Diário Caipira-157

Hoje nos perguntaram, a mim e ao Joel, quais os maiores desafios que passamos pra manter a relação. Houve muitos momentos de impasses, mas a pergunta partiu de um casal formado por um sueco e uma latina. Em outras palavras, quais foram as maiores dificuldades por causa das nossas culturas tão diferentes.

Me deu um branco. Eu sempre penso em choque cultural e suas diversas ondas e pegadinhas. Mas, em se tratando da relação com um sueco em si eu penso que não tem uma coisa em especial. Eu acredito que qualquer relação tem suas dificuldades e que são sempre dois mundos diferentes que se chocam e se misturam.

Obviamente que houveram encruzilhadas que foram mais assustadoras porque a relação é com um sueco. O momento de solicitar o visto, por exemplo. Eu me tornei super dependente de um cara que, mesmo que eu estivesse super apaixonada, ainda era uma caixinha de surpresas. Ainda é, mesmo depois de dez anos juntos. Isso é emocionante. A chegada dos filhos acentua nossas diferenças, assim como os dias corridos por causa da rotina em família.

O próprio significado de família é diferente para nós dois. Assim como a questão do espaço pessoal. De como eu recarrego as baterias. Mas apesar disso eu sempre preciso me perguntar: será que somos mais diferentes por eu ser brasileira e ele sueco do que se fossemos ambos do mesmo país?

Há certas coisas que eu jamais vou entender porque elas fazem parte do consciente coletivo sueco. Tipo, as brincadeiras e jogos que toda criança sueca experimenta. A escola na Suécia – que deixa a gente fazendo de conta que entende o que está acontecendo com as crias quando eles estão lá – ou os verões na Suécia. Essas coisas óbvias que ninguém precisa contar para um sueco, da mesma forma que ninguém precisa contar pra mim a sensação de comer fruta do pé. Ou mesmo o saco que é ter de limpar o quintal justamente por causa delas.

A gente vai aprendendo que existem uma série de mau entendidos que a gente nem tinha ideia que só acontecem porque temos culturas diferentes. Um exemplo infame: sempre que eu perguntava “Você quer?” oferecendo comida para o Joel ele comia tudo. Simplesmente tomava minha comida e não devolvia. Até que eu entendi que eu deveria perguntar “Você quer dividir comigo?” Ou “Você quer um pedaço?”.

Ainda estou pensando na pergunta… quem tem um relacionamento com um sueco, o que vocês acham que foi o maior desafio no relacionamento com uma pessoa de outra cultura?

Agora vamos prosear!

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