Inimigo público número 1

Dias desses a Jose (Enfim Suécia) me disse que agora que eu moro numa casa eu poderia fazer – ou tentar fazer – um comparativo entre morar em casa e/ou apartamento na Suécia. Achei a ideia muito bacana e vou trabalhar nisso mais adiante porque na verdade ainda é cedo para eu poder falar alguma coisa.

Mas aproveitando o gancho posso afirmar com certeza que – tanto para quem mora em apartamento como para quem mora em casa – o maior problema e dor de cabeça que pode acontecer é a descoberta de que você não é o único organismo vivo que habita a sua residência. Eles são pequenos, se reproduzem silenciosamente e na maioria das vezes, quando são descobertos já formam uma grande colônia. Não, a Suécia não tem baratas (há controvérsias) e as aranhas daqui são aquelas inofensivas, do corpo quase invisível e das pernas compriiiidas… os hóspedes indesejados a que me refiro são os fungos (mögel – möglet)!

Lidar com esses tipo de problema é uma merda, principalmente se você morar numa casa, simplesmente porque a casa é sua e os problemas que acontecem na casa são só seus. No caso do apartamento, mesmo que você seja o proprietário do apartamento vai dividir o problema com o proprietário do edifício, ainda mais se o problema de fungos não for apenas no seu apartamento.

Nunca morei em apartamento no Brasil e não sei quais as regras que rolam (quem paga o quê) quando há problemas no edifício e por isso para mim as regras do mercado imobiliário sueco são bem confusas; mas eu vou tentar explicar o que eu quero dizer com essa história de dividir o problema com o dono do edifício: se você compra um apartamento você compra na verdade o direito de morar naquele endereço e a possibilidade de mudar o que você quiser dentro daquelas quatro paredes. Da porta para fora (corredores, escadas, elevadores, hall, lavanderia) o dono é outro; ou seja, há alguém que é dono do prédio e é responsável pelos problemas que acometem o edifício como um todo (como eu falei não sei como a coisa funciona no Brasil… é assim também?). Se você aluga um apartamento a lógica é a mesma – com a exceção de que você não tem o direito de fazer reformas ao seu bel prazer; existe alguém que é o dono do seu apartamento e do restante do edifício para o qual você paga o aluguel e esse mesmo alguém é responsável por arrumar as coisas que estragam dentro do seu apartamento. Esse alguém pode ser uma pessoa privada ou uma empresa.

O caso é que nem sempre é possível ver os fungos de uma vez pois eles se proliferam como um câncer dentro da parede, na maioria dos casos quando é possível vê-los do lado de fora a vaca foi para o brejo há tempos. As paredes na Suécia são sempre grossas e recheadas de fibras que irão fazer o isolamento (principalmente as paredes que sustentam a casa/apartamento) e uma vez que as paredes ficam úmidas cria-se uma oportunidade perfeita para o aparecimento dos fungos.

Isolamento - ta vendo até os canos são isolados? Tudo para prevenir umidade... (fonte: google)

Isolamento – ta vendo até os canos são isolados? Tudo para prevenir umidade… (fonte: google)

A situação lá dentro estará assim antes de você enxergar assim...

A situação lá dentro estará assim antes de você enxergar assim… (Fonte: Google)

Portanto, quem mora em apartamento e descobre que tem hóspedes indesejados nas paredes tem problemas e com certeza vai sofrer um bocado com doenças respiratórias até que o dono do edifício seja convencido a investir uma bolada e acabar com o caso. Não raro o dono ou inquilino do apartamento também tem que desembolsar algum dinheiro nesse processo. Já se você mora numa casa…

Fungos causam doenças respiratórias e alergias e por isso tem que ser exterminados. Ter fungos nas paredes é praticamente ter um furo nos bolsos: tem que se contratar uma firma especializada que encontra o centro da colônia, abre as paredes e use uma espécie de dedetizante de fungos. Dependendo do grau de infestação você terá de trocar – além das fibras de isolamento da casa – paredes inteiras pois se o fungo já está intrincado na madeira você pode matá-lo mas a chance de re-infestação é muito grande – nesses casos a troca das tábuas ou placas infectadas é uma medida de prevenção. Essa brincadeira custa no mínimo 10 mil coroas (cerca de 3.500 paus) se você tem sorte de “detectar o tumor” no início e tem condições de resolver o problema sozinho. Em caso contrário, o céu é o limite pois você terá que pagar a firma de dedetização e a reforma da casa.

Para evitar esse tipo de transtorno há que se ficar alerta a toda e qualquer situação que deixe as paredes úmidas – com exceção do clima, já que não se pode fazer nada contra isso (o clima na Suécia já é um agente que contribui e muito para a proliferação de fungos porque chove muito, é sempre frio, e o que está molhado nunca seca), e tomar medidas preventivas como pintar a casa com tintas isolantes, ficar atento ao aparecimento de bolhas de ar que levantam das paredes ou da tinta, dar uma atenção especial ao porão da casa e nunca lavar paredes (de fora) com (muita) água (jamais usar água para a limpeza das paredes dentro de casa. No máximo um pano úmido é permitido – a não ser no banheiro, obviamente). E mesmo que não exista um porão na casa, se há um espaço entre o assoalho e o chão esse espaço também tem que ser controlado periodicamente com o uso de um aparelho que mede a umidade (fuktig) do ar dentro do espaço. Se a umidade do ar está alta então é utilizado um aparelho para secar o ar (avfuktigare).

Nessa dança toda até as calhas e o sistema de coleta da água da chuva é importante… mas essa história – que vai me render enormes buracos ao redor da casa – eu conto na semana que vem.

Vi ses!

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