Mais sobre o inverno

Faz um tempo que não posto nada da série de dicas de sueco. Na verdade, tenho que voltar a ler esses velhos posts que escrevi quando comecei a estudar e sabia apenas que isso era assim e aquilo assado, porque agora sei que há o frito também e posso acrescentar… pequenos detalhes, grandes diferenças. Estou envolvida com muitas coisas agora e por isso vou deixar apenas algumas palavrinhas sobre o inverno.

Há algum tempo atrás postei as estações do ano, então se alguém se lembra inverno é vinter (en ord, por isso vintern quando definido; e invernos vintrar  – plural definido: vintrarna). O inverno sueco é razoavelmente quente se comparado a de outros países em posição geográfica semelhante no globo terrestre por causa de correntes marítimas quentes vindas do Atlântico que batem aqui no lado oeste do país. Apesar disso, as temperaturas no norte podem atingir os -40 graus C, e todo o país pode ficar branquinho por causa da neve (snö, snön) e geada (frost, frosten).

Eu digo que pode porque aqui, por exemplo, não nevou muito não e sempre que aconteceu foi bem tranquilo (verbo nevar: att snöa. Está nevando = det snöar), nada de um metro de neve nas portas e nada de tempestade de neve com vento. Houve dias muito frios em que as árvores estavam cobertas de uma fina camada e gelo – e isso é lindo, apesar de sinistro. Até choveu agora durante o inverno (eu acho isso chato pacas) porque as temperaturas variaram bastante, tivemos aqueles dias com menos 18 graus mas também há dias com 5. E então chove. A chuva lava a neve, mas como ainda é frio e a temperatura cai muito a noite, tudo vira gelo (is, isen).

O principal problema dessa lambança toda – neva, chove, derrete a neve, cai a temperatura, congela tudo – é que se formam camadas e mais camadas de gelo – por vezes aparentes e por vezes nem tanto – que são um convite e tanto para escorregar. Agora imagine a mesma situação para os motoristas: apesar do sal que é jogado nas principais estradas, em alguns pontos ainda há gelo e é preciso cuidado redobrado nas curvas.

O lado divertido do gelo é poder andar de kälke (mas isso eu fiz apenas em Oslo) , patinar (åka skridskor), esquiar (åka skidår)… Ainda não esquiei e não tenho ideia se vou experimentar. É muito caro: há que se alugar os esquis, viajar para algum lugar ao norte onde há pista, emprestar ou alugar roupas adequadas… e tudo isso para cair na neve e passar frio. Claro que também é muito divertido, mas eu ainda estou aprendendo a perder o medo do frio e do gelo e a viver uma vida normal, apesar disso tudo. Oh, que saudades de por um vestido de algodão e havaianas!

Isso é um spark. Ou, isso sou eu (de vermelho) tentando levar o Joel num spark sobre o Mjörn.

Isso é um spark. Ou, isso sou eu (de vermelho) tentando levar o Joel num spark sobre o Mjörn.

Falando em perder o medo, caminhei de novo no Mjörn – um lago enorme, com 55 km quadrados. Eu tenho muito medo de lagos congelados, eu não posso ver pessoas estúpidas caminhando no gelo recém formado (como a Vânia mostra aqui) ou indo muito longe lago adentro com crianças. Ainda que eu saiba que há uma boa camada de gelo sobre o lago, assim que eu vejo alguém com crianças eu começo a ficar nervosa e uma série de imagens de tragédia vem a minha cabeça. Ridículo, eu sei, mas tem muita gente sem noção que sai com as crianças para o gelo ainda que saibam que não é 100% seguro. Em todo o caso, o Mjörn está (va, talvez seja maior ou menor agora) com uma camada entre 15 e 20 cm de gelo e então a gente saiu para caminhar. Acho que caminhamos algo como 200 ou 300 metros lago adentro. E havia muita gente patinando, muitas pessoas andando de spark e outras pessoas que assim como nós, caminhavam sobre o lago congelado. Alguns cobrem toda a extensão do lago de patins – é um pouco difícil porque o lago não tem uma superfície de gelo regular como nas pistas, e havia uma turma reformando um barco/casa que esta no meio do lago desde 2011 – durante o inverno também, pasmem.

Apesar do inverno mais frio sinto que me adaptei as baixas temperaturas. Ou isso ou aprendi, finalmente, a me vestir… talvez um pouco dos dois. O fato é que no ano passado apesar de não estar tão frio como agora eu usava muito mais roupas – tanto dentro de casa como fora, tinha a constante impressão que um fio de vento safado subia a minha bunda e vinha fazer minha espinha dorsal de parque de diversões. Sempre estava tremendo – apesar de ter minha super jaqueta de inverno… Dica de sueco: use a palavra inverno combinada com as diferentes peças de inverno para se referir a jaquetas e sapatos, assim como use o adjetivo gordo para dizer que é um casaco, meias, jaqueta grossa/o – vinter jacka, vinter skor, vinter byxor, tjock tröja, tjocka strumpor… Jag har en varm och tjock vinter jacka, men inte någon vinter byxor (Eu tenho uma jaqueta de inverno quente e grossa, mas não uma calça de inverno).

No mais, tudo no mesmo… em breve mostro para vocês como ficaram os convites do casamento.

Tchau!