Pré Natal na Suécia – II

Como eu citei no início do post anterior, segundo o pessoal dos movimentos pelo parto humanizado no Brasil (favor não confundir parto humanizado com parto em casa), a Suécia é um dos países modelo número um em parto humanizado no mundo, justamente por causa da questão das enfermeiras parteiras.

Acho que uma das vantagens de fazer o pré natal com uma parteira é que a gente se sente a vontade. A parteira que  está fazendo meu acompanhamento é muito simpática e tranquila e não foi a mesma que me receitou aquele anticoncepcional ruim e isso foi muito importante para mim. O que eu acho que foi mais negativo é o fato de que há um protocolo meio rígido a ser seguido, fazendo com que as consultas de uma hora pareçam ter apenas cinco minutos. Eu nunca tive oportunidade de ter aquela conversa que eu achava que teria com a parteira, na qual eu poderia botar para fora as minhas dúvidas – que eram muitas.

Mas eu não acho que seja uma falha pessoal da parteira e sim da forma como o sistema de saúde na Suécia é construído. A Su comentou por aqui uma vez que o sistema na Suécia não trabalha a medicina preventiva, e simplesmente isso faz uma enorme diferença.

Além disso, não sei porquê achei que a questão seria mais específica, como quando vamos à ginecologista no Brasil mesmo ou como aconteceu no dia do ultrassom bônus, no qual a médica me examinou para ver se tudo estava bem. É importante ressaltar também que as parteiras não tem essa formação ginecológica; quem faz isso por aqui continua sendo o médico. Por isso eu senti que a minha primeira consulta era mais para preencher uma ficha de cadastro: nome completo, peso, altura, data da última menstruação, falar um pouco sobre a dieta recomendada, coleta de sangue para exames, informação sobre o exame de urina, sobre o ultrassom (que só acontece cerca de dez semanas depois), mais info sobre diversos exames que o casal tem acesso (pagando ou gratuitamente) durante a gestação, info sobre possíveis sintomas de aborto espontâneo, info diversas e vixx Maria, nosso tempo está acabando… você tem alguma dúvida? E eu né… tenho muitas! Ao que ela me respondeu que era natural, que eu devia procurar alguns fóruns de mães ou que eu deveria ligar para o serviço de saúde 24h (1177) se eu me sentisse mal.

Sinceramente, alguém pode me dizer o que acontece na primeira consulta pré natal no Brasil?

Em todo o caso, saí do primeiro encontro frustrada. Troquei umas figurinhas com as amigas, desabafei, liguei para minha mãe e perguntei para ela como eram os acompanhamentos pré natal na década de 70, quando ela engravidou pela primeira vez. Parece exagero, mas é assim que eu me senti, mandada direto no túnel do tempo para um lugar onde você não tem os recursos que existem no mundo inteiro – apesar de viver em um país de primeiro mundo.

Eu tenho plena consciência de que o sistema não é ruim – não estou sendo irônica – basta analisar os indicadores de qualidade. Mesmo no Brasil, entre 1990 e 2010 a mortalidade materna caiu 51% e é claro que este é um reflexo da implantação do SUS, mas também do trabalho da Pastoral da Criança. A maioria das mulheres que trabalham na Pastoral são pessoas tão simples quanto aquelas que são atendidas mas esse é um trabalho que dá tão bons resultados que foi “exportado” para mais 19 países no mundo. Ainda assim, 56 mulheres de cada 100 mil morrem anualmente no Brasil em decorrência da gravidez/parto contra apenas 4 mortes a cada 100 mil na Suécia (dados da ONU 2010).

Não há como discutir com números. Mas há como reclamar da falta de calor daqui – e por isso é que já comentei no primeiro post que eu encaro como mais uma questão de choque cultural. Além disso, devido ao meu azar em topar com enfermeiras mais do que ranzinzas eu não me sinto bem vinda nos postos de saúde ou emergências. Sim, eu estou levando isso para o lado pessoal mas já comentei por aqui que o entendimento geral – na sociedade – é de que os árabes e somalianos estragam o sistema porque eles vivem correndo para lá sem motivos – o que irrita o pessoal. Ora bolas, eu sou brasileira, mas já me perguntaram se eu sou curda, ou iraniana (será o nariz? hahaha) e provavelmente o pessoal do sistema de saúde não pensa que são somente os árabes e somalianos que estragam as coisas, para eles qualquer estrangeiro está lá porque não entende seu papel na sociedade e não sabe que posto de saúde e emergência não é local para se passear. Eu já ouvi outros brasileiros criticarem “esses refugiados” e eu quero fazer um apelo: acorda gente! Vocês só estão fazendo a coisa pior para nós mesmos! Ou vocês acham que o pessoal vai perguntar a nacionalidade no atendimento da emergência?

Conheço duas mulheres que tiveram complicações durante a gravidez e foram tratadas com descaso pelos profissionais de saúde daqui. Uma delas perdeu o bebê e uma das trompas por causa de uma gravidez que se desenvolvia fora da útero e foi duramente criticada (até chamada de mentirosa) por enfermeiras que disseram na cara dela que estava exagerando, não era nada – enquanto ela tinha dor e sangramento constante. Outra quase morreu no parto porque, apesar de apresentar todos os sintomas de pré eclâmpsia, o pessoal ficou com cara de paisagem e não deu importância porque ela estava fazendo drama – foi necessária a intervenção de uma terceira pessoa para que ela não se transformasse em um número de estatística. Elas não são suecas e sofreram as consequências de um sistema que parte do princípio que todo estrangeiro faz fita e exagera demais. Se não bastasse isso, nós mesmos ajudamos a fortificar o preconceito falando que é tudo culpa dos refugiados. Mais uma vez: quem é que acha que o pessoal vai perguntar a nacionalidade em uma emergência ou no posto de saúde?

Fechando a sessão desabafo, acho importante reforçar a questão do choque cultural. Pra quem achou que isso era uma coisa que vinha de uma vez só, tá super enganado. Eu me sinto super perdida, no meio de estranhos que não comemoram o fato de uma vida estar surgindo e cercada de enfermeiras ranzinzas que acham que estou de fita. E ainda carrego aquela falsa sensação de que talvez no Brasil seria melhor, simplesmente porque o pré natal é com o médico. Incrível como a gente continua endeusando os nossos “doutores”.

Eu não dei trégua para minha parteira, liguei para ela, dei um jeito de conversar um pouco e no nosso segundo encontro já me sentia mais tranquila. Mas eu também segui os conselhos dela e gastei muito tempo dividindo minhas dúvidas com amigas, tanto as que não são mães ainda – obrigada por me emprestarem seus ouvidos; assim como caí na carne da Cíntia, do blog Minha Aquarela. Nada melhor do que encontrar alguém que curte falar sobre suas experiências na montanha russa da vida materna para poder fazer um longo papo furado. Além disso, a Cíntia me indicou uma porrada de blogs maternos – eis aí o porque de eu não comentar mais ninguém, estou consumindo tudo que posso a respeito de gravidez e mães de primeira viagem. E mais uma vez, eu amo o cara que inventou o skype!

São realizados dois controles pela parteira antes do ultrassom, ou seja, antes da 18a semana. Como eu descobri minha gravidez cedo, esses dois encontros já se foram há tempos. Enquanto meu ultrassom não chega, também não vou ver a parteira – a menos que eu apresente algum sinal estranho. E isso é bárbaro demais: como é que eu vou saber? Para mim tudo é novo e estranho agora. É lindo, mas super estranho. Mulheres grávidas não estão doentes (é bom ser relembrada Manoel) mas eu fui contaminada pelo medo absurdo que as pessoas tem aqui de que a gravidez talvez não vai vingar, que a primeira gestação é comum acabar em aborto. E se eu precisar de atendimento de emergência não vai ser minha parteira legal me esperando com sua simpatia e tranquilidade, e sim qualquer outra enfermeira bruxa pronta para me acusar de que estou exagerando, devia ter tomado alvedon e ficado em casa.

Fiquei mais aliviada quando completei a 12a semana mas ainda assim, eu queria muito estar “em casa” agora e me sentir mais envolvida por um clima mais leve e de felicidade em torno da gestação. Definitivamente, quando se trata de saúde, eu não me sinto bem vinda aqui.

Só por Deus mesmo.

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11 comentários sobre “Pré Natal na Suécia – II

  1. Agora todo mundo sabe que meu papo é furado! hahahahahahaha…. Maria, estou gostando de ver suas impressões. É tudo muito pessoal. Entao escreva, registre. Um dia você vai gostar de reler! A verdade é que, esse é um caminho de crescimento sem volta (a barriga poderá confirmar já já!) :) Beijos

  2. Maria Helena, foi muito bom e compreensível esse seu desabafo. É normal você estar assim. Eu disse que gravidez não é doença, mas não quis dizer que era para ser tratada no “tapa”. Acho que você está certa e tem que tirar todas as suas dúvidas mesmo. Nós ainda vamos comemorar muuuuito o nascimento dessa fofura sueca que será descendente da mais simpática Maria Caipira que conhecemos.
    Vai dar tudo certo e você continuará sendo muito feliz (eu desejo e rezo!).
    Um abraço grande e um beijo no bebe,
    Manoel

  3. Olá, meu nome é Loide e tb moro na Suécia e acompanho seu blog pelo meu email..e hoje resolvi comentar alguma coisa…eu entendo seu medo e dúvidas pq eu tb tive várias e nesse momento o melhor é estar tranquila e segura qnto ao médico q se tem. Mas vc mora aqui na Suécia (que não é o paraíso q muitos pensam) e as coisas são diferentes, No meu caso, eu tenho dois filhos que agora já não são babies e eu era tão cheia de neura e de medos q assim q fiquei noiva em 1989 tratei logo de fazer um plano de saúde AMIL pq morria de medo de ficar grávida e ter q ir pro hospital público em SP e ser tratada com descaso…encurtando a minha história, No meu tempo (anos 90) meu pré natal foi mais ou menos, eu fui à médica e ela pediu muitos exames de sangue, mediu a barriga, verificou o peso, passou vitaminas (ferro) e respondeu as perguntas, a consulta tb era de 1h mais ou menos…o resto q se aprendia era com amigas na mesma situação e com a mamãe.. eu tive q passar por 3 médicos diferentes até q achasse um q me tratasse com dignidade (pelo menos a dignidade q eu imaginava), a verdade foi q aos 24 anos tive pré eclampsia por culpa do segundo médico e meu filho nasceu na 32 semana, foi difícil mas superamos hoje ele é um moço lindo e saudável. O que quero te dizer é: tenha força e pensamento positivo, nesse mundo às vezes não encontramos quem se sensibilize com nossos problemas mas temos q confiar tanto no Brasil quanto aqui q pessoas boas irão cruzar o nosso caminho mas o que aprendi foi q nunca devemos deixar de duvidar pq se vc não se sente bem de alguma forma, deve ir sim ao médico e ter sempre uma segunda, terceira opinião e se não gostar do tratamento troque qntas vezes forem necessárias o seu médico, Pq uma simples dor de cabeça q nunca para pode ser um sinal de q algo não está bem. Fique bem e desculpe q escrevi mto. :-)

  4. Nossa Caipira, você sabe a vontade que eu tenho de também ver minha barriguinha crescendo, mas que infelizmente não acontece, pelo menos ainda… Com certeza, neste momento estaria tão preocupada quanto você ainda mais estando longe da minha mãe e tendo uma vocacão para sofrer por antecipacão kkkk enfim, o negócio é realmente buscar o maior número de informações possível mas sem deixar de curtir este momento que é tão lindo… Aproveite o seu auto-presente de natal e faça um check-up no Brasil se isto te deixar mais confortável e confiante. Aproveite mamis para tirar todos os seus medos e no mais que seu pequeno ou pequena vicking seja abençoado ao extremo!

    Beijos ;)

  5. Oi Maria, olha gostei muito do seu post pois me fez refletir sobre as escolhas que tomei nos últimos meses. Estou na 20 semana gestacional e estou fazendo meu pré-natal no Brasil, descobri que estava gravida assim que voltei ao Brasil, depois de ter passado o verão com meu noivo na Espanha, onde ele mora. Como a papelada do casamento ainda não saiu e não teria direito a seguridade já que não somos oficialmente casados, teríamos que bancar o pré-natal, porém esse fato não pesou tanto, que pesou mais nessa balança foi o fato de fazer o pré-natal no Brasil me possibilitaria ser acompanhada pela minha genecologista, que também é obstetra e já me acompanha a mais de dez anos, estar perto de minha mãe nesse momento foi outro ponto que pesou na opção de ficar por aqui até o bebe nascer. Sei que para meu noivo foi muito ruim a escolha mas pretendemos ter outros filhos e ai mais adaptada ao país e a cultura será mais tranquilo, porém agora a melhor opção foi essa. Aqui no Brasil tenho plano de saúde e posso fazer quantas ultrassom quiser e pelo SUS a mulher tem direito a 4 ultrassom durante todo o pré-natal o que é mais que ai na Suécia. Essa ultrassom da 18 semana é o que eles chamam de ultrassom morfológica, ela pode ser feita entre a 18 semana e a 24 semanas, eu farei a minha na próxima terça-feira e não vejo a hora de fazer pois é tranquilizador ver a minha pequena naquele monitor. Minha médica sugeriu a leitura de um livro: “O que esperar quando você está esperando”, fica ai a dica para você ter mais uma opção de tirar suas duvidas. Beijos e boa sorte.

  6. Oi Maria só fazendo uma correção, pelo SUS a quantidade de ultrassom são três e não quatro como havia informado no comentário anterior, sendo assim é uma ultrassom a cada três meses. Beijos e boa sorte.

  7. Gente, muito obrigada pelas palavras de apoio! Acho que no fim é normal ficar meio desesperado quando se está longe do colo da mãe (ao menos quando a gente ama a mãe que tem)…

    Cíntia,
    Papo furado é bom demais da conta!

    ****
    Manoel,
    Eu entendi o seu comentário e acho bom relembrar disso. A gente fica dodói bem fácil por aqui; com o frio e a escuridão agravando tudo! Não no corpo, mas na alma, e é bom ter gente que empurre a gente para frente! Obrigada pelo carinho…

    *****
    Loide,
    Bem vinda!
    Nossa pré eclâmpsia não é brincadeira! O jeito é buscar apoio com a família e com as amigas porque o sistema de saúde infelizmente (tanto aqui como no Brasil) é falho. Deve ser lindo olhar para trás depois e perceber, feliz, que no fim tudo deu certo. Acho que vou fazer yoga! :)

    *****
    Karine,
    Hahaha! Também sofro demais por antecipação! Ah que bom saber que não sou a única que sente falta de colo de mãe por aqui…

    *****
    Claúdia!
    Bem vinda!
    Muita força para você porque… bom, o único motivo pelo qual eu não deixo a Suécia agora é porque eu quero estar ao lado do meu marido durante a gravidez. Mas eu fico dividida… imagino como está o seu coração. E a gente tem sempre o coração dividido, entre a família e a nova família (ao menos eu). Como foi a sua ultrassom? Obrigada pelas dicas, informações e pela sugestão do livro!

    Beijos people!

  8. Hmmm ainda ñ engravidei, e como minha criação foi meio seca (minha mãe é filha de alemão, e meu pai Baiano gostava da criação que minha mãe teve), pelo o que eu já ouvi, aqui no Brasil tem enfermeira que diz à mãe (qdo é uma adolescente) que: “Na hora de gozar estava bom neh? Mas fechar as pernas que é bom nada!” E cara, até hj eu ainda ñ tive filhos pois ainda não chegou o momento para eu dizer…: “- Agora é tempo de se fazer um bebê!” Mas cansei de ver grávidas surtando, minha melhor amiga surtou na última gravidez, que chegou a ter diabetes na gestação, o que eu quero dizer é: Tente ser racional, por mais que seus hormônios queiram te matar, pense assim, Deus sabe o que faz, se você se alimentar bem (com nutrientes, não só gordura e açúcar) ficará bem, anote todos os seus sintomas, faça pesquisas, assim você descobre logo o que tem, e vai avisar os despreparados do hospital, pois não é porque eles estão por lá, que eles saibam de tudo, nunca acredite em só uma pessoa, mas viva essa gravidez, não fique no estresse, tem gente que trabalha até o último dia da gestação, tem gente que vai sambar… Gases você terá, se sua alimentação não for adequada, e quando chegar no hospital, dance conforme a música, explique o que você sente, e pergunte se você deve se preocupar (fique tensa, mas não espere um abraço, pois é vc e Deus ali garota), em outras palavras seja firme. Pois pense nestas parteiras… Ela atende você e mais 3 mulheres, uma grita horrores por causa de uma contração, a outra tem neura com a limpeza, a terceira a rejeita por ela não ter tempo de ser afetuosa, e assim por diante, ok, ok, ela não deveria ser rude, mas nem todo mundo responde bem aos estresses do dia a dia, então não é só você que precisa de atenção, TODO O MUNDO PRECISA DE ATENÇÃO, os hormônios estão em alta, doe um pouco do amor que você tem aí, é complicado, as vezes penso que eu tenho que ficar muito bem psicologicamente antes de sonhar em ter um bebê, rs, e eu fico feliz qdo vejo uma colega/amiga que conseguiu levar a gravidez numa boa, e é isso, você não está doente, só precisa ficar atenta com as suas vitaminas, pois o baby te sugará se vc não ficar atenta. kkk Nossa, eu reli várias vezes o meu texto, e cheguei a simples conclusão, de que… Cara, pelo o meu texto é visível de que eu não fui criada com beijos e abraços, kkk, mas pelo o que eu vejo, aparentemente isso vai me ajudar aí na Suécia :/ (Que merda! Tentarei dar beijos e abraços nos meus filho)

  9. Oi será que você pode me ajudar? Que fazer um curso de parteira na suecia… E nao estou sabendo onde procurar… É o governo quem dá isso? Ou sao em faculdades? Pode me dar uma luz? Obrigada, Tchella

  10. Olá pessoa,
    Parteira na Suécia, como eu disse no texto, é uma especialização após o curso de enfermagem. Procure por cursos de Barnmoska no studyinsweden.com
    Pelo que sei o curso tem duração de dois anos. É na universidade. E é só o que eu sei.
    Abraços e boa sorte!

  11. Pingback: Pré Natal na Suécia #03 | Uma Caipira na Suécia

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