Três anos de Suécia e mais do mesmo

Eu completei três anos de Suécia em abril mas… olha só como é que as coisas vão mudando de prioridade na nossa vida não é? Logo que mudamos vamos contando os dias, as semanas, os meses, as novidades, sempre e com bastante detalhes. Depois a gente vai deixando isso de lado. Não porque não passemos por situações inusitadas, mas simplesmente porque – no meu caso – eu me acostumei a ter um choque cultural com tudo.

Essa coisa de choque cultural… pá, eu lembro de que quando li sobre isso imaginei que seria mais ou uma menos como um tombo, uma ducha de água fria ou um tapa na cara; que viria assim e pau! Eu sentiria tudo de uma vez e com bastante intensidade. É assim às vezes, mas o fato é que não chega tudo de uma paulada só. Vem a prestações, daquelas em que os juros são flutuantes. Às vezes é só um desconforto, às vezes é angustiante. Nesses momentos dá vontade de jogar tudo para o alto e dizer: cansei dessa brincadeira, eu quero voltar para casa!

E foi isso que eu fiz. Grávida, desempregada e me sentindo o koo do mundo cheguei chorando para o Joel e disse que estava cansada dessa merda de país e que queria voltar para casa. Sorte minha que ele é louco para morar no Brasil. Azar o meu que tudo não é tão simples como fazer as malas, comprar um bilhete e zarpar – ou melhor, voar – para o lado de lá. Mas a bem da verdade é: três anos de Suécia não me fazem amar esse país, não me fazem idolatrar essa riqueza, essa segurança, as facilidades e essa perfeição absurda que me cerca. Três anos de Suécia apenas me levaram a simples constatação de que eu sou, definitivamente, o estranho no ninho.

Nota: acho fabuloso gente que mudou para cá e vive bem e feliz. Quem conseguiu entrar no ritmo e está saboreando intensamente cada pedacinho dessa terra cheia de novidades é que está certo porque dispensa dramas desnecessários, dores de cabeça e desapontamento. Vocês tem meu respeito.

Ainda ontem comentei que minha vida na Suécia ainda parece estar dentro de uma bolha. Quando voltei para cá em abril lembro dessa sensação ser muito forte nos primeiros dias: essa paisagem ao meu redor é familiar, mas parece muito a cena de algum filme que eu vi. Eu poderia ser o personagem de algum suspense tenso, daqueles que você espera durante o filme inteiro que algo aconteça e no fim…  não havia nada para acontecer. Talvez essa sensação de estranhamento venha porque de forma inconsciente eu sou a espectadora a espera dessa alguma coisa e não percebi que essa alguma coisa acontece todo dia, mesmo sem ser extraordinária.

Ainda é uma dificuldade muito grande me conectar com suecos. Já desisti. Às vezes me chateio imensamente com isso – ontem foi o caso – mas na maioria dos momentos somente aceito que não rolou e ponto. Eu tenho outros latinos a minha volta, outros estrangeiros e brasucas com os quais é muito simples conversar, marcar um encontro, falar ao telefone ou simplesmente mandar um recado no facebook. No final das contas pode ser que os suecos com quem eu convivo acreditam que estejam super conectados comigo – mas eu não sinto isso. Eu sou quem liga, quem convida para sair e quem tenta manter a conversa animada – sempre. Se eu não fizer, fico no vácuo eterno.

A sensação de solidão é constante.

Quem sabe isso mude agora que eu tenho um emprego e que eu vou estabelecer uma certa rotina na minha vida afinal, quando se tem muito tempo para coçar se acha até chifre em cabeça de cavalo. Quando converso com outros brasileiros a respeito da minha insatisfação em morar aqui eles só sorriem e dizem que assim que eu tiver meu filho minha cabeça vai mudar, eu vou priorizar outras coisas que eu não posso ter no Brasil. Eu me pergunto quais são as minhas prioridades e, sinceramente, ainda não entendi porque elas vão mudar assim que meu filho nascer. Ao contrário, antes de engravidar eu pensava que a Suécia seria um ótimo lugar para educar uma criança. Já desde que engravidei tenho enormes dúvidas. Quem sabe seja isso que acontece com tantos pais pelo mundo afora – e pelo Brasil também – principalmente aqueles que me escrevem querendo saber como mudar para cá porque querem dar um futuro melhor aos filhos – afinal o Brasil anda assim, assado, frito e cozido – e parece que ninguém gosta desse combinação.

Não sei o que responder. Provavelmente minha insatisfação venha porque não me acostumei com o estilo de vida sueco. Talvez seja birra ou minha eterna teimosia que me faz reclamar sempre… o fato é que quando alguém me escreve no seco com “eu quero pelo amor de Deus ir embora daqui!” (do Brasil) minha única vontade é dizer “eu também pessoa… vamos trocar de lugar?”

Qualquer dia desses enfio o Joel numa mala e o nome do blog muda para “de volta para minha terra”. Pena que o programa do Gugu acabou.

 

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16 comentários sobre “Três anos de Suécia e mais do mesmo

  1. Oi Maria!
    Não canso de falar que amo seus textos. Seu jeito de escrever me fascina…a-do-ro!
    E é impressionante como me identifico com o que você descreveu.
    A minha condicão aqui na Suécia, como sempre ouco falar – é boa, em relacao a ter um emprego e uma perspectiva de futuro – mesmo que na área de pesquisa não exista estabilidade – vc tem emprego até quando seu projeto pagar seu salário – depois disso tá desempregada de novo.
    Mas eu não acho sinceramente que ter um trabalho mudou alguma coisa pra mim, em termos de amar este país. Eu continua me sentindo sozinha, a solidão é constante, como vc mesma diz.
    Os suecos que me cercam (a maioria amigos do lovis) e o povo do trabalho tem um jeito muito “especial” de ser. Infelizmente ainda não consegui me conectar profundamente em amizade com nenhum sueco. Eu tenho uma “amiga”, acredito que ela me considera super conectada, mas acho no fundo uma coisa tão superficial, fria…sei lá…tipo feijão sem tempero, sabe?
    Eu sinto falta de gargalhadas, de falar besteira, de beijos e abracos, de ser interrompida quando eu to falando, daquele barulho gostoso de uma monte de gente falando ao mesmo tempo, da casa cheia, de fartura de comida, de não-pontualidade, de comida de buteco, da vida informal. Eu sinto saudade do calor, de usar minha havaianas, de poder comer uma fruta do pé bem docinha, de dividir a cerveja… das milhares de tipos de porcões que temos pra beliscar quando estamos socializando – aliás, que saudade de poder fazer isto. Eu estou numa fase de “odeio esta perfeicao e esta vida de robô que este povo daqui vive”. Vontade de sair gritando isto na rua…hahahahah

  2. Maria, o que acabo de ler me leva a refletir sobre o que também sinto aqui no Brasil. As coisas estão bem difíceis por aqui e, realmente, não sei se vindo para cá encontrará o que deixou. Infelizmente estamos copiando com uma velocidade assustadora o que há de pior nos países chamados desenvolvidos… e vamos somando a isso os nossos próprios problemas.
    A frieza nos relacionamentos é o que se tem; e vou te dizer, esquece aquela receptividade e calor-humano com que nos tratávamos. É passado! Nós também estamos nos robotizando. A cada dia é menos aceitável um pequeno atraso ou uma gargalhada mais alta. Talvez seja uma visão pessimista, mas é o que venho sofrendo na pele, até pelo fato de ser uma pessoa extrovertida e estar sempre esperando encontrar no outro um “parceiro”.
    Venho dando com meus burros n’água.
    Deixei de ir às confraternizações no trabalho porque têm, cada vez mais, o sabor de bolo dormido.
    Creio que quando seu bebê nascer você terá uma sensação de pertença que imagino não sinta agora.
    Posso estar errada, mas para mim, talvez seja melhor ser “caipira na Suécia” que um “estranho no ninho”. Aí, você tem liberdade de andar pelas ruas sem estar acompanhada do medo constante de vir a sofrer as mais perversas formas de violência. Não sou mais uma a querer estar fora do Brasil, mas enxergo com muita clareza o caos em que vivemos. Torço por você!

  3. Uau Maria! Esse depoimento da Rosania me parece bem oportuno. Sabe que essa semana Recife (a cidade que eu morava antes de deixar o Brasil) está um caos. De ontem para hoje vários homicídios ocorreram porque a polícia está em greve e qualquer cidadão pode tornar-se um “refém”. E nessas horas, eu penso na vida que venho levando aqui fora, nesse país um tanto quanto sem graca. Não existe paraíso, Maria. :(

  4. Olá,
    Tenho pesquisado bastante sobre a Suécia, pois tenho muita vontade de conhecer, mas antes quero saber bem por onde irei pisar. Então procuro blogs que compartilham experiências de brasileiros por essas terras. Encontrei o seu e gostei muito.
    Tenho uma amiga sueca que mora no Brasil, e já faz um tempo que nos conhecemos e até hoje eu ainda sinto essa distância, falta de uma conexão por parte dela na amizade, e me identifiquei e até dei risadas aqui quando você falou que é você quem liga e convida para sair, busca assuntos senão é vácuo eterno, haha, porque acontece o mesmo comigo, e é chato isso. Eu até já cheguei a pensar que incomodo muitas vezes, e acho esquisito, e fico pensando: – será que todos os suecos são assim?! Mas ela sempre diz que eu sou uma boa amiga, gosta da minha companhia, porque sente-se solitária e quando conversamos ela fica bem, não sei, talvez seja essa diferença de culturas mesmo.
    Bem, boas vibrações para você! Que tudo melhore. Muito sucesso com o novo emprego e o bebê. ;-)
    Abraços.

  5. esse post foi o que mais gostei dos,ainda, poucos que já li.
    mesmo não tendo viajado muito acho que me identifiquei bastante com ele,porque sempre que tenho essa sensação de isolamento e distancia do meu pessoal de casa, bate aquele “aqui não ta legal,quero voltar – pra ontem!”
    não tenho filhos,mas também tenho essa duvida sobre onde criar filhos e não me imagino saindo do meu país pra isso,afinal a minha imagem de infância perfeita são crianças saudáveis correndo em um quintal verde,num lugar estável e sossegado.
    boa sorte com a adaptação diária!
    obrigada por mais este compartilhamento.

  6. Adorei mais esse post!
    Sempre me seguro pra não soltar “no seco”, como tu diz, “peloamordedeus quero sumir do Brasil pra ontem”, pois tomo por premissa fundamental em minha vida nunca colocar muita expectativa em uma outra situação que não seja a minha atual (seja ela um emprego/curso novo, um novo ficante, ou uma nova cultura). Apesar da minha vontade enorme de ir estudar na Suécia ano q vem, já sinto saudades “antecipadas” das risadas com minhas amigas, da minha família e da relação maravilhosa que tenho com meus pais, da comida daqui, da riqueza da nossa natureza, frutas, saladas, feijão com arroz e do chimarrão!! Mas cheguei em um ponto que não suporto mais pegar bus lotado, ter que pagar horrores pra poder sair me divertir, as grades por tudo, vizinhos barulhentos e ignorantes, além da miséria moral que é saber que se tem 2 pernas saudáveis e ter q pegar taxi só porque é perigoso caminhar (gente, CAMINHAR) a partir das 18:00h na rua. Ou seja, a rua, a cidade, não nos pertencem mais. Sempre me questiono: afinal, quem é o bandido? Eu, que só quero andar e passear de bici? Me deprimo pois estamos nos acostumando a viver sempre com medo, e considero que isso é o fim para uma sociedade: acostumar-se e achar normal tudo isso. Isso que eu não posso me queixar, moro em um bairro nobre de POA, cidade bonita e arborizada, mas que não permite curti-la sem medo. Não idealizo muito com mega-expectativas, e muito menos tenha a certeza de que vou viver feliz para sempre caso me mude pra Suécia. Acho perfeitamente possível não gostar e querer voltar correndo pros braços da mãe e do pai, afinal nunca se sabe… Mas confesso que a cada dia que passa, mais vontade tenho de saber como é morar em um lugar onde tudo funciona, onde a educação é levada a sério, onde criança pode brincar na rua, onde as pessoas não se matem tanto (na Suécia também deve haver assassinato ou estupros, mas acredito q não sejam tão banais como aqui).
    Continue escrevendo, desejo de coração que essa sensação de abandono passe, pra ti ser feliz e aproveitar as coisas maravilhosas daí, e que o Brasil infelizmente nunca vai ter!
    Beijos

  7. Mariiiiiaaaaaaaa!!!

    Primeiro preciso dizer que esse post foi um dos mais bem escritos e sinceros que eu já li no seu blog em todos esses anos.
    Não é segredo para ninguém todos os conflitos que já tive nesse país, você sabe disso também e como eu fui super criticada por outras brasileiras por não me sentir bem aqui. A verdade é que eu simplesmente decidi gostar daqui, aliás, eu gosto da Suécia, do sistema, da segurança.. Tudo isso que você falou aí encima. O meu maior problema é a solidão.
    É muito difícil ser amigo desses amarelos, se fazer compreendida sem ser julgada e não ficar no vácuo. Pq assim como vc, eu também sou a que procuro, convido e a reciproca não é verdadeira… Hahaha, pior ainda é que isso também acontece com brasileiras, quanta decepção. Semana passada mesmo deixei um recadinho para um encontro com outras mães na comunidade lá e fiquei assim, boiando igual bosta. O que acontece com as pessoas? Tá todo mundo virando sueco meu Deus!
    Bom, eu cheguei a conclusão que o problema sou eu. Talvez eu seja desinteressante, chata e fútil. É eu sei, posso ser um pouco nojentinha mesmo. Mas voltando ao post…
    Eu amo a minha terra, mas ainda assim não quero me submeter a vida que tive lá, principalmente com filhos. E assim também estou sempre em dilema entre a cultura daqui e a minha forma de educar no Brasil, mas hoje vejo isso como vantagem pq vivi nos dois mundos e posso usar disso ao meu favor, mas é triste, muito triste ter que ver meus filhos crescendo longe dos meus pais.
    Só quero dizer que apesar de não largar a mão disso aqui, mesmo não sendo totalmente feliz, também decidi não reclamar mais, pq né? É decisão minha continuar aqui, se eu não estou feliz que arrume meus paninhos de bunda e me mande. Por isso quero dizer que te encorajo muito com essa decisão e desejo de todo coração que isso possa ser realizado e que o Benjamin possa ser uma criança muito bem resolvida entre os dois mundos.Ou caso você mude de idéia, o ficar na Suécia também te traga paz e não é bom viver aqui infeliz e sem contentamento, eu fiz isso por muitos anos e ainda assim ando na busca de mudar de Estolcomo, pq acho que no sul deve ter um pouquinho mais de calor humano, pelo menos foi essa a experiência que tive por lá.

    Boa sorte! (afff, desculpa a carta que eu escrevi)
    P.S – Sua caixinha de roupas anda crescendo aqui em casa, se você souber alguém que esteja indo pra Gotemburgo me avisa para eu mandar, tá?

    Bj

  8. Maria, não sei se isto já aconteceu a você mas às vezes, quando leio um texto com o qual me identifico demais, fico com dificuldades em comentar. Ou melhor, em comentar e dizer algo mais do que “é exactamente assim que eu me sinto”. Mas achei que deveria dizer na mesma: é exactamente assim que eu me sinto em relação à Suécia e à vida neste país. Já lá vão 5 anos…
    Obrigada por descrever o que eu sinto, mesmo não tendo sido de propósito.
    Beijos

  9. Minha mudanca pra suécia é dia 28/07. Estou simplesmente em panico… Tenho muita dificuldade em fazer novas amizades, fico imaginando minha vida aí e nao consigo me imaginar com uma vida social… com amigos e programas como tenho aqui. Isso me deixa bastante angustiada..

  10. Olá Maria.
    Me identifiquei muito com o seu post.
    eu morei seis anos aí ( em Luleå, cu do mundo) e nunca me habituei a viver aí. Embora tivesse trabalho, as coisas fossem fáceis (escola, médico, etc e tal) a solidäo era esmagadora! Impossível se aproximar dos suecos! A princípio parecem simpáticos, fáceis de se relacionar, mas na verdade parecem que vivem numa bolha e näo podemos entrar nela.
    Depois de seis anos aí, peguei minha filha, arrumei minhas malas e vim embora. Agora estou há dois anos aqui e devo te dizer que, por mais que eu ame o Brasil, a minha vontade agora é voltar.
    Talvez sua situacäo seja mais fácil que a minha, sozinha e com uma filha pequena pra criar, e você näo dependa de trabalho para viver aqui.
    Eu, já com mais de 40, estou tendo uma dificuldade imensa de conseguir trablaho mesmo com um currículo invejável. Aí lembro das facilidades daí. Mas para dizer a verdade ainda tenho dúvidas quanto a trocar as facilidades daí pelas dificuldades daqui, porque aqui, com todas as dificuldades do mundo, as pessoas säo calorosas, você consegue conversar com o vizinho, os dias säo bonitos e temos verde a maior parte do tempo. E isso, nenhuma facilidade daí é capaz de superar.
    Um carinhoso abraco (pc sueco, näo tenho cedilha),
    Ana

  11. Querida, é bem por aí mesmo. Acho que não importa o quanto a gente viva em outro país e o quão bem nos adaptemos, mas nunca será a mesma coisa para nós .O que é ” errado mas socialmente aceito” naquela cultura não pode ser dialogado abertamente com os nativos, porque eles não vêem as coisas como realmente são, mas como criticismo da parte dos não estrangeiros.

    Acho que uma das coisas do Brasil é que a gente aceita como o nosso país é. A gente não passa a mão, não tenta maquiar, mas quando a gente vem morar em outro país, onde a mídia mostra só o bonito,o choque só aumenta. Foi o que eu experimentei por aqui.

    Eu aceitei que eu não posso esperar que os americanos me dêem o que eles não tem nem entre si: uma amizade verdadeira, de estar presente independente do que aconteça, de ser amigo por ser amigo e não por barganha.

    Beijos

    Gisley Scott |Querido Deus, obg por me exportar!

  12. Isso mesmo, Gisley. Moro nos States e tambem senti a diferenca cultural. No comeco, voce eh a diferente, uau! Que legal! From Brazil, bla, bla, bla! Depois eles se juntam aos amigos deles e voce fica no isolamento. Vem a saudade dos amigos, da sua familia, da sua liberdade – ja que eu me casei e agora tenho uma filha – e da falta de oportunidades, porque bairrismo existe sim.

    Acontece que voce muda depois que se torna mae. Voce ganha esse nome “mae” e nunca mais sera a mesma pessoa, mesmo que voce queira ou tente. Nao consigo mais me ver numa mesa com amigos porque penso na minha filha, que sempre esta comigo e tem sempre minha companhia. Quem sabe um cafe a tarde porque a noite ela vai dormir e voce precisa estar junto para ela ir dormir tranquila. Antes de sair do Brasil, eu ja havia morado em duas cidades diferentes da minha cidade natal e eu ja me via diferente ao retornar a minha cidade de ferias. Imagine entao, morando em um pais diferente! A gente muda e o povo da sua terra espera que voce ainda seja a mesma pessoa. A gente muda porque a gente abre os olhos para novos horizontes.

    Desde que, ja se passaram 6 meses desde que o Benjamin nasceu, voce podera ter mudado de ideia ou podera simplesmente estar como eu: tao envolvida com o seu filhote que nao tem tempo para pensar em mais nada.

    Feliz Natal pra voce e pra sua familia linda!
    Se precisar de conversar, voce sabe o meu email.
    Bjao!

  13. Ao ler o post e os comentários percebo que a solidão é um fator que nunca é contabilizado quando decidimos largar tudo e ir para outro país. Há alguns anos me mudei com a família para Portugal (4 filhos e marido) e três anos depois de muito sofrimento e choradeira voltei finalmente pra casa (Brasil). Culpei bastante os portugueses e sua cultura pela minha insatisfação. Um dia ouvi algo muito interessante sobre imigração: o erro está em querer impor a nossa cultura ao pais que nos recebe, em querer fazer deles brasileiros, na verdade o maior preconceito está em nós mesmos, imigrantes. Que mesmo gostando das facilidades encontradas ainda queremos um pouquinho de Brasil, de raízes, do conforto do conhecido. E nos ressentimos, e muito, por não conseguirmos ter, em outras culturas um pouquinho do que estamos acostumados. Se a cultura brasileira é a melhor de todas? Não sei, mas é algo com que estamos acostumados, nascemos nela! Simples assim. Hoje penso em voltar pra Europa, na verdade Suécia tem sido um potencial alvo. Mas trabalho na minha cabeça que não vou em busca de um Brasil melhorado. Tenho que manter a mente aberta pra aceitar e mergulhar de cabeça na cultura do pais. Inclusive na educação dos meus filhos para que eles se adaptem da melhor forma possível. Vai uma dica para aqueles que sofrem: tentem ao máximo se despir do preconceito em relação a cultura do novo pais, quando a saudade apertar visitem o Brasil, e lembrem-se que enquanto não aprendermos a viver conforme as novas regras, vamos sempre nos sentir estranhos no ninho. Espero a felicidade de todos. Bjs

  14. Olá, estou na Suécia (Estocolmo) há 3 meses. Vim pra Suécia com uma bolsa de pós-doc do Brasil e ficarei aqui por 1 ano. Já havia morado 1 ano nos Estados Unidos nas mesmas condições (só que sem o meu marido brasileiro). Agora achei que tudo ia ser perfeito pois afinal ele está aqui comigo. Acontece que hoje me peguei com uma vontade imensa de gritar, chorar e estrangular alguém….kkkk. Antes de fazer isto busquei alguma solução… uma palavra amiga que tente acalmar este choque cultural que as vezes sentimos morando na Europa. Aí achei o seu post… adorei. Gostaria de te perguntar se vc sente que as coisas aqui são muito lentas? Sinto isto desde contratar uma internet até no meu trabalho. No Brasil e nos USA a minha pró-atividade me ajudavam, aqui sinto que me atrapalha…. sinto que tudo acontece em camera lenta e eu tenho vontade de gritar por conta disto…. afff precisava desabafar….pois estou tentando ser Lagon e isto está fazendo crescer um câncer dentro de mim.

Agora vamos prosear!

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