O blog de molho e Alfons

Olá gente linda linda, bonita bonita!

(Não me lembro exatamente onde eu vi isso, mas achei simpático)

Já estamos praticamente dizendo adeus ao mês de junho e, para minha felicidade, semana que vem meus pais e a minha irmã desembarcam aqui na Suécia. E como eles estarão por aqui por um tempo e eu quero muito passear com eles e levá-los para vários cantos, aviso aos navegantes que o blog ficará de molho.

Apesar disso, estou deixando alguns rascunhos (só uns poucos) sobre o idioma sueco. Talvez quem não tem interesse pela língua ou por aprendê-la ache que isso será um pouco  chato, mas eu escolhi um ajudante para entreter vocês: o Alfons Åberg que a Vânia conta um pouco neste post aqui.

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O Alfons é um personagem da literatura infantil sueca – um dos mais famosos ao lado da Pipi Långstrump e dos demais personagens de Astrid Lindgren; que apresenta histórias engraçadinhas sobre o mundo infantil e com um sueco de nível bem fácil. Eu não conhecia o Alfons Åberg até começar a trabalhar como personligt assistent com o Zezinho. Fiquei imensamente surpresa com a quantidade de palavras e expressões que aprendi por meio da leitura dos diversos livros e também porque assisti Alfons umas dezenas de vezes.

Então vou deixar alguns posts com um episódio do Alfons em vídeo, o texto narrado abaixo e a tradução em português. Se possível deixarei alguns comentários também, mas provavelmente não. Esses posts serão mesmo para que você, que estuda sueco, possa acessar um vídeo em sueco tendo uma “legenda” em mãos e assim treinar o ouvido e porque não a pronúncia correta das palavras e de quebra, aprender algumas expressões.

Abriremos a temporada do “aprenda sueco com Alfons” no dia primeiro de julho, com o primeiro livro publicado pela autora Gunilla Bergström intitulado God natt Alfons Åberg – Boa noite Alfons.

Feliz férias para mim! E um ótimo mês de julho para vocês!

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E a manifestação…?

Na semana passada contei a história do meu envolvimento na organização da manifestação ou demonstração que aconteceria em Göteborg em apoio às inúmeras manifestações que estão acontecendo no Brasil. Naquele post também partilhei as minhas dúvidas e neuras com essa coisa toda de protestar e da necessidade ou não de entender pelo quê ou porquê o Brasil está protestando – até mesmo porquê se o objetivo é daqui apoiar o povo de lá… o que justamente queremos reforçar? Em todo o caso, a manifestação saiu ontem/hoje (27 de junho) na praça em frente a prefeitura de Göteborg, ou simplesmente, em um local com muito movimento. Momentos após o fim da demonstração já tinha fotos no portal do GP (Göteborg Posten), o jornal de maior circulação aqui de Göteborg.

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Olha eu lá no meio, ao lado da Priscila.

Apesar de eu ser uma das administradoras da página do evento, fui só mais uma na “multidão” ali; e isso me deixou um pouco mais tranquila. Tenho que confessar que passei a semana inteira com muita preguiça só de pensar que teria a manifestação hoje, e que tentei várias vezes convencer a Sebastiana a cancelar o evento por causa de… sei lá, dessa indecisão toda e falta de noção de algumas das pessoas que queriam dar os contornos da coisa. Eu não acho que seja uma pessoa iluminada – e isso ficou bem claro quando na segunda feira passada, por exemplo, sentamos eu, Sebastiana, o Sebastião e o Tonho para discutir uma possível programação para a manifestação. Cada um ali tinha ideias super diferentes e passamos duas horas somente discutindo as possíveis diferentes causas da “nossa” causa, e apesar de eu não saber bem porquê, me senti bastante burra nesse encontro. Discordamos muito de forma construtiva e o fato de encontrar gente que é mais inteligente do que eu me deu esperança de que a demostração pudesse ter algum sentido especial, ao final.

*Por gente mais inteligente do que eu entendo as pessoas que não desperdiçam o precioso tempo de suas vidas batendo boca com donas de clubes, ops, eu quis dizer associações que não tem a Rainha Sílvia como presidente honorária.

Quando eu fugi da reunião da segunda-feira, cheguei em casa e ainda uma vez disse ao Joel que se eu não tivesse começado toda essa história de demonstração em apoio aos manifestantes no Brasil eu nem iria participar do evento. Todo o gás que adquiri para o meu balão ao trocar ideias com aquele povo interessante da reunião sumiu depois de ver mais atualizações escrotas no facebook e testemunhos de gente que ficou desapontado ao participar de manifestações no Brasil. E porque as pessoas estão tão desapontadas? Porque foi apresentada uma causa geral e óbvia que guia a massa enquanto gente que entende que é ncessário disciplinar mulheres e crianças no tapa marcha ao lado de gente que acredita que a violência em qualquer forma tem que acabar; e gente que tem orgulho de ter uma presidente mulher tem que ouvir gritos de “fora Dilma” porque tem muita gente com raiva do PT; homossexuais marchando ao lado de gente que acha que o Feliciano teve realmente uma inspiração divina ao instituir o projeto da cura gay… Uma confusão só. É claro que somos diferentes, que somos milhões de mundos mas realmente estamos todos juntos contra a corrupção ou somos um bando de “Maria vai com a outras”? Se tem tanta gente assim indignado com a corrupção porque esse projeto aqui ainda não recebeu 1,6 milhões de assinaturas?

Em Göteborg fomos talvez 150 pessoas e não foi diferente, cada um tinha a sua bandeira. E foi sim um pouco esquisito porque cantamos tanto “caminhando e cantando e seguindo a canção” como “eu te amo meu Brasil” durante o evento. Pra quem não entendeu do que eu tô falando eu explico: as duas músicas foram muito famosas no tempo da ditadura, uma por representar os movimentos de resistência ao regime militar e outra por representar o movimento “Brasil, ame-o ou deixe-o” que foi propagado pelos militares. Adivinha qual das duas o povo cantou com mais vontade? Eu podia até dar um desconto porque “eu te amo meu Brasil” é bem mais fácil por se tratar de uma marchinha… mas será que dá?

O princípio democrático seria justamente o ato de aceitar que nem todo mundo pensa como eu, mas por que será que a gente fica com um gosto estranho na boca quando vê gente defendendo merdas por aí? Ou pessoas que se comportam durante uma manifestação exatamente como crianças do fundamental durante um ato cívico da semana da pátria? Eu vou cantar o hino nacional mais alto e mais forte porque eu sei e eu posso, depois eu vou puxar o refrão “eu sou brasileiro com muito orgulho e muito amor” e por fim eu vou embora e já no caminho de casa vou dando uns likes para postagens a favor da redução da maioridade penal, ou pior, vou dar likes para aquela postagem que diz que quem recebe o Bolsa Família deve perder o título de eleitor.

Mas tá valendo, eu to numa foto no jornal e o pessoal da organização (o comitê do povo inteligente – SST) elaborou um discurso muito bom (fiquei realmente orgulhosa). Apesar disso ainda não vi nenhuma das imagens que me mostre feliz por ter estado lá. Eu me senti meio com vergonha, isso sim, e dá para ver na minha cara.

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Clique na imagem para ver a minha cara de quem perdeu o fio da meada. Ah, e tem uma menina fazendo uma das típicas “pose de perfil para o face” bem do lado do cara com o cartaz “Brasil tamo junto”.

Como eu não sou mentirosa vou compartilhar a foto em que estou mais feliz: essa segurando a faixa que pintei com “fora Feliciano” que dividi com a Mineira Abaixo de Zero Priscila. A pose ficou bacana e não é que parecemos irmãs?

Vieram me perguntar o que era estado laico - e não é de estranhar que não saibam, afinal, não existe no Brasil.

Vieram me perguntar o que era estado laico – e não é de estranhar que não saibam, afinal, não existe no Brasil.

PS.: Bem típico de mim, fazer um ps 15 minutos depois de publicar o post. Muitos suecos me perguntam porque tem tanta gente manifestando no Brasil uma vez que o país tem crescido tanto e anda bem na “fita” do mundo econômico. Aí eu digo que bom, tem o Feliciano, o foro priveligiado, o Renan, os gastos exorbitantes com parlamentares numa república em que representantes eleitos conservam os mesmo privilégios oferecidas a nobreza numa monarquia (pensando bem, a nobreza no Brasil – e eu duvido que em qualquer outro lugar do mundo – jamais foi tão rica quanto o são nossos parlamentares…), a má distribuicão do imposto de renda, a precária infraestrutura do país, a escassez de escolas/universidades, o descaso com a saúde, as desigualdades sociais, o não reconhecimento dos direitos das mulheres e dos homossexuais… tudo isso é motivo para sair as ruas. Eu fico imaginando o que outros brasileiros respondem e ah, hoje um sueco me respondeu que a gente devia pensar seriamente em eleger um presidente como Hugo Chavez para o Brasil. Se alguém espalhar mesmo essa ideia entre os manifestantes as manifestacões acabam amanhã porque o Brasil ainda tem medo do fantasma do comunismo e vê o a esquerda como socialista que tem um pacto com o bicho papão. Daí é bom avisar a todos os babas ovos que vivem admirando a Suécia: sabem porque a Suécia é um dos países com melhores níveis de igualdade do mundo? Ela tem um governo de esquerda.

Riskutbildning

Riskutbildning é o nome dos cursos obrigatórios que você tem de frequentar antes de fazer a prova teórica e prática para tirar carteira de habilitação sueca. Eu falei um pouco de como é que o processo funciona (e quanto custa) no post dirigir na Suécia. Mas vamos de um resuminho: pra quem já sabe dirigir ou quer regularizar sua carteira na Suécia há alguns passos obrigatórios, sendo eles a solicitação do körkortstillstånde, a participação nos cursos sobre riskutbildning 1 e 2, aprovação na prova teórica, e finalmente, a aprovação na prova prática.

Eu solicitei o meu körkorttillstånde (permissão para a carteira de habilitação) no fim de março com o intuito de ter a carteira de habilitação em mãos no mais tardar em maio. Haha. Enrolada como sou, participei do riskutibildning 1 e depois… aff! Mudamos, eu comecei a trabalhar a noite, e eu não conseguia arrumar o livro para ler a teoria… desculpas e mais desculpas, acabei fazendo o risk tvån ou halkbanan somente hoje.

O riskutbildning 1 (que pode ser traduzido de forma livre como “curso de direção defensiva”ou risk= risco, utbildning= educação, curso) é principalmente sobre a importância de ser um motorista consciente. Na Suécia a educação no trânsito é bastante dura contra os motoristas e as pessoas aprendem desde crianças que ter um carro não significa ser o dono da rua e que normas de trânsito devem ser respeitadas. Na Suécia não há estradas onde a velocidade dos carros é livre, como na Alemanha. As maiores rodovias suecas tem velocidade controlada, e a máxima permitida é 120km.

(Volvo e SAAB – indústrias de carros originalmente suecas – são conhecidas como as marcas de carros mais seguras do mundo. Além disso, o cinto de segurança de três pontas foi desenvolvido aqui).

No risk 1 ouvi muito a respeito de como evitar situações de risco ao volante, sendo que é bastante frisada a importância de realizar manutenção constante no veículo, a importância de respeitar a velocidade máxima permitida em cada local, a importância de dirigir sóbrio e descansado, entre outras. Eu lembro de que quando fiz o curso teórico para minha habilitação no Brasil falamos um pouco sobre direção defensiva. Mas no Brasil ainda impera aquela cultura de que “os outros nunca sabem dirigir, só eu é que sei” – totalmente o inverso da cultura pregada aqui na Suécia. Durante o curso do risk 1 a instrutora de trânsito repetiu insistentemente que o melhor motorista é aquele que reconhece que não sabe dirigir e por isso mantêm-se constantemente alerta ao veículo, ao que acontece ao ser redor e as leis de trânsito.

Algumas curiosidades (dados estatísticos aquiaqui):

–  na Suécia o próprio governo verifica os carros dos cidadãos a cada dois anos. Se seu carro tem problemas você é proibido de usá-lo até que o mesmo seja reparado e passe por novo controle. Esse controle é chamado de bilbesiktning;

– 0,0002% é a quantidade máxima de álcool no sangue permitida para que o motorista não perca a carteira e receba uma multa enorme. Em sueco, diz-se 0.2 promille. Um promille é igual a uma milésima parte. Pelo que vi no Brasil há uma lei em andamento (ou a lei já foi aprovada?) para que seja exigido do motorista 0% de álcool no sangue. Seria bom pois a legislação de trânsito atual (?) permite 6 decigramas – o que seriam 0.6 promille.

– se os suecos saem de carro para festar normalmente rola um sorteio a respeito de quem é que vai ficar sem beber. Ainda assim, muitos acidentes acontecem por causa do álcool e o fim de semana mais perigoso do ano no quesito álcool+direção é o feriado do midsommar.

– um terço dos motoristas que são pegos bêbados ao volante tem entre 18 e 24 anos; 30% das mortes provocadas por acidentes de trânsito envolvem um motorista alcoolizado e estima-se que, na Suécia, cerca de 525 pessoas dirijam bêbadas por hora.

– em 2012, 286 pessoas morreram em acidentes de trânsito na Suécia – isso mesmo: duzentos e oitenta e seis – e 2976 pessoas sofreram ferimentos graves. A Suécia tem 9 milhões de habitantes, lembram?

Enfim, acho que uma das coisas que ajudam o motorista sueco a ser mais consciente é o curso que participei hoje, também conhecido como halkbana – pista de escorregar. Adivinhem? É muito legal! Apesar de ter carteira desde os meus 20 anos (Jesus, eu tenho carteira há quase 10 anos!) eu nunca tive a oportunidade de aprender, na prática, o que acontece com um carro se frearmos de soco ou se encontramos uma pista molhada. Também não gostaria de ter passado por uma experiência dessas, afinal, se não passamos por isso em condições controladas deve ser traumático.

Na auto escola recebemos uma introdução sobre as atividades do dia e uma reforçada nas questões de segurança. O curso não é avaliativo, mas se você se comportar como um idiota eles te mandam embora e você só pode participar outra vez desembolsando mais 1900sek (cerca de R$600). A introdução é muito interessante, e eu aprendi por exemplo que a nossa cabeça pesa – em mádia – 4kg e que em um acidente a 50km por hora o impacto faz com que ela tenha um peso de 160kg. Dá para entender porque gente morre quebrando o pescoço quando estava a “apenas” 50km/h. Se você passou por uma situação como essa e continua caminhando e respirando, ou você é um sujeito de extrema sorte ou um cabeça oca! :P

Entrei no carro com um friozinho na barriga, confesso. A gente fica sozinho no veículo e vamos sendo orientados por rádio. São cinco pistas diferentes – quatro no “molhado” e uma no seco – e em cada uma delas fazemos um tipo de experiência. A ordem do dia era: acelerar até a velocidade orientada (máx. de 70 por hora) e frear de soco.

Das cinco pistas, em 4 delas simulamos situações de: apareceu um alce no meio da pista com gelo ou molhada, então o que acontece se eu frear de soco?; há uma fila de carros, pista com gelo/molhada, o que acontece; um ônibus parou a minha frente – blábláblá, ou simplesmente, freie para ver quantos metros depois de frear você finalmente para numa pista seca. Em uma das simulações entramos num “redondo” molhado, lá a velocidade é livre para você entender o que acontece se você dirige muito rápido em uma curva escorregadia ou em dia de chuva.

Halkbana é mais ou menos assim (fonte: Auto Escola Gävleborgs)

Halkbana é mais ou menos assim (fonte: Auto Escola Gävleborgs)

Bom, eu me sai bem e me diverti para caramba. A primeira vez em cada pista sempre somos orientados a alcançar a velocidade máxima de 35km/h e então frear – há cones demonstrando onde devemos meter o pé no freio. E não é para ser carinhoso não, é pra sentar o pé no assoalho do carro, de modo que você sinta todo o carro tremendo e o abs comendo nas rodas. A 35km/h é fixinha e o carro obedece pianinho, mas a 60km/h e 70km/h… rodei na pista três vezes, em uma delas o carro deu duas voltas antes de eu conseguir parar – nem dá para pensar em “retomar o controle”. Se fosse na realidade, teria batido na fila de carros, na bunda do ônibus e atropelado o alce. O foda é que, em caso de atropelar o bicho, você tem que ligar para a polícia que vem sacrificar o animal e sabem do quê? Você nem tem direito a levar um pedaço da “delícia” para fazer um churrascão… eu sei que soa sinistro, mas carnívora que sou não pude deixar de perguntar – o que fez todo mundo rir do meu desapontamento, obviamente.

Depois de girar e escorregar valendo na pista molhada é bem esquisito frear o carro na pista seca – a diferença é brutal. Na pista molhada e com uma velocidade de 40km/h paramos o carro somente cerca de 40 metros depois de começar a frear. Em uma pista seca essa distância não chega a 10 metros. Quando dirigi a 70km por hora o carro parou a quase 90 metros depois de eu começar a frear, sendo que em pista seca essa distância foi de aproximadamente 20m. No redondo, eu só não girei o carro quando estava a menos de 30km/h – e nem venha me chamar de barbeira, porque o instrutor me elogiou e disse que tenho bom senso de manobra.

Algumas dicas valiosas:

– no caso de um alce aparecer no meio de seu caminho, mire na bunda do animal e suas chances de sobreviver são maiores.

– no caso de atropelar porcos selvagens não abandone o veículo porque eles se tornam agressivos.

– não desvie de veados, raposas e animais pequenos. Infelizmente, tentar não atropelá-los é mais perigoso do que simplesmente prosseguir.

– ligue para a polícia se você atropelou um animal que não morreu e permaneça no local. Como eu falei, nada de churrasco de alce ou guisado de veado, mas se você simplesmente vai embora pode perder a carteira de habilitação. Fique onde o acidente aconteceu e diga para a polícia para que lado da estrada o bicho foi. Só depois vá embora.

Por fim, na Suécia o motorista nunca tem razão. E isso seria bom que todos nós pudéssemos aprender.

De como (não) organizar uma manifestação

Sumi, mas por uma causa nobre: estou ajudando a organizar uma manifestação de apoio aos manifestantes aqui em Göteborg.

Eu sei que tudo isso está muito confuso, agora o pessoal de Sampa conseguiu que a tarifa do transporte coletivo continue com o mesmo preço, tem um monte de gente compartilhando informações sem noção na internet – desde o impeachement da Dilma até apoio ao vandalismo e uso de violência pela polícia e contra a polícia – mas eu espero que o pessoal acerte o foco e que não pare por aí. Enquanto isso…

Nem sei quem começou um trem pela internet (facebook) chamado Democracia não tem Fronteiras. Primeiramente o movimento era para dizer não ao uso da violência policial utilizada para o “controle” das manifestações (principalmente) em São Paulo. É fato que a polícia já havia descido o cacete em vários manifestantes em diferentes cidades pelos país – manifestantes que foram as ruas tanto pela redução de tarifas do transporte público como por outras causas – mas quando aconteceu na Avenida Paulista o negócio explodiu. E, é claro, apareceu na mídia no exterior.

As primeiras informações foram de apenas algumas linhas, em sua maioria, distorcidas. Os atos de vandalismo ganharam muito mais foco do que a causa da manifestação, que, em alguns jornais europeus, foi destacada como “Caos nas ruas da maior cidade brasileira por causa de €0,07”. Aí o Democracia não tem Fronteiras “seria” um canal ou um meio para esclarecer a real situação para o mundo. Seria.

A coisa toda virou uma zona, eu acho. Entrei muito rápido nessa – coisa de quem não tem maturidade e nem experiência de militância – mas, enfim, acho melhor quebrar a cara de uma vez, já que me queimei, e aprender. Mas pah! Que trem enrolado…

Entrei de gaiata no domingo, depois de levar uma tesourada do pessoal de Stockholm. Eu estava literalmente dormindo enquanto tudo aconteceu no Brasil, e foi só no sábado, depois das 14h quando acordei, é que comecei a ler os relatos sobre as manifestações de Sampa. Já estava ligada em alguns detalhes da história do movimento (que começou em POA) mas fiquei abismada como tudo tomou uma dimensão colossal em São Paulo. E aí aquele lance de apoio no exterior combinadas com minhas chorumelas da madrugada e aquele papo mole de mudar o mundo me levaram a (por impulso) decidir me envolver.

Veja como é rápido entrar numa furada: eu (para o pessoal de Stockholm) – quero ajudar; eles – aham, legal, vem pra cá; eu não posso na terça… não teria sido interessante fazer o evento no domingo, daí o povo de G poderia apoiar…?; (brava) olha, entenda o seguinte, a gente não pode mudar tudo por causa de algumas pessoas! pegue as rédeas e organize VOCÊ mesma alguma coisa em G… E eu (burra né?): legal eu topo!

Uma das gurias de Göteborg percebeu o clima e comentou que estava interessada em ajudar. Começamos a conversar inbox e antes de a gente saber se realmente outra pessoa já estava organizando algum encontro em Göteborg criamos o evento e começamos a chamar gente. Mas já tinha uma manifestação agendada pelo Förening Brasil Sverige (aquele clube brasileiro do qual eu falo em algum post num passado distante).

Me fudi.

Entramos sem querer numa briga louca que deve ser muito mais antiga do que meus dois anos de Suécia e que já deu muita dor de cabeça. Quando entrei em contato com a dona do clube, ops, com a presidente da associação, começamos a relação com o pé esquerdo pois ela me tesourou legal (estava em férias e TODO o mundo ficou ligando e incomodando. Eu também – olha o que a precipitação faz)… depois dessa eu fiquei na defensiva o tempo todo com ela e era dois três pra criar faísca. Gente, foi tanta confusão que não tá na história da carochinha! Dava uma novela das 9 da Globo… até a Rainha Silvia entrou no meio da discussão por ser presidente honorária do “clube de brasileiros” de Stockholm.

Vixxx Maria…

Na segunda feira comecei a desanimar (depois de apenas 24h de “militância”) e comecei a me questionar se isso valia a pena. Afinal, pelo que estávamos lutando? Pra fazer propagando do Förening Brasil Sverige de Göteborg? (aqui a rainha Silvia não é presidente honorária…) Por causa de uma página de internet (o Democracia sem Fronteiras)? Pra ficar na mídia? Só porque eu tô com uma vontade babaca de salvar o mundo? É pra massagear meu ego?

Pra piorar, na segunda a noite comecei a perceber um monte de publicações estranhas no facebook: o movimento era contra a Copa; não, era contra a corrupção; não, era por causa da violência policial; não, era porque a gente tem que usar o vandalismo para chamar a atenção; é contra a PEC 37; é pelo impeachment da Dilma…

Só pra constar, não apóio o impeachment. Que ideia de jerico! Tem que ter é uma reforma política no Brasil, isso sim, e não adianta tirar a presidente enquanto os partidos continuarem fazendo lobby com empresas e panelinha para defender projetos para o próprio umbigo.

Continuando… na terça pela manhã leio o texto da Lola e fico pensando na picuinha toda que estava girando por trás da organização da manifestação aqui em Göteborg – que é minha culpa também, uma vez que sou “administradora do evento” e que nem sei ao certo como; no meu cansaço depois de “36h de militância” e precipitação… foi aí que eu comecei a entrar em contato com a Sebastiana e comecei a ter um pouco mais de juízo. A guria que tinha começado o evento comigo cansou da confusão e decidiu ficar nos bastidores, mas a Sebastiana naturalmente foi tomando as rédeas pois estava com muito mais foco do que nós, direcionando o grupo para o que realmente era importante.

O protesto em Göteborg sai na próxima semana, e parece que agora o trem tomou jeito. E eu também. To refletindo muito sobre toda essa coisa do “povo acordou”, principalmente depois que eu, que não me considero tão tapada assim, ter conseguido fazer tanta burrice em dois dias. Eu to bem preocupada, como muita gente, para o quê é que o povo acordou, que bandeira hastear, que direção tomar, por onde começar… ainda que em Göteborg tenhamos definido que o principal foco da manifestação seja mostrar aos suecos o porquê dos brasileiros estarem nas ruas e de demonstrar indignação contra a PEC 37, a coisa fica meio vaga quando a gente vê que os brasileiros estão nas ruas por causa de tantos motivos diferentes e poderiam se mobilizar por mais tantos ainda, pois além da questão da PEC 37, das irregularidades nas obras da Copa, da violência do Estado contra o cidadão, tem o Estatuto do Nascituro, a “cura gay”, o ato médico, o salário dos professores, o sucateamento das universidades… a lista é enorme.

E ontem a noite eu vi pela primeira vez aquele vídeo da Legião Anonymous tentando centrar o movimento em torno de cinco causas (as quais eu acho que são importantes) mas não tô entendendo qual o papel dos anonymous nisso tudo. E me dá um medinho gente que se esconde atrás de máscaras – sim, eles são hackers que serão presos se mostrarem o rosto, mas porque não encomendaram o vídeo de um grupo de estudantes?

É certo que a minha família mora no Brasil e que eu gostaria muito de ajudar a mudar as coisas para que eles vivam num país rico de verdade – sabe aquela história, o Brasil é rico mas a riqueza do Brasil não é bem distribuída… mas acabei de aprender que precipitação é um mau negócio.

Pra quem tá acordando, como eu, fica a dica: lave a cara antes de se meter.

Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #27

Algumas atualizações rápidas e rasteiras.

Devido aos milhares de nove pedidos para que eu não feche o blog agora, vou continuar postando meus blá blá blás e desabafos da madrugada, ao menos, for a while. Eu realmente não gosto dessa coisa de blogar pela metade e é assim que me sinto ultimamente: não consigo terminar alguns rascunhos de há muito tempo, teve gente que me pediu mais dicas para estudar sueco, não respondo os coments. Ultimamente me sinto fazendo muita coisa pela metade e isso prova que estou abraçando mais do que posso dar conta. E meu tempo voa! Preciso no mínimo de duas horas para cada post. Och det är mitt fel – a culpa é minha. Eu gostaria de ser uma pessoa  que não cobra tanto de si mesma e que simplesmente posta uma foto do cachorro e voilá! bloguei. Antes que alguém fique brabo, não tenho nada contra gente que posta três linhas e acho mesmo é que essas pessoas é que são felizes. É que eu não consigo, primeiro porque não sei tirar fotos decentes e segundo, não me dou essa liberdade. Comecei o post dizendo que seriam atualizações rápidas e rasteiras mas dá uma olhada para esse parágrafo?

Falando em gente que está a caça de dicas de sueco, deem uma passada no blog da Rúbia – Carioca da Clara Suecando. Quem quiser uns áudios de sueco deixe um comentário com o nome do usuário da conta do Drop Box que eu compartilho; é o melhor que posso fazer por enquanto.

E falando em estudar, recebi a resposta sobre a minha candidatura para o mestrado e começo a estudar em agosto. Inglês. Como eu já suspeitava, meu inglês foi considerado insuficiente – não há o que chorar, é verdade; e antes que eu alcance o nível Engelska 6 posso esquecer a universidade. Sinceramente, me deu quase um alívio: eu realmente não tô afim de cursar universidade agora, ainda me sinto muito insegura com meu sueco e sendo assim, com sueco mais ou menos e inglês mais ou menos eu só sofreria. A gente já recebe muita merda nessa vida de graça, eu não preciso adicionar umas pitadas a mais, obrigada. E aproveitando o ensejo e para evitar futuras surpresas vou estudar o SAS 3 também. Espero que… nem vou esperar nada.

Depois de muita enrolação faço o segundo curso obrigatório para a carteira de habilitação semana que vem. Pra quem queria fazer a carteira em um mês e começou em março… tá longe ainda. Mas estou estudando o livro teórico – körkorts… alguma coisa. E nessas horas é que dá para perceber o quanto meu vocabulário em sueco é pequeno; pá… são muitas palavras que eu não tenho a menor ideia do que significam. Tenho que ler mais e ouvir mais rádio.

Agora tenho um carro no meu nome porque o seguro é mais barato. Estatisticamente, mulheres são muito mais cuidadosas no trânsito do que os homens, apesar de que comprovadamente eles são melhores na hora de estacionar.

Continuamos trabalhando a todo o vapor com a casa e quase todo dia vem gente ajudar. Uma das coisas que me deu medo quando o Joel disse que queria mudar para o “campo” foi que a gente ficaria isolado. É verdade que alguns amigos que víamos antes agora a gente não vê com tanta frequência, mas de outro lado a casa está sempre cheia. Cheia de gente e cheia de coisas a fazer. E esse é um dos pontos em que tenho que aprender a relaxar…

Cuidar de uma casa de quase 100 metros quadrados não é mesmo que cuidar de um apê de quarenta. Parece que eu nunca consigo terminar de limpar a casa – e sim, agora estou falando igualzinho a minha mãe. Ainda mais com reforma e com tanta gente que vai e vem, que entra e sai, tem dias que eu simplesmente me pergunto de onde vem tanto pó se nesse país chove quase todo dia?

Ok, eu não vou reclamar do clima não porque apesar de frio – as temperaturas estão na média dos 15 graus C – os dias estão ensolarados e se não venta dá para se esbaldar no sol de camiseta. E os dias estão super claros, com luz do sol até quase meia noite e o dia começando a despontar as 2h30m, 3h da matina. Isso dá um pique de deixar tudo bonito: tirar as teias de aranha, plantar flores, trocar as cortinas…

Me empolguei tanto que até fiz aqueles cartões de clientes tanto no Ikea como na Class Olsson. E uma lista! Que será providenciada aos poucos afinal, não há salário que aguente quando se é substituto.

Falando em emprego… conversei com minha handläggare sobre a nossa relação por cartas. Ela me disse apenas que está seguindo o protocolo e… cara, eu tenho muita dó de todo mundo que está inscrito no A. Se o protocolo deles é desse nível, não é de se estranhar que muito poucos estrangeiros tenham emprego. E aquele relatório que ela disse que eu teria que enviar, eu entendi tudo errado e recebi outra bronca sutil – mas até fiquei feliz, porque dessa vez a bronca veio por e-mail. Em todo o caso, dá para perceber porque eu e o A fazemos uma dupla de sucesso: eles com um protocolo super moderno e eu que não entendo nada. Tenho até amanhã para enviar um novo relatório… adivinha? Nem comecei.

Parei de tomar anticoncepcional porquê mais uma vez descobri que o anticoncepcional que estou tomando é uma bomba: troquei um anticoncepcional que me fez ficar com o rosto manchado por outro que pode me dar trombose. Quem quiser ler mais sobre isso é só usar o Google e as palavras chave Yaz e trombose. 27 mulheres canadenses morreram e há indícios de que o anticoncepcional que elas usavam (Yaz) pode ser  a causa da morte – por tabela. Entre os efeitos colaterais dos anticoncepcionais da marca Bayer (Yaz e Yasmim) há o alerta sobre trombose, sendo que a vigilância sanitária – tanto nos EUA como na Europa – já vinha alertando sobre esse “detalhe” desde 2011. O que me assusta é que mesmo que as agências de controle emitam os alertas os medicamentos continuem sejam receitados.

Mas eu to bem e a vida continua, semana que vem tem Midsommar e logo logo meus pais estão aqui! Com minha irmã mais nova a tiracolo. Eu me caso mês que vem e quase nem posso acreditar que o tempo passou tão rápido. Ainda nem decidimos por completo o menu do dia porque o chef do local da festa é tão enrolado quanto eu. Nem escolhemos o bolo…

E tipo, já falei que estou com torciolo de novo? A segunda vez no último mês…

 

Minha möhippa!

Óia a minha cara de boba!

Óia a minha cara de boba!

Dia primeiro de junho eu tive a minha despedida de solteira. Hahaha! E foi muito legal! Particularmente acho que tenho imensas dificuldades de contar histórias direito, mas vamos lá.

Tudo começou muito antes, é claro, porque eu nem imaginava quando seria o dia D. Aqui na Suécia as amigas da noiva fazem uma bela de uma conspiração para planejar o dia da despedida de solteira e, na verdade, eu não sei desde quando as gurias prepararam a minha surpresa. Só sei que em meados de março enviei uma lista a Karolina – que será minha värdina ou konferensier durante o casamento – com o nome da mulherada que eu gostaria que estivesse na minha despedida.

Qualquer dia desses o Joel me perguntou se eu não queria sair de barco em primeiro de junho. Desde que eu comecei a trabalhar a noite eu tenho tido mais finais de semana vagos. E isso é maravilhoso. E é claro que eu disse sim. Pra melhorar o dia havia amanhecido lindo, ensolarado e até mesmo quente. Eu estava super animada pensando que a gente não podia ter escolhido um dia melhor… aí o Joel me disse que a gente precisava de umas ferramentas para ajeitar o mastro e que passaríamos na casa do David (da Karolina) para emprestar. Eu estava tão feliz com o sol e a temperatura que nem desconfiei…

Quando tocamos a campainha na casa deles o Joel deu um passo para trás foi aí que eu percebi confete e serpentina caindo em cima de mim junto com “surprise”! Eu morri de rir de mim mesma porque ali naquele instante tudo parecia incrivelmente óbvio: o passeio de barco e a história maluca de emprestar ferramentas do David (que mora num apartamento); sem falar no fato que eu dirigi até a casa deles e o Joel não reclamou nenhuma vez que eu estava fazendo barbeiragens.

Toda noiva tem que usar alguma coisa esquisita durante a despedida de solteiro e assim que eu passei pela porta começou a transformação; enquanto elas me produziam num “look anos oitenta” (essa era a intenção) a gente comeu umas coisinhas e tomou “champagne” (=espumantes), o chamado champagne frukost. Depois cada uma se apresentou as outras contando como haviam me conhecido e eu respondi a um quiz sobre a minha história com o Joel. Ele já havia respondido o quiz anteriormente e a comparação das minhas respostas com as dele fez a gente dar boas risadas.

Champagne frukost e produção

Champagne frukost e produção

Acabado o momento light foi a hora de sair a rua para pagar mico. Mas sei lá, acho que eu sou muito bobona porque eu não estava com vergonha. A primeira brincadeira que eu tive que encarar foi um touro mecânico. Era um touro velho porque eu aguentei bem o tranco e cai só depois de 40 segundos! Hahahaha… até brinquei de novo e depois quase todo mundo tentou.

Eu ia pagar mico de todo jeito então... o negócio era relaxar. E a gangue que me fez "sofrer"

Eu ia pagar mico de todo jeito então… o negócio era relaxar. E a gangue que me fez “sofrer”

Haha! As fotos não são boas mas dá para ver que eu tenho estilo! E que roubei, afinal, não pode usar as duas mãos...

Haha! As fotos não são boas mas dá para ver que eu tenho estilo! E que roubei, afinal, não pode usar as duas mãos…

Em seguida eu deveria escrever um poema em sueco sobre o Joel. O detalhe é que ganhei uma palavra de cada uma das gurias, uma palavra que obrigatoriamente deveria constar no meu poema. Adivinhem? É claro que ia rolar sacanagem:

Min viking är så kul
Han gör mig kärleks full
Mitt hjärta hoppar i min bröst 
Varje gång jag lyssnar på han röst
Han är ganska knasig, men gosig
Och förresten har stor snopp
 

Quando meu poema ficou pronto partimos para o shopping, o Nordstan. Lá eu deveria fazer duas coisas: declamar o poema e coletar cinco etiquetas de cueca. Declamar o poema foi muito fácil, ninguém parou para prestar atenção em mim. Já as etiquetas de cueca… bem, primeiro que eu deveria cortar as etiquetas de cuecas de caras que estivessem passando por ali, ou seja, as cuecas deveriam estar no corpo de alguém. Teve gente que não gostou muito da brincadeira, ignorando legal; outros fugiram declarando que não tinham cueca – o que nos deixou com a questão: usariam eles calcinhas? Ou os gotemburgueses andam sem cueca? Melhor nem querer saber… demorei quase meia hora para juntar as benditas etiquetas – isso que eu estava bem sem vergonha de pedir. No fim das contas eu ganhei um colar de etiquetas de cueca – que nojento!

No shoping - nada difícil... ninguém se importa!

No shoping – nada difícil… consegui as 5 etiquetas e por sorte não vi o cofrinho de ninguém!

Por fim eu devia convencer alguém na rua a me deixar desenhar um retrato. Achei um tiozinho super bacana sentado num banco que ficou super feliz de eu querer desenhar o retrato dele. Um dos objetivos da brincadeira era de eu vender o retrato, mas o cara ficou tão emocionado de a gente ter abordado ele que ganhou o “lindo retrato” que eu havia desenhado.

Meu modelo do retrato! E algumas peripécias do caminho...

Meu modelo do retrato! E algumas peripécias do caminho…

Depois dessa partimos para o Liseberg jogar Femkamp.

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E pegamos uma super chuva dentro do parque de diversões! Por um momento eu pensei que estava mesmo no Brasil: ensolarado, quente e com direito a chuva de balde de uma hora para outra. Todo mundo acabou molhado!

Noiva em fuga! Mas era da chuva...

Noiva em fuga! Mas era da chuva…

Não fomos eu e minha parceira as vencedores da disputa e isso foi a coisa mais chata que aconteceu no dia da minha möhippa. O dia era para mim, ora bolas, elas deveriam ter me deixado ganhar!! Hahahaha! Beicinho!

O banho de chuva não desanimou a nossa gangue que saiu do Liseberg para um hotel (de volta para o centro) aonde a gente curtiu um banho na hidromassagem e depois se aprontou para comer num restaurante.

E o prato da noite foi… linguini! Eu amo massa e as meninas sabem, então fomos parar num delicioso restaurante italiano.

E pra fechar o dia, ou melhor, a noite, saímos dançar. O clube escolhido (por mim) foi o Tranquilo que toca sucessos latinos remixados.

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Cortei a Fani de uma foto, achei melhor recompensar em outra ;)

Cortei a Fani de uma foto, achei melhor recompensar em outra ;)

O resultado foi que caí na cama exausta as 3h da matina e que tive dores nas pernas (por causa do touro mecânico) no domingo mas foi super legal, as gurias daqui pensaram mesmo em coisas que me fariam feliz, me encheram de mimos, me fizeram rir a beça e exigiram que eu pagasse micos lights. Eu não poderia imaginar uma despedida de solteira melhor… mas eu senti falta das minhas amigas brasileiras nesse dia, fiquei imaginando como teria sido ter elas ao meu lado. Sem falar nas minhas irmãs também, é claro. Bate aquela saudade sabe? Deu um gosto de quero mais…

Ainda tem tempo até o casório para mais umas…

No meio da madrugada…

Vamos mudar o mundo?

Não dou as caras no blog por dias e começo o post dessa forma esquisita. Aposto que tem gente que veio parar aqui pensando em mudar de país e não o mundo; e lá vem a caipira fazendo uma pergunta dessas… é que resolvi blogar no meio da madrugada.

E claro que pode dar bosta porque blogar no meio da madrugada é esquisito, ainda mais entre 3h e 5h da matina. Dizem que esse período é conhecido como “a hora do lobo” e não se recomenda nem que se dirija durante essa hora da madruga porque o cérebro não funciona muito bem. Nem deve se ficar doente nessa hora – ou ter um ataque cardíaco – porque é dentro desse período que se dão os maiores números de erros médicos. Portanto, não deve ser uma boa ideia blogar mas to vendo que vou ter que aderir ao esquema se quiser continuar atualizando esse espaço com alguma frequência.

Essa semana até pensei seriamente em fechar as portas do blog. To muito enrolada e não tenho tempo para escrever. E preguiça… pá, anda me batendo uma preguiça fenomenal de internet. Ainda entro no facebook e acho que é isso que me faz ficar ainda mais irritada. Facebook é uma merda e tem dias que eu realmente não sei porquê eu ainda uso o serviço. Serviço aliás que ajuda o governo dos EUA a saber de um tudo sobre todos – fofocas a parte. Eu ainda não tenho certeza que a informação é verdadeira mas essa semana me disseram que o governo dos EUA tem acesso irrestrito a todos os dados disponíveis no facebook. Não seria estranho afinal, eu não sei quem eu ouvi falando que o facebook é o sonho de consumo de qualquer agência de espionagem – sejam elas reais ou não – pois o indivíduo atualiza sozinho uma série de informações pertinentes ao seu respeito. É um banco de dados mundial.

(Obs. Por favor não copie e cole isso no facebook criando uma daquelas correntes idiotas do tipo “tá confirmado: fulana disse que o facebook isso isso aquilo aquilo etc e tal; copie e cole no seu mural se quiser impedir o fim do mundo”. Eu agradeço.)

E depois é tanta gente compartilhando merda no facebook. No twitter. Ou em alguns blogs por aí. Cara, eu sinto falta do tempo em que as maiores besteiras que a gente via na internet eram as declarações de fãs alucinadas do Fiuk ou do Justin Bieber que afirmavam que todo mundo que não amava os tais ídolos estavam com inveja. Ou que todo mundo que não amava a saga Crepúsculo não sabia o que era bom na vida. Eu não sei o que é bom na vida e morro de inveja do Justin Bieber. Bom, agora não tanto depois que ele parou de usar a franja. Ah, aquele cabelo! Eu queria que meu cabelo balançasse com aquela leveza…

Internet me dá nojo quando eu vejo tanta gente falando mal do Bolsa Família (sem conhecimento de causa – apenas reproduzindo) ou do Brasil e usando a rede para disseminar ódio. Ódio ao nordeste. Ódio aos pobres. Às mulheres. Aos negros. Aos estrangeiros. Tem tanta gente sem noção que me manda comentário no blog dizendo que a Europa era linda antes dos estrangeiros chegarem aqui e destruírem tudo… hallllååååå! Eu sou estrangeira! E to na Europa! Ah mas você sabe, eu to falando dos muçulmanos e todo aquele povo que vem da África e do mundo Árabe e não quer saber de nada com nada… como se todo mundo que vem de lá estivesse aqui por livre e espontânea vontade!

Mas é claro que a gente tem que continuar falando mal dos estrangeiros aqui na Europa, e dos pobres que votam no PT no Brasil. É claro que a culpa é do povo “ingnorante”. Entrei numa discussão (eu sou muito besta) no face e a pessoa teve a incoerência de me retrucar que a gente não pode esperar que uma pessoa que more no sertão do nordeste tenha a mesma “clareza” que um gerente de uma grande empresa na hora de votar. Na hora morri de raiva mas me acalmei e tive que concordar, né?(Só para avisar, desse ponto em diante serei irônica) Porque o cara pobre vai trocar o voto por uma cabra, um saco de farinha ou uma cesta básica (ou talvez um calça jeans de R$300 para a filha), mas o gerente da empresa vai votar para quem tiver as melhores propostas para a indústria. E as melhores propostas para a indústria podem incluir a perda dos direitos trabalhistas, mas não faz mal, ao fim, que o gerente da empresa que vota com clareza esteja votando em algo que vai beneficiar somente o rabo dele. Afinal, se um gerente de uma grande empresa está fazendo lobby para conseguir o que é bom para ele isso não é vender o voto, isso é diferente. Mas o coitado que troca o voto por uma cesta básica não tá fazendo a mesma coisa porque ele é um ignorante. Esses coitados deveriam estudar, pra se tornarem gerentes de uma grande empresa e daí trocarem o voto por algo maior. Tipo, um contrato para construir uma hidrelétrica na Amazônia.

E isso dá mesmo raiva não dá? Pense aonde é que o Brasil poderia chegar se só os entendidos votassem. Tudo ficaria perfeito para a classe rica. Eles ficariam ainda mais ricos, e os pobres iriam perdendo direito atrás de direito, sem poder reclamar. (Tipo, se alguém classe média alta fosse na TV reclamar que a coisa tá tão feia que não pode comprar uma calça jeans de R$ 300 para a filha seria normal. Aceitável. “Terrível”, alguns diriam, ou “que pena dela”. Agora um pobre – e beneficiário do Bolsa Família ainda! – reclamar que não tem R$300 para comprar a calça para a filha vira uma discussão enorme na rede. Aonde já se viu? Pobre querendo direitos! E de comprar coisas! E de reclamar!). Afinal, só existem pessoas muito ricas num mundo em que outras pessoas estão muito pobres. Esperto é aquele que faz o possível para que o número de pessoas bem ricas diminua bastante, assim os bem ricos vão ser muito ricos. E os pobres serão muitos, e muito pobres. A Europa invadiu toda a América Latina e a África e destruiu os povos que moravam lá, fez todo mundo pobre. Agora esses mesmos pobres invadem a Europa e coitados dos Europeus, que recebem os estrangeiros aqui de braços abertos e se dão mal.

Eu to tão cansada da internet por causa de toda essa merda que eu vejo, e de povo que dá like para postagens de ódio. Mas eu ainda quero muito escrever o que eu penso (sei que muito poucos irão se importar, mas é assim com qualquer discussão mais ou menos importante) e o que eu tenho certeza é que não importa aonde no mundo, o que está fazendo tudo ruir é o problema da integração. A Europa não está integrando os estrangeiros (se estivesse mesmo, porque eu não tenho emprego, apesar de ter meu diploma reconhecido e sueco suficiente?); os brasileiros não estão integrados, os chineses não estão integrados, os africanos não estão integrados. Brasileiro fica reclamando de pobre ainda quando é pobre. E isso eu não to citando para falar mal do Brasil não, eu to querendo sublinhar porque é um dos Xs da questão: se todo pobre se envolvesse em torno da luta contra a pobreza, se toda mulher/homossexual/negro/pessoa com deficiência se unisse pela luta pelo direito das mulheres/homossexuais/negros/pessoas com deficiência – e nem precisa ter um comitê separado não, poderia ser um grupo só em favor dos direitos das minorias – se a população se unisse para acabar com a corrupção; os africanos se unissem apesar das diferentes tribos, as religiões se unissem apesar de diferentes deuses… tanto faz aonde fosse no mundo; teríamos um resultado surpreendente.

E no meio da madrugada eu entro na internet e fico lendo notícias sobre a mortalidade materna e infantil em Serra Leoa, sobre a discrepância do Estatuto do Nascituro, sobre grandes empresas que pagam nada pela hora de trabalho na China e fico questionando porque as minorias (no poder) não viram o jogo? Nós somos a maioria. O mundo tem mais pobres do que ricos e mais mulheres do que homens e mais chineses do que… ok, os chineses já estão dominando o mundo. Mas eu me pego pensando o que seria necessário para dar início a um revolução (to soando marxista agora) das “minorias maiores” contra as “maiorias menores”…

Ideias?