Diário Caipira-35

Estou “de atestado” desde terça. Isso significa ficar em casa em isolamento. O único dia que não estive em casa foi na quarta quando buscamos nosso caracol.

Mas isso dá uma ansiedade danada. Eu ficou naquela do será que é? Será que não é? Tenho tosse e dor de cabeça. Mas a dor de cabeça pode muito bem ser stress. Aí fico com um aperto no peito e já imagino que estou com corona. Que vou contaminar meu marido e meus filhos. Que eles podem morrer. E a culpa vai ser minha.

Eu queria poder fazer um teste. Eu queria poder saber. Eu queria mesmo, no mais profundo do meu ser, era estar trabalhando porquê, quando não havia toda essa pressão e a opressão em torno do corona a gente ia trabalhar com coriza e um cadinho de tosse… e quando menos percebia já estava bem de novo. Ou ficava doente de vez. Mas não ficava nesse martírio.

Essa angústia amarra o peito da gente. Estamos coletivamente sem ar.