Bohusleden

Todo mundo que vive na Suécia – e o pessoal que acompanha blogs de brasileiros por aqui – tá careca de saber que suecos adoram a natureza. Aqui o pessoal usa e abusa do direito- allemansrätten – de desfrutar dos recursos naturais (e eu acho que nem preciso dizer que eles o fazem com responsabilidade e imenso respeito ao meio ambiente).

Fonte: bohusleden.se

Fonte: bohusleden.se

Desde que mudei para o “campo” estou usufruindo também o meu direito de explorar a natureza sueca. Aqui perto de casa há dois lagos e ao redor deles muitas árvores. Além disso, descobrimos que estamos a poucos metros do Bohusleden, um caminho que corta todo o oeste do país em meio as florestas suecas com cerca de 370km.

Suecos adoram uma bela caminhada na natureza (longas caminhadas=att vandra) e nessa mania eles são acompanhados de perto de todos os vizinhos escandinavos e mais os alemães. Eu já ouvi falar de muitos suecos de dentro e/ou próximos ao meu círculo de amizades que percorreram o caminho de Santiago de Compostela (o caminho norte, entre França e Espanha) de 800km. Eu também sonho em fazer esse caminho algum dia, e agora, com o Bohusleden praticamente na porta de casa, eu posso ir treinando (hahahaha).

O Bohusleden é dividido em 27 etapas, cada uma delas com alguma coisa entre 10km e 20km aproximadamente. Minha casa fica a cerca de 400m da Igreja de Angered, justamente no ponto de encontro entre as etapas 5 (Jonsered-Angereds Kyrka) e 6 (Angereds Kyrka – Fontin). As “etapas” do caminho sueco são demarcadas nas árvores (na minha vizinhança, as marcas são laranja, mas elas também podem ser verdes) e a extensão a ser percorrida nas etapas sugeridas não é tão longa porque o pessoal com certeza tem que aproveitar e dar uma paradinha para um fika a cada vez que isso é possível. Já todo mundo que dispensa o café e está disposto a cansar as pernas de verdade pode tentar percorrer a extensão de duas etapas ou quase duas aproveitando a opção de campings e vandrahem (albergue) que existem a beira do caminho.

Fonte: bohusleden.se

Fonte: bohusleden.se

Por meio do site do caminho (bohusleden.se) é possível acessar informações pertinentes a todo o trajeto e você também encontra os mapas detalhados do percurso a venda em qualquer Presbyrån ou ponto de informações turísticas. Além disso, o Bohusleden é uma parte do Nordsjöleden, ou NAVE Nortrailprojektet, um caminho que percorre toda a Escandinávia e pelo qual você pode ir tanto caminhando como de bicicleta. Os vizinhos já avisaram que é comum durante o verão que alemães batam a porta pedindo água – super legal. Eu já vi uns perdidos, mas ninguém veio “incomodar”.

Como diz o site do Bohusleden: Att vandra är lätt. Det är bara att gå på. Naturen väntar på dig.

Caminhar é fácil. Basta ir. A natureza espera por você.

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Gregos e troianos

Neva em Göteborg, finalmente! Está frio pacas mas eu me junto ao coro de alguns milhões de suecos que amam a neve porque, graças a ela, tudo fica mais claro, mas bonito, mais branco, mais gostoso. No dezembro passado choveu, choveu e choveu apenas e o resultado foi que tivemos dias interminavelmente escuros e cinzas, dá uma depressão que vou lhes contar!

Mas como não há jeito de agradar a gregos e troianos nem bem o primeiro dia de neve teve fim iniciaram-se os rosários de reclamações: é caos no trânsito, caos nos hospitais, caos, caos, caos nas manchetes do jornais… Se o mundo não acabar em 21 de dezembro (e sabemos que não vai), as previsões indicam que morreremos de frio – é, depois de dois dias nevando o frio já passa a ser tenebroso e a neve nunca acabará! Os ônibus atrasam, os spårvagns (abrasileirei o termo) param, ninguém mais vai andar de bicicleta (todo mundo vai usar os ônibus e spårvagns que atrasam e por isso ficam ainda mais cheios); é difícil pacas empurrar a cadeira de rodas do Zé…

Tudo começou com uma virada do tempo na sexta (já estava nevando em outras partes da Suécia desde a semana passada), quando as temperaturas ficaram abaixo de zero a primeira vez neste outono; despencando para -10 graus C no domingo. Nevou ontem, nevou hoje e espero que neve amanhã – eu ainda acho lindo. E se daqui a uma semana eu estiver reclamando do frio isso não importa porque agora mesmo estou feliz e satisfeita!

E está oficialmente aberta a temporada do ano em que todo mundo esquece luvas, toucas e cachecóis dentro do spårvagan/ônibus/perde por aí, que passamos calor dentro das lojas, que escorregamos por todos os lados em que pisamos e que o número de fraturas em idosos, crianças e desavisados cresce tanto que tem apenas o céu como limite! Escorreguei hoje e quase caí (me segurei na cadeira do Zé) e ontem quase que congelei meus dedinhos pois acreditei ter esquecido minhas luvas no spårvagn!

Parece bobo isso mas pense na maratona: primeiro você coloca um enorme cachecol ao redor do pescoço, uma touca (do tipo justinha para segurar as orelhas – sim, se você não usa touca as orelhas podem congelar e cair e você nem vai perceber) e luvas para que os dedos não congelem; fecha o casaco até em cima e sai de casa. Chega no ônibus/spårvagn e é quente e sufocante ficar com tudo (5 minutos são suficientes); você tira a touca e as luvas e enfia dentro da bolsa enquanto abre o casaco e desata um pouco o cachecol. Um ponto antes do destino refaz a operação veste tudo mais uma vez. Ou seja, isso nunca funciona porque ninguém faz isso um ponto antes daquele em que vai descer!

Eu ia deixar umas fotos, mas… não consigo editar de um jeito que me deixe feliz… e a ferramenta de inserção de mídia no blog já mudou de novo – justo quando eu tinha aprendido!

Fica para a próxima!

Arrancadão de Tratores

As férias vão bem obrigada mas acho que deu para perceber depois desse espaço quase que ficar mal assombrado pelo fantasma do blogue abandonado… Semana que vem a farra acaba e embarcamos de volta ao Reino Verde e Congelante da Suécia. Bom também, afinal trabalhar é preciso principalmente quando se quer/precisa bancar férias no Brasil.

E daí que a nossa visita coincidiu com a festa do Arrancadão de Tratores que eu já citei aqui e ali no blog e essa festa é uma das maiores aqui da minha cidade. Festa em cidade pequena é super legal primeiro porque a gente vê todo mundo e teve muita gente que veio me dar um abraço, perguntar como tá minha vida ou se eu tinha voltado para ficar. E como o Joel é super popular nessas bandas ele não fica atrás: sempre tinha alguém gritando Joellll! E completando com um “Ah eu achei mesmo que era o sueco mas eu pensei será?” Hahaha… um barato!

O Arrancadão de Tratores foi criado aqui em Maripá e existe há mais de vinte anos… Sabe que caipira quando não tem o que fazer inventa e foi assim que o povo da cidade de Maripá – no ano de 1990 – inventou de promover um campeonato de arrancadas de tratores. Naquela época a galera tinha o costume de realizar arrancadas de motos na avenida central (a única) da vila, e alguém (ou uma galera) chegou a conclusão de que o barato mesmo seria substituir as motos pelos tratores.

É claro que bem lá no início a coisa era mais engraçada do que emocionante: o trator é um veículo muito pesado, feito para trabalhar no campo e não para desenvolver velocidade. Mas alguém (que não sei quem – ou uma galera) resolveu que seria legal envenenar o trator para participar das arrancadas, e a coisa pegou: as arrancadas eram promovidas uma vez ao ano quando a caipirada daqui tirava o trator da lavoura e deixava na mecânica para ficar “envenenado” (no sentido automotivo); depois das provas o trator voltava a forma original e a lida no campo.

Depois de doze anos de corridas na avenida (com infraestrutura mínima e sem nenhum tipo de segurança além dos capacetes que os pilotos usavam) os participantes decidiram mudar a forma do arrancadão de tratores e criaram a categoria “trator show”, uma categoria de tratores “tunados” e que servem apenas para as arrancadas. Em 2003 foi inaugurada em Maripá uma pista própria para o evento (apelidada de tratoródromo pela população) e desde lá as provas começaram a ter um caráter profissional.

Atualmente há provas de arrancadas de tratores no Mato Grosso e também no Paraguai. São 18 equipes inscritas para a competição (da cidade de Maripá, de cidades da região e também equipes do Paraguai). Há uma mulher piloto – a Nica – e a equipe dela, apesar de nunca ter ganho um campeonato de arrancadas, é a mais popular: a Penélope Charmosa faz alegria da galera ao lado do Zerinho Bomba Show, uma equipe especial que não participa das arrancadas mas sim dá um show com manobras como zerinhos, 360º, borrachão e outras loucuras que os pilotos inventam.

(Momento João sem braço: esqueci a minha máquina fotográfica na Suécia. Minha irmã é bacana e  me emprestou a máquina dela que é profissional. Mas eu não sou [profissional] daí as fotos ficaram assim…)

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Em Maripá a brincadeira com os tratores originais continua e uma das atrações da festa é o Desafio dos Roceiros onde somente os tratores originais disputam arrancadas. É um barato porque eles parecem tartarugas em comparação com os tratores da categoria trator show – esses percorrem 200m em média em 10s, sendo que nesse arrancadão o record de velocidade foi quebrado pela equipe Brutus de Maripá: o trator deles percorreu 200 metros em 8,379 segundos. É mole?

Eu sou super fã do Zerinho Bomba Show. Tanto por causa da Angela e do Nelson “Stübbe Magoo” (um casal super amigo nosso) quanto porque parece loucura demais fazer tudo o que eles fazem com um trator!

O Arrancadão é também um evento especial para mim porque foi nessa festa que eu e o Joel dançamos pela primeira vez… ♥ Na edição de 2009 até chamaram o Joel para dar uma volta na “cadeira da sogra” (que fica atrás do banco do trator do Duda Maluco do Zerinho Bomba Show) mas ele tinha ido para casa dormir. Sério… eu não tive nada a ver com aquilo.

O Arrancadão de Tratores é uma das melhores coisas da minha vida caipira…

Portueco

Eu falo português em casa afinal, quando conheci o Joel ele já era fluente na língua e isso assusta um pouco as pessoas. Tipo, eu estou conversando com alguém e a pessoa: quanto tempo você mora na Suécia? E eu: um ano e meio (que eu completo só mês que vem, mas desde o mês passado eu digo um ano e meio); e a pessoa: puxa, você fala muito sueco! E eu: meu noivo é sueco; e a pessoa: Ah! Tá explicado… vocês falam sueco em casa. E eu: não. E a pessoa: Nãoooo???

Não acho tão estranho, afinal, aprendi muito sueco com a família do Joel e por causa dos amigos em comum que temos. A maioria das pessoas que fica tão impressionada com meu sueco está normalmente me comparando a outros estrangeiros que vêm para cá com a família. Não é estranho imaginar: eu vim para cá sozinha, e tinha o Joel que falava português comigo, assim como mais umas duas ou três pessoas que eu encontrava eventualmente. Meu inglês é pobre, assim achei melhor tentar conversar em sueco mesmo… foi difícil, mas deu certo. Agora imagine a outra situação: a pessoa muda para cá com a família (no caso de famílias africanas, com muitas crianças) e vai procurar fazer amigos entre outras famílias emigrantes do seu próprio país (nem sempre, mas na maioria dos casos). Essas pessoas não tem vínculos com suecos – e não é tão simples estabelecer vínculos com esse povo – e não tem porque treinar o idioma. Não é estranho que eles passem anos e anos sem falar mais do que hej e hej då.

Acho que fluência no inglês também ajuda a retardar o processo, afinal, por que ficar se ferrando e tentando adivinhar palavras e frases e mais todo o blá blá blá quando é muito mais prático e rápido – e dinâmico – ir direto ao ponto? A maioria dos suecos podem conversar inglês fluentemente e não se importam nem um pouquinho de treinar o idioma com quem quer que seja!

Seria simplismo reduzir as questões de aprendizado somente a estes poucos casos, e cada um sabe como o quanto é fácil ou difícil (eu acho díficil pacas) aprender sueco. Mesmo assim, eu insisto que uma rede de amigos ou familiares que ajudam (não aqueles que não tão nem aí) fazem uma enorme diferença para aprender uma língua nova – quando se vive fora do país.

Agora cheguei num ponto que misturo as bolas, então em casa tá rolando na verdade um portueco: eu começo falando em português mas coloco umas palavras em sueco no meio ou então invento um gerúndio para o sueco (sabe que sueco não tem o ando, endo, indo como em trabalhando, comendo, dormindo). Dias desses falei para o Joel: dai eu tava flyttando as coisas… e o Joel se estraga na risada: Flytt o quê???

É claro que eu tenho que rir também…

Verbos pra que te quero – Parte III

To lendo muito sueco, e isso significa muito tempo para poucas páginas. Daqui a pouco rola prova sobre um livro (Manniskosaker) e a minha impressão é que o sueco piora quando começamos a ler. Seja porque gastamos um tempão caçando palavras no dicionário ou seja porque precisamos de concentração e silêncio, recebi a nota mais baixa no sueco desde que comecei a estudar – numa prova de listening (ouvir e entender); o resultado é que seria reprovada se a provinha não fosse apenas para obter uma média da capacidade de compreensão da turma. Hahá, ajudei a lascar todo mundo.

Resgatei o ‘Verbos pra que te quero’ do fundo do baú porque lembrei que esqueci de postar sobre os verbos suecos no passado. Na verdade, falta o imperativo também, mas isso fica para outro post. Voltando ao que interessa, os verbos suecos no passado não são muito difíceis e a boa notícia é que há verbos “regulares”; assim nomeados só para facilitar a explicação porque a unica coisa que diz meu livro de gramática é que os verbos em sueco são divididos em quatro grupos distintos. Por que? Porque um dia os vikings, sentados ao redor de uma fogueira, decidiram assim. Sério, tá no livro. Hahaha… claro que não, mas como o livro não explica o porquê dos grupos, também não posso explicar.

O sueco conjuga os verbos no pretérito e pretérito perfeito. O pretérito é o passado simples, aquele que mais usamos no dia-a-dia: eu comi, eu bebi, eu saí, eu trabalhei, eu estudei, eu li, blá blá blá. Para o preteritum sueco, os verbos se apresentam de três formas “regulares” distintas e uma forma irregular. Simplificando, podemos dizer que os verbos regulares em sueco terminam em de, te ou dde. Vamos de exemplo:

Os exemplos da linha verde correspondem aos verbos do grupo 1. Os verbos que fazem parte desse grupo tem acrescentado a forma do infinitivo apenas a complementação “de” na forma do preteritum: titta – tittade; arbeta – arbetade; sluta – slutade; diska – diskade (olhar/olhou; trabalhar/trabalhou; acabar/acabou; lavar a louça/lavou a louça). É importante lembrar que os verbos no infinitivo são os verbos base (acrescentando “att” antes da forma do infinitivo), que na grande maioria são terminados em a.

Os exemplos da linhas azuis correspondem aos verbos do grupo 2, subdivido em 2a e 2b. Nesse grupo, os verbos tem a terminação “de” ou “te” no preteritum, sendo que a terminação é acrescentada depois de se ‘comer’ a letra final da forma do infinitivo (ou seja, um ‘a’): lära – lärde; köra – körde; ringa – ringde; resa – reste; hjälpa – hjälpte; köpa – köpte (aprender/aprendeu; dirigir/dirigiu; ligar/ligou; viajar/viajou; ajudar/ajudou; comprar/comprou).

Os verbos do terceiro grupo no preteritum sueco tem como terminação “dde”; esse grupo de verbos tem a particularidade de que no infinitivo não são terminados em a, como: må – mådde; tro – trodde; bo – bodde; spy – spydde (sentir-se bem/sentiu-se bem; acreditar/acreditou; morar/morou; vomitar/vomitou). Eu realmente não sei porque a regra se aplica a um grupo e outro, mas na prática – na hora de falar – dentro desses três grupos “regulares” é só chutar a terminação “de” ou “te” (sempre lembrando de ‘comer’ uma letrinha quando falar “te”)’; se não for nenhum dos dois o verbo é irregular.

Denominei os verbos pertencentes ao grupo 4 como verbos com preteritum “irregular” porque a sua terminação não segue nenhum padrão. Alguns exemplos de verbos com preteritum “irregular”: att se – sag; att dö – dog; att äta – åt; att sjunga – sjöng; att springa – sprang; att dricka – drack; att gå – gick (ver/viu; morrer/morreu; comer/comeu; cantar/cantou; correr/correu; beber/bebeu; ir/foi).

O pretérito perfeito ou perfekt do sueco tem a seguinte forma: har+supinum; e é utilizado para falar de situações do passado que podem e não ter sido concluídas. Por exemplo: Jag har bott i Sverige i elva månader (eu tenho morado na Suécia onze meses) está explicando uma coisa que já fiz – morar na Suécia por 11 meses – mas que ainda não acabou; mas eu também posso dizer: Jag har smakat lax och tycker att det är gott (eu já comi salmão e acho que é gostoso) indicando uma ação que está no passado e que já foi completada.

O perfekt  apresenta a mesma terminação dentro dos quatro grupos de verbos –“t” ou “tt” – sendo que entre os “irregulares” há mudança apenas nas vogais que compõe o verbo, o que facilita na hora de falar – não de escrever. Para mim a utilização do verbo “har” causou certa confusão na hora da leitura, uma vez que no português ‘tem morado, tem amado, tem lido, tem…’ dá uma impressão de continuidade. A dica é observar se a frase contém um indicativo de tempo (hoje, esse mês, a semana passada, algumas horas, etc) e na falta desse traduzir o verbo “har” como : já vi, já amei, já provei, já bebi, blá blá blá … Entretanto, é muito importante lembrar que sett, älskat, smakat*, drukit… são traduzidos como visto, amado, provado, bebido… alguns exemplos:

O perfekt no sueco pode aparecer com a variação att ha+supinum ou hade+supinum, sendo esta última variação a forma do pretérito mais que perfeito (digamos assim) em que “hade” pode ser traduzido como ‘tinha, tive’, então: Jag hade dansat salsa för första gång i mitt liv = “Eu tinha dansado salsa a primeira vez na minha vida“.

E agora, prova!

*Att smaka é o verbo para experimentar comidas e bebidas; em outros casos é melhor utilizar att testa ou att försoka (testar e tentar).

** Eu to com pressa e não pedi para o Joel corrigir, se houver alguma coisa errada (vai ter) posto a correção nos coments!

“Sem nome”

Um dia li não sei aonde que vaga-lumes piscam porque tem uma substância química no abdômen que produz luz (chamada luceferina) e que as cigarras cantam também porque tem uma membrana no abdômen que vibra. Nesses casos, a luz do vaga-lume e o canto da cigarra são utilizados para chamar a atenção da fêmea. Também li certa vez na revista Super Interessante que a memória humana pode ser dividida em 5 grupos diferentes; que os olhos nunca crescem (nascemos com os olhos desse tamanho mesmo); e que as orelhas e o nariz nunca param de crescer.

Não tenho certeza de que as informações estão corretas (não to a fim de pesquisar também), afinal faz tempo que li e algumas nem lembro onde! Isso é apenas para mostrar que eu sou ótima para guardar informações, ainda mais daquile tipo que ninguém usa (como a protagonista de a Hora da Estrela – Clarice Lispector), que sou curiosa e que por isso mesmo me frusta muito quando quero saber de uma coisa e não posso.

Faz um ano que tenho uma mancha estranha no rosto. Definitivamente não parece câncer, às vezes parece uma micose (acreditei nisso bastante tempo), coça se me exponho ao sol e fica vermelha. O problema é que cresce, e se multiplica, e até agora, não tem nome nenhum.

Já consultei médico no Brasil, dois médicos “gerais” diferentes aqui na Suécia, e agora um especialista. O primeiro disse que eu havia irritado a pele, possivelmente com as unhas (poderia ser mesmo, na época parecia apenas uma espinha inflamada, eu tinha muitas espinhas “internas” e tenho o terrível hábito de arranhar o rosto enquanto leio…). O primeiro médico aqui na Suécia disse definitivamente que era micose. O segundo que não sabia ao certo. O especialista que é uma inflamação ou outra coisa que… nem eu nem o Joel entendemos direito, um pré câncer… sei lá. Não tem nome.

Estive quarta mais uma vez com o médico, ele acha que não é necessário fazer um exame, que não é grave; mas eu estou frustrada e insatisfeita: não vejo melhoras, e a coisa que começou como uma “espinha inflamada” se transformou em três pontos estranhos na pele, um com quase 2 cm de altura. Não sei se são meus olhos, minha frustração, o medo de que isso não suma e cresça e cresça, ou se é porque eu sei de tantas coisas que não fazem diferença nenhuma e justamente disso que é importante não sei nada! Não tenho um diagnóstico, ninguém me diz o nome disso é “mancha de pele”, é natural e você não precisa se preocupar, ninguém diz isso é micose, vai desaparecer em 2 anos porque o tratamento é demorado… Então eu dei o nome de “sem nome” para deixar meu lamento e algumas fotos aqui. Quem sabe alguém que lê sabe do caso de algum primo de uma amiga do sobrinho da tia-avó que teve um caso semelhante…

A “coisa” apareceu depois que passei uma semana na praia de Balneário Camboriú ano passado. Pareceu uma espinha inflamada, em seguida queimadura de cigarro, apareceram mais duas pequenas manchas, a cor varia entre o rosa claro e salmão (quase vermelho); nunca machucou ou ficou em carne viva mas às vezes a pele parece cheia de bolinhas e irregular, coça após exposição solar. Depois que comecei a usar o antibióco percebo que a pele entre as manchas e ao redor está escurecendo. Já usei cinco tipos de pomadas diferentes, 3 delas para micose, a última contendo “klobetasonburyrat” (butirato de clobetasona?) e agora vou iniciar com uma “sexta” tentativa que contém cortisona (não peguei a pomada ainda, deixo o princípio ativo nos coments). Estou tomando um antibiótico com “lymecycline” e “tetracycline”.

As duas manchas menores também começaram bem pequenas, como uma espinha. Mas sem inflamação.

Como parece minha "amiga" de perto.

Quem souber de algo, abrigada.

Brasilll!!!!

Cheguei na terça ao entardecer e senti o  sol, calor, mosquitos, mas também muito barulho e o trânsito louco, respirei fundo e pensei: adoro o Brasil mas odeio São Paulo. Ainda assim: ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!! Que maravilha!

O coração disparava e eu fiquei toda arrepiada para cada abraço. É tão gostoso ouvir português em toda a parte e entender TUDO que as pessoas falam ao meu redor…

Queria poder ter o melhor dos dois mundos, juntos num só lugar…