Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #26

To começando a me sentir “em casa” na casa, o fim de semana foi lindo, com sol e temperaturas mais agradáveis (tão rápido o sol se esconde a gente precisa se esconder também – a sombra ainda é gelada!) e eu aproveitei para fazer algumas coisas do lado de fora.

Não gosto de mexer com o jardim ou, ao menos, acho que não gosto e tenho certeza de que não gosto de podar cercas vivas mas eu ganhei uma caixinha de amor-perfeitos e bom… tinha que replantar as “frozinhas”… aproveitei o sábado de sol e distribui as danadinhas em vários vasinhos. Fiquei tão feliz e satisfeita com o trabalho que acho que vou gostar (ou aprender a gostar) de mexer com o jardim ou, ao menos, de plantar flores. Já penso em plantar girassóis no quintal.

Meus amor-perfeitos! Ou a gente escreve amores-perfeitos? E roupa no varal...

Meus amor-perfeitos! Ou a gente escreve amores-perfeitos? E roupa no varal…

E como sábado sempre foi dia do faxinão lá em casa, eu apenas continuei a arrumação por aqui, lavei as janelas (que em sueco a gente diz att putsa) e decidi que ia instalar a máquina de lavar roupa e lavar roupas. O problema é que compramos a máquina numa promoção online e quando eles vieram entregar não tiramos do pacote no mesmo instante; um dia depois descobrimos que a máquina veio quebrada. Aí o Joel liga para o pessoal da loja, reclama, e nós vamos receber uma nova – que será entregue algum dia depois da 4a feira desta semana. O pessoal do atendimento ao consumidor disse que podíamos instalar e usar a bichinha – porque afinal, é a tampa de cima da máquina que está quebrada – e usar, se o dano aparentemente não prejudica o funcionamento do produto. Instalei e coloquei somente algumas peças para “assistir” o processo. Foi tudo bem durante a lavagem mas na hora da centrifugação o trem degringolou e a máquina começou a dançar feito louca na lavanderia, batendo violentamente contra a parede. Tentei desligar sem sucesso e aí só tirei o contato da tomada mesmo. Já mexi e remexi com os pézinhos da danada, e sei lá se foi o “Samba de uma nota só” que eu estava ouvindo no Spotify que fez a máquina querer sambar, ou se o piso tem caimento (nesses horas eu queria muito o meu pai), ou se foi a pancada que quebrou a tampa do produto que tirou o cesto do centro; só sei que a máquina dança e pula mais do que dançarina de frevo. Resultado: lavei o lençol que aparece aí ao fundo das minhas flores e algumas outras peças; o resto continua no cesto (que está transbordando).

Replantar as flores, pendurar roupa no varal (apesar dos pesares) e comprar uma vassoura de pêlo foram algumas das coisas que fizeram com que eu me sentisse super “dona-de-casa” esse fim de semana, e feliz. Acho que eu sempre quis uma vassoura desde que mudei para a Suécia e nunca tinha visto quando… tcharãmmm: na sexta feira encontrei uma bela vassoura de pêlo na Class Olsson. Falando nisso, eu gosto bastante dessa loja, tem um monte de coisas que as demais normalmente não oferecem (até panela de pressão!) e outras coisas que normalmente não estão na moda, como essa vassoura aí. Eu sei que a maioria do pessoal usa aspirador de pó e eu concordo que é uma mão na roda mas eu odeio aquele barulho contínuo que vem acompanhado com a “modernidade”. Experimente passar o aspirador e ouvir música ao mesmo tempo! Em 5 minutos o seu cérebro está latejando. Assim eu passo a vassoura feliz, ouvindo qualquer melodia e ainda canto junto. Deixo o aspirador para o dia do faxinão quando eu tiver de limpar o tapete da sala de jantar.

Aí que o papel de parede do lavabo está(va) caindo e esse fim de semana uma visita fez um comentário do tipo: “nossa, que banheiro mais anos 70! Imagino que o papel de parede original deva ser alguma coisa com flores (e dando uma espiadinha por baixo do papel decadente) e é! Nossa, ainda por cima verde, como eu havia imaginado…”. Aí eu tive um insight! Se o papel de parede de baixo não estiver tão feio quanto o de cima, vale a pena arrancar de uma vez esse papel descolante e ficar com o verde! Fiz um teste e voilá! Ainda não tirei tudo mas o papel marrom não dá muito trabalho para descolar não – sai bem facinho com um pouco de água, e o mais antigo está sim melhor do que o atual. Ainda vamos trocar a cor da parede porque esse verde florido faz a gente sentir que foi cagar atrás de uma moita. Ao menos eu. Talvez eu acostume, mas precisamos trocar.

Meu banheiro anos 70! E a diferença entre o papel de parede atual e antigo...

Meu banheiro anos 70! E a diferença entre o papel de parede atual e antigo…

No mais tudo vai caminhando devagar. Logo, logo eu vou fazer aquele churrasco que a Joana e a Karine exigiram, ou melhor, assim que eu e o Joel tivermos um fim de semana de folga…

Mas eu aviso com antecedência!

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Uma Caipira em Uddevalla

Ainda to na faxina, ainda estamos organizando aquele caos pós mudança. Ainda não instalamos a máquina de lavar roupas (mas temos uma!), ainda não sei onde estão todas as minha coisas – mas pouco a pouco elas vão aparecendo – e principalmente, ainda sinto quase que uma estranheza por estar numa casa. Falando nisso, já comecei a tomar café da manhã enquanto contemplo os veadinhos que passeiam pelo jardim. E tem umas peripécias… mas isso fica para outra conversa.

Principalmente porque o blog está (me) devendo algumas histórias, e uma delas foi justamente quando fui visitar a cidade de Uddevalla. Uddevalla tem cerca de 30 mil habitantes e é internacionalmente conhecida por ser a cidade onde a Nara mora. Pra quem não sabe do que eu tô falando e se perdeu, eu to falando dessa Nara aqui.

Depois do encontro com as blogueiras em Stockholm parti para uma visita de cumadre – não somos comadres no literal da palavra mas… fui para Uddevalla dar umas vorta e bater um papo furado com a Nara. E não foi uma tarefa fácil porque a gente marcou de se encontrar por telefone e eu não pensei que era a semana antes da Páscoa, ou seja, nem lembrei que ônibus e trens estariam lotados. Bom, no fim das contas consegui um lugar espremidinha num busão e parti.

Mas não sem antes dizer para a Nara que eu chegaria na rodoviária. E tipo, eu nem sei se Uddevalla tem rodoviária porque o busão me deixou mesmo foi na beira da rodovia (o tal seguia para Oslo) e eu me vi olhando para um centro comercial ao lado de um Ikea, longe de tudo. Lascou-se; eu pensei. Nem sei se eu tô perto de Uddevalla, nem sei como faço para tomar um coletivo para o centro. Daí eu ligo para a Nara e tento explicar que eu to num centro comercial gigante – Torp – com um Ikea ao lado. Felizmente ela veio me salvar, com a menina pequena dela (uma coisa muitooooo fofaaaa de menina!) e o marido que também fala português.

Depois da minha gafe na chegada passamos um dia pra lá de legal. O tempo estava gostoso – com sol – e a gente ficou caminhando pelas ruas tranquilas da cidade enquanto costurávamos sobre um tudo: o tempo, a vida na Suécia, adaptação, blog, hobbies, casa/apartamento, família… A Nara deixou um registro das nossas poses pela cidade nesse link aqui!

Como eu falei no post passado o blogue tem me trazido uma série de surpresas boas e a mais significativa delas é essa rede, esse contato que a gente acaba tomando com outras blogueiras. Não precisa ser íntimo, não precisamos trocar segredos super secretos, basta saber que aquela pessoa passa pelo mesmo que nós e está aberta a conversar sobre isso. Faz um bem danado encontrar alguém com a mesma língua e quase que a mesma cultura para falar de mesmices…

(Falando nisso é bom sublinhar que quando a gente tá fora do país às vezes se frusta porque quer fazer amizade com outros brasileiros e não rola, mas a coisa não funciona no seco e não é porque somos imigrantes brasileiros morando na Suécia que vai rolar amizade e identificação como todo e qualquer imigrante brasileiro. No Brasil você não faria contato e nem amizade com pessoas assim ou assado, e aqui na verdade a gente sabe muito pouco sobre as pessoas que mudam. Tem aquelas que nem querem mesmo se misturar com outros brasileiros, trazem uma bagagem tão negativa do Brasil que nem querer contato com gente da mesma terra querem… é bom respeitar e ir devagar com o ardor.)

Acho que o fato de blogarmos cria uma desculpa e a partir daí, pode rolar uma identificação, amizade, coleguice; assim como pode dar em nada. Mas eu gosto de falar do que vingou, percebem? Dia desses a Maíra deu um pulo rápido em Göteborg e enquanto ela esperava o trem ficamos tagarelando e foi assim que gastamos uma boa meia hora. Fazia tempo que queríamos sentar e conversar, mas ela mora lá e eu aqui, e apesar dos passeios das duas – horas para as bandas de lá e outras pelas bandas de cá – ainda não tinha rolado. Com muitas dessas gurias rola uma conversa de longa data, mas se o negócio não passa do virtual para o real também não rola cobrança, o que vale mesmo é a espontaneidade – e foi numa dessas que conheci a Cíntia.

Aff, eu preciso dizer mais uma vez: Nara, obrigada por esse passeio, você é fantástica e o dia foi muito especial. E as demais gurias (aquelas que falei aqui e as que não falei também): obrigada pelo apoio e porque vocês são especiais!

Dois anos de Suécia

E eu esqueci de postar aqui ou qualquer coisa no facebook. Mas eu lembrei dos dois anos. Ou melhor, eu ainda lembro muito bem daquela viagem meio louca que eu empreendi justo quando mudei – 15h num ônibus para pegar o passaporte na embaixada e depois, mais 15h voando – sem contar as esperas entre conexões. No total forma praticamente 48h viajando…

Lembro de ter chegado tão exausta e de dormir 16 horas seguidas. Nada mal para uma dorminhoca.

Muitas coisas mudaram como, por exemplo, a minha impressão de que minha família sueca era muito legal mudou para uma certeza de que minha família sueca é muito legal. Não que eu escreveria no blog que eles são pessoas difíceis se eles fossem pessoas difíceis. Eu só não escreveria nada. E sofreria um bocado pois, piegas ou não, família é importante para mim. Desde o começo eles me apoiaram e na verdade eles são as praticamente as únicas pessoas que ainda me ensinam algum sueco. No mais, acho que eles não são uma família muito sueca pois às vezes me pego numa bagunça meio louca que caberia muito bem dentro do comportamento normal da minha família.

Bom, deu para perceber que alguns preconceitos continuam, não é? Ainda acredito que os suecos são mais fechados, mais frios, mais na deles. Não acredito que isso seja algum tipo de defeito, ao menos não no caso das pessoas das quais gosto. Mas sempre é assim não? Amamos as pessoas que nos são próximas e por isso não entendemos as esquisitices delas como algum tipo de defeito. Mas me irrita por demasiado a falta de língua dos suecos em alguns casos comuns, como, por exemplo: você está sentado no bonde/ônibus no banco do corredor e a pessoa que está na janela precisa sair no próximo ponto. Ela vai: a) pedir licença; b) ficar te olhando para ver se você entende que ela quer licença para passar; c) juntar casaco, livro ou a bolsa num atitude bastante ruidosa para indicar que ela está saindo; d) montar em cima de você ou simplesmente te atropelar porque você não saiu do lugar, sem pedir licença ou desculpas. Só para avisar, nesse caso o sueco vai utilizar (em 90% dos casos) de todas as alternativas citadas com exceção da opção A. Se você estiver em uma lojinha apertada ou similar, qualquer local cheio de gente, é isso que a maioria das pessoas vão fazer também. E muito provavelmente você vai receber uma cara feia por estar no lugar e hora errado.

Outra coisa que faz um sueco perder a língua é para falar sobre intimidade. É muito difícil falar sobre coisas pessoais mesmo com pessoas que já conheço há algum tempo. Em contra partida uma coisa que curti muito por aqui é que sueco não gosta de fofoca. Ou pelo menos, algumas pessoas mantêm atitudes bem duras com relação a isso. Principalmente no trabalho: alguém fez um comentário indiscreto e uma terceira pessoa cortou na hora. E não, não fui eu a infeliz que teve essa ideia brilhante, eu já sou estrangeira e tenho que provar um bocado para manter meu trampo, não faria uma coisa idiota como espalhar burburinhos. Sueco é bem daquele tipo que acredita que pessoas inteligentes falam sobre coisas – política, ciência, livros, moda, história, música – enquanto pessoas idiotas falam sobre a vida dos outros. Ponto para eles.

Devagar parece que estou engatando novas amizades. No início eu confundi muito gentileza com amizade e quando descobri que estava me iludindo foi muito duro para mim, passei um tempo muito triste e solitária. Agora comecei a trabalhar a coisa de outro modo. Além disso, não há só suecos na Suécia, e graças a Deus encontrei umas pessoas porretas – porque, pasmem, estrangeiros são mais duros contra outros estrangeiros do que os próprios suecos. Isso me doeu muito e foi um dos pontos que me levou a deixar de frequentar a academia. Havia milhares de estrangeiros como eu lá, mas nenhum deles queria estabelecer contato. Ao contrário dos suecos, não foram nem gentis. Mas o objetivo desse blogue não é fazer com que vocês tenham pena de mim – pobre menina rica! Há. Bom, na mesma semana em que recebi meu personnummer (logo depois de chegar) encontrei com uma nicaraguenha porreta no Arbestförmedlingen. Trabalhamos juntas e já rimos e choramos um bocado juntas. E graças a Deus que apareceu essa menina meio persistente no meu mundo porque se não fosse por ela meus contatos aqui na Suécia estariam perto de zero.

Eu me fechei por muito tempo e fiquei meio deprê, tava desiludida com minhas expectativas furadas e chocada pelo fato de outras estrangeiras serem tão rudes comigo. A Jenixa nunca deixou de manter contato e agora que eu peguei a minha ponta de responsabilidade pela nossa amizade a coisa vai crescendo e indo muito bem. Estou feliz por ela não ter desistido e me ensinado também algumas belas lições pois, depois disso, foi devagarinho que eu e a Vânia também fomos juntando nossas fomes com vontade de comer e agora, poxa, sinto nela uma verdadeira amiga.

Acho que o blogue faz um bem danado para mim. Esse contato que eu tenho com todas as outras blogueiras, essa relação simples que a gente acabou estabelecendo por conta das nossas histórias tão parecidas e únicas, isso tem me deixado bem segura de mim mesma e até me forçado a esquecer esse sentimento de rejeição que senti por parte do pessoal mais fechado do lado de cá. Meninas, vocês são especiais, e quem sabe nossa relação não seja daquelas amizades em que rolam segredinhos e longos papos ao telefone; mas eu sinto que nos comentários e os recadinhos por e-mail/facebook uma prova de que temos uma ligação. Obrigada!

Ao mesmo tempo estou muito feliz por perceber que minhas velhas amizades continuam firmes. Quando estive no Brasil em novembro foi tão bom reencontrar minhas parceiras de todo um sempre: Angela, Lu, Maira. Eu mudei, elas também, mas nossa amizade ainda está ali. Eu tinha medo disso mas agora eu sei que quando eu estou com elas basta sentar e fazer como sempre. Matar a saudade.

Falando em saudade, é a saudade da família que bate mais forte, que marca mais dura. Sei lá, meus sobrinhos ficaram gigantes enquanto eu estive fora. As minhas irmãs continuam as mesmas. Já meu irmão ficou com cara de homenzinho – verdade, não adianta xingar. E o pequeno Jorge falando. Meu pai está mais grisalho mas aquele jeito de contar piada e dar risada ainda é a mesmo. Minha mãe… mãe é mãe, elas podem até mudar mas a gente vê só isso, que elas ainda são mães e a minha é, ainda, muito minha mãe.

Mas eu mudei um bocado, eu acho. Sou uma pessoa muito insegura em sueco, e sou eu mesmo em português – ou, ao menos, sou aquilo que acredito ser em português. Eu não sei se todo mundo passa por isso mas eu tenho um complexo de dupla personalidade por causa do idioma. Como o português é a língua materna obviamente é muito mais fácil me expressar e mostrar/pedir o que quero, ser objetiva ou não. Eu escolho. Já em sueco… vivo me irritando por perder as palavras, ainda tenho dificuldade em falar ao telefone, me faltam adjetivos, me faltam verbos, me falta segurança. É muito comum me sentir perdida e com vergonha por estar perdida quando estou no meio de suecos. Eu tento manter uma postura calma, com um sorriso enquanto vou fazendo outra coisa até entender o que eles querem – enquanto por dentro estou gritando em desespero por não saber o que está acontecendo. Eu sou uma pessoinha meio fascinada pelo controle e quando ele some das minhas mãos ou desaparece sob meus pés, tenho graves problemas.

Consegui jogar alguns monstrinhos feios pela janela. Foi aqui que deixei de lado o discurso tipo não sou homofóbica mas… para sempre. Suecos são um povo idealista demais, de um jeito meio bobo até, e isso é contagiante. Eles querem igualdade, liberdade e fraternidade com mais força do que os próprios revolucionários da revoluçao francesa de 1792 queriam. E fazem isso por meio de pequenos gestos sem ficar enchendo o saco. Curti e to copiando. Sabe aquela velha máxima um exemplo vale mais que mil palavras? Penso mais nos direitos dos pobres, negros, homossexuais e minorias em geral de uma forma mais concreta. Penso até em mudar o mundo comendo comida ecológica. E comprando bens de consumo ecológicos. Até a causa dos animais – que eu achava meio sem noção – estou achando um barato. Não significa que virei militante, tampouco acredito que vou virar uma militante para tantas coisas. Mas aqui eu entendi que sou capaz de fazer escolhas que mudam o mundo, ou que mudarão o mundo, tanto faz. Eu nem preciso de muito esforço.

Até minha noção de geografia mudou depois que mudei e agora eu tenho uma consciência política mais apurada, tudo culpa daquele ruivo lindo de olhos azuis que cruzou meu caminho. O amor amadureceu, nossa relação também e eu acredito que esse é o curso natural das coisas. Estou mais feliz do que nunca por ter tido coragem de tomar esse passo em direção a um desconhecido tão grande e nesse caso, não me refiro a Suécia e sim, ao amor. Ninguém que muda para cá por causa de um relacionamento espera que o negócio vá pelo ralo, mas nem as minhas melhores expectativas eu poderia imaginar meu relacionamento assim. O Joel fez toda essa enorme mudança valer muito a pena.

Claro que ainda tem muito pelo que estou esperando. Um emprego de tempo integral por exemplo. Mas tudo muda todo o tempo, quem sabe uma bela oportunidade surge sem nem ao menos eu entender porquê. E eu tenho ganhado tanto! Essa oportunidade de morar em uma casa por exemplo, é fantástica. Eu que já morei num coletivo – a gente tinha só um quarto e os móveis para um quarto; e depois num apartamento pequeninho; agora tenho espaço de sobra…

E o ano promete mais, com o casamento e meus pais chegando… vixxx!! Hahahaha!

Dois anos na Suécia e to feliz. Feliz demais.

Mudei!

Deixei meu bairro de estrangeiros barulhentos e coloridos para cair em uma vila bem sueca. É sinistro. E tipo, uma vila mesmo, tenho quatro vizinhos e  ouço o sino das seis horas tocar. Mas curti muito isso!

No sábado juntamos uma galera que ajudou a carregar nossos móveis – que pareciam quase nada, afinal, quando se mora em 40m quadrados a coisa deveria ser simples, certo? Errado! Precisamos de três viagens até o trem ser completo… Adivinhem só quem é que estava no meio dessa galera? A Vânia do “Diário de uma Teimosa” e o maridão dela! Um muito obrigado super especial para vocês dois!

Depois de todo o carregamento e descarregamento olhei para todas aquelas caixas e a bagunça e tudo parecia tão surreal. Todos os meus móveis em uma casa. E tipo, eu tenho quintal agora.  E muitas caixas para organizar! Nem sei onde estão todas as minhas roupas e minha sorte é que não trabalho até quarta feira. Enfim, parece incrível, decidimos meio de supetão e agora é real: temos uma casa.

Temos e temos pois não compramos. A história  é longa e os detalhes desnecessários e para simplificar a coisa toda mudamos porque “alugamos” a casa por um ano. Alugar não seria bem o termo, mas tudo é meio enrolado. Certinho, ao modo sueco, mas enrolado. Na verdade, temos um acordo com o dono e dentro dos termos do nosso contrato podemos mexer na casa durante esse período, trocar papel de parede, pintar, fazer pequenos e grandes reparos e um monte de outros etc. E queremos, o Joel parece criança em dia de Natal e até eu estou doida para começar. Na verdade, já comecei: estou faxinando a casa todinha!

Fazia parte do acordo pegar a casa do jeito que estava, ou seja, com tudo dentro. Aquilo que o dono queria ele levou embora e agora é com a gente fazer o faxinão. Quando entramos na casa no sábado estava uma bagunça, com as nossas coisas misturadas as coisas que o antigo dono havia deixado, um caos! A Vânia me deu uma ajuda de fada na cozinha – obrigada de novo mulher! – e depois disso ficamos eu e Joel organizando quarto por quarto.

Dica de limpeza: para tirar o ferrugem de talheres use coca cola.

E tiramos muita coisa daqui que não vamos usar. Separamos o que é possível ser aproveitado para o second hand e o restante vai (e já foi) para o lixo. E não é bem assim, pegar tudo e colocar num saco e deixar num depósito não: cada coisa tem que ser separadinha dentro de categorias (vidro, metal, papelão, plástico duro, coisas que não há como reaproveitar e serão queimadas, porcelana/vasos, eletrodomésticos, madeira, químicos); sendo que os remédios (mesmo os vencidos) devem ser devolvidos nas farmácias. Falando nisso, a Priscila do “Mineira abaixo de Zero” acabou mesmo de escrever um post contando como é que funciona essa coisa de separar o lixo por aqui. Curioso? Clique aqui.

Como não achei a máquina fotográfica ainda, deixo aqui uma ideia de como a casa parece. Mas não, a gente não mora num prado…

casa