Pequenas Grandes Coisas #31

Preciso responder aos coments dos posts anteriores mas… organização não é o meu forte e como tenho algumas coisas para contar decidi deixar umas novas antes de desistir por completo.

Estou avaliando seriamente se vou ou não a missa da Paixão. Como no caso não iria a uma igreja católica, não tenho ideia de como seria o ritual. Isso me dá um pingo de curiosidade mas também muita preguiça. Além disso tenho outras ideias na cabeça e não estou pensando em Jesus. Não é que eu tenha abandonado a fé ou etc, apenas não estou praticando e acho um pouco hipócrita sair de casa na sexta feira santa esquentar o banco de uma igreja quando eu sei que vou ficar pensando nas coisas que eu gostaria de fazer em casa…

Tenho me envolvido bastante com a reforma da sala de estar – e tudo o que isso significa. Reforma significa, além de tudo, que sua casa estará uma constante baderna e sujeira. Eu vou juntando um pouco ali, varrendo um pouco lá, mas depois de lixar as paredes… pá, não teve jeito. Tudo está meio branco e esquisito, meio grudando. Hoje quero fazer os últimos detalhes da pintura na parede (se as roupas do Benjamin já secaram) e costurar algumas coisinhas…

Eu me dei uma máquina de costura no Natal. Uma coisa bem simples. Eu não sou boa costureira não – não tenho paciência para os detalhes, vou cortando, emendando e metendo a costura reta (coff, coff) como dá. Se um lado ficou mais curto que outro… eu posso desmanchar uma vez. Mas não estou confeccionando roupas, porque eu tenho simancol. Mas fiz um boneco para o Ben quando estive no Brasil! Eu fiquei impressionada de que tenha ficado bom. Modéstia a parte. Tem gente que acha feio demais porque é preto, que é racista porque tem aqueles traços exagerados negros que um saci tem, e que vai assustar o menino – porque é um saci e porque tem uma perna só. E porque o Saci é mau (veja que mãe desnaturada: não vai a missa da paixão e ainda por cima confecciona um Saci para o menino!). Mas eu não estou querendo provocar ou ofender pessoas negras, só quero que meu filho tenha contato com o folclore brasileiro. E o Saci no folclore brasileiro é assim: um menino preto de uma perna só. Acho que o boneco vai servir também para ensinar o Benjamin sobre diferenças e sobre respeitar elas – tanto porque o saci é preto, tanto porque ele tem uma perna só. Há criança deficientes, pessoas deficientes no mundo; e já que é muito bom ensinar o menino a brincar de boneca e já que é muito fácil comprar bonecas “lindas” branquinhas e de olhos azuis (ironia viu gente)… meu trabalho tinha que valer a pena uai! E como eu disse, acho que meu saci ficou muito lindo. Não vai assustar o moleque não.

Saci

A foto – para variar – não é boa, mas sacaram que eu fiz dedos no pé?

Falando nisso, acho que é a primeira vez que escrevo o nome do guri no blog. Eu ainda não decidi o que vou escrever a respeito dele. Acho um barato mães que compartilham as aventuras dos filhos – esses blogs tem me salvo quando acordo de madrugada e não posso retornar ao meu sono de beleza e reparação. Mas eu tenho a impressão de que este blog não se transformará num blog materno. Eu escrevo só o que me vai na telha, sem um foco muito certo ainda… Em todo o caso, Benjamin foi uma escolha antiga. Sempre achei o nome lindo, o som, o significado. Convencer o Joel não foi um trabalho difícil, uma vez que ele tinha várias sugestões para nomes de menino mas sabia o nome que queria no caso de uma menina. Já meu caso era o contrário: tinha várias sugestões para nome de menina, mas sabia o que eu queria se fosse um menino… Decidimos que, fosse uma menina o pai escolheria o nome, fosse menino era minha vez. Há, ganhei!

Minha barriga está uma bolotinha, todo mundo diz que eu não engordei (eles não veem meu músculo do tchau, como ficou gordinho) e que estou só a  pança mesmo. Não vou postar fotos aqui, não enquanto minha irmã não me mandar algumas fotos que tiramos quando estive no Brasil. Ela tem muito talento e fez um trabalho muito bonito. Então eu não vou tirar uma foto meia boca com meu celular, o que eu costumo fazer sempre, só para ter qualquer imagem aqui. No mais, eu me sinto bem grávida. Me sinto bonita e ainda um tanto especial. É só não sair na rua… porque daí me bate aquela deprê da invisibilidade. No mais, o guri gosta de brincar com a minha bexiga: eu imagino desde o sapateado, até treino de MMA a um batuque cadenciado num surdo. Dias mais, dias menos. Agora começou aquela fase chata em que eu tenho que procurar uma posição confortável para dormir e eita! Que tarefa viu? De um jeito dorme a perna, de outro me dá cãimbras, de outro não pode porque tranca a circulação… Aí o menino já enfia o pé embaixo da costela e as ancas decidem começar a doer a uma hora da madruga. Mas por incrível que pareça… o que mais me incomoda são pesadelos – sempre acordo por causa de sonhos ruins – e uma ardência na pele, seguida de fortes dores no meu umbigo (dizem que é normal, só a pele se esticando mas eu tenho que confessar: morro de medo de ver a barriga se abrindo bem no meu umbigo e de perder a criança no chão! Em meio a tripas e muito sangue… lol). Não tenho estrias ainda – elas podem aparecer a qualquer momento. Dizem que é hereditário – minha mãe não tem muitas, nem minha irmã mais velha – e eu acredito que a alimentação é que faça uma incrível diferença nesse sentido. Bom, eu como frutas e verduras todos os dias – ainda que elas tenham gosto de nada. E passo óleo e creme em tudo, vivo bezuntada. Mas se vier, vieram e não há o que fazer…

Tem bastante gente curiosa a respeito do meu emprego. Como é que se resolveu? Porque vocês lembram que eu não havia dito nada no dia da entrevista não é? Pois… eu mandei um e-mail (pedi ajuda ao marido para redigir de forma que ficasse super objetiva, bem humilde) contando da gravidez e da data prevista para o parto. A primeira resposta veio rápida e rasteira, nem cinco minutos depois e extremamente enxuta: temos que conversar a respeito assim que você voltar para a Suécia. É, eu estava no Brasil. Respondi normalmente que claro que sim, que estava a disposição blá blá blá, mas já me deu aquele medinho de sofrer um bullying no trampo por causa da minha travessura. Trocamos mais alguns e-mails, todos assim bastante secos e objetivos: quanto tempo eu desejava de licença maternidade (essa história explico melhor depois), quando eu queria sair, se eu queria começar mesmo – uma vez que vou trabalhar entre um mês e um mês e meio… poderia tentar um espécie de auxílio gravidez e etc e tal. Mas no final das contas, assim que cheguei na Suécia recebo um telefonema da minha chefe desejando-me os parabéns pela minha gravidez. Isso me deu uma confiança e um alívio enorme!! Minha chefe parece ser uma pessoa bastante prática, e já organizamos tudo o que vai acontecer desde o dia em que começo (oficialmente 5 de maio) até o dia em que vou sair (mistério…).

Definitivamente, esse emprego afastou muitas nuvens negras do meu horizonte. Sempre tenho a impressão de que a minha falta de amor pelo solo sueco é devido a falta de segurança financeira e ao excesso de horas livres que eu tenho. Todo mundo tem uma vida e eu preciso imensamente de contato com outras pessoas – já confessei no post passado o quão carente sou – e não dá para ficar encontrando gente no meio da semana para um almoço, um fika, uma escapadinha; afinal, os outros tem o que fazer, sou eu que estou aqui de varde. No fim das contas, cai tudo nas costas do Joel e como eu quero preservar o meu relacionamento, eu tento maneirar e não grudar nele assim que ele passa pelo umbral da porta. Ainda estou naquela vibe de saudades intensas do Brasil, simplesmente porque lá nunca estou sozinha.

Aqui, morando no campo e numa casa, posso curtir a paz e o sossego até enjoar. E eu enjoo rápido. Tenho ouvido muita música enquanto estava lixando paredes e pintando. E não é perigoso para o bebê? Não, eu uso máscara e não estou me matando de trabalhar. Fiz uma porrada de pausas enquanto lixava – meu músculo do tchau gordinho é pesado, eu não posso trabalhar um tempão com ele dependurado no meu antebraço – para comer, tomar água, ligar para outras pessoas, tirar uma soneca ou só ficar de bobeira na internet – tem muito blog materno para ler e, graças a Deus, uma comunidade grande de mães para trocar figurinhas.

Fui trabalhar duas vezes. Uma vez como assistente pessoal, outra num trampo que arrumei em fevereiro para fazer uns bicos, que é uma mistura de assistente pessoal e behandlingsassistent. Como assistente pessoal trabalhei algumas vezes com uma moça, e foi uma experiência muito boa. Já no outro trampo… a equipe de trabalho não é unida e bom, é difícil trabalhar quando um fala mal do outro o tempo inteiro. Mas,  como diria minha amiga Angela, eu não estou dando bicudas em notas de cem e quando eles me ligam, eu vou. Só que é realmente um alívio olhar para o relógio e perceber que só falta uma hora para sair. Sério… nunca me senti assim nem quando trabalhava como faxineira na Suécia! Esse é, de longe, o pior trampo que já tive na vida.

Por essas e outras é bom e mau ficar em casa. Bom porque eu acabo descobrindo algumas coisas bestas – tipo Bezerra da Silva! – que são maravilhosas e mau porque eu não tô fazendo nenhum dinheirim. Já não fiz dinheirim nenhum mês passado, só curtindo a vida boa no Brasil…

Ainda assim, tô animada. Vou aproveitar esse mês para deixar as coisas do piá engatilhadas – quarto pronto, se Deus quiser – que mês que vem eu já tenho uma agenda de trabalho… e em junho tem o chá de bebê sueco!

Então é Páscoa e eu não comprei nada de chocolates. Eles me dão uma sensação super estranha e no dia seguinte eu tenho tipo… ressaca. E eu tô fazendo um curso de parto natural. E descobri umas manchas brancas na minha bochecha. E sardas na testa! Também decidi que vou fazer um quadro usando uma janela velha como moldura… só não decidi que fotos vou colocar ainda. E quero costurar os lençóis para a cama do guri… e uma cobra de tecido… e comprar uma máquina fotográfica…

Eu já disse que estamos reformando o banheiro?