Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #25

Não consigo mais colocar na cabeça nem uma só palavra do livro do BBiC que estive lendo. Minha mente está louca e meus pensamentos correm feito ninfas as vésperas de um solstício de verão. Nada do que leio fica gravado na cuca… dilemas do mundo moderno? Excesso de informação? Não acredito…

Deixei de trabalhar com o Zé em tempo integral para me dedicar um pouco a caça do trabalho como assistente social e aos preparativos do casamento. Quem acha que isso é meio estranho é porque não casou ainda: passei uns par de dias formulando o convite (que mesmo assim ficou super simples) e mais uns dois, três dias atrás do endereço de todo mundo. Na segunda mandei uma leva dos convites, a segunda leva vai na semana que vem e ainda separamos dos amigos mais chegados que moram em Göteborg para que sejam entregues em mãos.

Recebi o resultado do meu pedido de visto permanente e aquela carteirinha tão fabulosa acaba de chegar na minha porta. Eita coisa besta viu? Mandei a papelada em dezembro e em janeiro recebemos em casa um formulário com 4 perguntas bem idiotas (de assinalar com x) que deveria ser respondido por ambos. Mas as perguntas, no caso, eram direcionadas apenas ao Joel: você realmente conhece a Maria Helena? Você mora com ela? Quer continuar esse relacionamento? e a outra questão eu nem lembro, mas acho que era a única aberta do tipo quais os planos para o futuro? As três primeiras perguntas vinham com a opção “sim” e “não”, e “se não, por quê?”. No fim os dois assinamos a tal entrevista. Menos mal, nem precisei comparecer ao Migrationsverket para aquele outro tipo de entrevista ridícula a qual minha amiga foi submetida (e perguntaram a ela em qual lado da cama ela dormia…oO). O que interessa é que agora tenho meu permanent upphålstillstånd.

Essa semana tive um encontro inspirador com uma studievägledare (orientadora vocacional) a respeito das minhas ambições com relação ao Serviço Social na Suécia. Fiquei feliz e muito puta da cara ao mesmo tempo porque ela me confirmou o que eu já descobri faz um mês: para entrar na universidade na Suécia você precisa que o seu diploma do ensino médio seja válido por aqui e o fato de ter um diploma universitário (válido ou não) não conta muito a menos que você queira se candidatar a vagas abertas em cursos extras da grade do Serviço Social. Quando visitei a Vuxutbildningen para conversar a respeito da minha educação na Suécia eles me disseram que tendo o diploma reconhecido eu poderia entrar na Universidade. Ponto. Mas não é bem assim… para entrar na universidade é necessário Sueco nível 2, Matemática nível 2, Estudos Sociais nível 1 e Inglês nível 1. Eu posso pegar o meu certificado de Ensino Médio e tentar validar meus conhecimentos em matemática e inglês – é muito difícil que não sejam correspondentes – o que infelizmente é muito difícil de acontecer em relação aos Estudos Sociais, uma vez que no Brasil não estudamos a sociedade sueca.

Eu poderia ter estudado Samhällkunskap ao mesmo tempo em que estudava o SAS, afinal eu tinha aula uma vez por semana, não iria doer nem um pouco ter aula duas vezes por semana… mas eu nem sabia que eu precisaria dessa merda disciplina também. O lado positivo é que como estudei muita sociologia na faculdade eu talvez possa compensar daí. Dedinhos cruzados.

E pra quê todo o papo de universidade se eu tô com o diploma na mão? Porque para todos os efeitos por meio da universidade posso estagiar e daí meus problemas com relação a) não tenho experiência na Suécia e b) não conheço o sistema social sueco estariam resolvidos. Fiquei muito feliz porque ela (a orientadora vocacional) mais uma vez afirmou que meu curso foi aprovado em  100% e que não preciso complementar, que esse complementação seria só uma forma mesmo de tornar meu currículo mais atraente. Sinceramente, foi a melhor orientação que já recebi nesses meus quase dois anos de Suécia, ela foi clara, tranquila, me mostrou os caminhos possíveis, questionou minhas ideias formadas, plantou outras, assinalou as dificuldades e também os impossíveis que posso encontrar. Saí de lá de espírito renovado e com o telefone para contato de mais alguns locais de trabalho, como substituta (timvikarie) o que acho que será perfeito para começar – e mais fácil de conseguir.

Fácil e fácil porque para cada 5 anúncios de vagas com trabalho social, 4 pedem carteira de habilitação. Não deu nega, já fiz a inscrição pelo site do körkortportalen (portal da carteira de habilitação) e vou gastar um tanto das minhas economias com isso. Afinal de contas, eu to meio devarde e me dá um nervoso ficar esperando um e-mail ou telefone pra entrevista que nem sei pra que lado que me pego. Liguei e tentar vender meu peixe por telefone, mas ainda é muito desconfortável conversa em sueco pelo telefone, e já cansei de conversar com secretárias eletrônicas.

Essa é mais uma das razões pela qual a minha leitura do BBiC não vai para frente: eu lembro que tenho que entrar em contato com fulano e ligo, mas o fulano saiu e eu me programo para ligar mais tarde. Volto para o texto e já perdi o fio da meada, retomo a leitura de algumas páginas para me achar e quando o negócio engata percebo que meu telefone mudou de cores e já corro para ver se é e-mail… estou neurótica.

Sorte que tenho um super viking me ajudando ♥… Ainda assim, ficarei off por um tempo.

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