Guia rápido e rasteiro para mudar para a Suécia

Obrigada Globo Repórter, por fazer uma reportagem linda mostrando a Suécia maravilhosa do verão.

Sem ironias, esse é um país muito bom para se viver. Se você quer saber mais sobre, tem todos os posts desse blog para você matar sua curiosidade e ficar com raiva de mim por causa dos meus pontos de vista bobos. Mas como quem quer mudar tem pressa, preparei esse guia, principalmente depois de receber uma série de pedidos do tipo: e aê guria! Blz? Quero morar na Suécia, como é que eu faço? Simples, é só seguir os passos desse…

Guia rápido e rasteiro para mudar para a Suécia:

1. Prepare-se para fazer a mudança depois de um ano, ao menos. Isso mesmo. Não dá para vir para cá de mala e cuia sem visto. Visto você só consegue para estudar, trabalhar ou viver com um parceirx suecx. E o processo de solicitação demora, às vezes, até um ano. E por favor, não me mande perguntas sobre visto, fale com a embaixada sobre isso.

2. Planeje-se. Você pode estudar na Suécia por meio do programa Ciências Sem Fronteiras (se você fala inglês), ou trabalhar em uma multinacional (se você fala inglês), ou arrumar um parceirx suecx (nesse caso, falar é um tanto importante, mas ficar quieto pode ser ainda mais). Dê uma olhada nos site da Embaixada da Suécia em Brasília, eles tem informações incríveis relativas a todos os três processos. E de novo, não me mande perguntas sobre o visto.

O Ciência sem Fronteiras tem vagas para a Suécia ao menos uma vez ao ano, fique de olho. Há sites específicos para buscar por oportunidades de trabalho na Europa. Se você já tem uma boa faculdade dê uma olhada se o seu perfil não se encaixa em uma empresa sueca com filial no Brasil, tipo a Volvo, Skanska, Ericsson, etc. Trabalhar no Brasil já te abre portas para experimentar a vida no exterior, quem sabe, não apenas na Suécia. Se nenhuma das opções acima te parece interessante e você tem fetiche por vikings barbudos, faça um perfil em sites de relacionamento tipo match.com . Não é sarcasmo não. Essa semana mostraram uma pesquisa dizendo que o número de suecos que busca por parceiros em sites de relacionamento cresce cada vez mais. Vai que você dá sorte?

Não estou incentivando ninguém a dar golpe do baú. Só quero que fique claro que mudar para o exterior é um processo que é demorado e não se resolve do dia para a noite. E é suado. Tanto para estudar, trabalhar ou arrumar um parceirx aqui exige muita energia e dedicação.

3. Leia tudo que puder sobre a Suécia. Há blogs sobre a vida na Suécia (além desse, tem uma lista no rol de blogs ao lado que, eu sei, está desatualizado), há grupos sobre a vida na Suécia no facebook. Mas não seja o tipo chato que fica fazendo perguntas tipo: me arruma um emprego aí? Dá para me mudar sem visto? É muito dura a adaptação? Adaptação é como reeducação alimentar: tem gente que tira de letra, enquanto outros ainda acordam no meio da noite para comer chocolate. Isso não significa que no primeiro caso rola menos sofrimento. Tem a galera que chega, ama logo de cara e vive feliz durante um bom tempo e depois, cai na rotina e começa a odiar. O contrário também é verdadeiro: gente que odeia, sofre e chora e queria voltar para casa ontem, mas depois cai na rotina e gosta (ou se conforma). E gente que ama hoje, odeia amanhã, engole depois de amanhã, quer voltar na semana que vem, mas no mês que vem resolveu que esse é o melhor lugar para se viver ever. Você melhor do que ninguém sabe que tipo de pessoa você é. Nesse caso, vale ler muito, de tudo. Tanto os pontos positivos quantos os negativos tem que ser levantandos. Por isso que eu acho que blogs sobre a Suécia são a melhor forma de ter uma ideia, principalmente blog de gente que escreve há anos – e aí não importa se a pessoa já parou de escrever ou continua postando. É aí que você encontra relatos do dia a dia, tantos felizes quanto infelizes. Leia também coisas sérias, sobre a política sueca, economia sueca e etc. Um bom canal para esse fim é o The Local (em inglês).

4. Se você não fala inglês, estude ingês antes de vir para cá. Fazer intercâmbio cultural para aprender inglês na Suécia é muito estranho, no meu ponto de vista, uma vez que o idioma oficial do país é o sueco. Quer aprender sueco e tentar um interncâmbio cultural para isso, fine, mas se você quer aperfeiçoar o seu inglês… well, você está fazendo isso errado.

5. Tenha em mente que sem sueco você praticamente não consegue um trabalho. Há duas exceções: quando você já trabalha para uma multinacional em uma função em que o inglês é predominante, ou foi contratado falando apenas inglês; ou no caso de você vir como professor pesquisador. Ué, mas você não diz para estudar inglês antes de vir para cá? Digo. Aqui praticamente todo mundo fala inglês. Se você vem estudar por um tempo vai se virar bem falando inglês; e se vem se amarrar é bom saber inglês para não ficar tão dependente. Mas chegar aqui falando inglês fluente não te dá maiores chances de encontrar um trabalho (a menos, é claro, que você seja um fodão na área de TI, engenharia, marketing, comunicação, economia, sei lá… mas nesse caso você não terá problema em descolar um trampo em qualquer lugar do mundo não é mesmo?). O inglês abre portas sim, mas aqui todo mundo fala inglês, então você é apenas mais um na multidão, saca? Em média, estrangeiros (com educação superior) levam cerca de 7 anos para entrar no mercado de trabalho de forma definitiva, ou seja, para conseguir um trampo integral com salário legal. Eu levei três anos para descolar um trampo integral, e conheço outras brasileiras que também conseguiram se estabilizar um tanto quanto rápido. Mas isso é uma questão de sorte e, muitas vezes, de QI – de Quem Indica mesmo, não de cérebro. A Suécia é uma roça – já dizia a Cinthia – e aqui é super importante que alguém diga que você é uma pessoa do bem. E essa pessoa tem que ser um sueco.

É isso. Espero que ajude a clarear um pouco as ideias de quem está buscando uma luz.

Ah, eu acho legal receber feedback dos leitores. Também procuro responder quando me escrevem, mas se você quer orientação, LEIA ANTES DE PERGUNTAR.

Boa sorte!

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17 comentários sobre “Guia rápido e rasteiro para mudar para a Suécia

  1. Também adorei a reportagem, e teus posts são uma bênção para os perdidos de plantão, como sempre =]
    Queria só perguntar uma coisa: até onde sei, com a cidadania italiana consigo fazer o Master ou o PhD sem pagar as taxas (tuition fees), uma vez que a Suécia faz parte da UE. No entanto, tenho procurado informações sobre bolsas de estudo (quando o governo paga um salário pra ti te manter) e não encontro nenhuma resposta nesse sentido. Existe alguma possibilidade de bolsa de subsistência para pós-graduando cidadão europeu, ou esse tipo de auxílio só é concedido para cidadãos suecos?
    Agradeço a compreensão e aguardo ansiosamente uma resposta.
    Beijos
    Marina

  2. Oi Marina,
    Não sei nada sobre bolsas, apenas o ultra básico: quem estuda recebe um apoio do governo chamado CSN. Esse apoio é repassado também para a educação de jovens e adultos, para as pessoas com visto de residência permanente na Suécia. Uma parte desse repasse é bolsa, outro é empréstimo. Se há outras formas de auxílio, ou de o CSN também é concedido aos cidadãos europeus, não sei. O mais certo é enviar um email perguntando diretamente ao responsável pelo curso que você está pensando em fazer.
    Boa sorte!

  3. Como sempre muito bem escrito e super legal de ler. Agora uma coisa que ficou subentendida no seu texto e no Globo Repórter é que aquelas paisagens e coisas bonitas , são no verão que as vezes dura uns dias , sei lá……rsrsrs Conheço brasileiro que vive por ai e parece que tem problema constante de depressão…. Falta de dias ensolarados??? Sei lá… Acho que também !

  4. É sim Aparecida. O primeiro “verão” que vivi aqui a temperatura média era de 15°C e choveu o verão inteiro. Deprimente. Aqui em Göteborg sempre se diz que “o verão sueco é muito lindo, pena ser um dia que acaba rápido”. Hehe

  5. Gostei (muito) do breve e bem humorado guia rápido que vc escreveu!
    Eu, assim como muitas pessoas que conheço, sou um grande apaixonado pela Suécia mas só penso mesmo em conhecer a nível de turismo, passear. Minha paixão pelo país começou através da música e hoje se estende a cultura no geral, adoro ler a respeito, constatar pontos de vistas diferentes, identificar mais curiosidades que me fascinam tanto.

    Parabéns! Não conhecia o Blog mas a partir de agora já virei leitor assíduo!

    Forte abraço.

    C.

  6. Maria Helena, estive meio afastado da blogosfera por problemas de saúde, mas já estou bem e de volta. Para matar minha curiosidade e corujisse, gostaria de saber do seu filho, pois sou do tempo em que você estava grávida e a cada comentário que eu fazia no seu blog eu mandava um beijinho na sua barriga, para ele. Espero que tudo esteja bem.
    Quanto ao seu post, você sempre escreveu a realidade sobre a Suécia e colocava os prós e contras na sua vida. Nunca vi você reclamar. Pelo contrário. Durante sua gravidez você foi contando o atendimento que teve aí e a organização que a esperava após o nascimento. Enfim, você é uma perfeita guia da Suécia para nós, brasileiros. Um beijo para vocês aí.
    Manoel

  7. Marina, a oferta de bolsas aqui e escassa. Ha alguns convenios com outros paises, mas pelo que eu me lembro, nada com a Europa. Os meus colegas de mestrado, quase todos europeus, nao tinham bolsa. Nao sei os que vieram pelo Erasmus. Ha ainda algumas bolsas restritas a alguns cursos (que pode variar a cada semestre/ano). Mas no proprio site onde vc faz inscricao, vc tem acesso a essa informacao.

  8. Obrigada Maria Helena, já é de grande ajuda teu esclarecimento!
    Carioca, que triste saber disso… Especialmente pois sofro do agravante em ser das Ciências Humanas, a pobre coitada/excluída de tudo na hierarquia das bolsas =(
    Sobre a cidadania europeia, cresci sendo iludida pelos adultos de que meu passaporte vermelho ia me garantir um mundo de possibilidades, e só pelas informações que obtive até agora, considerar ir por conta própria só deu indícios de que a #missãosuécia vai sair bem mais caro do que eu imaginava….
    Se ao menos fosse tranquilo chegar aí como cidadã e conseguir de cara um emprego (sei lá, garçonete, vendedora de jornal, passear com dogs, eu encaro qualquer trampo) aí já seria outra história. Digo isso pois esse mês li um artigo na revista Piauí que tem MUITOS suecos jovens recém-formados indo trabalhar na Noruega, pois aí a coisa não anda muito fácil. (Confere, produção?)
    Pelo visto, acho que a melhor saída é eu tentar um doutorado-sanduíche, mantendo o vínculo com uma universidade brasileira… Vou enfrentar meus perrengues com visto e tudo o mais, mas se meus planos de ganhar na mega da virada não se concretizarem, se rolar um intercâmbio com bolsa vale tudo né!
    A propósito, em qual universidade tu estás?
    Beijão, e muito obrigada pelas informações =]

  9. Oi Maria! Muito bom esse artigo! Moro em Kalmar. To compartilhando no Facebook. Achei as dicas praticas, objetivas e rapidas. Nao sou seguidora de blogs, mas dei uma passada rapida pelo teu e achei bem interessante.
    Parabens!
    Rosane

  10. Marina, nao entendi o seu comentario, voce chegou a olhar as listas das bolsas oferecidas?
    Eu estudo na Stockholm University (SU).

  11. Olá Maria! Faz tempo que leio o seu blog, mas só hoje resolvi deixar um comentário. Você resumiu bem tudo. Isso é ter uma visão realista das coisas. Também já vimos muitas perguntas, comentários de brasileiros no facebook com a intenção de morar na Suécia porque acha um país legal e queria tentar a sorte. Realmente aqui não é um país de tentar a sorte, você precisa personummer, saber falar sueco e ter contatos suecos para entrar dentro do sistema.
    Claro que a Suécia tem muitas vantagens e muitas coisas boas em relação ao Brasil, principalmente a questão da segurança pública e educação. Mas temos que ser realistas quanto a questão do trabalho para estrangeiro, aqui realmente é difícil para inserir no mercado de trabalho. Até para vender cachorro quente na rua exige uma série de licenças e bem capaz você ter que fazer um curso ainda sobre a arte de fazer cachorros quentes. E ainda se você não ter o certificado como aprovado no curso, fica mais difícil ainda.
    Eu moro há 1 ano e 4 meses aqui, já passei pelo SFI, estudo no Komvux e próximo semestre espero acabar o SAS 3. Eu era professor no Brasil e pretendo ser aqui ainda. Sei que preciso ter o SAS3, ainda completar os estudos na universidade para entender o sistema educacional sueco e depois buscar a legitimação para professor. Um longo caminho ainda. Mesmo com tudo isso, ainda sem previsão de trabalho, se surgir um trabalho de tempo parcial, tenho que agradecer. O trabalho de tempo integral ainda nem sonho muito, para não me frustrar, deixa rolar, uma dia ainda vai acontecer. Abraço!

  12. Pingback: O poder da mídia globo! | Mundo da Mari

  13. armaria, assim vc mi disanima, oxente!
    brincadeira à parte a gente sabe que a Globo adora “dourar a pílula”, mostrar que o Brasil é pior e lá fora é bem melhor, não que não seja, mas é questão de política tendenciosa mesmo… eu vi a reportagem da Globo e me encantei mas não tenho os pré-requisitos nem idade para embarcar, mas suas informações são interessantíssimas!
    Obrigado pela inteligente idéia de “colocar os pingos nos “i’s” da Globo.

  14. Republicou isso em Aventuras na Nevee comentado:
    Já faz uma tempo que minha amiga Caipira escreveu este maravilhoso guia de como morar na Suécia, e à muito tempo eu tenho pensado em reblogá-lo mas fui deixando passar. Enfim, para quem tem como meta mudar de mala e cuia para a terra do gelo, espero que o passo-a-passo da Maria os ajude.

    Apenas reforçando, nós não escrevemos as leis, nós não adiantamos o lado de ninguém, o que podemos fazer é passar nossas experiências e impressões sobre tudo. No mais, fique à vontade!

Agora vamos prosear!

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