Coisas que você não sabe antes da gravidez

Essa coisa de internet transformou todo mundo em pac mens da informação: você entra no labirinto do google e começa a consumir zilhões de bytes em qualquer assunto do seu interesse e volta e meia topa com coisas bizarras que você gostaria de evitar. Ainda assim, estamos lá loucos comendo cada frase, torcendo para que encontremos algumas espécie de super poder no meio da nosso busca que nos torne aptos a enfrentar nossa própria ignorância – e capazes de devorá-la à Djavan.

Já faz um tempo que ando pensando em dividir coisas que eu descobri com a gravidez (garimpando o Google) que definitivamente não passavam pela minha cabeça. Primeiro, é cilada Bino! como diria uma Bruna que conheço. Você passa por um monte de processos fodásticos, sente dores esquisitas, ama e odeia o mundo em escala 9.7 richter pra depois ficar com cara de boba (e não só com a cara) a partir da primeira vez que o bebê mexe dentro de você.

Eu sei que há mulheres que não sentem nenhum romantismo pelo fato de estarem grávidas. Eu respeito vocês, de boa, mas… deixem que nós, que levamos uma rasteira dos hormônios e das emoções, fiquemos babamos e exaltando os desprazeres de carregar um barrigão. Prometo que vou deixar vocês falarem que gravidez é um saco e nem vou revidar – afinal, gravidez é uma coisa bem pessoal.

Por mais que eu tenha um bebê que foi querido e planejado, quem não estava definitivamente preparada para a gravidez era eu. No dia do teste eu senti um pânico absurdo, do tipo: lascou-se guria… agora é real. É o mesmo sentimento que dá quando sentamos naquele banco do vagão do carrinho da montanha russa: você sabe que tem medo de altura, você sabe que vai quase se mijar na primeira queda, que vai gritar o trajeto inteiro (no meu caso, eu grito muiiiiiittttooooo mesmo) mas mesmo assim… você senta lá e afivela aquela merda de cinto. Porque simplesmente uma vez que você fez isso, não tem volta. Não tem pedir pinico. É sinistro, mas é legal.

Eu passei a gravidez bem, sem maiores peripécias. Tem gente que vomita os bofes todo os dias. Eu passei alguns dias enjoada, mas nada muito grave. O que mais me pegou foi a parte emocional e a questão do trabalho mesmo… trabalhar com uma criança deficiente que é doente quando se está grávida não é lá uma combinação muito esperta. Sempre ouvi dizer que grávidas ficam emotivas, choram por qualquer coisa. Ou que ficam com uma TPM constante em que dá vontade de explodir o mundo. Mas não acreditava muito… parecia aquele papo de homem que gosta de ficar fazendo piadinha do tipo “todo mulher fica louca na TPM”. No meu caso, as duas coisas foram reais. Tinha pesadelos constantes, um medo absurdo de a minha criança nascer/ficar doente (acho que a deficiência, num país como a Suécia, é uma situação com a qual a gente pode trabalhar. Já a doença…) e uma raiva infinita de tudo relacionado a Suécia. Principalmente a escuridão. Até o Natal me incomodou. E o A. Mas o A e eu temos um caso de amor e ódio antigo… então não foi muita novidade.

A solidão natural do inverno sueco resultou em uma péssima combinação para esse maremoto emocional. Se você está pensando em engravidar e mora aqui, eu sugiro que vá para o Brasil nos meses de escuridão. Sol e calor fazem milagres. Família (se você tem uma que te ama muito) também. Eu só me recuperei do meu stress no Brasil. Foi lá que eu realmente comecei a sentir felicidade e paz em relação a minha gravidez.

Por causa da sobrecarga emocional eu tive dores lombares nos primeiros meses. Sabe aquela história de que grávida tem dor nas costas? Tem mesmo, e você não precisa esperar até o sétimo mês de gestação. Além disso, eu sempre tive gengivite como sintoma de TPM. Enquanto usava anticoncepcional esse problema foi controlado. Eu lembro de encontrar uma guria (aquela mesma Bruna) que comentou que grávidas deveriam ter atendimento odontológico gratuito na Suécia por causa do sangramento da gengiva. E eu hein? Sangramento? Da gengiva? Achei a maior dodeira. E é: depois de uma semana, lá estava eu com a gengiva hiper mega ultra inflamada. Nunca tive tanta dor na minha vida. A dor irradiava até o ouvido e metade da minha cara ficava dormente e latejando (tudo ao mesmo tempo). Depois de passar duas noites sem dormir, resolvi ir ao dentista – o que é uma coisa super cara aqui. Eu estava morrendo de medo de perder os dentes, tamanha a dor que eu sentia. Depois de uma consulta de 15 minutos, saí do consultório dentário R$120 reais mais pobre (isso foi apenas pela consulta, para ela ficar cutucando a minha gengiva duzentas vezes e fazendo sangrar e para passar uma pomadinha anestésica enquanto ela limpava – pasme – apenas um dente) levando um tapinha nas costas enquanto ouvia uma parada de “gravidez é assim mesmo; você fica sensível e acaba com gengivite. É normal que você sinta dor, que inflame, e que sangre. Escove bem os dentes várias vezes por dia e use essa coisa aqui com gosto super ruim e que vai te dar uma super dor de estômago 30 min após cada escovação”. Sorriso amarelo.

Outra coisa que chega quando quiser é a sensação de gelatina nos ossos, principalmente no quadril. Eu nem tinha barriga ainda e de repente lá estava eu perdendo os passos porque tinha a impressão que meu fêmur desencaixou. Que tristreza né?

E dor no umbigo… cara, o que foi aquilo? Acordei no meio da noite com a sensação de que minha barriga estava abrindo. Bem no meio. Bem no umbigo. Pânico!!!! Eu tenho uma relação especial com meu umbigo. Não gosto que mecham. Limpo sempre com muito cuidado. Sempre tive um pavor surreal de que se eu cutucar demais o umbigo vou arranjar uma hérnia que vai crescer e crescer até explodir. E daí vou ter que juntar as minhas próprias tripas que estarão espalhadas pelo chão envoltas em muito sangue para numa tentativa desesperada, colocar tudo de volta. E essa será minha última visão antes de morrer. Que história mais linda né? Imagina o que me passou pela cabeça quando acordei com dor no umbigo? Mais do mesmo, com a difenreça de que o meu bebê também estaria no meio de toda essa confusão de sangue e de tripas… Nada disso aconteceu (até agora), mas a sensação da dor no umbigo vai e volta (junto com a queimação na pele).

A última da vez é a dor nas costelas. Não estou falando de quando o bebê resolve por o pé bem pertinho do pulmão não e sim de dor nas costelas constante. Se eu sentei por muito tempo, dói. Se eu deitar apenas de um lado, dói. Tenho que virar para o outro até que comece a dor daquele lado e aí, mudar de posição… e vice versa até o infinito.

Mãe de primeira viagem, imagina se não enchi o saco de todo mundo com essas histórias um milhão de vezes. A minha parteira só suspira e repete que “se não há sangramento ou contrações, está tudo bem porque o corpo passa por muitas transformações durante a gravidez e esse tipo de desconforto é normal”. Ou melhor, todo esse leque infinito de desconfortos. Daí eu busco respostas no google, e em fóruns de mães, e não sei ao certo se isso é bom ou ruim, porque… fiquei sabendo que a gravidez pode (em casos raros) desencadear uma hérnia no umbigo. E que as costelas podem quebrar mesmo por causa da pressão dos órgãos e do bebê (em casos mais do que raros quando as mulheres são pequenas e os bebês grandões). Que você pode perder os dentes por causa da constante inflamação na gengiva. Isso tudo sem nem tocar no mérito da diabetes gestacional e pré eclâmpsia, ambas que aparecem assim meio do nada.

O bom mesmo dessa saga doida é o lado A das informações. Você descobre que é possível realizar o parto normal de um bebê que está sentado. Que cordão umbilical enrolado no pescoço não é sinônimo de cesárea (30% dos bebês nascem com o cordão em volta do pescoço e não há risco de sufocamento, como se diz no Brasil). Que episiotomia é desnecessária. Que bebês sonham dentro do útero materno. Que eles tem soluços. Que eles podem reconhecer músicas que ouviram durante a gestação já nos primeiros dias de vida. E que estar grávida é um barato muito maior do que andar de montanha russa…

Mas que dá um medo sinistro e vontade de gritar o trajeto inteiro, ah, isso dá.

 

Anúncios

5 comentários sobre “Coisas que você não sabe antes da gravidez

  1. Maria, você como sempre me surpreedendo com suas histórias.
    Gravidez é realmente uma viagem sem volta, e assim como a montanha russa dá um medo doido mas, no final, s sensecão de superacão é algo muito louco. Porém, nada mais louco do que o fato de esperar que o seu umbigo exploda kkkkk tú é doida mesmo menina.
    Relaxa que já já o Benjamin chega e tudo isso vai passar…
    Beijos!

  2. Oi Maria,
    estou precisando de um help, meu marido recebeu uma proposta de trabalho em Västerås e estamos analizando as condicoes, teria como vc me passar um site de imobiliaria? Queria fazer um levantamento dos gastos mensais para saber se o salario esta de acordo e por isso penso que o aluguel seria o mais pesado ou tem alguma coisa a mais que vc indica como mais caro que isto? E uma media do valor de curso de Sueco, pois vou precisar…
    Ficaria muito feliz com a sua ajuda,

  3. Gente, to apaixonada aqui. Tipo, morri de amores.
    Simplesmente AMEI teu blog!! Já inscrevi meu mail pra receber notificações de novos posts, e estou ávida por mais informações.
    Primeiramente me identifiquei litros porque temos um linguajar bastante parecido, algo que nunca vi em todos esses anos de internet. Guria por Deus, chorei de rir quando tu escreveste que estava “de varde” em algum lugar hasuhauhs Juro, só escuto essa expressão eventualmente no fundão das grota onde meus “noninhos” (avós) queridos moram, nos píncaros do Rio Grande do Sul!
    Bom, acho q deu pra ver de onde saí né? =)
    Assim como tu, larguei a vidinha no interior dos vales gaudérios pra estudar na “capitar” (Porto Alegre), mas aos poucos sinto que POA vem ficando pequeno pra mim. Pretendo fazer meu doutorado em Lund, com previsão pra 2015/2016, por isso estou me planejando com mega antecedência pra chegar mais ou menos no estilo sueco disciplinado que naturalmente minha criação familiar me moldou. Claro que com características de fábrica por ter nascido no Brasil, mas me identifico com a disciplina até excessiva que tu descreves sobre a Suécia, muitas vezes fico no vácuo pois nem todo mundo aqui é pontual e certinho como eu, do tipo, sim é sim, e não é não sabe? Especialmente na lida sentimental! Bah é brabo, sofro demais da conta com minha franqueza, definitivamente não sei fazer joguinho…
    Pra te tranquilizar, já devorei a seção “leia antes de perguntar” pra não te importunar com perguntas desnecessárias. Te mandei um e-mail e peço encarecidamente que leias, pois minha situação é um pouco peculiar, visto que recentemente adquiri cidadania italiana (graças à minha abençoada mãe que ralou pra conseguir, essa linda! ela sempre me diz que portar o passaporte vermelhinho vai me abrir muitas portas no exterior – apesar de ainda não ter testado se essa premissa é verdade ou não).
    Bom, desculpa o comentário gigante, mas realmente to emocionada em encontrar esse blog!
    Estou rezando pra que tu encontre minha mensagem na caixa de spam.
    Beijos com carinho e muito obrigada desde já!
    Marina

  4. No meio da emoção esqueci de dar os parabéns pela gravidez!!
    Adorei teus relatos super detalhistas sobre essa fase conhecida como a coisa mais fantástica do mundo feminino (apesar que isso ainda é uma ideia MUITO remota e até apavorante pra mim, uma moçoila amante dos livros e que coloca em primeiríssimo plano o fator acadêmico/profissional) Continue escrevendo, quem sabe eu perco esse medo todo hehe!
    Bjão, felicidades!!

  5. ja havia comentado em um artigo anterior,mas provavelmente nao vai lembrar de mim. so sou uma nova fã e leitora de seus textos.
    nossa,que situações mais assustadoras essas.ainda bem que o seu amor é maior – desculpe se estou sendo vaga,mas nao tenho nenhuma experiencia neste quesito.
    todos que falam de gestação sempre falam so bem…adoro a sua sinceridade!
    ah,nao sei se entendi bem mas aí o parto é com parteiras? é em casa?
    eu e todos que ja li algum texto seu te desejamos uma excelente hora e muita saude a voce e seu bebe pelo qual tambem ja temos um certo carinho! 8D

Agora vamos prosear!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s