Palavrões suecos – Parte II

Há muito tempo atrás (às vezes eu sinto como se tivesse sido há décadas) falei um pouco das palavras enormes em sueco que são verdadeiros palavrões no sentido literal da palavra. Lembram que eu partilhei no post sobre trava língua suecos umas das maiores que eu consigo dizer? Aí vai:

Hidronevrukusticadiafragamkontravibrationer.

(pausa para respirar…)

Essa belezinha aí em cima nada mais é do que soluço (ou melhor, o termo médico para o soluço). Eu chateei muito o Joel quando ele me disse isso a primeira vez… a cada pessoa que eu apresentava ele, eu dizia: “Cara, sueco é uma língua muito louca! Fala soluço para eles em sueco Joel, fala!”.

Quem perdeu esses primeiros posts do blog (quando eu tinha aquela pretensão besta de ajudar os interessados na língua) e não está entendendo nada, aqui vai uma curta explicação: no sueco, você junta uma palavra com outra e forma uma coisa gigantesca para dar nome à algumas outras coisas. Um exemplo simples: cortar é att klippa e grama é gräs. Advinha como é que fica cortador de grama? Gräsklippare. Essas junções criam palavras enormes que às vezes é difícil pacas de pronunciar. Outros exemplos: Drottningtorget e Kungsportsplatsen: no primeiro Drottning é rainha e torget é praça (Praça da rainha); e no segundo, Kung é rei, sport é esporte e platsen é local, lugar (ou Campo de esportes do Rei).

Agora e os palavrões mesmo? Aqueles que são palavras feias? Como é que o sueco xinga?

A fonte já tá aí na figura...

A fonte já tá aí na figura…

Suecos xingam muito no jeito americano. “What a fuck man?”, “fuck you” e “your ass” são alguns dos que mais ouço, sendo que com certeza o primeiro da lista tá na boca da moçada o tempo todo. Com certeza isso é resultado do fato de os suecos não assistirem nada dublado por aqui uma vez que todas as séries e filmes são apenas legendados (também, dublar em sueco deve ser o ó). E isso pega gente! Eu mesmo vivo falando shit! desde que mudei para cá.

Entre os palavrões em sueco mesmo, acho que o mais popular deles é “fy, fan…” uma espécie de “diabos!”, que eles usam tanto no início da frase como no fim. Se você usa somente o fy fica mais ou menos como o nosso “nossaaa!” e não é considerado palavrão.

Talvez seria um erro afirmar que fy fan é um dos mais utilizados, uma vez que tudo depende do tipo de grupo com o qual você está acostumado e da época não é mesmo? Novos palavrões vão e vem com a moda. Assim que mudei para cá com certeza o que eu mais ouvia é o “jävla”, que pode ser traduzido de diferentes formas, entre eles maldito, maldição ou diabo (quando se usa jävel): aquele condutor maldito! seu idiota maldito! uma impressora dos diabos! No mais, se mandamos alguém à algum lugar é ao inferno (dra åt helvet – vá para o inferno), diferente de no Brasil que mandamos à muitos lugares. Além disso há os tradicionais, como “hora” (puta), “neger” (negro), helvet (inferno) e “kärring” (cadela) ou “gubbe” (velhaco), os dois últimos no pejorativo.

Na Suécia é muito feio utilizar palavrões. Jovens e principalmente adolescentes usam muito isso, mas não é legal soltar palavrões no ambiente de trabalho e você pode levar uma cara muito feia de uma mãe se começa a soltar impropérios em frente a crianças pequenas…

No meu ambiente de trabalho muitas pessoas usam palavrões. Acho que isso se explica devido ao fato de que estou em contato com gente que tem uma história de vida difícil e que não vai se importar em usar um vocabulário apropriado, assim, a gente que trabalha com assistência social fala muito palavrão.

Isso me faz lembrar que há também os palavrões socialmente aceitos, que não significam nada de mal mas realmente soam como algo sinistro, e esses são “sjutton” (dezessete) e “tusan” (mil). “Sjutton gubbar” (dezessete velhacos) aparece até mesmo em livros infantis (lembram do Alfons? Está lá).

Döh… Se alguém perguntar, (för sjutton gubbar!) não fui eu que ensinei ok?

****

Döh… eu aprendi a pouco tempo e dizem que é uma forma bem gotemburguesa de chamar a atenção de outrem, que pode ser traduzida como o “Ei você” ou aquele “ô você” ou simplesmente “ô”.

Anúncios

Aprenda sueco com Alfons #02

Primeiro ele não queria dormir e agora ele está atrasado para a escola… hahaha. Nesse episódio Alfons fica se enrolando na hora de sair para o colégio – a boneca precisa de roupas, o carrinho precisa de uma roda, o livro com gravuras de animais é tão interessante, e o jornal que o pai lê tem um bombeiro na capa! Tudo é motivo para Alfons se entreter e perder a hora, deixando o pai bem zangado. Mas por fim tudo dá certo e quando o relógio bate às sete horas Alfons está pronto para sair. Mas e o pai?

*****

Raska på Alfons! av Gunilla Bergström
 
Här är Alfons Åberg. Han ska snart gå till dagis.
– Är du färdigt? ropar pappa från köket.
– Ja, det är bara tröjan kvar.
Titta! Där låg Lisas tröja med. Lisa är Alfons docka. Hon ska också klä sig, så klart.
– Alfons, kommer du? ropar pappa igen.
– Ja, jag ska bara… klä Lisa också – svarar Alfons.
Oj! Där var däcket till mercedesen som han har letat efter så länge. Det är jobbigt att sätta på däcket, Alfons måste pilla och pilla en lång stund innan det går.
– Alfons, kommer nu… klockan är mycket – ropar pappa från köket.
– Ja, jag ska bara… parkera mersan.
Å! Där ligger förresten den nya djurbocken…
– Alfons, kommer du inte snart? Maten är klar!
– Ja, vänta… jag ska bara tittar på ormar.
Pyton ormen är mysigt äckligt. Uj, hjälp!
– Alllfooonnns! ropar pappa från köket. Vad sysslar du med? Raska på nu då, gröten kallnar.
Oj vad synd att bocken är trasigt där! Precis tvärs över ormen. Det har inte pappa upptäcket än. Alfons tar tejp och den trubbiga saxen.
– Alfons, vad sysslar du med?
– Jaja, jag ska bara… ska bara laga en grej först.
Till slut kommer han lås och boksidan blir hel och fin igen. Vad var det mer han skulle…? Jo, visst, han skulle överraska pappa. Då blir pappa glad, tänker Alfons. Men nu är pappa arg där ut i köket.
– Alfons! Kom genast! Klockan är snart sju!
– Vänta, jag ska bara…
– Inga mer “ska bara”! ropar pappa strängt. Kom genast nu! 
Men Alfons kommer inte… utan han hämta tidningen. Så att pappa ska bli glad igen. Det är en stor bild på en brand utan på. Han ser en brandman mitt i röken. Alfons tittar… han ska bli brandman när han blir stor och då han ska inte vara rädd alls.
– Alfooons! För sista gången kom genast och ät!
– Ja visst! Jag skulle bara…
– Ska bara! Ska bara! Jag blir galen på ungar som “ska bara”… kom nu för sjuton gubbar!!
Och nu kommer Alfons. Tidningen ger han pappa.
– Tackar, säger pappa. Tänk att du kom ihåg den idag med. Det var busigt av dig. Varsågod, där är gröten.
Alfons leker att gröten är land, mjölken hav och lingönen båtar. Det kommer att vara massor med båtar. Alfons tar lingön burken för att ösa på mera båtar.
– Lek inte med maten!
– Aja, jag skulle bara… ta mera båtar.
Men pappa, han suckar och härmas:
– Ska bara, ska bara… tänk om du kunde raska på i stället!
Alfons kan raska sig! Titta så snabb han är… Och just då slår klockan sju!
– Pappa, jag är färdigt! ropar Alfons.
Men pappa kommer inte. En gång till ropar Alfons:
– Jar är färdigt! Klockan slog!
Vad tyst det är… tänk om pappa redan har gått? Utan att vänta på Alfons? Vad är pappa? Jo! I köket! Och läser tidningen fortfarande… fast Alfons är kläd och alldeles klar.
– Jajaja, jag kommer… jag ska bara läsa färdigt tidningen…
– Hihihi! Nu sa du! Det själv!
– Vilket?
– Jag ska bara, sa du – säger Alfons. Och leker arg och härmas: Jag blir galen, jämnt ska du bara!Kom nu, så går vi pappa!
–  Hahaha… Ja visst, ska vi gå! Vi ska bara… 
– Vaddå bara?
– Skrattar färdigt först!

Infelizmente, latinos tem uma fama de sempre estarem atrasados. Pra dizer que estamos em cima da hora usamos essa expressão aí do pai do Alfons (klockan är mycket). Suecos não gostam nem um pouco de esperar, e não acredite no “ingen fara” (sem problemas) deles quando você chega atrasado, esse é uma forma de ser simpático e deixar passar a primeira mancada. Já na segunda vez eles vão dizer que não é ok que você se atrase. A máxima é sempre raska på (apressar-se) e planejar tudo com antecedência para nunca se atrasar. Mas, às vezes o amigo Murphy anda de braços dados conosco um dia inteiro, e para estes casos eu recomendo sempre enviar um sms para a pessoa que te espera, mesmo que você vá chegar atrasado menos de cinco minutos. Um simples “jag är försent” resolve muita coisa.

Uma curiosidade: os sinos de uma igreja são chamados de ringklocka.

Uma das coisas que sempre me confundia no começo era essa coisa de heter, kallar e ropar. Em português costumamos dizer “o meu nome é” ou “eu me chamo”, e para esses casos você utiliza os dois primeiros exemplos. “Jag heter Maria Helena men du kan kalla mig för Maria”. O ato de chamar por alguém ou para explicar que estão me chamando, requisitando a minha presença  – ô fulano! vem cá – é com o verbo ropa que apareceu bastante no outro episódio do Alfons também.

Suecos em geral não gostam de palavrões. Apesar de algumas pessoas usarem com frequência e de estar bastante presente na linguagem coloquial, a utilização frequente de expressões como “jävlar”, “fita” ou “fan” ou mesmo palavrões em inglês não pega nada bem. Por isso (e até porque se trata de um livro infantil) o pai do Alfons usa um dos palavrões que eu acho mais engraçado daqui: dezessete. Sabe aquela história de porcaria? Eu não sei se alguém usava isso (ou era só lá em casa) mas se alguém ouvisse um “mas que porcaria!” irritado era sinal de que a coisa estava ficando preta. Aqui é a mesma coisa, mas com os números dezessete (sjuton) e mil (tjusen). Pensando bem, soa como palavrão mesmo! Outro “palavrão” que é aceitável é o fy, que dá para traduzir como um “nossa!”.

Fica a dica: i stället (ao invés de) falar merda (shit!) use um fyyyy… e não esqueça do biquinho!

Ps: No último post escrevi kissnödig errado! Isso é que dá não usar a pronúncia certa… apesar de perguntar para um nativo, a pessoa não me entendeu. E eu estava sem meu Joelcionário português/sueco! Já corrigi no post. Beijos!

Aprenda sueco com Alfons

Como prometido em fins de junho, aqui vai o primeiro post da série. Ao escrever os posts eu percebi que ficava longo demais e esquisito colocar a tradução do episódio, então achei melhor acrescentar três pequenas dicas ao fim de cada um. Além do mais, a tradução desse texto é bem simples de conseguir com a ajuda de um dicionário – serve como treino. Se alguém possui os livros vai perceber que os episódios narrados em vídeo apresentam  um texto um pouco diferente, mas a essência da história permanece. Ha det trevligt!

*****

Här är Alfons Åberg. Han är snäll och glad ibland. Och dum och busig ibland.
Just nu är han busig och ledsen för det är kväll och han vill inte sova. Nere på gatan är lamporna tända och klockan i köket visar snart nio, men Alfons vill ändå inte sova. 
– Snälla pappa, läs en saga!
Här är pappa. Han är nästan aldrig busig men snäll för jämna. Nästan för snäll. Som i kväll: fast klockan är så mycket tar han en sagabok. Han läser en lång bra saga om en häst.
Sen ger han Alfons en puss och släcker ljuset när han går. I dörren säger han:
– God natt och sov så gott.
Men Alfons vill inte sova gott. Han vill inte sova alls. Nu kommer han ihåg: han har ju glömt att borsta tänderna!
– Pappa! Vi glömde att borsta tänderna!
Pappa kommer snart. Alfons borsta sina tänder så noga, så noga. Varenda tand blir ren.
– Sov nu, säger pappa.
Men Alfons somnar inte. Han är förfärligt törstigt! det känner han nu. Förfärligt vad törstigt han är.
– Pappa!, ropar han. Jag är törstigt!
– Sov nu gott, säger pappa när han går.
– Pappa! Jag spillde! Det blev vått i sängen.
– Nä men, oj oj oj oj oj! säger han när han får se fläckarna.
Han torkar upp på golvet med några trasor och i sängen byter han lakan.
– Sov nu så gott.
– Pappa! Jag måste kissa!
Pappa kommer. Han har hämtat pottan i badrummet.
– Sov nu, ber pappa när han går.
Men Alfons somnar inte i alla fall. Han ligger och tänker på garderoben… Kanske, är det ett stort vilt lejon där inne?
– Pappa! Kom och titta! Det är ett stort lejon i garderoben!
Pappa kommer. Pappa hittar inget lejon.
– Lejon finns inte ofta i garderober. God natt och sov så gott. Och ropar helst inte mer för nu är jag så trött.
Men Alfons somnar ändå inte. Först måste han bara ha Nallen.
– Pappa! Nallen!
Pappa börjar leta. Han ser i hallen. Han letar i badrummet. Till slut finner han den längst in inne under soffan… Men pappa dröjer så mycket. Kommer han inte snart? Med Nallen. Vad konstigt. Varför kommer han inte? Vad håller pappa på med?
Men titta: nu har pappa läst saga, hämtat tandborste, kommit med saft, bytt lakan, torkat upp saft, burit potta, sökt efter lejon, hittat rätt på Nallen och blivit så trött som han somnar pladask mitt på golvet just som hade tagit fram Nallen under soffan. Alfons blir full i skratt pappa ser så skoj ut! Han ligger och snarkar riktigt gott.
– God natt och sov så gott, viskar Alfons.
Så vandrar han tillbaks till sängen.Han tänker att han ska inte ropa mera. En pappa som sover kan ju inte gå några ärende. Och kommer ingen när man ropar så kan det kvitta, tycker han. 
Och nu kan nog Alfons sova, han med. Schhhhhh… viska. Det ser ut som han sover… God natt, Alfons Åberg.
 
 

Resumo da história em português: Alfons é uma criança que esta fazendo de tudo para não dormir. Ele quer que o pai leia uma história (saga=conto, história infantil), depois lembra que esqueceu de escovar os dentes e que ficou com muita sede; e aí ele derruba saft (um tipo de bebida feito a base de flores) na cama, depois ele precisa muito fazer xixi e morre de medo de que haja um leão dentro do armário; por fim, ele quer o urso de pelúcia (todo o bicho de pelúcia é um nalle)… e quem acaba dormindo exausto é o pai que correu e deu assistência ao menino nessa folia toda.

Snäll é adjetivo para querido, bonzinho  enquanto snälla é por favor. Em português costumamos pedir, por exemplo, quando estamos a mesa: pode me passar o pão por favor? Mas em sueco se costuma usar o “kan jag få blablabla” para esses casos. Se você quer pedir um favor a alguém inicia a frase com snälla ou usa no fim da frase är du snäll; assim se você quer incluir no final de uma frase “kan jag få blablabla” um “är du snäll” fica extremamente educado, mas soa como se a pessoa estivesse implorando e portanto, não há problema algum em dispensar o complemento. Exemplos: Snälla, kan du räcka mig en handduk? (Por favor, pode me alcançar a toalha ou) Kan du räcka mig en handduk, är du snäll? 

Vad håller du på med? é o nosso “o que é que você está fazendo?” e serve tanto para uma pergunta simples como para mostrar surpresa ou revolta – quando a gente solta aquele indignado “o que você acha que está fazendo?”. A  combinação inte e alls é para indicar o nosso “de jeito nenhum”: han vill inte sova alls – ele não quer dormir de jeito nenhum! Já busig é um adjetivo que significa tanto manhoso e birrento quanto sapeca, travesso, genioso; depende do contexto. Alfons é manhoso – nessa história.

Por fim, o temido “kissa” que normalmente é confundido com “kyssa” (o primeir0 é xixi e se pronuncia quissa; o segundo é beijar na boca e se pronuncia xissa). Na prática, se você é daquelas pessoas que morrem de vergonha de falar em xixi ou cocô em público pode usar o jag måste gå på toa que serve para os dois. Ao contrário, crianças costumam gritar a todo o pulmão um “jag måste kissa/bajsa” (eu preciso mijar/cagar) ou jag är kissnödig/bajsnödig. O engraçado disso é que nöd serve para indicar uma situação de perigo! E é. A gente também pode usar o verbo pissa para mijar, que é o equivalente ao pipi que a gente fala para as crianças e que por isso pode soar infantil demais. Já o adjetivo para mijado é pissigt – vilken pissig dag!; algo que aqui soa mais ou menos como palavrão. Mas para “molhado até os ossos” pode usar sem medo “pisseblöt“.

Acreditam que tive de olhar no dicionário como é que se escreve cocô?

O blog de molho e Alfons

Olá gente linda linda, bonita bonita!

(Não me lembro exatamente onde eu vi isso, mas achei simpático)

Já estamos praticamente dizendo adeus ao mês de junho e, para minha felicidade, semana que vem meus pais e a minha irmã desembarcam aqui na Suécia. E como eles estarão por aqui por um tempo e eu quero muito passear com eles e levá-los para vários cantos, aviso aos navegantes que o blog ficará de molho.

Apesar disso, estou deixando alguns rascunhos (só uns poucos) sobre o idioma sueco. Talvez quem não tem interesse pela língua ou por aprendê-la ache que isso será um pouco  chato, mas eu escolhi um ajudante para entreter vocês: o Alfons Åberg que a Vânia conta um pouco neste post aqui.

stockholm-stadsbiblioteket-alfons-aberg40-ar-12120417611848_n

O Alfons é um personagem da literatura infantil sueca – um dos mais famosos ao lado da Pipi Långstrump e dos demais personagens de Astrid Lindgren; que apresenta histórias engraçadinhas sobre o mundo infantil e com um sueco de nível bem fácil. Eu não conhecia o Alfons Åberg até começar a trabalhar como personligt assistent com o Zezinho. Fiquei imensamente surpresa com a quantidade de palavras e expressões que aprendi por meio da leitura dos diversos livros e também porque assisti Alfons umas dezenas de vezes.

Então vou deixar alguns posts com um episódio do Alfons em vídeo, o texto narrado abaixo e a tradução em português. Se possível deixarei alguns comentários também, mas provavelmente não. Esses posts serão mesmo para que você, que estuda sueco, possa acessar um vídeo em sueco tendo uma “legenda” em mãos e assim treinar o ouvido e porque não a pronúncia correta das palavras e de quebra, aprender algumas expressões.

Abriremos a temporada do “aprenda sueco com Alfons” no dia primeiro de julho, com o primeiro livro publicado pela autora Gunilla Bergström intitulado God natt Alfons Åberg – Boa noite Alfons.

Feliz férias para mim! E um ótimo mês de julho para vocês!

Micos

Sempre que aprendemos uma coisa nova erramos muito, afinal é errando que se aprende. Mas se tem uma coisa que realmente não é legal é errar feio e na frente de um monte de pessoas quando estamos aprendendo uma língua nova.

Pessoalmente penso que existem três grupos diferentes de pessoas no que se refere ao tipo de comportamento no momento de experimentar uma língua nova. No primeiro, as pessoas são muito tímidas e só falam quando tem certeza de que estão falando bem e corretamente. No segundo, elas – como eu – são mais ou menos descoladas e tentam falar mesmo quando erram algumas coisinhas aqui e ali. E por fim tem o povo que fala de qualquer jeito e não tá nem aí, muitas vezes ri de si mesmo e nem se esquenta quando paga um micão de linguagem.

Para o primeiro e o segundo grupo, penso eu, é muito difícil errar em público. Eu fico muito puta da cara comigo mesma quando eu falo uma abobrinha gigante em público ou quando eu converso com uma pessoa que fica pedindo para mim repetir porque não entendeu o que eu estava falando. E fica pior quando a gente encontra alguém que quer sacanear com a nossa cara.

Fonte: Google

Fonte: Google

Aí que num dia desses (já em outros carnavais) estávamos comemorando entre amigos – alguns conhecidos, outros não – em um bar na cidade e o garçom chega e pergunta o que queremos beber. Eu logo disse “jag vill ha öl” (eu quero cerveja) e estava muito satisfeita comigo mesma… Até ele fazer careta e perguntar: “Ol? Vill du äta?” (Peixe? Você quer comer?).

O “ö” sueco tem um som muito complicadinho, é muito difícil aprender e muitas vezes a gente pronuncia como “o” mesmo. Infelizmente, faz uma grande diferença porque cerveja virou peixe (aqueles peixes que parecem cobras tem o nome de ol em sueco) – mas claro que o garçom foi um tremendo fdp comigo. Ele perguntou o que queríamos beber e está escrito na minha cara bem grande “estrangeira”. Todo mundo na mesa riu, e eu me senti muito mal. Vai demorar até aprender o “ö” e agora, sempre que saímos beber e eu quero cerveja digo: En stor stark, tack.

Fica a dica, se alguém quiser aproveitar.

PS.: A Lu Maciel (que deixou um coments logo abaixo) mandou uma dica valorosa: esse site chamado Lexin. Nessa aba o site exibe a palavra que você procura seguida de pronúncia (tem até o áudio gente! Uma maravilha! Clique na palavra “lyssna” que aparece ao lado da palavra que você procurou) e logo abaixo qual a forma da palavra no definido, plural e plural definido. Muito obrigada Lu, você salvou nossas vidas e seremos eternamente gratos! O exagero é só brincadeira viu?

Mais sobre o inverno

Faz um tempo que não posto nada da série de dicas de sueco. Na verdade, tenho que voltar a ler esses velhos posts que escrevi quando comecei a estudar e sabia apenas que isso era assim e aquilo assado, porque agora sei que há o frito também e posso acrescentar… pequenos detalhes, grandes diferenças. Estou envolvida com muitas coisas agora e por isso vou deixar apenas algumas palavrinhas sobre o inverno.

Há algum tempo atrás postei as estações do ano, então se alguém se lembra inverno é vinter (en ord, por isso vintern quando definido; e invernos vintrar  – plural definido: vintrarna). O inverno sueco é razoavelmente quente se comparado a de outros países em posição geográfica semelhante no globo terrestre por causa de correntes marítimas quentes vindas do Atlântico que batem aqui no lado oeste do país. Apesar disso, as temperaturas no norte podem atingir os -40 graus C, e todo o país pode ficar branquinho por causa da neve (snö, snön) e geada (frost, frosten).

Eu digo que pode porque aqui, por exemplo, não nevou muito não e sempre que aconteceu foi bem tranquilo (verbo nevar: att snöa. Está nevando = det snöar), nada de um metro de neve nas portas e nada de tempestade de neve com vento. Houve dias muito frios em que as árvores estavam cobertas de uma fina camada e gelo – e isso é lindo, apesar de sinistro. Até choveu agora durante o inverno (eu acho isso chato pacas) porque as temperaturas variaram bastante, tivemos aqueles dias com menos 18 graus mas também há dias com 5. E então chove. A chuva lava a neve, mas como ainda é frio e a temperatura cai muito a noite, tudo vira gelo (is, isen).

O principal problema dessa lambança toda – neva, chove, derrete a neve, cai a temperatura, congela tudo – é que se formam camadas e mais camadas de gelo – por vezes aparentes e por vezes nem tanto – que são um convite e tanto para escorregar. Agora imagine a mesma situação para os motoristas: apesar do sal que é jogado nas principais estradas, em alguns pontos ainda há gelo e é preciso cuidado redobrado nas curvas.

O lado divertido do gelo é poder andar de kälke (mas isso eu fiz apenas em Oslo) , patinar (åka skridskor), esquiar (åka skidår)… Ainda não esquiei e não tenho ideia se vou experimentar. É muito caro: há que se alugar os esquis, viajar para algum lugar ao norte onde há pista, emprestar ou alugar roupas adequadas… e tudo isso para cair na neve e passar frio. Claro que também é muito divertido, mas eu ainda estou aprendendo a perder o medo do frio e do gelo e a viver uma vida normal, apesar disso tudo. Oh, que saudades de por um vestido de algodão e havaianas!

Isso é um spark. Ou, isso sou eu (de vermelho) tentando levar o Joel num spark sobre o Mjörn.

Isso é um spark. Ou, isso sou eu (de vermelho) tentando levar o Joel num spark sobre o Mjörn.

Falando em perder o medo, caminhei de novo no Mjörn – um lago enorme, com 55 km quadrados. Eu tenho muito medo de lagos congelados, eu não posso ver pessoas estúpidas caminhando no gelo recém formado (como a Vânia mostra aqui) ou indo muito longe lago adentro com crianças. Ainda que eu saiba que há uma boa camada de gelo sobre o lago, assim que eu vejo alguém com crianças eu começo a ficar nervosa e uma série de imagens de tragédia vem a minha cabeça. Ridículo, eu sei, mas tem muita gente sem noção que sai com as crianças para o gelo ainda que saibam que não é 100% seguro. Em todo o caso, o Mjörn está (va, talvez seja maior ou menor agora) com uma camada entre 15 e 20 cm de gelo e então a gente saiu para caminhar. Acho que caminhamos algo como 200 ou 300 metros lago adentro. E havia muita gente patinando, muitas pessoas andando de spark e outras pessoas que assim como nós, caminhavam sobre o lago congelado. Alguns cobrem toda a extensão do lago de patins – é um pouco difícil porque o lago não tem uma superfície de gelo regular como nas pistas, e havia uma turma reformando um barco/casa que esta no meio do lago desde 2011 – durante o inverno também, pasmem.

Apesar do inverno mais frio sinto que me adaptei as baixas temperaturas. Ou isso ou aprendi, finalmente, a me vestir… talvez um pouco dos dois. O fato é que no ano passado apesar de não estar tão frio como agora eu usava muito mais roupas – tanto dentro de casa como fora, tinha a constante impressão que um fio de vento safado subia a minha bunda e vinha fazer minha espinha dorsal de parque de diversões. Sempre estava tremendo – apesar de ter minha super jaqueta de inverno… Dica de sueco: use a palavra inverno combinada com as diferentes peças de inverno para se referir a jaquetas e sapatos, assim como use o adjetivo gordo para dizer que é um casaco, meias, jaqueta grossa/o – vinter jacka, vinter skor, vinter byxor, tjock tröja, tjocka strumpor… Jag har en varm och tjock vinter jacka, men inte någon vinter byxor (Eu tenho uma jaqueta de inverno quente e grossa, mas não uma calça de inverno).

No mais, tudo no mesmo… em breve mostro para vocês como ficaram os convites do casamento.

Tchau!

Tudo de novo e outra vez

Nas cenas do capítulo de hoje a caipira vai para a escola e descobre que foi enganada mais uma vez.

Ok, agora parando com o melodrama – ainda que a minha relação com a escola na Suécia seja uma novela; não sei se recordam que eu desisti de uma vaga na escola chamada Hermods há um tempo atrás – porque o curso de sueco seria a distância; e me rematriculei de novo – em outra escola. Deixei uma reclamação por escrito no escritório da Vuxenutbildning e ganhei uma pessoa de contato que ficou todo esse tempo de espera do começo das aulas – em 17 de setembro – em contato comigo.

Na primeira semana de setembro recebi uma carta da Vux me dizendo que eles haviam aceito o meu pedido de matrícula e que eu tinha um lugar em uma escola chamada Studium. Sempre ouvi falar muito bem da escola e fiquei feliz. Tava só esperando chegar a carta da escola…

Que nunca chegou. Então liguei e liguei e liguei para a escola e ninguém atendia o telefone (coisa super estranha que só aconteceu comigo). Sem respostas, liguei para a D. Angélica, que é o meu contato dentro da Vux, e pedi ajuda. Contei um pouquinho da história toda e nem precisei muito porque ela se lembrou de mim e me orientou a mandar um e-mail para a escola (para ter uma prova de que eu tinha tentado o contato) e que continuasse ligando.

Fiquei no vácuo ainda depois de mandar o e-mail e na quarta passada consegui que alguém da escola atendesse o telefone. Disse meu nome, meu personnummer e “Eu tenho uma vaga aí para estudar SAS 2, mas não recebi nenhuma informação da escola… não quero perder minha vaga e etc etc”.

Daí não seria bem mais fácil só ir até lá e tentar pegar a professora nos corredores? Hipoteticamente seria, não fosse o fato de que NENHUM sueco dá informação para você se não tem 100% de certeza e que às vezes é só com o professor que você pode receber o plano de aula e todos os etc. Sim, porque eu começaria o curso depois de 17 de setembro, o que não significa que meu primeiro dia de aula seria o tal dia mencionado; mesmo porque as turmas já estão em aula desde 13 de agosto. Assim, indo até a escola eu teria apenas a informação do tipo: sua turma tem aulas as segundas a tarde a partir das 13h, a professora chama Ilona e a sala é a número 109.

Como eu estive trabalhando todos os dias da semana passada e não queria correr o risco de “perder” uma viagem fiquei ligando. Na quarta quando fui atendida a pessoa do outro lado da linha estava super insegura, me pediu mil desculpas, anotou meu personnummer e telefone, disse eu não tenho acesso aos dados agora, te ligo depois… e eu só ok.

E esperei… na sexta eu estava na porta de casa a caminho da tal escola para tentar agarrar alguém pelo braço na tentativa de não perder minha vaga na escola quando o telefone tocou e uma tal de Anne Marie disse que “sua turma tem aulas as segunda-feiras, sala 309, professora Ilona. Quer que eu te mande um e-mail com essas informações?” e eu sim, obrigada.

O e-mail não veio mas eu fui. Cheguei lá 20 minutos antes e fui procurar a professora – afinal eu queria conversar sobre o que a turma está lendo e blá blá blá – na escola em que estive eles vendiam o livro que a gente usava em aula na secretaria. Ela me pediu um segundo para resolver uma coisinhas, e eu esperei até 5 para uma para descobrir que estava na turma errada: ela é a professora do SAS 1. Fiquei p… o sangue subiu nas veias e eu tinha vontade de chorar.

Voltei a secretaria e lá fui deixada com a D. Rafatt, que me disse só e simplesmente “Não podemos te ajudar porque você está na turma errada. Eu não posso te mudar”. Expliquei toda a situação para ela – e a professora do lado olhando – que eu já terminei o SAS 1, que eu tava esperando para começar desde maio (sim, cinco meses sem aula, eu podia estar pronta com essa joça!) e todo o etc e tal que aconteceu a respeito da outra escola. A tal da Rafatt achando problemas, a professora só me olhou e disse: “eu sou a professora do SAS 2 também, sexta feira 9h, mesma sala”.  E se foi.

A Rafatt continuou que eu teria que conversar com não sei quem e não sei quem dentro da escola (sendo que as duas pessoas não estavam) e que ela não podia me ajudar, que eu teria de ir na Vux e… Eu respondi, não preciso ir na Vux, tenho um contato lá dentro, eu ligo para ela agora mesmo. Liguei para a D. Angélica e falei que o pessoal da escola estava achando problemas para eu ficar, que tinha acontecido um erro do sistema e eu estava no SAS 1 ao invés do 2 e eles disseram que não podiam me mudar de turma… a Angélica me pediu para passar o telefone para a tal da Rafatt. E depois disso todos os “eu não posso” passaram para “eu já mudei você, seja bem vinda.”

Descobri que as escolas tem um medo danado do pessoal da Vux. A Angélica me ligou depois e disse que eu havia errado quando fiz a matrícula – não discuti, porque aconteceu o mesmo quando saí do SFI para o SAS: o sistema dizia que eu tinha feito a matrícula para o curso do SAS G quando eu tinha escolhido o A. O A passou a ser 1, e mesmo assim, agora o sistema diz que eu escolhi o 1, sendo que eu já tinha concluído o mesmo em maio…

Mas a Angélica me deu os parabéns também. Disse que precisando eu devo chamá-la se tiver mais algum problema – ao final, as escolas não perdem nada quando ficam enrolando o aluno… mas perdem muito se a Vux fica sabendo. Para algumas escolas sempre somos os imigrantes burros que não conhecem a língua, não sabem se defender e que podem ser enrolados…

Aposto que eles não contavam com a minha astúcia…