Uma Caipira na…

…terra das massas, pizzas, vinhos e do melhor sorvete do mundo… Quem chutou que é a Itália, acertou! Quem não sabia que o sorvete italiano é o melhor do mundo (sorvete italiano mesmo, não aqueles que a gente compra no  Brasil de máquinas de sorvete expresso) ainda tinha chance de acertar só por causa das dicas da massa e pizza.

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Foi uma viagem de família e eu não fui parar em uma vilinha com vinhedos – como havia sonhado – e sim em Algero, uma pequena cidade litorânea da Ilha de Sardenha. Um lugar simplesmente maravilhoso com areias brancas, florestas de pinheiro a beira-mar, mar verde e transparente (de águas super geladas), montanhas, italianos (claro), muitos suecos (de férias) e lindos montes. Apaixonei!

Ouvir e ver – e ter – tantos suecos ao meu redor (fora da Suécia) deixou minha cabeça bem bagunçada, tanto que falei em sueco com a vendedora de sorvete (havia uma chance muito maior dela entender meu português…) e com o garçom do restaurante. Ao final do terceiro dia eu consegui tentar falar algum italiano com os italianos; e para a primeira tentativa fiquei imensamente satisfeita, tanto que estou decidida a aprender italiano – só porque é bonito!

Não sou muito fã da culinária sueca e por esse e por outros motivos me acabei de comer em Algero: spagetti al pomodoro, bolognesa, ravioli, pizza, azeitonas frescas e maravilhosamente preparadas… queijo, salame – como o que a gente comia em casa (ohhhhh!!!) – vinho… e o sorvete! Céus comi tanto que quase passei mal e ainda assim tomei sorvete depois porque é simplesmente bom demais! Há quem diga que a pizza italiana é sem graça porque só tem massa de tomate e queijo com mais alguma coisa. Eu adoro massa de tomate e queijo, não sou fã de pizza doce e acho que simplesmente a massa italiana é espetacular.

Ou seja: engordei uns quilos e to morrendo de saudades da minha mãe!

Passei a maior parte do tempo na praia, me queimei um pouco, bronzeei um pouco; comi (muito… ah! Saudade do spagetti italiano!), alugamos bicicletas e exploramos a região (tem que queimar toda a massa consumida), exploramos a   parte velha da cidade (que é a parte mais linda – tinha até uma loja de Havaianas lá!); tomei porre de sol… Sair de férias é sempre bom, maravilhoso, mas a Sardenha se revelou de uma forma tão espetacular para mim que me senti a própria Elisabeth (de Comer, Rezar, Amar) ou um dos personagens dos filmes de Woddy Allen: a cidade é tão viva, com as pessoas gritando umas com as outras pelas janelas das casas, garotos jogando bola e aquele trânsito caótico com todo mundo buzinando e acenando para os amigos, parando em local proibido para gritar um oi para um conhecido – o que provocava a gritaria de todos os outros motoristas que esperavam…

 

Mas falando sério: com este cenário ao som de uma guitarra clássica, quem não se sentiria?

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Uma Caipira em Dalarna

Falei, Dalarna fica no meio da Suécia!Fim de semana fui para Borlänge, que fica em Dalarna, mais ou menos no meio da Suécia. O Joel participou de um projeto com jovens de uma igreja e por isso tem bastante conhecidos por lá. Dalarna é uma região muito bonita (pelo menos o que eu vi), e é bastante conhecida por causa do “artesanato” – os cavalos de Dalarna, um símbolo bem sueco, e da mina da cobre de Falun. A Mari morou em Ludvika, que fica em Dalarna, e tem uma série de posts e fotos lindas sobre a região (por isso não vou entrar em muitos detalhes, quem tem curiosidade pode entrar no Mundo da Mari e se esbaldar!)

Eu me senti no meio de um filme. Num daqueles em que tem um cara muito magoado e durão que mora no meio das montanhas, tem uma picape grandona e armas de caça. Ta faltando alguma coisa… ah, sim, claro, no meio das montanhas tem um lago, ou um rio. A Suécia tem mais lagos por metro quadrado do que habitantes, e isso faz qualquer paisagem ser digna de cartão postal.

Achei o pessoal de Borlänge mais caipira – como eu! Eles falam mais lento, então pude conversar muito sem ter de pedir muitas vezes para repetir a frase (jag kunde hänga med!). Eles tem um sotaque diferente do de Göteborg, e eu quase tive um treco assim que cheguei porque fui só e completamente ignorada. Entramos num determinado local e o Joel foi conversar com umas pessoas: elas não se levantaram, não estenderam a mão para cumprimentar, não fizeram nada. Responderam todas as perguntas que o Joel fez educadamente, mas não devolveram nenhuma. E daí silêncio… Fiz meia volta e ia sair correndo, mas segurei a educação e só caminhei até a porta, o Joel logo atrás. Chegamos numa casa de um “amigo” do Joel e a situação se repetiu. Entrei em pânico. Fiquei pensando o que eu vim fazer nesse fim de mudo? Caraca ninguém se mexe!

Falei com o Joel, tentando fazer uma observação educada, que amigos que não se veem de longa data poderiam ser mais calorosos. Ele só riu e disse: “Eles são muito reservados, você tem que ‘partir’ para cima”. É uma coisa meio difícil para mim: no Brasil eu podia chegar chegando e fazendo barulho – se bem que não fazia isso no meio de desconhecidos, mas eu tenho realmente medo de ofender os suecos. O lagom deles é tão lagom com relação aos cumprimentos que fica difícil… ou eu dificulto! Enfim, quando encontrei a Joize, só e simplesmente agarrei ela num abraço. Deu certo! Depois disso, ela avisava todo mundo: a Maria gosta de abraçar!

Em Borlänge ninguém me perguntou se falamos espanhol no Brasil, de alguma forma eles aprenderam que brasileiros falam português (será que foi a música do Michel Teló?); mas ainda ouvi o: tem muitos bichos no Brasil né? Muitas florestas! Que tipo de bichos tem onde você morava? E tals. Participamos do grupo de jovens no sábado a noite e do culto no domingo e uma série de pessoas veio conversar comigo – alguns curiosos, muito curiosos, como se eu fosse a primeira brasileira que eles viram; outros um tanto desapontados. Tinha uma moça que ficava me olhando e olhando, mas não falou um ai. Penso que ela estava meio desapontada por conhecer uma brasileira tão branca e tão… normal. Não tenho problemas com minha auto estima, mas não sou exótica. Talvez ela esperava alguma mulher super poderosa exalando sensualidade e um perfume afrodisíaco que faria todos os homens ficarem ao seu redor. Sei lá.

Vai ver foi a minha caipirice…

Em Dalarna, todas as cidades tem um desses ou vários nas ruas, lojas, praças... a foto é meio estranha porque eu to olhando para o lado, mas serve bem para sentir o tamanho do bichinho!