A filosofia da cebola – vezes dois

Esse final de semana o inverno deu as caras (oficialmente ainda estamos no outono) e ontem tivemos uma madrugada de trincar os ossos, com nada menos do que 10°C negativos. O frio chegou na sexta, intensificou no sábado (com seus três graus negativos durante o dia) e  ficou até o anoitecer de ontem quando o termômetro conseguiu registrar 2°C.

Esses números são bastante difíceis de compreender. Eu ficava com frio só de pensar em passar dias abaixo de zero. O aquecimento das casas faz uma diferença enorme e a gente não sente – tão longe se mantenha dentro de casa – o quanto está frio. É na hora de sair que o bicho pega.

Essa é uma questão fundamental para sobreviver o inverno. Hahahaha, ficou séria demais a colocação mas o fato é que saber se vestir vai fazer você passar pelo inverno com menos percalços, vai por mim. Meu corpo mudou muito após a gestação (acho que o fato de gestar um mini viking me causou algum tipo de mutação) e eu estou muito mais resistente ao frio, isso é claro. Mas também não posso negar que depois de tanto tempo finalmente entendi a filosofia da cebola (ou a arte de se vestir em camadas) de que tanto falam desde que eu mudei. Feliz ou infelizmente algumas manhas a gente só aprende com a experiência; ainda assim vou tentar deixar um guia.

Dentro de casa normalmente não é necessário mais do que uma regata e uma manga longa. Claro que você pode substituir por um moleton ou uma blusa mais fina, mas como eu gosto de ter a base da “cebola” eu normalmente visto isso. Vou salientar também que essa é a “cebola” que eu aprendi, não é um modelo universal e sim um exemplo, quiçá o melhor, mas é o que veste aqui em casa e funciona. E o ministério da saúde adverte: não se vista dessa maneira  se você pretende sair correr. Então, para sair em -5° C ontem usei: uma regata, uma manga longa de malha, uma camisa, uma blusa de lã e o casaco; uma calça de malha e um jeans, meias de algodão, meias de lã e uma bota. Touca, cachecol e luvas se você ainda quiser ter orelhas e dedos e não morrer de dor de garganta. E só.

Algumas considerações: quando eu digo uma blusa de lã estou dizendo lã mesmo, não materiais sintéticos. Blusas tricotadas podem ou não ser de lã, a única forma de saber – além de ler a etiqueta – é o preço. Não há na face da Suécia blusas de lã (novas) por menos de 500dinheiros. É possível encontrar lindas blusas de lã em lojas de segunda mão e não importa se elas são finas, a lã esquenta de verdade. Eu aconselho a não usar a blusa de lã durante o outuno se você costuma ter alergias, pois com menos camadas por baixo é provavel rolar aquela coceira básica que vai te deixar ranzinza. Eu não tenho esse problema e usei muito a minha blusa de lã durante o outono, acho mais simples botar apenas ela por cima de uma malha e a jaqueta tapa vento. Ainda com relação às roupas de baixo, no caso das crianças é bom investir em roupas de lã. A maioria das lojas vendem roupas de lã que são como calçolas e manga longa, de materias que misturam lã e seda ou alguma outra coisa. A malha de algodão é ótima para países quentes, mas no frio assim que a criança transpira a malha fica molhada e fria. Já a lã deixa respirar e faz a umidade passar para fora da primeira camada de roupas, assim mesmo que a criança transpire muito ela não ficará molhada e com frio. É uma boa pedida para quem pensa em sair caminhar durante o inverno ou mesmo para os mais sensíveis ao frio, existem essas roupas de baixo (em sueco underställ) para adultos também, tanto em lã (mais caros) quanto em materiais sintéticos  (mais baratos). E, é claro que se você tem uma roupa de baixo que é quente não vai precisar usar o casaco de lã, que pode ser substituído por um tricô normal ou mesmo moleton.

Outra questão importante: se a jaqueta é tapa vento (windproof) não é necessário muita roupa por baixo quando só está frio. Eu tenho uma jaqueta de verão tapa vento e impermeável, usei ela na sexta feira com 3°C, as camadas costumeiras e minha blusa de lã e não houve problemas. Mas se venta essa combinação já não rola porque a jaqueta não tem forro e por mais que seja tapa vento  é um tapa vento mais light por ser uma peça de verão. Há jaquetas de outuno com um forro fino, com um tapa vento ainda melhor que é possível usar em dias com até alguns graus negativos. Para os dias frios de verdade as melhores jaquetas são as forradas com pena de ganso (exatamente). No caso de Gotemburgo, onde chove tanto que chega a chover canivete, é bom que a jaqueta seja de um material impermeável forte. Se você mora aonde neva bastante (e as temperaturas ficam abaixo de 15°C nagativos por longos períodos) vai precisar de jaqueta e calça térmica. Do contrário, a neve é “seca” quando as temperaturas estão abaixo de -2°C.

Observação importante número três: quanto tempo você vai ficar fora? E quanto desse tempo você estará parada/o? Se você vai de carro em algum lugar, não vai precisar de tudo isso para chegar até o carro. Mas é importante levar um casaco grosso a tiracolo, pois se um imprevisto acontecer e o carro morrer na beira da rodovia você não vai querer estar de regata e moleton sem aquecedor enquanto espera o guincho (que pode demorar muito) num frio de 0°C. Mas digamos que você vai caminhar até a estação ou ponto de ônibus, usar o transporte coletivo e depois trabalhar/visitar amigos/vai às compras… quanto tempo você vai ficar fora? Em dias menos frios, quando as temperaturas ainda estão acima de 5°C é melhor se vestir menos. Antes de usar um monte de casacos, experimente botar algo mais quente nos pés e uma touca de tecido – ter a cabeça e os pés quentes faz milagres. Os suecos tem uma filosofia de que é preciso passar um pouco de frio durante o outono para que o corpo acostume. E depois, se você botar muita roupa vai suar caminhando até o ponto/estação, depois vai suar dentro do transporte coletivo, vai suar no mercado/shopping ou vai ter que levar uma porrada de casacos, touca, cachecol, luva na mão. E não esqueça o desodorante, que tem muita gente que não acha as axilas depois de se vestir como cebola e fede violentamente como uma cebola em decomposição.

Agora, imagine que lindo é todo esse ritual cebolístico quando você tem uma criança pequena… conseguiu? Peraí que eu vou ajudar. Você decide sair e aí veste a criança primeiro (lógico) pra depois tomar a sua meia hora de cebola. Errado! A criança fica quente demais nas roupas, fica louca, começa a chorar e arranca touca, luvas e tudo o  que conseguir, pega ódio da roupa de inverno e vai chorar só de ver aquele casaco. Qual a saída? Essa mesma: vista todas as suas camadas (a exceção do casaco e acessórios) e  comece a caçada. Depois de vinte minutos correndo atrás da cria, implorando para ela deixar a gente enfiar mais duas camadas de casaco e meia calça e meia de lã e os sapatos, suada feito uma porca (com roupas para temperaturas negativas dentro de casa você fica mais molhada que funkeira no baile… viu a importância do desodorante?) você finalmente abre a porta e enfia casaco e touca, luvas na criança. E fica feliz de refrescar a cara antes de botar a cereja do bolo você também.

Quem foi que falou da magia do inverno? ;)

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Um dia na Suécia

Eu recebo comentários em ondas, provavelmente devido ao fato de escrever bem menos. Mas volta e meia aparece gente que manda comentários em posts antigos do blog com perguntas que não tem nada a ver com o conteúdo do referido post (deixando bem na cara que não leu nada do que estava aí) e a maioria dessas pessoas repete a mesma pergunta (seria um eco?): como é a vida na Suécia?

Recebi o mesmo questionamento esses dias na página do face. Eu ia responder o de sempre: pessoa, esse é o link do meu blog, essas abobrinhas aqui descrevem mais ou menos a vida na Suécia. Mas aí tive a ideia genial de desvendar os segredos da vida na Suécia contando como é um dia comum da minha vida – já que eu não ando com tempo de fazer algo mais informativo e concreto.

Algumas singularidades para situar os desavisados e os futuros leitores desse post: estou trabalhando “meio período”; o que significa que passo bastante tempo em casa. Mas vamos lá!

Um dia de trabalho na Suécia…

Acordo as 5h. Tomo um café, normalmente com pausa para amamentar a cria. Pego as minhas bolsas (passo 24h no trampo) e saio para o ponto às 5h55. Pego um bonde para a estação central. Se o café foi para o saco porque eu amamentei a cria compro um café. Pego um trem para Falköping. Caminho para o trabalho cerca de 20 minutos (não é longe, é só a preguiça mesmo). Começo a trabalhar às 9h. Saio as 9h30 do dia seguinte, normalmente ganho uma carona até a estação porque a galera tem dó de me deixar caminhar com as minhas bolsas  (uma delas cheia de leite). Pego o trem para Göteborg. Chego na estação e tomo o primeiro bonde que passar para casa. Chego a tempo do almoço.
Eventualmente passo pegar o Ben na casa dos padrinhos ou de algum amigo – caso o Joel tenha uma reunião de trabalho importante. Depois do almoço a rotina segue como num dia em que eu não fui trabalhar.

Um dia em casa na Suécia

Acordo assim que o Benjamin acordar (entre 6h e 7h30, depende da “sorte”). Tomamos café e aí vamos fazer as tarefas de casa ou um passeio. Pode ser uma caminhada, gosto muito de sair caminhar com o Ben… deixo ele escolher o caminho e parar o quanto quiser para juntar todo tipo se coisa e tentar por na boca, ou ir para um balanço, essas coisas. Nesse caso voltamos e comemos uma fruta. Depois brincamos ou fazemos limpeza e aí almoço. Almoço pede uma siesta e com sorte depois da comida tem a soneca do Benjamin, quando ele acordar o Joel vai estar chegando. A gente empacota um lanche e sai para trabalhar com a reforma da casa. Volta quando anoitece, faz uma janta, bota a cria para dormir e assiste as notícias/uma série/ou um filme dependendo da hora, do cansaço ou do tesão. Normalmente vou dormir às 22h30.

A rotina em um final de semana ou dia de semana para mim não varia muito. Como eu trabalho em forma de plantão então procuro aproveitar “as folgas” já que trabalho finais de semana também. A principal diferença é que se estou em casa em um sábado normalmente passamos o dia na reforma da casa. Domingos é dia de ver a família então normalmente rola um passeio para os sogros, ou alguma das cunhadas.

Como estamos vivendo um tempo especial com a reforma da casa temos encontrado os amigos apenas de vez em quando, numa rapidinha no anoitecer ou quando eu saio sozinha com o Ben e passo o dia fora. Normalmente fazemos isso quando o Joel tem reuniões depois do trabalho. Eventuais escapadinhas para um jantar ou cinema estão descartadas no momento por conta do cansaço mesmo.

Eu não sei como funciona no Brasil depois que você tem filhos, mas aqui ter uma criança te dá automaticamente um upgrade para o time dos pais. Dificilmente você vai se encontrar com os amigos que não tem crianças. Primeiro porque essa galera ainda sai para beber e fazer festa em uma sexta feira – o que sinceramente não está na minha lista de prioridades – ou se promove um jantar deixa claro que o evento é para adultos. Isso me dá muita preguiça. Fiquei antisocial com a maternidade e o Joel, se deixasse, passaria o dia e a noite na reforma.

É isso aí. Essa é a minha vida na Suécia.

Tá sentindo falta do glamour? Pois eu não.

Outono, escuridão e uma série de coisas esdrúxulas

Novembro é o mês mais difícil de se viver por aqui e felizmente não estou sozinha nessa percepção. O fato é que o outono começa lindo com uma explosão de cores na maioria das árvores e arbustos. Mas no final de outubro o horário de inverno entra em vigor, a maioria das árvores já perdeu as folhas e o tempo fica chuvoso, dando a sensação de que de repente as cores foram apagadas do mundo e tudo – ABSOLUTAMENTE TUDO – é cinza e escuro.

Dá um desânimo.

Eu ando duplamente aborrecida porque ando com problemas. Nada comparado aos problemas reais de mais da metade da população do mundo, estou enrolada na minha procrastinação e bastante chateada porque cheguei a conclusão de que após 4 anos e tralalá na Suécia eu ainda não entendo a língua. Hoje mesmo enquanto falava com a minha mãe – que aos 61 anos resolveu aprender inglês – afirmei que encontrar dificuldade para aprender um idioma é normal e que ela  não deveria comparar o próprio rendimento ao rendimento dos outros…

Pois bem, sabem aquela história do faça o que eu digo mas não faça o que eu faço? Por aí. Levei um ovo da minha chefe por telefone de graça porque não tenho a pontuação certa no sueco. E não estou me referindo a língua escrita mas sim a língua falada. No português usamos frases enormes em que as sentenças são separadas por vírgulas, as vírgulas significam pausas e as pausas não significam que terminamos a idéia da sentença. Ou seja, falamos muito para expressar algo em português, e quando pausamos não estamos terminando nossa frase, apenas tomando ar para continuar a explicação.  O que em sueco é meio inadmissível: você fala de forma curta e grossa. Pausas significam que você terminou o que estava dizendo, e se você quer indicar uma vírgula (ou seja, um peraí que tem mais) deve fazer uma inflexão bem acentuada da palavra – o que vai sinalizar ao seu interlocutor para que ele espere a conclusão da sentença.

Fácil, só que não. Levei um ovo de graça, enviei um email tentando consertar a situação e fui colacada no limbo do vácuo eterno. Aff… pra piorar, ainda não tirei a carteira de habilitação – já reprovei três vezes tentando – gastei tempo e dinheiro mas meus colegas de trabalho andam meio putos comigo. Eles acham que não estou me esforçando o suficiente e pode ser que eles tenhan razão. Não ando nem um pouco animada para investir ainda mais tempo e dinheiro quando não consigo a merda da carteira.

O  teste escrito é uma prova de 50 minutos com 70 questões das quais 52 devem ser respondidas corretamente para que você seja aprovado. A prova prática engloba seis quesitos – conhecimento sobre o funcionamento do veículo, conhecimento das leis de trânsito, direção defensiva, direção ecológica, ré e sua segurança enquanto condutor. Da primeira vez que fiz a prova teórica acertei 49, depois 43 e depois 51 – há. Da primeira vez que fiz a prova prática fui aprovada apenas no quesito segurança enquanto condutor – que é tipo se você consegue trocar as marchas sem olhar, não deixar o pé na embreagem, fazer curvas suaves e usar o freio de forma correta. A examinadora me fez perguntas a respeito dos pneus do carro e eu respondi de forma curta – aí fui reprovada em dois quesitos (conhecimento do veículo e das leis de trânsito) – depois eu dirigi muito lentamente aí ela disse que eu estava atrapalhando o tráfego, o que deixa outros condutores estressados e é perigoso (pois é…). Bom e eu nem sabia o que cargas d’agua eles queriam com direção ecológica. Mas ok, fui fazer o teste outra vez aí me fizeram as mesmas perguntas a respeito dos pneus do carro e eu soltei o verbo, falei falei falei e falei até ela me mandar calar a boca. Mas fui reprovada porque dirigi muito rápido, aí isso mostrava que eu não estava dirigindo defensivamente ou ecologicamente.

Fui fazer aulas para entender a merda da direção defensiva e ecológica e… continuo no zero. Porque os caras dizem  assim: dirigir defensivamente significa dirigir “lagom”. E aí fudeu né mano? Lagom? Faz todo sentido pra um sueco mas a mim não me diz nadica de nada. E a direção ecológica me explicaram da seguinte forma: faz de conta que tu tá num jogo onde você perde pontos a cada vez que você frear, então você vai usar freio motor. Ah, e também tem que pular as marchas – da segunda você finca o pé no acelerador até o motor ficar  250mil rpm e troca direto para a quarta. E tem que usar a 4a marcha quando estiver em 50, e a 5a se estiver em 70. E se entra na rodovia daí você pula a 2a, mete a terceira e finca o pé até o motor quase explodir e troca direto para a quinta. Meio confuso??? Capaz… isso é  moleza.

Eu dirigi 8 anos no Brasil antes de mudar para a Suécia. Não acho que era uma condutora perfeita porque a gente melhora com o tempo, vai adquirindo mais experiência e tals. Mas… essas exigências da prova prática aqui não fazem o menor sentido. Ainda mais porque quando você entra em Gotemburgo você vê a galera andando acima do limite de velocidade e fazendo cagada o tempo todo – tipo dirigir no sentido errado em uma rotatória (mas hein??? Já vi várias vezes com esses olhos que a terra um dia há de comer) ou parando em cima da linha do bonde elétrico ou não dando a preferência ao pedestre (é lei). A Suécia tem índices de acidentes de trânsito muito baixos então quem faz as cagadas todas naturalmente são apenas os imigrantes – ironia mode on. Tô bem frustrada com essa situação e penso seriamente em sair do trabalho para deixar de lado essa coisa com a carteira de habilitação. Ao menos até eu aprender o que significa lagom.

Mas nem tudo é escuridão e há tons mais claros de cinza.

Só preciso de umas doses cavalares de vitamina D.

Tagarela

O Benjamin vai completar 15 meses essa semana. E está um tagarela.

Aí eu comecei a pensar em quanto me preocupei com isso antes. Tanto durante a gravidez quanto nos primeiros meses de vida do Ben eu imaginava como seria esse momento e lia e lia muito sobre o assunto. Achei dicas ótimas, e comecei a seguir um site em específico (filhos bilíngues, googla aí) aonde encontrei muita coisa boa. Mas eu tenho que confessar que a melhor coisa que me aconteceu foi conhecer uma guria que mora em Stockholm (e que é fono) que compartilhou muita coisa interessante sobre a exploração da fala por bebês e ajudou a desmitificar algumas coisas.

Por exemplo, há quem afirme que crianças bilíngues demoram mais para começar a falar. Na verdade, esse padrão não foi confirmado cientificamente. Há bebês que desenvolvem a fala cedo e outros nem tanto, e isso é uma questão do desenvolvimento individual da criança. Eu acredito que o meio no qual o bebê cresce influencia muito também, assim como a própria personalidade da criança. Mas essa coisinhas também não são comprovadas cientificamente.

Daí, pra encurtar a história, Benjamin “fala” muito. Ele balbucia o tempo inteiro e ainda que a gente não entenda o que ele diz, esse é um sinal explícito de que ele está desenvolvendo a fala. Segundo, ele tem um vocabulário de aproximadamente 20 palavras (dessas que a gente entende), o que para um bebê da idade dele é bastante (o esperado seria uma média de 8 palavras aos 18 meses). Algumas palavras ele fala tanto em português como em sueco (mãe/mamma, papai/pappa, água/vatten, olha/titta, lá/där [inclusive olha lá/titta där, que soa mais como ulalá], oi/hej, banho/bada e bola/bolen), outras palavras ele fala apenas em sueco (borta, titt ut!, nej, den, oj, tack, hej då, gunga, vad är detta? – sumiu, achou!*, não, isso [em sueco informal] ai e nossa!, obrigado, tchau, balanço/balançar e – a única frase até agora – o que é isso?); e algumas palavras ele inventou como por exemplo “nenenenene”, que significa tanto ele mesmo como não quero e algo está errado. Sem falar  outras coisinhas, tipo dindu (que seria ding dong) e bam. E quase ia me esquecendo, a única palavra que ele fala apenas em português: oba!

Se há algum segredo por trás do nosso “sucesso” na questão da fala do Benjamin? Acho que tanto eu como o pai dele somos tagarelas natos. A gente é muito  verbal e fala o tempo todo um com o outro, em reuniões de família, com os amigos e mesmo quando estamos sozinhos com o Benjamin. Outra coisa que acho que fez muita diferença é que aprendi com a minha mãe desde cedo a conversar com o bebê, acho que essa é uma característica bem marcante em algumas famílias brasileiras e ela (minha mãe) sempre me disse em todas as conversas por skype que tivemos nos primeiros meses de vida do Benjamin pra conversar com ele todos os dias, cantar muito, etc. Não que eu queira me dar os parabéns e sair por aí gritando aos quatro ventos que eu tenho um bebê bilíngue e que “olha só como sou experta, faça como eu fiz e o sucesso é garantido” porque não é assim tão simples. Benjamin parece ser uma criança extrovertida, e isso faz toda a diferença afinal, se ele fosse tímido, provavelmente ele saberia todas essas palavras mas não falaria muito – ou não falaria nada – e eu não estaria aqui me gabando.

De modo geral eu gostaria de incentivar pais brasileiros residentes no exterior a falar português com suas crianças porquê, se por um lado o fato de o Benjamin começar a se expressar tão cedo não é mérito meu, o fato de ele falar português é. Eu falo português com o Benjamin, meu marido também fala português com ele mas quando os dois estão sozinhos é apenas sueco (vale lembrar que eu trabalho 40h por semana e que nos últimos seis meses Benjamin ficou em casa com o pai). Ultimamente percebo inclusive que mesmo quando estamos nós três cada vez que o Joel se direciona ao Benjamin em específico ele fala sueco, assim como eu sempre falo português com o Benjamin quando estamos entre outros adultos mas eu me dirijo exclusivamente a ele. O vocabulário dele em sueco é maior do que o vocabulário dele em português mas seria um tanto estranho se fosse o contrário uma vez que eu falo sueco quando todo mundo fala sueco ao redor da gente, a gente mora na Suécia e convive com suecos quase que 100% do tempo. Mas quando o Benjamin me diz algo em sueco eu repito o que ele disse em português. Inclusive eu tive que me policiar para fazer isso porque parece meio fácil só repetir o sueco.

Acho que é fácil desanimar quando se está fora do Brasil e não se convive muito com brasileiros (foi uma escolha minha para que eu aprendesse sueco mais rápido) ou quando o parceiro não fala português (tem muita gente que fala inglês em casa), mas o esforço vale a pena. Além do mais, se o Benjamin não falasse português seria um tremendo tiro no pé pois além de ele não poder falar com meus pais, o sueco é apenas a 91a língua mais falada no mundo (quando o português ocupa a 6a posição). Suecos aprendem inglês por necessidade extrema mesmo, já pensou se não fossem bilíngues?

Guardei para o final a coisa que acho mais fofa nesse mundo, que é a palavra mais longa do vocabulário do meu anjinho: Menhamin.

*o titt ut é usado naquela brincadeira do “cadê? achou!”, o pekaboo do inglês.

Amamentação no trabalho

Tô de férias e vou tentar escrever algumas coisas que comecei há muito tempo, nunca terminei e nunca publiquei. Há uma grande chance de este ser o único post em meses de novo, há tempos o blog deixou de ser uma prioridade. Pra falar a verdade, prioridade na minha vida tem sido Benjamin, depois ele de novo e em terceiro vem o Ben. Nada que a galera por aqui não tenha notado.

Sou uma mãe galinha muito apegada. Essa semana chorei muito por causa da foto do menino sírio afogado na praia… a forma como ele estava deitado, aquela inocência gritante tão explícita no rosto das crianças quando dormem. Por um lado ele é tão parecido com o Benjamin! Ele dorme com a “bunda virada para a lua” naquela mesma posição, com a enorme diferença que ele está envolto por um mar de cobertas em uma cama macia. E o Benjamin vai acordar…

Pensei muito em tanto perrengue que a gente passa como mãe e resolvi contar um pouco da minha experiência em voltar para o trabalho e continuar amamentando. Primeiro, eu queria voltar para o meu trabalho e isso é um privilégio: ter um trabalho que a gente gosta e paga bem, no qual os horários de trabalho são compatíveis com a criação de filhos não é uma realidade e sim uma exceção. E dois: tenho o privilégio de contar com o fato de que o Benjamin tem um pai que se comporta como tal e não foge das responsabilidades. Eu já disse aqui que acho que nós mulheres temos que aprender a deixar os pais serem pais, mas não quero dizer com isso que toda mulher tem que trabalhar e largar a cria com o marido. Tem ótimos exemplos aqui de mães que não trabalham mas dividem a responsabilidade da criação dos filhos com o marido, se você quiser umas dicas passe no blog da Débora por exemplo (mulher de fases), ela fala bastante sobre os meninos dela e dá pra ver nas entrelinhas como o senhor marido sempre está participando.

Ao ponto… voltei ao trabalho quando Ben tinha oito meses. Minha pretensão de mãe hippie é amamentar forever até que o Benjamin desmame sozinho mas eu tive muito medo de que ele fosse largar o peito quando eu comecei a trabalhar. Então se você está na mesma situação eu digo: calma! Canalize a preocupação para traçar um plano de como é que você vai resolver a ordenha do leite no trabalho.  No meu caso levei para o trabalho uma bomba de tirar leite, comprei uma pequena bolsa térmica e potes de vidro de 150ml. Eu li em algum lugar que deveriam ser de vidro para facilitar a limpeza e esterilização, mas as tampas não devem ser de metal. Enfim, não é necessário comprar potes especiais, eu fiz isso porque tenho condições, mas a maioria dos potes de conserva funcionam muito bem para o mesmo fim. No caso da bolsa térmica é meio importante porque eu passo quase três horas no trânsito até em casa (há, pensa que é só noBrasil que a galera leva três horas até o trampo? Prazer, meu nome é Maria e eu moro na Suécia) então não dá pra só tacar o leite numa bolsa e de boas. Eu recomendo realmente investir numa malinha dessas.

Benjamin é tipo um bezerro e ta mamando toda a hora que me vê. Eu fiquei muito encucada antes de me separar dele. Foi um sofrimento! Eu não tinha idéia de como seria minha produção de leite longe dele. Eu trabalho em regime de plantão, tenho dois plantões de 24h por semana. Então contando as 3h para ir e mais 3h para voltar seriam 30h separados. Eu não sabia quanto vezes precisaria ordenhar também. Armazenamento não seria problema porque temos uma cozinha para o pessoal no trabalho, e a ideia foi sempre ordenhar e congelar o leite.

Eu nunca cheguei a pedir permissão para minha chefe. Talvez porque ela seja mulher, talvez porque eu sempre entendi isso como um direito meu e ponto. Da mesma forma eu comuniquei minha colega de trabalho na época e perguntei a ela se ela tinha alguma observação, ao que ela respondeu com um “é claro que não! Meu Deus é óbvio que você pode e deve ordenhar leite para seu bebê. Não tem nenhum problema. A gente dá um jeito!”

E foi aí que o problema começou.

Minha colega, apesar de mulher, apesar de dizer que não era problema algum e de afirmar que a gente daria um jeito começou a me atazanar de todas as formas possíveis. Eu percebi que eu precisava ordenhar com um intervalo de 6h para não ficar com os seios explodindo de leite, e que também precisava de cerca de 30 minutos para não machucar os seios (se você usa a bomba a todo vapor os bico dos seios podem ficar bem doloridos, machucados até) mas a criatura sensível lá fazia de tudo para me atrapalhar. Precisava de mim no exato minuto que eu colocava as minhas mãos na bomba de leite, e se eu conseguia fugir e começar a ordenha ela ficava gritando, batendo na porta e perguntando quando eu estaria pronta. Cheguei a ficar horas com os seios tão cheios que empedravam, e tinha tanto stress durante a ordenha que o leite não saia todo. Aí quando voltava para casa sofria um  dia inteiro até que o Benjamin sugasse todos os “caroços de leite”. Havia dias em que eu ficava com marcas azuis nos seios.

Depois de um mês e meio sofrendo na mão da maluca fizemos um rodízio de pessoal e comecei a trabalhar com uma pessoa sensata. Depois disso nunca mais tive problemas com a ordenha por causa da insensibilidade de um colega de trabalho. Há dias mais corridos em que eu não consigo fazer a ordenha direito, mas é por causa do fluxo de trabalho mesmo e, para minha sorte, agora já não é preciso ordenhar com essa frequência de 6h de intervalo, oito ou nove horas funcionam bem.

Acho que o corpo muda, a amamentação muda conforme a criança cresce e a gente se acostumou a essa rotina, tanto eu como Benjamin. Sempre que chego em casa após um dia de trabalho Benjamin gosta de tirar o atraso e mamar muito então eu também já aprendi que não posso fazer planos para assim que chegar em casa. Sempre tenho que reservar ao menos uma hora para nós, comer bem e beber muito líquido.

Gostaria de deixar algumas dicas práticas mas o que me vem a mente é que cada situação é especial. De modo geral, tente se preparar psicologicamente de forma positiva. Sempre dá um frio na barriga mas tanto a mãe como a criança tem capacidade de se adaptar à diversas situações diferentes. Segundo, tente traçar um plano, analisando o que você precisa para realizar a ordenha, se há possibilidade de armanezar o leite no local de trabalho etc. Terceiro, tente ser um pouco cara de pau com seu chefe. Infelizmente, sei que a maioria das mulheres tem condições muito precárias de trabalho, mas não peça permissão para fazer a ordenha, apresente uma proposta de como fazer da ordenha parte do seu dia mostrando que isso é importante para seu desempenho no trabalho. Não dá para trabalhar bem com peitos explodindo de leite. Tente mostrar ao seu chefe as implicações positivas disso. E na medida do possível ignore colegas insensíveis.

É difícil. Tenho consciência de que mesmo eu contando com muitas facilidades passei por momentos de desânimo e me questionei se conseguiria continuar e se valia a pena. Até agora valeu. Mas eu acredito que a amamentação é mais do que alimentar uma criança, amamentação é parte da relação mãe e filho e para funcionar os dois tem que estar bem. Se a mãe está sofrendo muito com a amamentação precisa de ajuda, de apoio, talvez de um novo plano ou porque não, talvez seja o momento de parar. Na minha balança o lado da satisfação sempre pesou mais do que o lado do sofrimento.

Desejo boa sorte a todas mães que trabalham e amamentam.

Kvinnofrid – o conceito de mulher livre

Diz a história que já no século XIII a Suécia introduziu uma lei de proteção à mulher intitulada kvinnofrid. Segundo essa lei, aquele que praticasse violência contra uma mulher poderia receber de açoites (40 chibatadas) à pena de morte. A lei foi introduzida por Birger Magnusson, um cavaleiro do rei sueco que se tornou tutor do herdeiro ao trono entre 1250 e 1266; e foi incorporada a “constituição” sueca em 1280, na qual permaneceu em forma de capítulo especial até 1864.

Já as más línguas dizem que essa lei era uma balela, uma forma de punir aqueles que ousassem molestar mulheres casadas – desde que os molestadores não fossem o próprio marido, obviamente. Pra deixar a coisa mais clara, uma mulher não podia representar a si mesma (legalmente) até meados do século XVIII e sempre precisava do intermédio do pai ou marido para prestar uma queixa. Assim sendo, apenas moças solteiras que fossem molestadas ou as casadas que sofressem violência de outrem que não fosse o marido usavam do princípio do kvinnofrid – ou melhor, os pais e maridos usavam desse aparato legal. Por isso, alguns dos textos que li apontam que o kvinnofrid era uma desculpa para lavar a honra dos machinhos de plantão.

Acabei mergulhando na história da legislação de proteção à mulher na Suécia por causa de um livro que li (gömda, em sueco, da escritora Liza Marklund). A história, baseada em fatos reais, conta a saga de Maria Eriksson, uma mulher em luta contra a violência absurda que ela sofreu tanto nas mãos do ex namorado quanto das autoridades  suecas que deveriam protege-la. Dá uma baita raiva da humanidade e me deixou curiosa, uma vez que o enredo se passa no final da década de 80: a situação da mulher vítima de violência era tão ruim assim? Pergunta meio sem nexo, já que a situação da mulher vítima de violência no mundo é muito ruim. Muito ruim mesmo… mas sei lá, aqui é para ser o país mais avançado do mundo em questão de igualdade de gênero, imaginei que o buraco fosse mais embaixo.

E é.

Essa questão da representatividade legal, por exemplo: em meados do séc XVIII mulheres solteiras poderiam requisitar o direito de representarem a si mesmas ao rei. Ou seja, mulheres ricas e solteiras poderiam alcançar esse direito, que anteriormente cabia apenas a viúvas. Uma vez que se casassem, perdiam o direito de uma vez. Em 1858 o processo passa a ser mais simples e mulheres solteiras podem requisitar o direito de representarem a si mesmas ao juizado. Em 1863, mulheres solteiras maiores de 25 ganham automaticamente o direito legal de representarem a si mesmas; sendo que em 1884 basta que as solteiras tenham 21 anos. Somente em 1921 as mulheres casadas também passam a ter esse direito, que em 1974 passa a ser aos 18 anos.

Pode parecer meio sem nexo mas essa é uma questão fundamental. Como uma mulher poderia denunciar uma violência se ela não tinha direito a voz? Em todo o caso, no fim do século 19 o conceito de kvinnofrid é retirado da legislação sueca. Mas o termo seria resgatado na década de 80, num movimento feminista que culminou com a aprovação da kvinnofridskränkning lag (ou lei sobre o direito das mulheres livres – numa tradução livre) em 1998. Na verdade, o termo kränkning serve para definir um comportamento que gere mágoa, constrangimento ou violência (verbal, psicológica ou física); ou seja, a lei é sobre o que fere o direito das mulheres, uma espécie de “Maria da Penha” sueca.

A Maria da Penha sueca trouxe seis propostas principais. De forma geral, a lei ficou mais dura contra atos de violência contra a mulher, desde a pequenas ofensas ao estupro – quem não lembra do famoso caso de Julian Assange, que foge até hoje da justiça sueca por ter sido acusado de gozar em uma mulher sem o consentimento dela? – proibiu a prostituição e instituiu uma política de igualdade de gênero, para que o Estado tome atitudes concretas para inclusão da mulher no mercado de trabalho, entre outros.

Não dá para detalhar toda a lei, até mesmo porque de lá para cá algumas coisas foram redigidas e se tornaram ainda mais claras/detalhadas/afiadas. Uma, que se passaram quase vinte anos e outra que a criatividade dos advogados de defesa não tem limites: há pouco tempo ouvi no rádio o caso de um estuprador que, apesar do estupro evidente, foi absolvido porque afirmou que estava dormindo. O estupro pôde e foi provado, mas ninguém podia provar que o estuprador não estava dormindo. É ou não é pra acabar? Mas uma das coisas que acho interessante é que se você presencia um ato de violência contra uma mulher e não denuncia você pode se tornar cúmplice e pegar cadeia junto com os agressores.

Em todo o caso, uma das questões mais peculiares dessa lei é a questão da prostituição: na Suécia é proibido comprar sexo, mas não é proibido vender. É, eu sei que dá um nó, também demorou caras para minha ficha cair. Esse modelo ficou conhecido como “modelo nórdico” porque foi recentemente adotado também pela Noruega e Finlândia e até agora tem se mostrado muito eficaz no combate à exploração sexual de mulheres. Eu sei que muita gente insiste no discurso “a prostituição é a profissão mais velha do mundo” mas a realidade é que a prostituição – na imensa maioria dos casos – é uma forma de violência contra a mulher. Nenhuma mulher com condições de escolher o que fazer da vida vai escolher se prostituir (surfistinhas são exceções). Quando a prostituição é criminalizada sem que a vítima o seja fica mais fácil para as autoridades desmontarem cartéis de tráfico humano (quem nunca assistiu Lilian forever eu recomendo, mas não assista se estiver deprimid@).

Segundo uma pesquisa de 2014 realizada em Stockholm, cerca de 7,5% dos homens suecos entre 18 e 65 anos confessaram ter comprado sexo ao menos uma vez na vida; mas menos de um por cento deles disse ter feito isso no último ano (há, sabe de nada…). O número de mulheres que vendem sexo na rua caiu mais do que pela metade desde 1995 (cerca de 200 a 250), mas os anúncios de serviços sexuais online aumentaram consideravelmente e mostram, inclusive, que o número de jovens rapazes que vendem sexo é maior do que o número de jovens mulheres. O instituto de pesquisa (no caso, do estado de Stockholm – tipo o distrito federal) disse que precisa de estudos mais detalhados antes de afirmar se os anúncios online indicam o crescimento da prostituição ou só o desenvolvimento dos meios de marketing desse tipo de serviço. Em todo o caso, o documento indica a necessidade de intervenção junto a jovens para buscar entender porquê eles estão recorrendo a prostituição, principalmente os rapazes.

Apesar da rigidez da lei, como comentei, ainda há muita impunidade. As autoridades suecas acreditam que cerca de 80% dos casos de violência contra a mulher não são denunciados porque são praticados por alguém muito próximo a vítima. Ainda assim acredito que seja um bom exemplo de como tentar promover mulheres realmente livres.

Fonte: Wikipédia, Aftonbladet e Stockholm länsstyrelsen.

Bandida

Essa é a história da prima de uma amiga minha que mudou para a Suécia há uns tempos.

A guria estava tirando a carteira de habilitação, até mesmo porquê ela precisa disso no trabalho. Ela já fez a prova teórica duas vezes e reprovou, assim como a prova prática. Pelo que ela me disse sempre achou que seria difícil passar no teórico, mas não imaginou que ficaria tão nervosa com a prova de direção a ponto de reprovar. Duas vezes. Bom, ela também foi para a auto escola então aprender o jeito sueco de dirigir.

Mesmo sem carteira, ela saia para dar umas voltas sem o carro às vezes… e bem, da última vez ela encontrou um senhor policial. Ela parou o carro e foi honesta, disse que não tinha habilitação sueca, disse de onde vinha e para onde ia, disse que estava tentando tirar a carta. O policial foi bem gente boa com ela, conversou, disse que entendia, que deve ser muito chato mudar de país e de repente ter que começar tudo de novo. E  deu a multa.

Aí eu perguntei a ela se ela não argumentou e ela disse que não. Que sabia que não podia dirigir, que sabia que podia ser parada numa blitz. Que simplesmente aceitou a consequência pelos atos dela. Afinal, isso significa ser adulta. Ela disse inclusive que o senhor policial informou a ela que ela poderia negar o crime, mas isso pareceu meio forçado. Tipo, eu nego que estava dirigindo um carro sem carta… me teletransportei até aqui, eu sou um X men. Dãã.

Como resultado dessa traquinagem ela pode perder o direito de tirar a habilitação por um ano. E ela recebeu um boleto pelo correio que fez ela cair de costas e vai vender um rim para pagar pelo delito. Se alguém que estiver lendo isso está no mercado de tráfego de órgãos, manda uma mensagem para mim pela página do Facebook que eu boto vocês em contato.

E no capítulo de hoje aprendemos que desrespeitar a lei no estrangeiro custa muito caro então, queridos leitores, não tentem reproduzir esse comportamento.