Uma caipira na Grécia

Se bem que parece que continuo na Suécia pois estou cercada de suecos!
Hahaha!
Resolvi experimentar o word press do meu celular e contar algumas coisinhas daqui: o Mediterrâneo é lindo – entendo perfeitamente porque tantos brigaram para controlar isso aqui – as placas da área turística estão (muitas delas) em sueco (!); comida grega é uma delícia; os gregos são um povo muito simpático; o vinho daqui tem gosto de qualquer coisa parecida com licor, menos de vinho; entendo porque os deuses viviam na Grécia; o biquíni grego me salvou!
Quando voltar posto mais fotos!

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Mais histórias sem pés e nem cabeça

Não é que tenha encontrado o meu tesão de escrever, mas é que nunca experimentei postar duas vezes no mesmo dia. Estou treinando para escrever mais coisas sem sentido.

Acho que é um esforço de mostrar – um esforço quase que inútil, eu diria – de mostrar que aqui fora a vida é só vida. Tipo, nada de glamour porque eu moro na Suécia. Aqui a gente também tem que fazer três refeições por dia, também tem que trabalhar, também tem que ir no centro resolver umas coisas, escovar os dentes, lavar roupas, levar o lixo pra fora… essas coisas do cotidiano sabe?

Seja lá como for, fui fazer a tal prova de equivalência do inglês. São seis questões – três focadas na leitura/compreensão, três de escuta/compreensão – mais um pequeno texto de 200 palavras. Depois de tudo eles batem um papo rápido – coisa de cinco minutos – para medir o seu nível de conversação. Demorei uma hora e meia pra terminar a prova (o tempo máximo de prova era de três horas), esperei meia hora para ter os meus cinco minutos de conversação e tcha-rammm: meu nível de inglês corresponde ao inglês 6 (engelska 6). Fiquei feliz! Eu não preciso perder tanto tempo com isso afinal. Sim, porque apesar de ter o nível 6, eu preciso fazer o curso pois a prova que eu fiz não me dá o direito a nenhum certificado. Já fiz a matrícula e começo em outubro. Se tudo der certo, entro no mestrado que eu queria o ano que vem!

Além de inglês vou ter que estudar mais sueco – é pracabá viu? – pois o nível de sueco para universidade agora é o sueco 3. Hahá! Começo em outubro também. Eu só preciso torcer para que os dois cursos não caiam em escolas diferentes, mas no mesmo horário – daí sim é pra fazer o peão chorar em alemão – porque, como eu não to estudando, por exemplo, todo o terceiro ano do ensino médio, eu tenho que aplicar para cada curso em separado. Mas aí seria azar demais né não?

Quem quiser mais informações sobre essa prova de equivalência deve entrar em contato com a vuxenutbildning (ou komvux) da sua cidade. Aqui em Göteborg tem prova de equivalência todas as terças, quartas e quintas lá em Rosenlund (não sei se há outra vuxenutlbildning além daquela aqui), a partir das 10h da manhã até as 15h (na quinta encerra as 13h). É só chegar lá com sua identidade, pois a prova é individual e funciona no sistema de “drop in”. Além de inglês você pode conferir a equivalência do sueco, matemática e outras cositas mas.

Como estava “no centro” aproveitei para dar uma olhada num biquíni novo. Eu sei, o verão sueco acabou, as promoções de verão também, e com elas tudo que era relacionado a estação mais feliz destas bandas onde o Papai Noel vem pra a praia. Primeiro, que biquíni na Suécia não é biquíni e, em condições normais, eu não compraria um bíquini aqui. Mas… vamos pra a Grécia em lua de mel e, na hora de fazer as malas percebi que meus biquinis velhos de guerra estão desintegrando…

Aí fica aquela dúvida cruel: correr o riso de ficar pelada com os meus biquínis normais ou comprar um cuecão sueco? Ok, como eu não sou adepta de praia de nudismo – eu ainda não cresci o suficiente para isso – resolvi pela opção b.

Mas não dá né cara? Primeiro, as cores foram banidas da Suécia junto com Deus. Sinceramente, eu acho um charme biquíni preto, e na falta de algo melhor… lá vou eu com um S preto para o provador. Detalhe que eu já tinha achado que o S era grande, mas como eu falei, fim de estação, eu quase me senti feliz por achar um S (que é o equivalente ao nosso P) lá  no meio dos restos mortais do verão.

E a minha bunda sumiu!

Minha mãe ficaria orgulhosa de me ver vestida naquela calcinha. Mais comportada só se eu voltasse aos anos 20, quando todo mundo usava aquele macacão – nem era maiô – na praia. Gente é sério… com o tecido daquele P lá dá para fazer três P’s do modelo brasileiro. E isso que eu não to falando de fio dental – eu não tenho coragem pra tanto. Com um biquíni daqueles eu bem posso ir a praia com uma das cuecas boxer do Joel, a marca de sol seria a mesma.

Desisti. Ou quem sabe eu compre um short jeans? Eles usualmente são menores do que a calcinha do biquíni sueco.

Resultado: os biquinis velhos de guerra é que vão para a mala, e com eles a esperança de que não se desintegrem na próxima semana, ou que existam lojas de biquínis um pouco mais interessantes na Grécia.

E da próxima vez que for ao Brasil, trago um estoque.

Histórias atrasadas e preguiça

To com preguiça de blogar, dai a falta de posts. Arrumei uma série de coisinhas para fazer, entre elas, to tricotando (eu não estou grávida), passeando, olhando bobeiras na internet (você conhece aquele canal do You Tube “All Time 10s“? E o “FailArmy“? Pois é…)… até mesmo deitar no sofá e ficar olhando o teto enquanto ouço música me dá mais tesão do que sentar na frente do note.

É, o tesão por blogar chegou próximo de zero. E o de ler o körkortsbok está em cerca de -50. Aliás, a cada semana eu prometo que vou fazer o teste na semana que vem, e cada “semana que vem” eu repito a mesma coisa. Minha procrastinação chegou a níveis medonhos. Mas voltei a ler as leis sociais suecas comentadas… ok, uma página por dia é melhor do que nenhuma e, como o livro parece uma bíblia, acho até que faz sentido.

Semana passada assisti Elysium no cinema. Curti. Muito. Mas o filme me deu um sentimento terrível de tristeza. Eu to muito boba. Ou muito esperta, ainda não consegui entender. Em todo o caso, desde que parei de tomar anticoncepcionais to sentindo meu corpo e a montanha russa emocional com uma clareza sinistra. Há coisas muito bobas que me fazem rir muito e me sentir extremamente feliz. O drama é que o contrário também é verdadeiro. Já viu alguém assistir uma ficção científica e ficar triste? Até parece que não faz sentido, mas se eu encontrar o meu tesão de blogar por aí eu escrevo porque o filme me deixou com uma tristeza tão pesada num texto cheio de spoilers da trama. Há, eu sou má.

A propósito, se alguém encontrar o meu tesão de blogar por aí, favor mande um alô que eu mando o endereço para postagem. Grata.

Dentre as palhaçadas que já andei fazendo, não sei como é que não enviei a minha matrícula para o curso de Sueco como Segunda Língua 3 (SAS 3) e o inglês. No fim das contas, tudo bem, eu não tava tão afim assim de estudar, nem um e nem outro. Mas não dá mais para protelar.

To saindo para fazer uma provinha que vai definir em que nível de inglês eu posso começar. Mesmo que eu já saiba a resposta, vai que eu tenha uma surpresa? Sonhei com essa merda a noite e, no meu sonho, a prova tinha hieroglifos.

Desejem-me sorte!

 

Ai, seu eu tivesse o gênio da lâmpada…

Voltei a procurar trabalho.

Já me frustrei, tendo trabalhado com isso apenas poucos dias, o suficiente para querer deixar de lado.

Há vagas. De certa forma, há muitas vagas: só na minha região, 55 vagas estão abertas segundo o A. Os critérios de admissão não são muito difíceis de se alcançar, ao menos, pelo que parece não deveriam ser. Como eu já comentei em outros carnavais, algumas vagas exigem formação em terapia familiar ou algum tipo de psicoterapia. Ok, eu tiro essas vagas de lado. Vagas que exigem dois anos ou mais de experiência também vão parar numa pasta chamada “não adianta bater nessa porta”. Conversando com alguns colegas de trabalho fui orientada a procurar emprego dentro da área de “ekonomiskt bistånd” (ajuda ecônimica, pra simplificar), que seria a área aonde mais ou menos todo mundo começa e que é mais fácil de entrar. Há nove vagas na minha região, sendo que cinco estão em Göteborg ou cidades próximas. Das vagas em aberto, cerca de 10% são aquelas em que eu posso aplicar…

Não tem como não me sentir pessimista. Eu já vi esse filme antes. Junto comigo devem ter pelo menos mais 80 assistentes sociais fresquinhas saídas da Universidade de Gotemburgo querendo estas cinco vagas. Qual será o currículo da estrangeira que será deixado de lado primeiro?

To tentando ligar para esse pessoal e ver se consigo pelo menos uma brecha para um estágio. Quem sabe assim, eu consigo entrar. Já falei com várias secretárias eletrônicas. Isso é desanimador…

No mais, fico aqui quebrando a cuca pra tentar escrever uma carta de apresentação que faça o pessoal se sentir interessado em mim. Eu já tentei várias versões: falar da minha experiência no Brasil, da minha experiência aqui, falar das duas coisas, só falar que eu sou supimpa; mas acho que não funcionou. Nem fui convocada para uma entrevista. Se eu tivesse um gênio da lâmpada perguntaria a ele o que o pessoal tá afim de ler numa dessas cartas de apresentação, porque eu tenho carisma e se fosse chamada para uma entrevista teria grandes chances.

Alguém aí do outro lado tem um gênio disponível? Prometo devolver em 24h.

Leia antes de perguntar #03

Pra tentar retomar a rotina, vou responder a pergunta da Paola a respeito do mercado de trabalho na Suécia (e outras coisiquinhas que vou responder no e-mail) porque assim como ela, outras pessoas me escrevem perguntando como é que anda o mercado de trabalho na Suécia em geral ou em específico (dentro de uma categoria profissional).

Há algum tempo atrás eu publiquei o post “eles sonhavam com um trabalho na Suécia…” e acredito que é importante que todo mundo que está de olho em um visto de trabalho na terra dos vikings leia o post e esteja ciente de que a coisa aqui não anda tão colorida. A crise européia continua e a movimentação de pessoas dentro das fronteiras do velho mundo também. Além disso, assim como muitos brasileiros, muitos europeus veem a Suécia e os outros países escandinavos como sociedades mais organizadas e iguais e querem mudar para cá ainda que o país deles não esteja em “crise”; e eles tem, como eu já repeti muitas vezes, algumas vantagens em relação ao pessoal que não tem cidadania européia.

Falando nisso, peço licença para abrir um parênteses: algumas pessoas escrevem perguntando se o fato de eles terem cidadania italiana, alemã ou qualquer outra cidadania européia ajuda na hora de conseguir um emprego. Sinceramente, eu não sei, e chuto que isso depende do que você está procurando e qual a visão do empregador/empresa a respeito disso. Talvez você tenha cidadania européia e esse seja o empurrãozinho que faltava para eles se decidirem por você ao invés de um nativo. Ou não. Talvez o fato de você ter cidadania européia não significa nada por que você não se encaixa no perfil que eles querem e pronto.

O Arbetsfömedllingen – sim, o famoso A, aquele com quem eu vivo me frustrando – tem uma ferramenta no site chamada yrkeskompassen (bússola profissional, numa tradução livre) pela qual você pode realizar uma pesquisa para descobrir o quanto é que a sua área está saturada ou não de profissionais, baseada num gráfico que mostra o quanto difícil é encontrar emprego dentro de uma determinada região. Bom, desde janeiro eu to procurando emprego como assistente social e nem fui convocada para uma entrevista. Contando que nos meses de junho e julho eu não procurei nenhuma vaga, digamos que após 4 meses de busca ativa de emprego eu só recebi nãos. Agora eu vou mostrar para vocês o que é que diz o yrkeskompassen a respeito da profissão assistente social:

No gráfico, as áreas mais claras representam a menor concorrência, e as áreas escuras, maior. Göteborg se localiza dentro da área laranja no segundo gráfico.

No gráfico, as áreas mais claras representam a menor concorrência, e as áreas escuras, maior. Göteborg se localiza dentro da área laranja no segundo gráfico.

Meu termo de pesquisa foi “socionom” (pessoa que tem graduação em Serviço Social na Suécia tem esse título) e eu escolhi a categoria socialsekreterare (assistente social) uma vez que a pesquisa também mostra resultados para o cargo de kurator (profissional do serviço social que trabalha nas escolas, hospitais e outras instituições).

Segundo a bússola do A, o nível de concorrência dentro da minha profissão na minha região é médio (e eu estou procurando trabalho há meses). Claro que essa não é uma ferramenta com 100% de garantia, mas serve para se ter uma ideia. Além disso, a ferramenta nos dá algumas informações complementares como: o número de assistentes sociais/curadoras desempregadas nas regiões de Västra Götaland (Göteborg) e Halland (Halmstad) é baixo; a concorrência dentro da profissão tem crescido; o número de vagas de trabalho em aberto não tem sofrido uma mudança significativa nos últimos anos.

Além disso, na mesma página da ferramenta de busca é possível dar uma espiada no yrkesprognos (prognose profissional) que serve para dar uma ideia de como o mercado pode estar daqui a um ano ou mais, segundo as expectativas atuais. Para o meu caso (assistente social) a coisa não muda muito, e eles explicam que o fato se dá devido à profissão estar intimamente ligada aos aparatos do Estado.

Infelizmente, o yrkeskompassen não mostra qual são os grupos onde o desemprego (segundo a profissão) é maior, mas o SCB sim. Segundo o SCB (statistiska centralbyrån), estrangeiros podem levar até 7 anos para conseguir um emprego dentro da área em que eles são formados/graduados. Há sempre exceções, como por exemplo, a Fernanda que mora em Helsinborg e que após 2 anos e tra-lá-lá na Suécia conseguiu um emprego dentro da área dela (leia mais aqui). Acho importante frisar também que eu moro na Suécia, tenho visto e falo (porcamente) a língua. Quem está de fora tem de providenciar o visto e aprender a língua, então eu repito: acho mais fácil tentar vagas dentro de empresas, onde você precisa inglês, como vagas de liderança/gerência ou, ainda, dentro das áreas de tecnologia e informação.

E o que tudo isso tem a ver com a pergunta da Paola? Ora bolas, eu não tenho todas as informações pertinentes a Suécia só porque moro aqui mas eu sei onde encontrar e estou contando para vocês. Obviamente, o site se apresenta todo em sueco mas, com a ajuda do Google translator dá para ter uma boa ideia daquilo que você quer.

Só vou dar um exemplo: joguei no GT a palavra enfermeira.

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Depois vou no yrkeskompassen (acessando o link que deixei acima ou a página do A – http://www.arbestsförmdlingen.se – no rodapé da página [bem abaixo] existe a opção arbetssökande e nessa lista você clica em Jobbet och framtiden) e digito a palavra que consegui.

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Ele me deu vários resultados, afinal, enfermeira podem ter diversas especializações. Nesse caso, é só procurar algo que tenha “grund” no meio, pois grund significa base ou indica o geral. E… voilá!

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Pronto. Clicando sobre o mapa ele mostra os resultados para cada região. Agora é só usar o GT de novo. O mercado de trabalho para enfermeiras na Suécia parece muito bom; mas eu sempre ouço elas reclamarem no rádio dos baixos salários e da falta de reconhecimento da profissão. O mundo não é perfeito.

Divirtam-se!

Fim de férias

As férias já acabaram e a minha família volta para o Brasil essa semana. Eu tenho aquela sensação de que tudo foi tão rápido que eu nem consegui entender o que estava acontecendo.

E não consigo mesmo: como meus pais são um pedaço do Brasil, é difícil entender que eles estão aqui na Suécia. É uma surpresa boa ter eles por perto, como se a cada momento eles estivessem chegando outra vez. Mas eu sinto aquela falta, um vazio esquisito porque todos os meus irmãos não estão aqui também; dá uma pontinha de tristeza o fato de que nem minha irmã mais velha e nem meu irmão mais novo estiveram aqui com a gente nesse período. Sorte que ao menos a Ana está enchendo as minhas orelhas!

Famiage em visita ao aquaduto de Håverud

Famiage em visita ao aquaduto de Håverud

Em direção a Dinamarca.

Em direção a Dinamarca.

Mostrei um pouco da cidade para eles e levei a família Buscapé para aqueles programas de índio típicos de turistas… bom, nem tão típicos assim, afinal, eu nem tinha feito muitas dessas coisas. Ou melhor, algumas delas sim. Sorte que eu tenho uma amiga que sabe tudo sobre os melhores passeios de Göteborg, né Vânia? Quando o calo apertou, eu liguei na cara dura… Andamos de barco, trem, carro, a pé (cansei o povo!); e já que o negócio era para cansar, levei a galera para nadar e até minha mãe se astreveu a entrar na água fria do lago – o verão foi maravilhoso de quente então, foi quase tudo bem. Todo mundo entrou na dança da toalha – aquela em que a gente faz umas manobras engraçadas para trocar de roupa em público sem mostrar as vergonhas…

Agora, se perguntarem para minha irmã o que ela achou mais legal, ela responde com uma só palavra: Liseberg. Eu tenho medo de altura mas não pude me safar… ao menos não de alguns brinquedos. Passei uma semana rouca de tanta que gritei no Kanonen.

Olha minha felicidade na roda gigante. São "só" 60 metros de altura...

Olha minha felicidade na roda gigante. São “só” 60 metros de altura…

Nessa maravilhosa bagunça me perdi, afinal muita coisa aconteceu nesse mês e o blog ficou realmente de lado… tenho dois episódios do Alfons na pasta de rascunhos. Haha! É mole? A menina escreve os posts e ainda nem publica! Eu tenho problemas… principalmente porque eu gosto de responder aos comentários, e como eu não tinha tempo de acessar o blog, o trem foi acumulando… desisti de postar porque eu não podia responder os coments.

Acumularam-se também e-mails com perguntas diversas a respeito da vida na Suécia. Assim que eu me achar eu respondo e também vou partilhando as respostas e incluindo no Leia antes de perguntar. Aliás, tem muita gente que lê a seção e depois me direciona perguntas específicas, fazendo piadinhas a respeito das minhas respostas. Hahaha! Eu acho um barato… tenho leitores muito bem humorados! Obrigada! Mas eu também recebi um par de e-mails de gente que começa com: “eu já li o leia antes de perguntar mas, como é que eu faço para tirar visto de turista para a Suécia?”. Meu amigo… você ficará no vácuo eterno, só para avisar. Ainda assim, obrigado a todos os preguiçosos e engraçadinhos, todo mundo que veio parar aqui sem querer e os leitores de carteirinha (uhuu). Até no meu casamento brincaram com o fato de eu ter um blogue e eu descobri que um grupo de pelos menos 30 pessoas usam o Google translate para tentar acompanhar minhas baboseiras… muito bacana!

Eu tenho que tirar o chapéu para a suecada. Não porque eles seguem meu blog mas porque desde que mudei não paro de me surpreender com a generosidade deles. A primeira coisa que eu disse para o Joel quando ele propôs a mudança foi que ficaríamos isolados. Uma, que a casa precisa de reformas e temos trabalho de sobra… outra, que fica mais longe da cidade e aí ninguém apareceria para dizer um oi. Ledo engano! Por causa do lago que fica aqui perto sempre temos visitas, gente que para só para dizer “oi, estamos indo para o lago, vocês vem também?” ou “fomos nadar no lago, e passamos para dar um olá!”; outros amigos do Joel que ligam porque querem ajudar com as reformas… Sueco é mesmo chegado nessa coisa do faça por si mesmo, e se não tem nada para ele fazer por si mesmo então ele quer ajudar um amigo que tem o que fazer para poder aprender no caso de, sei lá né?, no futuro mudar para uma casa que precise de reformas e então já saber o que fazer e quais amigos chamar para a empreitada.

Além disso, a generosidade deles no casamento me deixou embasbacada: emprestaram o carro para gente transportar para lá e para cá bebidas, o som, os tereco-tecos para a decoração; apareceram no dia antes para ajudar a preparar o local; juntaram todas as coisas no pós festa para os noivos – nós – poderem curtir… Eu sempre imaginei que receberia alguma homenagem das gurias mais chegadas, mas para minha surpresa muitos amigos do Joel me prestaram homenagens durante o jantar e me fizeram ficar com lágrimas nos olhos (eu só não pareço supimpa gente, eu sou supimpa, pergunte para o povo daqui!) e me sentindo a última bolacha do pacote. Eles também nos deram presentes maravilhosos – fora alguém que quis brincar e nos mandou uma galinha “decorativa” em tamanho real. Sei lá se o cartão se perdeu ou se a pessoa nem pensou em por o cartão ou estava com muita vergonha para assumir, mas ainda não descobri quem foi o engraçadinho (se é alguém que lê o blog, me conte por favor para quê serve aquela galinha!?).

Para a Páscoa?

Para a Páscoa?

Falando em presentes, obrigada Angela e Dani pelos presentes de além mar. E tia Tere, vamos usar o seu presente para viajar!

Eu ainda tô boba demais com essa história do casório, ou melhor, mais boba do que o normal. Vou demorar pra pisar no chão. Só consigo pensar nisso. Melhor parar com a babação… quando eu me acalmar eu faço um post contando como é que foi que fiz a decoração no melhor estilo faça você mesmo (com a ajuda das amigas, é claro), além de outras curiosidades.

A  gente se vê em breve!

Uma coisa nova, uma coisa velha…

Uma coisa que ganhei, algo que emprestei… algo roubado e algo azul!

Eu podia contar tim tim por tim tim como foi o dia do meu casamento mas acho que o vídeo por si mostra bastante. Além do mais, seria difícil encontrar as palavras certas… e se eu dissesse que foi tudo o que sonhei, estaria mentindo. Descaradamente.

As duas últimas semanas antes do casamento eu fui dominada por um sentimento de “oh my gosh, tomara que esse dia chegue logo e acabe!”. Não era pânico por conta de coisas a fazer para o casório – essa parte foi bem divertida – ou a preocupação em me apresentar assim ou assado; foi só o sentimento puro e genuíno do “eu não aguento mais esperar” somado a  uma pontinha de pessimismo (sim, eu já contei que sou pessimista) e saco cheio. Tem muita gente chegando para você às vésperas do casamento para dizer como é que tudo tem que acontecer. E tem aqueles que querem gentilmente te lembrar das coisas que você esqueceu. E do que é importante – normalmente aquelas coisas esquisitas que aparecem em revistas e nem de longe são importantes…

Apesar de todo o sentimento negativo das semanas anteriores, todo o stress (sim, apesar de ser um dia lindo é também uma data estressante), eu liguei o foda-se na manhã do casório e decidi que esse era o dia de viver meu casamento do jeito que ele fosse. A chuva torrencial que despencou em Göteborg logo cedo quase me desanimou mas, não é a toa que eu sou apaixonada pelo meu marido… ele soube levantar meu astral e a partir daí… foi só festa até a madrugada do domingo. Chorei a cerimônia toda (de felicidade, obviamente) e ri até ter dor nas bochechas durante a festa. Até rolou uma festa de verdade no final de tudo – coisa extremamente escassa na Suécia. Na verdade, o povo só foi embora mesmo e parou de chacoalhar o esqueleto porque fomos obrigados a mandá-los embora – literalmente. Triste, mas a locação do espaço tinha hora específica para acabar – e a pontualidade sueca não perdoa nem casamento.

Foi um dos dias mais maravilhosos da minha vida. Sempre vou lembrar com carinho de cada pessoa que me prestou homenagens, e acima de tudo, daqueles que ajudaram a fazer a festa possível… eu tive muita ajuda de pessoas maravilhosas que cuidaram de mim e me ajudaram com grandes e pequenas coisas.

O vestido, os brincos, os arranjos de cabelo eram novos.

Meu anel de noivado foi da avó do Joel, tem quase 60 anos.

Usei um sapato que ganhei das minhas amigas queridas, no Brasil, no ano em que visitei a Suécia pela primeira vez.

O véu foi emprestado por uma pessoa querida que conheci durante o primeiro verão que passei aqui.

Roubei as atenções no dia da festa. Sem falsa modéstia, eu já sou linda, mas no dia do casório estive deslumbrante. Meu marido também estava lindo, mas teve gente que duvidou que eu fosse aquela noiva. Haha! Também aproveitei para “roubar” todos os abraços que normalmente o povo acha estranho te dar – sueco fica muito satisfeito com um aperto de mão, mas eu não. Abracei com fé e vontade!

Por fim, ganhei o buquê da minha melhor amiga. E ele era feito de hortênsias azuis!

Desde 27 de julho sou oficialmente Fru Maria Helena Abrahamsson (fru=esposa. Nesse caso eu também traduzo literalmente como dona).

Chique né?

igreja

Ps.: Se você está pensando que será que fez essas fotos maravilhosas e esse vídeo lindo, preciso contar – para felicidade dos suecos e tristeza dos brasileiros – que ela mora em Stockholm. A Maíra não é danada de tão talentosa que é? Você encontra ela aqui.