, dois anos – porque a língua é parecida, suecos são bem vindos e bem vistos (como excelentes trabalhadores) na Noruega e porque lá a coroa é mais forte.

Pra quem não sabia, na Escandinávia (Suécia, Noruega, Dinamarca – Finlândia pode estar dentro ou não, depende a fonte) a moeda não é o Euro, mas a coroa: coroa dinamarquesa, coroa norueguesa e coroa sueca.  Dentre as três a mais forte é a coroa norueguesa.

Por coincidência, uma série de amigos do Joel vive em Oslo agora (estão até em campanha para que mudemos) e a gente resolveu dar um pulo até lá para dar uma espiada no ambiente. A primeira impressão é que de alguma forma continuamos na Suécia, acho que Oslo é uma cidade que lembra Göteborg, por exemplo. Claro que a língua, apesar de ser semelhante na escrita, soa muito diferente e, o mais impactante de tudo: pensem em um país caro… pensaram? Então, agora pensem em Oslo como um lugar muito, muito mais caro! A Noruega é considerada o país com melhor qualidade de vida do mundo, mas o custo de vida lá é sinistro.

(Nós não vamos mudar para Oslo).

Então no sábado experimentei uma coisa muito legal pela primeira vez na minha vida: andar de trenó. Hahaha! Claro, senão não teria porque escrever esse post! Pegamos o trem (trikken, em norueguês) número 1 em direção a Frognerseteren e andamos até o fim da linha (cerca de 25 minutos saindo de Majorstuen) onde há uma pista que desce a montanha. O melhor de tudo é que a pista termina ao lado de uma das estações do trem número 1 (Midtstuen), então é só por o trenó embaixo do braço e pegar o trem montanha acima de novo!

Antes da descida...

Antes da descida…

Existem vários tipos de trenós e esse com o qual descemos tem o nome de kälke. No alto da montanha há uma estrutura para o pessoal que vai lá para se divertir, com cafés, banheiros, e lojas onde você pode alugar um “kälke” para o dia. O problema é chegar até lá a primeira vez pois o caminho é lotado de gente que sai para esquiar, assim como outras pessoas que já alugaram/trouxeram seus próprios trenós, crianças e cachorros para descer a montanha; e as trilhas, tantos para pedestres como para os demais é a mesma! Uma confusão que nos valeu muitas gargalhadas pois a pista estava um sabão: nevou, as temperaturas subiram, desceram, subiram, desceram; a neve derretou, virou gelo, nevou por cima… resultado: todo mundo caiu ao menos uma vez! Fora as milhares de vezes que escorreguei e me recuperei no último minuto… voltei para casa com dor nos músculos pelo esforço de me equilibrar – assim como pelo esforço de guiar o trenó, o que não é nada fácil.

Animada para descer pela primeira vez!

Animada para descer pela primeira vez!

Eu procurei algumas informações sobre a pista na internet, como qual é o comprimento e etc, mas não encontrei nada. A descida toma em média 15 minutos, o suficiente para congelar os meus dedos – não estava com luvas apropriadas – e para molhar a bunda – não tenho calças a prova de água.

Eu era a última... sempre!

Eu era a última… sempre!

O trenó pega uma velocidade muito louca e eu não aprendi a controlar ele. Por certo, os pés ficam apoiados nas pontas dianteiras do aparato e para virar a esquerda faz-se pressão com o pé direito enquanto relaxa o esquerdo… e vice versa. Que louco não? Parece aquelas aulas de esportes olímpicos dos antigos desenhos do Pateta. Com o gelo o trenó desliza bastante para os lados, assim durante a primeira vez que desci andei mais devagar freando bastante – freio de pé, como nos Flintstones. Cheguei por último todas as vezes mas eu queria aprender a dirigir o trem – tem carteira para trenó? Na segunda rodada desci mais rápido, mas fui atropelada e atropelei um homem – com a criança dele pode? Na terceira fui mais confiante, um pouco mais cautelosa – pra não atropelar ninguém – mas desci mais rápido, pulei muito e dei um cavalo de pau.  Sorte que eu tinha um elmo – ainda que ridículo!

Parece coisa de criança mas é super legal e como comentei, a montanha estava cheia de gente descendo e cheia de gente animada entupindo o trem e gargalhando com suas gafes de descida…

Super recomendo!

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Aluguel do trenó de madeira: 80sek sem capacete; 100 sek com capacete

Aluguel do trenó de metal: 125sek com capacete; 150sek para devolver no final da descida.