Ciclos

Eu vivo escrevendo posts pela metade que nunca são publicados. Esse vai ficar meio pela metade, mas vai ser publicado.

Faz algum tempo que eu percebi que sou adulta. Entrei no mundo cinza e chato das responsabilidades e deveres. É um mundo de possibilidades também, mas essa segunda parte é mais complicada. Primeiro o dever, depois o prazer. E dentro da criação católica que recebi quanto menor a dose de prazer melhor, afinal, se você não sofrer o pão que o diabo amassou não vai ser digna do céu.

Hoje foi meu último dia de trabalho no abrigo. Em fevereiro vou virar assistente social de escritório e trabalhar com bolsa família sueco.

Sei lá, a empolgação não está fazendo parte dessa mudança. Não sei se é porque a gente fica mais sério mesmo quando amadurece e se vê adulto, ou se é por causa daquele lance católico (ultimamente eu tenho lido bastante sobre as misérias desse mundo e se existe um inferno que é pior do que a maioria da população mundial passa diariamente cara… eu definitivamente não quero ir parar lá) ou se é porque a minha vida tem mudado tanto ultimamente que nem sinto as mudanças… o negócio está sendo meio… ok. Vou ser assistente social. Vou trabalhar em Gotemburgo. Não vou mais passar três horas indo e voltando do trampo. Vou ter todos os finais de semana livres.

Eu poderia deixar uma frase bem bonitinha tipo “um ciclo se fechou e estou muito satisfeita com a experiência adquirida”… mas pra ser sincera meus ciclos ultimamente estão mais para ciclones, e ao que me parece estou muito ocupada com a bruxa do norte.

Será que existe uma estrada de tijolos dourados?

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6 comentários sobre “Ciclos

  1. Maria Helena a frase vou ser assistente social de escritório resume tudo. Eu como sua colega de profissão, apesar de nunca ter saído do Brasil, entendo perfeitamente. A opção de dar mais atenção ao seu filho e sua família, mas por outro lado o pavor de tornar-se mais uma burocrata preenchendo formulários e alimentando os sistemas governamentais. Tendo mais contato com a papelada do que com gente.
    Mas menina , pelo pouco que te conheço por aqui, tenho certeza que você nunca será uma burocrata chata, o ser humano sempre será o foco principal de suas ações .
    E pense que esse serviço precisa de gente como você pra dar uma mexida nas suas estruturas.
    Boa sorte nessa nova etapa e um grande beijo.

  2. A Aparecida resumiu o que eu pensei: pelo pouco que te conheço por aqui, você irá focar no que acha que é verdadeiro – o ser humano.

    Só espero que neste novo ciclo você continue escrevendo hahahaah =D

    Abraços e desejo o melhor para vc!

  3. Às vezes temos a tendência à romantizar demais as coisas da vida. Até nos forçamos pra ficar mais felizes e empolgados com certas coisas que deveriam ser vistas como rotineiras, só porque é o esperado que a gente faça. Que bom que você não vai precisar mais passar centenas de horas em transporte público! Que maravilha ter todos os fins de semana em casa! Um alívio, aposto. Um pensamento feliz, e então a vida segue. Abraço!

  4. É verdade, antes eu tinha medo de ser incapaz, hoje em dia, eu tenho receio de ter pessoas do mal trabalhando junto a mim, prefiro ganhar menos do que morrer de estresse wwoow. Sim, eu vivo este mundo cinza desde que eu vim trabalhar em São Paulo :( faz parte do amadurecimento :P mas sempre que possível vibre mesmo sem nenhum motivo. :*

  5. Oi Maria obrigada por tuas palavras adorei ler e ver tua evolução na Suécia. Sei bem como é ter filho pequeno e conciliar tudo ja passei por isto hoje minha filha tem 20 anos. Aproveita cada momento eles crescem rápido. Mudei para a Europa a 25 anos saí de Porto Alegre RGS para estudar ., morei em Portugal. Depois de namorar 10 anos e minha filha já estar crescida resolvi mudar para a suécia ( Halmstad) . Nào é fácil vinha muito para cá a passeio mas agora mudei de mala e cuia..vamos ver o que segue segue . Espero que tenhas tempo para escrever no blog gostei de ler.

  6. Bem, todos fazem suas escolhas. E no dia que você saiu do Brasil, imagino que você não fantasiou nada. Arrisco dizer que formar família numa outra cultura, outra língua, só você e ele, ainda é mais difícil que no país de origem. Aí tem concurso público? Não vejo o menor problema, e por mais que desaprove o povo que dorme em cima da mesa e não faz nada… é muito bom ter esta garantia, ainda que não dê espaço à criatividade na maioria das vezes. Entendi o que quis dizer, mas na Bíblia e o Catecismo Católico endossa ” No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” Nada de sangrar para ter o céu.

Agora vamos prosear!

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