Verbos pra que te quero – Parte III

To lendo muito sueco, e isso significa muito tempo para poucas páginas. Daqui a pouco rola prova sobre um livro (Manniskosaker) e a minha impressão é que o sueco piora quando começamos a ler. Seja porque gastamos um tempão caçando palavras no dicionário ou seja porque precisamos de concentração e silêncio, recebi a nota mais baixa no sueco desde que comecei a estudar – numa prova de listening (ouvir e entender); o resultado é que seria reprovada se a provinha não fosse apenas para obter uma média da capacidade de compreensão da turma. Hahá, ajudei a lascar todo mundo.

Resgatei o ‘Verbos pra que te quero’ do fundo do baú porque lembrei que esqueci de postar sobre os verbos suecos no passado. Na verdade, falta o imperativo também, mas isso fica para outro post. Voltando ao que interessa, os verbos suecos no passado não são muito difíceis e a boa notícia é que há verbos “regulares”; assim nomeados só para facilitar a explicação porque a unica coisa que diz meu livro de gramática é que os verbos em sueco são divididos em quatro grupos distintos. Por que? Porque um dia os vikings, sentados ao redor de uma fogueira, decidiram assim. Sério, tá no livro. Hahaha… claro que não, mas como o livro não explica o porquê dos grupos, também não posso explicar.

O sueco conjuga os verbos no pretérito e pretérito perfeito. O pretérito é o passado simples, aquele que mais usamos no dia-a-dia: eu comi, eu bebi, eu saí, eu trabalhei, eu estudei, eu li, blá blá blá. Para o preteritum sueco, os verbos se apresentam de três formas “regulares” distintas e uma forma irregular. Simplificando, podemos dizer que os verbos regulares em sueco terminam em de, te ou dde. Vamos de exemplo:

Os exemplos da linha verde correspondem aos verbos do grupo 1. Os verbos que fazem parte desse grupo tem acrescentado a forma do infinitivo apenas a complementação “de” na forma do preteritum: titta – tittade; arbeta – arbetade; sluta – slutade; diska – diskade (olhar/olhou; trabalhar/trabalhou; acabar/acabou; lavar a louça/lavou a louça). É importante lembrar que os verbos no infinitivo são os verbos base (acrescentando “att” antes da forma do infinitivo), que na grande maioria são terminados em a.

Os exemplos da linhas azuis correspondem aos verbos do grupo 2, subdivido em 2a e 2b. Nesse grupo, os verbos tem a terminação “de” ou “te” no preteritum, sendo que a terminação é acrescentada depois de se ‘comer’ a letra final da forma do infinitivo (ou seja, um ‘a’): lära – lärde; köra – körde; ringa – ringde; resa – reste; hjälpa – hjälpte; köpa – köpte (aprender/aprendeu; dirigir/dirigiu; ligar/ligou; viajar/viajou; ajudar/ajudou; comprar/comprou).

Os verbos do terceiro grupo no preteritum sueco tem como terminação “dde”; esse grupo de verbos tem a particularidade de que no infinitivo não são terminados em a, como: må – mådde; tro – trodde; bo – bodde; spy – spydde (sentir-se bem/sentiu-se bem; acreditar/acreditou; morar/morou; vomitar/vomitou). Eu realmente não sei porque a regra se aplica a um grupo e outro, mas na prática – na hora de falar – dentro desses três grupos “regulares” é só chutar a terminação “de” ou “te” (sempre lembrando de ‘comer’ uma letrinha quando falar “te”)’; se não for nenhum dos dois o verbo é irregular.

Denominei os verbos pertencentes ao grupo 4 como verbos com preteritum “irregular” porque a sua terminação não segue nenhum padrão. Alguns exemplos de verbos com preteritum “irregular”: att se – sag; att dö – dog; att äta – åt; att sjunga – sjöng; att springa – sprang; att dricka – drack; att gå – gick (ver/viu; morrer/morreu; comer/comeu; cantar/cantou; correr/correu; beber/bebeu; ir/foi).

O pretérito perfeito ou perfekt do sueco tem a seguinte forma: har+supinum; e é utilizado para falar de situações do passado que podem e não ter sido concluídas. Por exemplo: Jag har bott i Sverige i elva månader (eu tenho morado na Suécia onze meses) está explicando uma coisa que já fiz – morar na Suécia por 11 meses – mas que ainda não acabou; mas eu também posso dizer: Jag har smakat lax och tycker att det är gott (eu já comi salmão e acho que é gostoso) indicando uma ação que está no passado e que já foi completada.

O perfekt  apresenta a mesma terminação dentro dos quatro grupos de verbos –“t” ou “tt” – sendo que entre os “irregulares” há mudança apenas nas vogais que compõe o verbo, o que facilita na hora de falar – não de escrever. Para mim a utilização do verbo “har” causou certa confusão na hora da leitura, uma vez que no português ‘tem morado, tem amado, tem lido, tem…’ dá uma impressão de continuidade. A dica é observar se a frase contém um indicativo de tempo (hoje, esse mês, a semana passada, algumas horas, etc) e na falta desse traduzir o verbo “har” como : já vi, já amei, já provei, já bebi, blá blá blá … Entretanto, é muito importante lembrar que sett, älskat, smakat*, drukit… são traduzidos como visto, amado, provado, bebido… alguns exemplos:

O perfekt no sueco pode aparecer com a variação att ha+supinum ou hade+supinum, sendo esta última variação a forma do pretérito mais que perfeito (digamos assim) em que “hade” pode ser traduzido como ‘tinha, tive’, então: Jag hade dansat salsa för första gång i mitt liv = “Eu tinha dansado salsa a primeira vez na minha vida“.

E agora, prova!

*Att smaka é o verbo para experimentar comidas e bebidas; em outros casos é melhor utilizar att testa ou att försoka (testar e tentar).

** Eu to com pressa e não pedi para o Joel corrigir, se houver alguma coisa errada (vai ter) posto a correção nos coments!

E Viva o Dia de Todos os Corações!!

Semla

Hoje é um dia especial na Suécia, mas não tem nada a ver com o título que eu coloquei… Também não é Carnaval, e para acabar de vez com o mistério: é terça feira gorda! HahahHAhaha! Não é promoção de supermercado não! Como não existe Carnaval na Suécia para marcar o último dia antes da quaresma (algumas pessoas também jejuam aqui e guardam a quaresma) existe o fettisdagen um dia para encher a pança de uma delícia chamada semla: um bolinho com recheio de amêndoas ou baunilha, coroado com muito, muito, muito creme de leite. Vale lembrar que o creme de leite aqui na Suécia é batido e tem uma consitência diferente do nosso.

Eu não sou boa com essa coisa de descrever os pratos típicos e do dia que existem na Suécia. Felizmente, eu não sou a unica blogueira que escreve a respeito desse reino tão, tão distante; e se você quiser ler mais sobre a semla passa lá no Mundo da MariEla tem receitas fantásticas de algumas especialidades suecas!

Esse é na verdade um post sobre saúde. Porque a gordura em excesso prejudica o coração… Brincadeira. Semana passada na terça-feira foi o dia dos namorados sueco, que aqui é chamado de Alla Hjärtans Dag – o Dia de Todos os Corações. Sorte de Santo Antônio, que por aqui não é conhecido e por isso mesmo não é dependurado de cabeça para baixo ou posto na geladeira até que apareça o grande amor da vida de alguém. Em outros países do norte do mundo o dia dos namorados também é comemorado em 14 de fevereiro por causa do dia de São Valentim, um santo que ajudava jovens enamorados a se casarem.  Na Suécia em 14 de fevereiro é comemorado o nome Valentim, mas o dia é popularmente conhecido como de todos os corações.

Com uma semana de atraso – mas é amor é eterno enquanto dura, não é Vinicius de Moraes? – resolvi postar então algumas palavrinhas e frases suecas sobre amor, relacionamento e etc. Pode parecer meio bobo, mas é importante – tenha fé, isso vai te ajudar a se livrar de alguns micos. Você sabe por exemplo a diferença entre kyssa e kissa?

Att kyssa é beijar – beijar na boca, e a pronúncia é xissa. Att kissa significa mijar, fazer xixi, e a pronúncia é quissa. Quem é esperto já pegou o espírito da coisa. Por mais idiota que seja, TODO MUNDO COMETE ESSE ERRO de misturar kissa e kyssa. Eu também já fiz a besteira de falar errado na frente de um monte de pessoas  que estavam esperando para saber como foi a história de quando eu e o Joel nos conhecemos (dai que o Joel mijou em mim!)… o king kong é explicável: em inglês, beijo é kyss. E a gente fala kyss mesmo! 

Todo mundo que muda a reboque de um amor sabe essa: Jag älskar dig. Na cultura sueca amor é um sentimento para a família e o parceiro, não se usa isso para dizer que você gosta muito de outras pessoas. Nesses casos, você pode usar “jag tycker om dig ou “jag gillar dig“. Quando está apaixonado usa o “jag är  kär i…”. O interessante é que daí deriva uma série de palavras semelhantes no pacote dos sentimentos: kär é apaixonado, kärlek é amor, känslig é sensível, känsla é sentimento e att känna é sentir.

Namorado e namorada seguem a mesma lógica do inglês: pojkvän e flickvän. Mas você também pode usar a gíria kille e tjej – na tradução literal garoto, garota; rapaz, moça. Para noivo e noiva existem duas denominações: fastman e fastmö  para a época do noivado e brudgummen e bruden para o dia do casamento (quando o casal é chamado de brudparet).  Marido é make/man e esposa, hustru/fru. Não existe nenhum equivalente para ficar, mas amizade colorida é apenas kk (coco – não cocô, nem káká), que significa knullkompis – amigos que fazem sexo. Namorar é att vara tillsammans; noivar é att förlova sig; e casar, att gifta sig.

Para gostoso/gostosa se diz “en godbit”,  ou brud/brudar especificamente para mulher/mulheres bonitas. Já a gíria para solteiro é “jag är ute på markanden”, no sentido de estar no mercado.

“Vi håller i hand” ou att hålla varandra i handen” é o equivalente ao nosso “andar de mãos dadas”. E kyssa é mijar ou beijar? Pussar é beijo no rosto e kramar, abraço. Att ligga sked é dormir de conchinha, que traduzido é “dormir de colheres”. Fazer algo gostoso juntos é att mysa, e chamegar é att gosa – por isso ursinhos de pelúcia são chamados de gosedjur.

Quase que a totalidade dos suecos que eu conheço levam muito a sério o compromisso de estar junto com outra pessoa: compram flores, saem para jantar, vão ao cinema, saem para caminhar; enfim, gostam de fazer muitas coisas com o parceiro. Se é por causa do feminismo ou porque muitas pessoas moram a vida toda sozinhas? Não sei. Existem divórcios e o fim de namoro também, mas as pessoas curtem bastante um ao outro; sempre mantendo a liberdade de também sair com os amigos, fazer coisas sozinho.

Em todo caso, espero que quem já tá por aqui e tiver vontade adicione mais expressões do amor e etc nos coments!

Falei que o post era sobre saúde? Amar é a melhor forma de cuidar bem do coração…

SAS… ou S.O.S?

Parece que meu blog é mais um canto de desabafos que eu uso quando não posso gastar meu pobre português nas orelhas da Lu e da Angela. Parece e é. Mas antes de começar a disparar, rapidinhas da semana (como diria a Maíra – o blog dela é um barato!):

– to mesmo conseguindo ir a academia 3 vezes na semana. Na segunda cheguei no aparelho que eu nunca lembro o nome – um simulador de subir escadas – e coloquei o fonezinho e tals (a academia é um luxo e cada aparelho tem sua própria tela, a gente pode assistir tv enquanto sua…); e tentei encontrar o canal SVT 1 que tem coisas interessantes e programas com subtítulos em sueco. Mas qual não foi a minha surpresa quando descubro que o botão de mudar canal estava estragado, e que o único canal funcionando era um canal de culinária! Tudo bem, gastei boas caloria enquanto comia com os olhos um prato de frango ao molho de curry com arroz…

– Nesse mesmo programa aprendi que o recorde mundial de fatiar um salmão em 40 pedacinhos iguais é de 1min e 24s.

– Fiz a primeira entrevista de emprego decente depois que mudei – talvez a primeira da minha vida.

– Ontem (na academia) perguntei a personal trainer o valor a hora aula… 595kr (quase R$150). Não acho demais, acho muito bom, fiquei pensando na minha querida amiga Lu que ganha uma miséria – comparado a isso – e é uma profissional excelente. Tem coisas que funcionam na Suécia…

Agora, as aulas de sueco… mas primeiro, um conselho para quem está chegando: não espere nada dessa bosta de aulas que são SFI e SAS. Estude muito por si mesmo.

Quando estava no SFI levei alguns bolos da professora. Sério: por duas vezes quando cheguei na escola simplesmente não tinha aula, e outra vez eu perdi de fazer uma viagem de graça porque faltei a aula. O Joel sempre ficava indignado quando isso acontecia, repetindo que era um desrespeito porque o professor não pode simplesmente não aparecer e que… Enfim, cheguei a aula ontem e a minha professora não estava, mas sim a professora B e mais uma guria que acredito seja uma coisa como estagiária.

Minha turma do SAS tem cerca de 40 alunos, por isso na metade da aula sempre somos divididos em dois grupos sendo que o segundo vai para outra sala com a professora B – o que é muito inteligente – e então fazemos exercícios referentes a lição enquanto a professora passa conversando e corrigindo e trocando idéias. Os dois grupos sempre fazem o mesmo trabalho, apenas em locais diferentes e com professoras diferentes. Eu nunca fui para o grupo B, mas gostei bastante da professora deles porque ela tem uma dinâmica de aula muito semelhante a da Birgitta, minha última professora no SFI.

A professora B nos abandonou na metade do caminho com a aprendiz/estagiária/candidata a professora. Então uma série de cenas ridículas começaram a se desenrolar: ela ficava repetindo tyst! (quieto) para qualquer suspiro não permitido entre os alunos, respondia as questões objetivas de forma irônica e quando começamos a analisar um poema ela simplesmente disse que o poema era sobre uma relação amorosa que terminou. E é isso. Teve uma aluna que fez uma tentativa de contestação com um tímido mas, que ela ouviu com um sorriso nos lábios do tipo coitados, eles não entendem!; para em seguida usar um não definitivo, o poema é sobre um amor que acabou.

Instalou-se a ditadura ou eu sou melodramática. Acredito nos dois. Mas fico tão frustrada! Tudo bem que talvez 80% dos estrangeiros não estejam dando a mínima para SFI e SAS, mas precisa avacalhar tanto? Quero a minha professora de volta!! Ela ao menos sempre pergunta: o que você entendeu a respeito desse texto? Qual a sua opinião sobre a história?

O maior pecado do SFI/SAS é tratar os alunos como colegiais. Sim, existe o módulo de inserção para pessoas que nunca aprenderam a ler e escrever, mas minha turma tem um monte de gente com universidade, tem gente com mais de 40 anos que estudou muito na vida! Estrangeiro não é burro só porque não sabe falar a língua, nós aprendemos interpretação de texto na língua mãe também, quem é que não passou poucas e boa tendo que ler Euclides da Cunha?

No final das contas, a reclamação não é só minha não. Antes de chegar a Paula me alertou para não esperar muito do SFI. Mas eu sou meio boba assim, sempre tenho uma esperança. Agora minha maior esperança é ter a professora de volta, aquela com a qual comecei o curso do SAS.

Senão, fazer o que?

Decifra-me ou te devoro – interrogações

Eu ando meio preguiçosa para escrever dicas de sueco. Talvez seja porque agora eu consigo conversar e perdi aquela necessidade louca de entender. Agora ando numa fase de escutar muito, prestar enorme atenção na forma como as pessoas falam. Mesmo sabendo que estou expandindo o vocabulário e melhorando a pronúncia, sinto como se estivesse estacionada no mesmo lugar.

Falando nisso, duas coisas: primeiro que eu não tenho o costume de ficar utilizando palavras de apoio quando alguém está conversando. Claro que a gente usa muito isso em português, mas eu sempre fui de falar mais do que escutar. Para quem não pegou o fio da meada, as palavras de apoio são aquelas frases curtinhas que usamos para incentivar o cidadão a continuar a fala, além de expressar que estamos entendendo – aquela coisa com humm…, mesmo?, não sabia…, com certeza!, além de outras. Em sueco se usa muito o ja, absolut, precis. Quando digo muito, é muito mesmo. No início, eu nunca utilizei essas palavras de apoio e o que acontecia era a pessoa repetir duas ou três vezes o que estava falando. Eu dizia entendi, mas o povo ficava me olhando com cara de dúvida. Agora eu quase consigo fazer isso – apesar de achar muito estranho – e percebo que a conversa flui mais naturalmente.

Segundo, eu sempre me enrolo na hora de perguntar coisas. Tudo porque na lógica do sueco o verbo vai primeiro nas interrogações, como no inglês. Mas eu nunca fui fluente no inglês, ou melhor, ainda não sou, e também tinha esse problema de me confundir na hora de fazer as perguntas. Coisa bem boba, mas enquanto a gente formula a frase em português e traduz para o sueco acontece bastante. Quando a gente adquire a capacidade de pensar em sueco, daí tudo fica muito mais fácil.

Pra começar, nada melhor do que entender a ordem das palavras em interrogações em sueco. Claro que sei disso e estudei há um tempão, mas só a prática para diminuir a incidência de erros… 8 meses não é lá tanto tempo assim não é? Pra quem tá começando, é interessante saber.

O verbo vem em primeiro nas interrogações, a exceção daquelas palavrinhas utilizadas para mensurar ou definir a questão, por exemplo: como?  o quê? quem? onde? quando? (hur? vad? vem? var? när?). Acho importante sublinhar três deles: hur mycket, hur många e hur länge – quanto/a, quantos/as e quanto tempo. Hur mycket é utilizado para peguntar sobre coisas que “não são possíveis de mensurar” de forma simples, como água, café, leite, neve, areia…; ou seja, que a resposta não pode ser 1, 5, me dá 25 disso, etc. Hur mycket kaffe vill du ha? En halv kopp, tack [quanto café você quer? meio copo, obrigada]. Ou seja, se a pergunta (em português) é no singular (quanto ou quanta), utilize hur mycket. Quando a pergunta é sobre coisas facilmente mensuráveis, utiliza-se hur många: hur många barn har du? Hur många personer kommer till festen? Hur många glas har du? [ Quantas crianças você tem? Quantas pessoas vem para a festa? Quantos copos você tem?]. Para todas essas perguntas, a resposta pode ser um simples 2, 12, 6. Ou seja, se a questão (em português) é no plural (quantos ou quantas), utilize hur många.

Uma das perguntas que mais me fazem é hur länge har du varit i Sverige? que é o equivalente ao nosso há quanto tempo você está na Suécia? em tradução não literal. Apesar de não aparecer na pergunta nenhum “tid”, esse é o significado de hur länge em perguntas como: hur länge har du jobbat som personlig assistent? Hur länge har du läst svenska? Hur länge har ni varit tillsammans? [Há quanto tempo você trabalha como assistente pessoal? Há quanto tempo você estuda sueco? Há quanto tempo vocês estão juntos?].

Ok, agora vamos de esqueminha:

Vad heter du? De forma simples, a ordem das interrogações sempre segue o padrão verbo+sujeito. Lembrando que as palavrinhas de interrogação vem primeiro, mas se elas não são aplicáveis, primeiro vem o verbo. Heter du Maria? Är du svensk? Tycker du om lax? [seu nome é Maria? você é sueca? você gosta de salmão?].

Hur länge har du varit i Sverige? Quando existem dois verbos na pergunta, o sujeito fica entre eles, como no caso acima: verbo 1+sujeito+verbo 2. Aqui o tempo verbal é o passado perfeito, sempre acompanhado de har, mas isso é assunto para outro post. E o resto da questão? Quando, onde e com quem são complementos que sermpre ficam no final da pergunta, nesse caso, a menos que seja exatamente o que você quer saber. A diferença: Vem var med dig igår? Var du med Joel igår? [quem estava com você ontem? você estava com o Joel ontem?]. Outros exemplos (de perguntas com dois verbos): Vill ni ha kaffe? Har du sett The Help? Ska du åka till Brasilien? Tror du att det kommer regn? [vocês querem café? você assistiu The Help? você vai para o Brasil? será que chove?].

Varför tycker du inte om lax? Quando aparecem advérbios nas perguntas – o mais comum deles é o não – sempre ficam atrás do sujeito, na ordem: verbo+sujeito+advérbio(+verbo2, se houver). Varför går vi aldrig på bio? Glömde du igen att stänga av din mobiltelefon? Kan du nån gång komma i tid? [porque nunca vamos ao cinema? você esqueceu de novo de desligar o celular? você consegue chegar em tempo alguma vez?].

É isso. Quem tem mais para acrescentar seja bem vindo!

Tchau SFI… Oi SAS!

Terminei o SFI. E… bom, nada que quem já mora aqui não saiba: SFI é uma introdução, eu posso me virar sozinha o suficiente para não ter de levar o Joel para todos os cantos; mas o dicionário… agora é que eu comecei mesmo a usar, porque posso entender quase toda uma frase menos algumas palavras, e não o contrário como é o comum do início – daí todo mundo sabe que dicionário serve para nada, porque procurar 20 palavras diferentes até conseguir pescar o significado do texto, ninguém merece!

Mas a independência ainda é  capítulo que vai ficar muito mais a frente nessa aventura. Agora é ler mais para expandir o vocabulário – eu acho esse o caminho mais curto – e começar o SAS. Esse é o curso que vai me dar mesmo o ó do borogodó no sueco – ou eu espero né…

Eu vou pedir o bônus do SFI, e a coisa é mais simples do que eu pensava. Eu fui ao VUF – eu não lembro o significado da sigla mas é uma coisa com educação de adultos e tem em todas as cidades – e lá eles entregaram um formulário que pede as mesmas informações que eles solicitam em todo o lugar (personnumner, nome, endereço, telefone) mais o número da conta bancária. Ademais, precisa anexar a cópia da permissão de residência e um personbevis (número 120) que você consegue na Skatteverket. O resultado da prova a escola envia direto para o VUF, então você não precisa mostrar nenhum papel que diga que você foi aprovado na prova nacional do SFI – ao menos não em Göteborg.

Eu fiquei stressada quando fui buscar o bônus porque na página do SFI na internet diz que você tem direito ao bônus assim que termina o módulo B, C ou D do curso, podendo receber 6 mil, 8 mil ou 12 mil coroas, respectivamente. Eu terminei o C em setembro, mas eles me disseram que eu não tinha direito até terminar o D. Pode ser que cada município tenha o direito de administrar o bônus como bem quiser, e que as regras sejam diferentes em Göteborg. Mas enfim, eu já tinha me decepcionado grandão com o Arbestförmdlingen mais ou menos na mesma semana, então deixei pra lá, também porque eu sabia que eu iria fazer a prova do D em novembro. Mas ainda desconfio que eles agiram de má fé comigo.

Fiz a prova e fui aprovada então agora não tem choro nem vela. Se Deus quiser…

10 frases que são o que são em sueco

Sabe aquele tipo de expressão que somos tão acostumados a dizer todos os dias e que derepente… como é que se diz em sueco? O português tem uma lógica bem diferente da lógica do idioma sueco, e por isso quando você pega o dicionário para traduzir frases como: eu vou também; eu também; eu posso fazer isso; etc, não dá certo.

Primeiro, que penso que o sueco não tem um modo informal, e sim o formal A e o formal B, ou seja, as gírias são poucas. Mesmo assim, esse tipo de coisa a gente vai pegando com o tempo e graças a Deus nos meus meses de Suécia eu já tive alguns insights – quando a gente tem o “ahhhhh, então é isso…”. Deixo aqui os dez que acho mais comuns, quem tem mais estrada favor acrescentar – se puder e quiser!

1. Jag med. A tradução literal é “eu com” mas a frase funciona como o “eu também”. Se você está entre amigos e alguém pergunta: “Vocês querem sorvete?” [vill ni ha glass?] e alguém responde: “Sim obrigado!” [ja, tack!] você pode dizer “Eu também!” [jag med!]. Ou quando você conversa com alguém e a pessoa diz por exemplo “Eu amo gatos!” [jag älskar katter!],  e você “Eu também!” [jag med!]. Ou seja, pra expressar que você pensa o mesmo, quer o mesmo que os outros.

2. Jag hänger med. A tradução de hänger é pendurar, tanto é que o verbo é usado quando você coloca roupas no cabide ou em algum gancho, mas aqui significa seguir alguém, ir junto com outras pessoas para algum lugar. Pode aparecer na pergunta: “Você vai lá em casa?” [hänger du med mig hem?] ou em situações como: “Vamos para o cinema, você vem?” [Vi går* på bio, hänger du med?]. Se a resposta é o “Eu vou junto”,você usa o jag hänger med. 

3. Jag handlar. É usado para fazer compras, quando você vai ao mercado ou para o shoping. O verbo sueco para comprar é att köpa, mas quando você vai ao mercado por exemplo, pode acontecer a seguinte conversa: “Eu vou ao mercado, você quer alguma coisa?” [jag handlar, vill du ha nåt?]. Sua amiga liga quando você tá no shopping: “Oi fulana, o que você está fazendo?” [hej, vad gör du?] e você “Eu to no shopping” [jag handlar** ou jag är i affär och handlar].

4. Det handlar om… Att handla é um verbo meio estranho para definir, mas ele significa uma “ação”, digamos assim, por isso ele é usado também quando as pessoas falam de livros e filmes. Ele é para aquelas horas do “Mas o filme é sobre o quê?” “Qual é a história do livro?” [vad handlar om filmen/boken?]. A gente diria “É a história de um menino…” ou “É a respeito de uma mulher…”, mas você pode usar simplesmente o det handlar om (en pojke/en kvinna/en man/en hund)… e explicar qual é o tema principal do filme/livro.

5. Tar hand om. O verbo tar [att ta] tem o uso semelhante ao to take do inglês, e para quem não estudou inglês… fudeu porque significa muita coisa diferente, como ter ou pegar. Tar hand om em tradução literal seria ter as mãos sobre, e significa nosso cuidar. Por exemplo: “Cuidem uns dos outros” [ta hand om varandra] “Você pode cuidar do bebê?” [kan du ta hand om babyn?] Se cuida! [ta hand om dig!]

6. Vad menar du? Att mena é um verbo que significa pensar, assim como att tro, att tycker [att], att tänka, att fundera***. Mas esse funciona para: o que você quer dizer? E é usado quando alguém está explicando alguma coisa. Por exemplo: “Blá blá blá, você entende o que eu quero dizer?” […förstår du vad jag menar?] Quando você está começando a falar um pouquinho de sueco, acontece de (a Maria) se empolgar e tentar falar de alguma coisa para o qual ainda não se tem todas as palavras. Algumas pessoas ajudam: “Hmmm, eu entendo o que você está querendo dizer.” [hmm, jag föstår vad du menar.], já outras: O que você disse? Eu não entendo o que você está querendo dizer… [vad säger du? Jag förstår inte vad du menar…].

7. Det spelar ingen rol. Apesar de a tradução literal ser algo em torno de ‘não ter um papel’ (uma posição em algo), essa serve para ‘não importa’ ou ‘tanto faz’. Mas não para importar-se com algo. Quando uma pessoa quer dizer que algo é importante para ela ou não utiliza o verbo att bry, por exemplo: “eu me importo com a paz” [jag bryr mig om fred], “ele não se importa com os outros” [han bryr sig inte om de andra]. Já para “você quer doces ou pipoca?” [vill du ha godis eller popcorn?] a resposta pode ser um “hmmm, tanto faz” […det spelar ingen rol]; ou quando alguém diz que não quer ir tomar uma cerveja ou comer um kebab porque não tem dinheiro, você pode dizer “não importa, eu pago” [det spelar ingen rol, jag bjuder].

8. Jag fixar det. Quando eu conheci o Joel ele dizia muito “Eu tenho que consertar comida para amanhã” ou “eu tenho que consertar as coisas para a viagem”. Ao invés de perguntar porquê, eu ensinei ele a falar o correto – até mesmo porque eu nem tinha pretensões de estudar sueco naquela época. Agora eu entendo: att fixa significa mesmo corrigir ou consertar alguma coisa, mas é muito utilizado como “fazer”. Imagine que você vai acampar e que seu grupo de amigos fez uma lista de coisas a fazer, e cada um será responsável por alguma coisa. E alguém fala: “Precisamos comprar comida” [vi måste handlar] e você “Eu posso fazer isso” [jag kan fixa det]; ou quem sabe fazer fogo? montar a barraca? bla bla bla? Para todas as perguntas, se você pode e quer fazer, a resposta pode ser simplesmente jag fixar det [eu faço isso] ou jag kan fixa det [eu posso fazer isso].

9. Jag är på väg. A tradução literal é ‘eu to na estrada’ e o sentido você pode imaginar: é o nosso eu to indo! Quando as pessoas querem perguntar “você vai sair?” usam o “är du på väg?”, e a resposta “jag är på väg till skolan/jobbet/till stan… [eu to indo para a escola/o trabalho/a cidade]. Você está atrasado e alguém te liga com um cade você? onde você tá?, apenas jag är på väg já resolve muita coisa.

10. Jag måste… Significa “eu devo”, no sentido de ter um dever e não uma dívida, mas serve como o nosso ‘eu tenho que’. Eu tenho prova amanhã, tenho que estudar [jag har prov imorgon, jag måste studera]; não tenho nada em casa, tenho que ir ao mercado! [jag har ingeting hemma, jag måste handla!].

Por fim, se tem uma coisa que eu gosto com relação a gramática sueca é que os verbos não são o bicho da goiaba, e tudo que eles complicam com en/ett é compensado por meio de verbos simples, como por exemplo: mejlar, googlar, smssar… . Se você chutou que os verbos acima são enviar e-mail, procurar no google e mandar sms, acertou. Tudo fica fácil: Googla det! [procure no google], Jag mejlar varje dag [eu mando e-mails todos os dias]; Jag smssar dig sen [te mando um sms mais tarde]. Fique atento porque existem mais cognatos como skejtar, markerar, diskuterar…

Que post comprido né? Também fazia tempo que eu não escrevia sobre sueco…

* Acho que já coloquei isso aqui, mas só para lembrar que att gå é usado quando a pessoa está a pé, e se vai de carro, moto, trem ou barco, usa o att åka.
** Simmmm!!! Eles são econômicos nas palavras.
*** Em algum lugar desse blog está escrito (hPAUhpauihspUHAspa) que ‘att tycka’ você usa para dizer o “na minha opinião…” e ‘att tro’ para o “eu acho” ou “eu acredito”. ‘Att mena’ é para pensamentos no sentido do que eu estou pensando e tentando comunicar; e ‘att tänka’ é para indicar que você está refletindo sobre uma questão, mas não é comum utilizá-lo para expressar que você está avaliando uma possibilidade. Quando você quer indicar que está estudando muito um assunto, que você está realmente refletindo e avaliando todas as possibilidades, aí entra o ‘att fundera’, como por exemplo: Vi funderar på att köpa ett nytt hus. 

Decifra-me ou te devoro! [afirmações]

Quem conhece a história de Édipo sabe que ele enfrentou a Esfinge nas portas da cidade de Tebas, que devorava a quem não conseguia desvendar-lhe um enigma. A esfinge é uma figura mitológica imponente com corpo de leão, asas de águia e cabeça de mulher, enviada por Hades para trazer sofrimento aos homens com o seu decifra-me ou te devoro. Eu brinquei muitas vezes com essa frase por aqui porque foi assim que eu realmente me senti com relação ao sueco.

Porque? Todo mundo fala sueco comigo desde o início, para me ajudar. Boommmm. Bra. Menos pelo fato de que muitas vezes não dá para entender e não dá tempo de ficar recebendo explicações. Exemplo: quando alguém conta uma piada. Todo mundo está rindo. Menos eu. Quando tem um grupo de pessoas conversando não dá para usar o Joel como tradutor (ele é mais tagarela do que eu). Então eu me sinto na obrigação de decifrar o enigma, ou serei devorada pela língua.

Eu comecei a me sentir mais confiante depois que estudei o último livro que a Gunnel me emprestou porque ele mostra a ordem das classes de palavras em uma frase. A importância de entender isso é porque o sueco é muitas vezes escrito/falado como que ao contrário do português, a exemplo do inglês e outras línguas não latinas. Para mim isso é uma coisa difícil já que as frases ficam totalmente “erradas” na lógica do português. Eu passei 26 anos falando apenas português, então não tenho o menor problema em admitir isso e estou convencida o suficiente para afirmar que me saio razoavelmente bem, apesar de fazer confusão em alguns casos.

A primeira dica é: verbos sempre ocupam a posição número dois na ordem de palavras em uma frase. Se você começa com o sujeito ou com o tempo (no sentido espaço tempo; ou seja, os dias, meses, semanas, anos) não importa, o verbo vai estar na posição dois.

Ex:

Jag tycker om att titta på filmer. Igår tittade jag på en film hemma.
Han har en motorcykel. Imorgon vill han åka till Norge.

Dica um: sempre use a forma “ontem, blá blá blá eu/nós/eles…” e/ou “amanhã, blá blá blá eu/nós eles…”; sendo que blá blá blá é um verbo, obviamente. É errado dizer “eu/nós/eles blá blá blá ontem” e/ou o mesmo com amanhã? Não. Mas soa muito melhor aos ouvidos de um sueco porque eles usam esse modelo. Não é difícil perceber nos textos em jornais e/ou o quê mais do mesmo. Dica da Gunnel.

Então, voltamos ao exemplo: o verbo (em azul) sempre está na posição dois. Obviamente, essas são frases simples, mas todas as frases são formadas por sentenças com a mesma lógica: sujeito, verbo1, verbo2 (se houver), objeto, lugar. E quando existem dois verbos na frase, o segundo sempre estará no infinitivo, à moda do que acontece no português: eu gosto de assitir filmes/amanhã ele quer ir para a Noruega. No exemplo, o verbo 2 está em vermelho.

A regra é a mesma para quando você utiliza aquilo que os suecos chamam de hjälpverb (mais aqui): posso, quero, vou, devo…: du måste städa ditt rum/jag vill ha te, tack. Hjälpverb em verde! E para o caso de alguém se animar porque a coisa estava ficando fácil, detalhe: se você vai falar de amanhã ou ontem, para soar mais sueco, a frase fica diferente: imorgon måste du städa ditt rum/igår villde jag ha te. Ou seja, as posições devem ser: tempo, verbo 1/hjälpverb, sujeito, verbo 2 [no infinitivo!], objeto, lugar…

Eu demorei muito tempo para começar a entender porque o jornal parecia uma sopa de letrinhas, mas agora eu sei que é tudo culpa dos advérbios. Quando eles entram em cena a salada está completa. Advérbios, para quem fugiu das aulas de gramática, são a classe de palavras que mudam (principalmente) um verbo. O exemplo mais simples é não: eu sei jogar bola/eu não sei jogar bola.

Jag sover alltid efter jobbet. Jab har aldrig sett den här filmen. Jag brukar inte läsa på kvällen.

Os advérbios (em rosa) sempre estarão depois do verbo 1, ou no caso do passado perfeito (oração dois do exemplo acima), entre o conjunto de verbos da expressão do [passado perfeito]: sujeito, verbo1/hjälpverb, advérbio, verbo2, blá, blá… Mas se você quer soar bem sueco, colocando o tempo no início da frase (para o caso de imorgon e igår principalmente, quase que obrigatório!) tudo muda: på kvällen brukar jag inte läsa – tempo, verbo1/hjälpverb, sujeito, adverbio, verbo 2, blá, blá… Lembre-se que apenas também é advérbio, assim como às vezes: jag brukar ibland läsa tidnigen/jag vill bara ha en kop kaffe, tack.

Eu ainda estou aprendendo, e não é difícil confundir. Quem tem mais dicas, à vontade!

SFI – Capítulo III

Eu falei um pouquinho sobre a minha volta às aulas em um dos posts passados sobre verbos. Mas, só para atualizar, a volta às aulas foi dia 10 de agosto e não foi um dia de aula e sim mais um dia do que eles chamam dia de informação e que eu considero dia de enrolação: apareceu o Sr. Professor que falou praticamente apenas em inglês e nos deu os horários.

Então eu comecei mesmo no dia 15 de agosto. E foi muito legal com uma turma nova de alunos de diversas turmas. Alguns caras da minha velha turma também estavam lá. E o professor – graças a Deus – não era o mesmo cara do dia de informação. O nome dele é Pontus e ele é super dinâmico, explicando tudo o que era possível de cada palavra que alguém dizia não entender. Foi tudo o que eu gostaria que fosse o curso de SFI: a gente recebeu um texto que foi lido, interpretado e discutido; e depois, falamos um bocadinho sobre gramática. Nada de novo, mas foi a primeira vez que o professor usou a frase: agora vamos estudar a gramática do sueco… e ainda nos deu um pequeno resumo com as principais classes gramaticais da língua.

Como eu trabalho pedi para mudar meu curso para a noite, que aqui eles chamam de kväll (entre 17h e 22h). Eu não esperava conseguir uma vaga rápido e para minha surpresa a coisa aconteceu num raio pois, quando cheguei em casa na segunda feira depois da aula, o Joel já tinha recebido um telefonema me avisando que a minha primeira aula a noite seria na terça feira 17h30 numa escola nova – a Odinskolan – no centro da cidade.

Legal, fui para lá na terça e tive um repeteco do dia de informação, com a pequena diferença de ter que fazer uma provinha. Foi bem legal porque reecontrei a primeira professora, aquela Maria que ia para África mas agora vai para a Austrália. Dizem que a primeira professora a gente nunca esquece e bem, essa Maria foi realmente especial, ela foi ótima conosco. Depois da provinha a gente até bateu um papinho – uma coisa bem leve porque meu sueco não é aquele nível.

Em todo caso mudei para nova turma – de novo – num nível intermediário D (um tipo do nível D para quem tem algum ponto forte e outros fracos) com aulas na quartas feiras 17h30min. Esse é o meu horário oficial a partir de agora. Eu tenho que confessar que fiquei um pouco triste com essa de mudar de turma logo quando eu tinha encontrado um professor tão bacana… até conhecer a professora nova.

Ela chama Birgitta – nome típico da Suécia – e tem 60 e alguns anos. E é uma mulher vibrante que nos deu uma aula completa: explicou gramática com história e geografia e cultura e blá blá blá apenas falando da kräftfest. Eu sou a pessoa que fala menos sueco na turma, porque todos os outros alunos estão na Suécia há pelo menos um ano. Muitas das coisas que eles falaram eu boiei. E daí? Adorei. É ótimo estar numa turma onde o pessoal é mais do que você, ao menos a mim me impulsiona a correr atrás.

Fizemos prova de novo e a professora me elogiou dizendo que logo posso fazer a prova nacional de conclusão do SFI. Já? Eu pensei. Pode  parecer falsa modéstia, mas o caso é que apesar de essa não ser a primeira vez que elogiam o meu sueco, eu não penso mesmo que seja bom. Não consigo acompanhar uma conversa sem ficar bastante perdida e usar de adivinhação para ir empurrando com a barriga. Se a pessoa não fala claro e devagar eu não consigo acompanhar, e quando tem um monte de gente falando… eu faço cara de paisagem e fico só escutando, sem tentar entender.

É claro que fiquei feliz, afinal passei três meses lendo sueco. Mas também fiquei um pouco triste porque percebi que SFI é só isso mesmo: um curso para apresentar a língua aos estrangeiros e para prepará-los para dizer e entender só o básico, aquelas coisinhas que todo mundo precisa saber para se virar no dia à dia.

Enfim, eu deixo um recado para quem está vindo ou começando: tente falar. Procure fazer amigos suecos e tente conversar. Converse com seu partner em sueco, ele é a melhor pessoa para ajudar, acreditem ou não. Não fique stressado quando alguém te corrige a pronúncia ou a formação da frase, agradeça. Tem gente que não fala nada e tira sarro da sua cara assim que você virar as costas. Paciência é bom, também, principalmente quando tudo que você quiser for falar outra coisa que não sueco… respire fundo e continue…

Afinal, depois do SFI você pode fazer SAS. Ou universidade…

Verbos pra que te quero! Parte II

No primeiro post falei um pouquinho sobre o infinitivo e presente, e agora vamos falar sobre os verbos no futuro e aquilo que são os “hjälpverb”, que eu não consegui adequar a alguma classe da gramática portuguesa. Se alguém diplomada em letras (Anelise!) está lendo o post, pode deixar um coments para explicar a classe gramatical – =P.

Os verbos suecos no modo presente podem ser utilizados para indicar um futuro (framtid) bem próximo como o que vai acontecer a noite ou no fim de semana, por exemplo: Kommer du hit i kväll? Nej, jag reser till Malmö med tåget imorgon. Jag ringer dig nästa vecka. Apesar de todos os verbos estarem no tempo presente – kommer, reser, ringer [chego, viajo, ligo]; é possível entender que essas são coisas que vão acontecer por causa das palavras à noite (i kväll), amanhã (imorgon) e semana que vem (nästa vecka). Sendo assim, você pode construir frases para o tempo futuro (não mais distante do que a próxima semana) utilizando verbos do presente mais palavras indicativas de um futuro próximo, como as do exemplo acima.

Para indicar um futuro longíquo e/ou aquilo que está sendo planejado/decidido, a forma da frase será o ska+verbo no infinitivo, sem o uso do att. Exemplo: Vad ska vi göra i juli (o que vamos fazer em julho)? Vi ska till stranden (vamos para a praia)! A Helena me disse várias vezes que o SKA só deve ser utilizado quando você tem certeza que aquela coisa é o que você quer e que você decidiu fazer, porque pronunciar um jag ska… (eu vou…) para um sueco é semelhante a uma promessa. Para indicar o futuro das coisas que não se tem certeza usa-se o kommer att+verbo no infinitivo, exemplo: Maria kommer att få jobb om hon pratar bra svenska (A Maria vai conseguir um trabalho se ela fala bom sueco). Nem é bom meu sueco e eu trabalho!

Existem coisas que podem acontecer no futuro que não dependem da nossa decisão e que não podemos mesmo exercer controle, como por exemplo chover. Sabe aquela velha será que chove? E é sempcre bom aprender sobre o tempo porque os suecos adoram falar sobre isso. Para essas coisas você usa blir, que é uma espécie de verbo para o ser ou estar. Então: Det blir regn i kväll (vai chover à noite). Det blir kallt nästa vecka (vai estar frio semana que vem). Ou para uma pergunta do tipo será que vai ter festa fim de semana? Blir det någon fest på helgen?

Por fim, o hjälpverb  ou aqueles verbos que aparecem em uma frase para complementar o sentido da afirmação, negação ou interrogação, como kan, måste, ska, vill, bör, brukar (posso, devo, vou, quero, deveria, costumo); e outros que não costumam ser hjälpverb mas que aparecem vez ou outra em uma frase com esse papel como tänker, får, behöver, börjar, slutar, försoker (penso, posso – me é permitido, preciso, começo, termino, tento). Acredite, você vai utilizar muito! E a fórmula é hjälpverb+infinitivo. Exemplos:

Jag behöver lära mig svenska.
Jag kan tala portugisiska.
Jag måste läsa till provet imorgon.
Vi börjar jobba klockan nio varje dag.
Vi brukar  på bio på helgen.
Hon tänker resa till Italien.
De ska vara hemma i kväll.
 

Procure lembrar sempre de colocar o verbo prinicipal no infinitivo quando usa um hjälpverb na frase, porque do contrário a pronúncia e construção da frase fica totalmente errada, é só comparar em português como seria: Jag kan forstår svenska – eu posso entendo sueco, está errado e soa mal.

Mais importante do que falar muito, é falar bonito. Coisas de Suécia!

Verbos pra que te quero! Parte I

Voltei para o SFI hoje, e a primeira impressão é de: fuja garota! Corraaa!!!!!! Minha professora Maria foi para a Gambia (ou algum país da África) participar de um projeto de pesquisa e o novo professor fala mais inglês do que sueco. Fiquei frustrada, mas ainda não perdi a esperança já que tudo começa para valer apenas na segunda, se Deus quiser!

Mesmo que a Gunnel acabou por me dar férias forçadas – não sem antes me emprestar um ótimo livro – aprendi algumas coisas sobre verbos. Os verbos são uma coisa maravilhosa na língua sueca, é a parte que eu mais gosto, e a mais descomplicada. Nem por isso é pouca coisa para aprender, por isso vou escrever apenas sobre o infinitivo e o presente.

O infinitivo – verbo sem nenhuma conjugação – ou verbo base é bem tranquilo e parecido com a gramática do português. Exemplo: quando eu digo eu sou, estou conjugando o verbo ser no tempo presente. É a mesma coisa no sueco, sendo que o verbo no infinitivo normalmente terminam em ‘a’ (a grande maioria deles) e pode estar acompanhado de att.  Exemplos:

→ att vara – att prata – att ha – att vilja – att åka (ser/estar, falar, ter, querer, ir – de ônibus ou trem ou carro ou moto).
→ att hoppas, att bli, att finnas, att dö, att gå (esperar – de esperança, ser/estar, existir, morrer, ir – a pé). 

Já o verbo no tempo presente é terminado em r ou s, dai que sabendo o verbo no infinitivo não é muito complicado acertar o verbo no presente. O verbo do presente terminados em r são a maioria, e essa terminação pode significar um ar, er ou simplesmente r. Exemplo:

→ final ar: att titta, att jobba, att prata – tittar, jobbar, pratar (assistir, trabalhar, falar – assisto, trabalho, falo).
→ final er: att komma, att ringa, att läsa – kommer, ringer, läser (chegar, ligar, ler – chego, ligo, leio).
→ final r: att gå, att ha, att förstå – går, har, forstår (ir, ter, entender – vou, tenho, entendo).
 
 

É claro que os verbos no presente ficam mais claros quando conjugados, e penso que conjugar os verbos suecos é muito simples pois eles não mudam de pessoa para pessoa. As “pessoas” da gramática sueca são eu, nós, ela, ele, eles/elas, você, vocês: jag, vi, hon, han, de/dem, du, ni. Uma pequena observação: você escreve de ou dem para eles/elas, mas a pronúncia é dom. Hummm e não tem nenhuma relação de gênero do tipo de é para eles e dem é para elas, ok? De significa eles ou elas, e o mesmo dem. Então lá vão exemplos com att förstå (entender) no tempo presente:

Jag förstår (eu entendo). 
Vi förstår (nós entendemos).
Hon förstår (ela entende).
Han förstår (ele entende).
De förstår (eles/elas entendem).
Du förstår (você entende).
Ni förstår (vocês entendem).
 

O sueco não tem ando, endo, indo;  de trabalhando, comendo, dormindo; por exemplo. Se alguém te pergunta: vad gör du (o que você tá fazendo)? A resposta é  somente eu “isso”: jag jobbar, jag äter, jag sover (eu trabalho, eu como, eu durmo), por exemplo. Em português a gente está acostumado a dizer o “eu estou trabalhando” e você pode fazer a tradução das frases dessa forma,  mas em sueco o verbo ser/estar (att vara) não serve para indicar um presente contínuo e sim para expressar estado de espírito como por exemplo eu sou feliz (jag är glad), ou sensações como frio, calor (jag är kalt, jag är varm); se está doente ( jag är sjuk)… então não use nunca, jamais  use para o “eu estou [ação]”.

E apenas como introdução – porque eu já estou escrevendo um post sobre como se constroem frases em sueco – o sueco é escrito ao contrário do português nas negativas. Então quando você quer indicar que você não faz determinada coisa, o verbo vem antes do não exato como em inglês: jag pratar inte svenska (eu não falo sueco), por exemplo.

A título de curiosidade, gostar em sueco é att gilla, mas não é utilizado para fazer perguntas do tipo você gosta de música? Ao invés disso você usa att tycka: tycker du om musik? Ja, det tycker om jag. E o pulo do gato é que att tycka é na verdade pensar, e por isso você precisa usar o om (que pode ser traduzido como se ou sobre), senão o verbo indica o que você pensa: jag tycker att [eu penso que]ou jag tror att [eu acho que]… Enfim, att tycka é para certezas e opiniões, e att tro é para achismos. Só relembrando, não esqueça do om para saber dos gostos suecos!

Tycker du om lära sig svenska?

* Um abraço especial a Helena Ingelsson que me ajudou a escrever o post! Tack så mycket Helena!

Família! Familj!

O Joel tem uma tia fantástica que me ajuda estudar sueco uma vez por semana ou menos, mas quando eu me encontro com ela aprendo uma série de coisas importantes, principalmente no que se refere a gramática do sueco, comportamento sueco, pronúncia (utal) e macetinhos!

Hoje eu estava lembrando a nossa primeira aula quando a Gunnel – nome tipicamente sueco – me falou sobre família sueca. Para mim família é formada por diversos núcleos: os meus pais e prole, os pais dos meus pais e prole, a prole da prole dos pais dos meus pais, assim como a prole dos meus irmãos e em alguns casos também os tios avós e segundos/terceiros primos; e quem tem sorte, pode contar os bisavós e além. Minha família tem 44 pessoas.

Na Suécia, família é só um núcleo: pai, mãe e filhos; ou pai e filhos; mãe e filhos; só o casal; bla bla bla… percebe? Os avós podem ou não estar inclusos na família, mas os tios, tias, primos e primas não são considerados na “minha família”: são os parentes e/ou “outra família”, e muitas pessoas nem chamam os tios ou tias de, apenas pelo nome. É claro que os laços de sangue contam, mas a questão não tem a importância a que eu estou acostumada. Obviamente, existem exceções – a família do meu namorado por exemplo, todo mundo conta – são 10 ao todo: os pais do Joel, suas irmãs, sua tia, seus tios, os avós.

Mesmo que não esteja muito na moda usar essas denominações, é interessante saber, mesmo porque é bem engraçado como os suecos separam quem é parente por meio da mãe de quem é parente por meio do pai. Além disso, outro dia eu conversei com uma moça que disse: ah, é tão confuso essa coisa de tio e tia em sueco,  você não acha? No começo, precisa pensar um pouco para organizar tudo, mas sabendo algumas palavras é simples.

Do princípio: pai em sueco é far e mãe é mor. Tendo isso em conta, você pensa nos avós como o pai da mãe e a mãe da mãe: morfar och mormor; o pai do pai e a mãe do pai: farfar och farmor. Nessa lógica, os tios e tias são os irmãos da mãe e as irmãs da mãe: morbror och moster; os irmãos do pai e as irmãs do pai: farbror och faster. Ou seja: você não trata os parentes não consanguíneos por tio ou tia.

Irmãos se diz syskon, irmão bror e irmã syster. Por exemplo: Jag har tre syskon, två systrar och en bror (eu tenho três irmãos, duas irmãs e um irmão). Eu já falei sobre isso em outro post, mas eu vou lembrar aqui que quando você se refere ao irmão mais velho em sueco usa o adjetivo grande, e ao irmão mais novo o adjetivo pequeno. Seria assim: eu tenho um grande irmão/ uma grande irmã – jag har en store bror/stora syster; eu tenho um pequeno irmão/ pequena irmã – jag har en lille bror/lilla syster.

Os primos são só e simplesmente kusiner (um primo/a=kusin), e todos os sobrinhos são syskonbarn. Mas se é um filho da minha irmã eu posso dizer systerson, ou se for uma filha systerdotter; se for um filho do meu irmão brorson,  ou se for uma filha brordotter. Como neto é o filho do filho é barnbarn.

Cunhado e cunhada só contam se forem casados. Sambo (quando mora junto) é o namorado ou namorada do irmão/irmã. Mesma coisa para nora e genro. Sendo assim eu deixo passar, porque é bem mais simples tratar dessa forma (namorado/a tals) do que guardar um nome que eu não ouvi ninguém mencionar – fora da Gunnel.

Além disso, como meu cunhado sempre diz: “Se cunhado fosse coisa boa, não começava com…” De vez em quando pode ser, mas Bah e Marcelo, saudades d’ocês!!!

Eu fiz uma árvore da família - ficou assim assim mas tem tudo...

Metal contra as nuvens

Quase três meses de Suécia e continuo na minha batalha com o sueco. Felizmente posso conversar um bocadinho, mas ainda falo muito lento, tenho que pensar muito e usar o inglês para me salvar volta e meia-sempre.

Sem SFI, arrumei um professor particular incrível, o sonho de qualquer estudante: Joel. Ele fala português e eu sueco. HahahAhHAha! É isso mesmo que vocês imaginam: nossas conversas tem muito “conteúdo”. Brincadeiras a parte, quando o Joel começou a aprender português ajudei com algumas coisas, agora trocamos os papéis: ele me explica o sueco; ele fala, eu escuto. Ele comentou que devia ter começado com essa tática há mais tempo… aludindo a piada mais velha do mundo de que as mulheres falam sem parar. Infâmia!

Andei treinando algumas expressões e nas minhas pequenas incursões falando sueco senti bastante insegurança em relação aos adjetivos (palavra que caracteriza um substantivo atribuindo-lhe qualidade ou característica, estado ou modo de ser). É importante lembrar que os adjetivos também sofrem influência com relação a en e ett e mudam quando o substantivo é esse ou aquele. Por isso você vai se deparar com röd e rött por exemplo, e os dois significam vermelho.

Por regra, os adjetivos sempre estão à frente do substantivo, e no plural são terminados em a, por exemplo: casa vermelha/flor vermelha = rött hus/röd blomma; casas vermelhas/flores vermelhas = roda hus/blommor. É, o plural de casas é igual ao seu singular. Alguns adjetivos são parecidos com o substantivo, como no português em que florido vem de flores e listrado vem de listras: blomig[t] (blomma) e randig[t] (rand), respectivamente. Sabendo o substantivo você mata a charada.

Em relação aos comparativos o sueco tem aquele sistema como do inglês para definir quando uma coisa é mais e “o mais”, aquele lance do jovem=young, mais jovem=younger; e o mais jovem (de todos)=youngst. Esse foi um exemplo em inglês, mas lá vai uma listinha com os principais para compartilhar:

→ Grande: stor, större, störst.
→ Pequeno: liten, mindre, minst.
→ Alto: hög, högre, högst (para prédios, montanhas e etc).
→ Baixo: låg, lägre, lägst (idem).
→ Alto: lång, längre, längst (para pessoas).
→ Baixo: kort, kortare, kortast (idem).
→ Longe: långt bort, längre bort, längst bort (distância).
→ Perto: nära, närmare, närmast.
→ Caro: dyr, dyrare, dyrast.
→ Barato: billig, billigare, billigast.
→ Magro: smal, smalare, smalast.
→ Gordo: tjock, tjockare, tjockast.
→ Pesado: tung, tyngre, tyngst.
→ Leve ou fácil: lätt, lättare, lättast.
→ Difícil: svår, svårare, svårast.
→ Velho: gammal, äldre, äldst.
→ Jovem: ung, yngre, yngst.
→ Frio: kall, kallare, kallast.
→ Quente: Varm, varmare, varmast.
 

Dá para entender como a listinha funciona? Descontando a definição em português, a primeira palavra (em sueco) é o adjetivo normal, a segunda é mais do que o normal e a terceira é o mais+mais-mega-master-ultra-plus. Usando o adjetivo svår[t] vou deixar umas frases para ficar bem claro como é. Às vezes as pessoas me perguntam: como é com o sueco? Respostas: é difícil = det är svårt; é mais difícil do que inglês = det är svårare än engelska; é o idioma mais difícil do mundo! = det är det svåraste språket i världen!

Porque o e em svåraste? Porque todos os adjetivos da listinha estão na forma indefenida. A questão do que é definido e indefinido é muito importante no idioma sueco e no caso dos adjetivos os indefinidos mudam a forma conforme en ord/ett ord no singular; já o definido no singular é igual ao adjetivo no plural, com a no fim. Mas isso é somente com relação as palavras da primeira coluna na listinha – stor, liten, hög, nära, ung, kall… A boa notícia: a coluna dois na listinha é assim tanto quando o adjetivo é indefinido como definido. Mas a terceira, quando é definido pode terminar em a ou e.

Enfim, adjetivos no comparativo são ainda irregulares ou regulares. Regulares seguem a regra: adj – adj+re – adj+st, como o caso de svår[t]:

→ svara (adj definido);
→ svarare (adj definido+re);
→ svarast (adj definido+st).
 

Os irregulares também são seguidos de re -st, mas a palavra muda, exemplo:

 unga (adj defnido);
 yngre (irregular+re);
 yngst (irregular+st).
 
 
Um detalhe interessante é que no inglês dizemos para irmão mais velho older brother/sister; e para irmão mais novo younger brother/sister. No sueco se diz para o irmão mais velho grande irmão e para o irmão mais novo pequeno irmão: store bror/stora systerlille bror/lilla syster, respectivamente. De novo, porque o e? Porque a regra geral do sueco é que tudo é feito de exceções…
 
Quem acha confuso grita: aaaahhhhhhhhhh!!!
 

É ruim? É. Mas eu penso que é mais assustador no início mesmo… aposto que quem mora aqui faz tempo e domina a língua se ler isso morre de rir. Eu, que nem estou aqui a tanto tempo assim já aprendi a relaxar com en e ett, adjetivo é mole!

O duro é eu ainda ter um mês de férias…