Uma Caipira em Uddevalla

Ainda to na faxina, ainda estamos organizando aquele caos pós mudança. Ainda não instalamos a máquina de lavar roupas (mas temos uma!), ainda não sei onde estão todas as minha coisas – mas pouco a pouco elas vão aparecendo – e principalmente, ainda sinto quase que uma estranheza por estar numa casa. Falando nisso, já comecei a tomar café da manhã enquanto contemplo os veadinhos que passeiam pelo jardim. E tem umas peripécias… mas isso fica para outra conversa.

Principalmente porque o blog está (me) devendo algumas histórias, e uma delas foi justamente quando fui visitar a cidade de Uddevalla. Uddevalla tem cerca de 30 mil habitantes e é internacionalmente conhecida por ser a cidade onde a Nara mora. Pra quem não sabe do que eu tô falando e se perdeu, eu to falando dessa Nara aqui.

Depois do encontro com as blogueiras em Stockholm parti para uma visita de cumadre – não somos comadres no literal da palavra mas… fui para Uddevalla dar umas vorta e bater um papo furado com a Nara. E não foi uma tarefa fácil porque a gente marcou de se encontrar por telefone e eu não pensei que era a semana antes da Páscoa, ou seja, nem lembrei que ônibus e trens estariam lotados. Bom, no fim das contas consegui um lugar espremidinha num busão e parti.

Mas não sem antes dizer para a Nara que eu chegaria na rodoviária. E tipo, eu nem sei se Uddevalla tem rodoviária porque o busão me deixou mesmo foi na beira da rodovia (o tal seguia para Oslo) e eu me vi olhando para um centro comercial ao lado de um Ikea, longe de tudo. Lascou-se; eu pensei. Nem sei se eu tô perto de Uddevalla, nem sei como faço para tomar um coletivo para o centro. Daí eu ligo para a Nara e tento explicar que eu to num centro comercial gigante – Torp – com um Ikea ao lado. Felizmente ela veio me salvar, com a menina pequena dela (uma coisa muitooooo fofaaaa de menina!) e o marido que também fala português.

Depois da minha gafe na chegada passamos um dia pra lá de legal. O tempo estava gostoso – com sol – e a gente ficou caminhando pelas ruas tranquilas da cidade enquanto costurávamos sobre um tudo: o tempo, a vida na Suécia, adaptação, blog, hobbies, casa/apartamento, família… A Nara deixou um registro das nossas poses pela cidade nesse link aqui!

Como eu falei no post passado o blogue tem me trazido uma série de surpresas boas e a mais significativa delas é essa rede, esse contato que a gente acaba tomando com outras blogueiras. Não precisa ser íntimo, não precisamos trocar segredos super secretos, basta saber que aquela pessoa passa pelo mesmo que nós e está aberta a conversar sobre isso. Faz um bem danado encontrar alguém com a mesma língua e quase que a mesma cultura para falar de mesmices…

(Falando nisso é bom sublinhar que quando a gente tá fora do país às vezes se frusta porque quer fazer amizade com outros brasileiros e não rola, mas a coisa não funciona no seco e não é porque somos imigrantes brasileiros morando na Suécia que vai rolar amizade e identificação como todo e qualquer imigrante brasileiro. No Brasil você não faria contato e nem amizade com pessoas assim ou assado, e aqui na verdade a gente sabe muito pouco sobre as pessoas que mudam. Tem aquelas que nem querem mesmo se misturar com outros brasileiros, trazem uma bagagem tão negativa do Brasil que nem querer contato com gente da mesma terra querem… é bom respeitar e ir devagar com o ardor.)

Acho que o fato de blogarmos cria uma desculpa e a partir daí, pode rolar uma identificação, amizade, coleguice; assim como pode dar em nada. Mas eu gosto de falar do que vingou, percebem? Dia desses a Maíra deu um pulo rápido em Göteborg e enquanto ela esperava o trem ficamos tagarelando e foi assim que gastamos uma boa meia hora. Fazia tempo que queríamos sentar e conversar, mas ela mora lá e eu aqui, e apesar dos passeios das duas – horas para as bandas de lá e outras pelas bandas de cá – ainda não tinha rolado. Com muitas dessas gurias rola uma conversa de longa data, mas se o negócio não passa do virtual para o real também não rola cobrança, o que vale mesmo é a espontaneidade – e foi numa dessas que conheci a Cíntia.

Aff, eu preciso dizer mais uma vez: Nara, obrigada por esse passeio, você é fantástica e o dia foi muito especial. E as demais gurias (aquelas que falei aqui e as que não falei também): obrigada pelo apoio e porque vocês são especiais!