Dirigir na Suécia

Toda essa função em torno da busca do meu primeiro emprego como assistente social por aqui me levou a iniciar o processo para a carteira de habilitação sueca. O negócio é meio enrolado e muito caro (principalmente para quem não sabe dirigir), mas não tenho outra saída. Além do mais, eu gosto de dirigir.

Eu imaginei que teria de fazer inscrição em uma Traffikskola (auto escola) e liguei para algumas delas para pedir informações. Felizmente, como eu já dirijo há uns dez anos, não preciso de aulas de direção e então posso pular essa fase – vou economizar muiiiiiiiiitttooo com isso. Essa informação eu não consegui por meio da traffikskola e sim por meio do meu amado viking que usou o google para me ajudar porque – pasmem! – as auto escolas suecas também não me respondiam.

(Parênteses: eu acredito que meu sueco seja bom mas, definitivamente, eu tenho algum problema de comunicação. Ninguém [Arbestsförmedlingen] me entende e eu fico no vácuo quando ligo para consultas de preço ou das vagas de emprego… Minha auto estima com relação a língua foi parar nos meus pés essa semana).

Para iniciar o processo de habilitação é preciso acessar o site korkortsportalen e procurar o formulário para pedido de habilitação (esse aqui). Na Suécia também há a divisão de categorias de habilitação representadas por letras e eu vou ter a permissão B=carros. Apesar de minha habilitação brasileira ser AB não vou tirar carteira para motos porque o processo para tirar habilitação para motos é realmente complicado e nós nem temos uma moto; além disso, não é legal sair de moto nessa terra gelada.

Quando você solicita a permissão para realizar o processo de habilitação tem de responder (já no formulário eletrônico online) uma série de questões sobre a sua saúde: que você não é paranoico ou esquizofrênico, não tem tendências suicidas ou homicidas; ou problemas de coração, epilepsia, problemas de visão, dependência a substâncias psicotrópicas ou álcool.Por meio do formulário também é necessário informar se você toma medicamento controlado ou já tomou. Depois de realizar o pagamento online de uma taxa de 220sek você recebe em casa um formulário para o exame de vista que pode ser realizado em qualquer ótica – e pelo qual você paga 100sek.

Até o momento gastei 320sek (mais ou menos R$100) com o processo de habilitação e a expectativa é que vá gastar pelo menos mais 4075sek (cerca de R$1360). Como eu não preciso das aulas de direção posso estudar as normas de trânsito suecas em casa mesmo e depois marcar a prova teórica – que custa 325sek.

Mas antes da prova teórica eu tenho que participar de dois cursos obrigatórios (Risk 1 e Risk 2), o primeiro deles sobre direção defensiva e o segundo deles para você experimentar situações perigosas na pista, especificamente, deslizar por causa do gelo (halkbanan – pista de gelo). Parece coisa de filme mas aqui as pistas são definitivamente uma caixinha de surpresas e mesmo hoje, com sol brilhando e a temperatura em torno dos 4graus C ainda é possível encontrar gelo nas pistas – o que, ao longe, pode parecer apenas uma pocinha d’água. Isso é perigoso porque durante o período em que neva há muitos caminhões espalhando sal pelas pistas (sal e pedrinhas britas); mas agora não há nada para proteger os motoristas além do bom senso. Vale a pena aprender a manter o controle durante uma situação de risco e perda do controle do veículo.

Durante o inverno eu e o Joel passamos por uma situação assim: fomos visitar um conhecido que mora no campo e numa curva da estrada o carro simplesmente deslizou para fora da pista. Como o Joel já esperava por isso foi relativamente fácil controlar a situação – a situação, não o carro. Nós estávamos devagar (muito mesmo) e foi por causa da direção defensiva do Joel que não nos machucamos e estragamos o carro.

Os dois cursos acima custam, respectivamente, 700sek e 1700sek (2400sek no total ou quase R$800). Depois disso faço a prova teórica (teoriprov) e a prova de direção (uppkörning ou körprov) que custará mais 800sek. Até agora pelo que soube o grande desafio dessa prova é passar pela Korsvägen – um dos cruzamentos mais loucos de Göteborg, com spårvagn, ônibus, de frente  ao Liseberg e a Svenska Mässan, ou seja, poluído de pedestres. Não ouvi nada sobre baliza e pelo jeito, o maior medo do pessoal é mesmo passar a Korsvägen. Eu penso que é difícil, mas é apenas uma questão de manter a calma.

Depois de tudo isso terei a carteira em mãos, ou melhor, depois de tudo isso e de pagar mais 80sek para dar o meu retrato ao Traffikstyrelsen e mais uma taxa de 150sek para retirar a carteira; vou ter um cartão de plástico a mais na carteira e 4000sek a menos no banco. Isso se eu não pirar e reprovar…

Mas não vou. Tenho experiência de sobra no volante… só me falta o espírito de paciência e calma no trânsito dos suecos…

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8 comentários sobre “Dirigir na Suécia

  1. Se eu resolver tirar carta por aqui, já sei que terei de economizar algumas boas coroas antes. Habilitação carinha é essa, hein!

  2. Nem me fala… Eu preciso tb tirar minha habilitacao… Que vergonha. Mas aqui é muito caro mesmo. A parte boa é que podemos dirigir com outra pessoa né? Eu, pelo menos treino muito com o Calle. Mas depois que o Noah nasceu… ai, ai, ai– Tudo parado.

    Boa sorte!

  3. Cíntia!
    Obrigada! Eu vou fazer o meu melhor!

    *****
    Vânia,
    Bom para nós que já dirigimos né? Você viu as tabelas de preço para o pessoal que tem que aprender por meio de auto escola? O preço dessa belezinha triplica: isso mesmo, chega a mais de 15 mil coroas se você faz as aulas com auto escola. Bom que há a possibilidade de treinar com alguém que já tem carteira…

    *****
    Deby,
    Eu só tô fazendo isso por causa do trabalho mesmo, se não fosse por isso não investiria tanta grana. Ou talvez sim, mas em outro momento. Sabe, a gente tem carro, eu dirijo às vezes, mas acho tãoooo caro ter carro por aqui! Jesus: é caro ter habilitação e ter carro também. O Calle fica nervoso quando tu pega no volante? Guria o Joel tem quase taquicardia. Ele fica todo nervoso e pelo jeito que as coisas são, quem está com a razão é ele e eu tenho que aprender muito antes de tentar a minha prova prática!

    Beijos gurias

  4. Maria,

    Posso te fazer uma pergunta….mas ja perguntando
    Na Espanha nós podemos trocar a carta de motorista pela Espanhola pagando apenas uma taxa, eles ficam com a nossa carta original e a enviam para o Brasil e nos dão uma para utilizar lá, foi um acordo firmado entre Brasil e Espanha em 2009

    http://www.parainmigrantes.info/canje-de-permiso-de-conducir-de-brasil-en-espana-licencia-canjear-brasileno-espanol-carnet-circulacion/

    Isso não ocorre na Suecia? porque eu estou renovando a minha mas já pensava em utilizá-la desta maneira na Suecia….mas como eu nao mudei a minha na Espanha e agora nao moro mais lá nao posso fazer isso, se houvesse feito, talvez a Espanhola poderia ser usada na Suecia :-S

    Bjsss

  5. Pingback: Riskutbildning | Uma Caipira na Suécia

  6. Oi, muito legal seu post! Moro na Suecia e tb gostaroa de tirar a carriers de motorists e tb ja dirijo a quase 10 anos.
    Gostaroa de saber se o processor para fazer as provas em ingles eh p mesmo.
    Pq vi que as provas marcamos tudo pelo site né. Como eu escolheria em inglês? Você saberia me dizer? Obrigada desde já,
    Abraços

  7. Nossa Senhora, coitada da Doris, deixei ela no vácuo aqui!

    Dóris,
    Eu acho que não serve, porque desde que você tenha a permissão de residência permanente é exigido a habilitação sueca. Mas… aconselho a perguntar em uma traffikskola.

    ******
    Daniele,
    Para fazer os cursos e provas em inglês você escolhe a opção na hora em que se matricula neles. A escola em que eu fiz os cursos só tinham aulas em sueco e inglês, para demais idiomas era necessário indicar (por meio de um formulário na hora da matrícula) que você estaria levando consigo um tradutor. A prova escrita pelo que entendi existe em diversas línguas e você também faz a opção na hora da matrícula – mas isso na traffikskola em que estou. Em caso de dúvidas dê uma ligadinha para eles… Eu também recomendo que você entre em contato com a Cíntia do blog Minha Aquarela 2. Ela fez todo o processo em inglês e poderia compartilhar com você a experiência dela.

    Abraços!

Agora vamos prosear!

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