Diário Caipira-41

Das coisas que eu posso fazer na Suécia que eu não conseguia fazer no Brasil é bordar, costurar, fazer tricô e crochê.

Nunca fui uma moça prendada que soubesse fazer aquelas peças delicadas. Não tinha paciência para que o acabamento fosse bonito. Fazia do que jeito que dava e pronto. Meu problema é que transpiro rios na palma da mão.

Assim que a maioria dos trabalhos manuais que exigem o uso de linhas ficavam ridículos. O fio molhava, não dava pra trabalhar direito, eu me irritava e deixava de lado. Quando não ficava com aparência de sujo ou gosmento – eca!

Aqui comecei a fazer tricô e crochê com mais assiduidade. Fiz toucas para os filhos, cachecol pra mim e pro marido e até tinha começado uns sapatinhos… depois as crianças nasceram e eu até tentei começar outros projetos mas nunca rendeu. Eu sempre acabava deixando de lado.

Agora formamos um grupo que vai fazer uma colcha de “retalhos” de crochê na quarentena. A ideia foi inspirada no projeto da artista Sara Degerfält, de Lund, que deu início um projeto de bordado coletivo onde os interessados bordam uma pequena peça que vai formar um grande mosaico. A peça que a Sara e a mais algumas dezenas de suecos está bordando será exposta em Lund. Ainda não sabemos ao certo o que vai dar, se vamos formar uma colcha só ou muitas (ou nenhuma) mas estou bem entusiasmada. Já desenterrei a agulha e estou reaprendendo pontos.

Sem suar.