Amanhã: Brasil!

Isso mesmo: amanhã estou chegando ao Brasil e estou tão ansiosa que sei lá o que eu faço comigo mesma (quem acompanha o blog sabe que essa coisa de não saber o que fazer comigo mesma é meio frequente, então… significa que eu vivo muitas emoções, todo o tempo – =P hahaahaha!). Decidi deixar registrado um status de como deixo a Suécia.

Fonte aqui

Essa semana a temperatura caiu de novo, ficamos na marca dos 5 graus em Göteborg e desde ontem parou de chover. Sim, pois há cerca de duas semanas atrás tivemos geada e muito frio (aqui quando a geada chega ela não some de um dia para o outro, como é o comum lá pras bandas donde vim), tanto que me obriguei a tirar meu super casaco vermelho de inverno do guarda roupa. Mas aposentei o bichim em seguida pois começou a chover diariamente (sim, choveu todos os dias nas últimas duas semanas até ontem) e as temperaturas subiram. Ontem, nevou em Stockholm mas eu não vi geada de novo.

Hoje fui a escola fazer uma prova (quase dormi em cima dela então nada de ganhar um A) e ontem foi meu último dia de trabalho antes da viagem. Saí de casa desprevenida e sentia meus dedos congelando enquanto eu empurrava a cadeiras de rodas do Zé e o Zé pela cidade, abaixo de chuva de pedra. Não, não somos masoquistas, é só que precisamos andar uns 50 metros até o ponto do bonde, e a chuva de pedra na Suécia parece mais chuva de feijão; são pedrinhas miudinhas caindo, nada comparado ao que acontece no Brasil.

Coisas que acontecem na vida de um assistente pessoal: o Zé queria fumar e saímos ao ar fresco para ele poder pitar o cigarrinho dele e daí uma senhora chega na minha frente, faz uma pose de espanto e choque e dispara o sermão do “como é que VOCÊ faz isso com ELE? Você não percebe que ele é doente? Meu Deus, meu  Deus…” Olha para mim com o olhar mais desaprovador da face da terra e vai embora. O Zé ri, eu suspiro. Já nem explico que a escolha é dele, que se fosse por mim ninguém no mundo fumaria… A ironia do destino é que uns minutos depois (quando ele já havia acabado o cigarrinho) chega um senhor e “Parabéns! Seu trabalho é lindo!”… é… Obrigado, tipo.

E eu preciso de sol. Não tenho nenhuma ambição de ficar morena não, preciso só e simplesmente de sol! Chove, chove e chove em Göteborg (parou ontem) e agora os dias começaram realmente a ficar escuros. Eu tenho uma lembrança forte com relação ao ano passado, e esse ano eu tenho a mesma impressão: não é que os dias comecem a ficar mais e mais escuros lentamente, é que em uma semana de repente o sol para de nascer as 7h da matina e só dá as caras as 8h. Esse fim de semana é Hallowen na Suécia e os relógios serão atrasados em uma hora para o horário de inverno… ainda assim,  continuará escuro.

Fico ainda mais feliz ao pensar que deixo a Suécia escura e fria para ir ao Brasil (tomara que não chova!) quente e ensolarado. Vai ter o aniversário do meu irmão mais lindo e Arrancadão de Tratores, sem falar que vou comer todas as gostosuras que minha mãe faz, e churrasco, e tirar os colos atrasados com meu pai, e andar a cavalo, e visitar o trabalho novo da minha irmã, e…

Acho que o blog vai estar meio abandonado viu… vou ter tanto o que fazer, e serão só três semanas!

Vi ses då och då!

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O Brasil não é só Rio de Janeiro

Dia desses eu no trem (temos trens de novo!!!) e escuto a conversa de dois jovens:

Ele: todo mundo sai viajar e tenho pensado nisso. Eu quero sair e fazer alguma coisa diferente, grande… talvez a gente podia ir juntos.
Ela: Opa, que legal! Sim a gente podia ir para a Grécia! 
Ele: Não, Grécia não… todo mundo vai para a Grécia. Vamos para a Tailândia ao invés disso!
Ela: Aham… todo mundo vai para a Tailândia também!
Ele: O que eu queria mesmo era ir para a América Latina, para o Brasil…
Ela: Ta louco? Eu tenho uns amigos que foram para o Rio de Janeiro e olha só: no primeiro dia eles foram assaltados e levaram o dinheiro deles, no segundo dia foram assaltados de novo e ficaram sem máquina fotográfica e celulares. Se você acha que isso é tudo eles ainda foram assaltados uma terceira vez, até o usb da minha amiga carregaram embora!
Ele: É, mas nada disso acontece se você fica experto, a gente não precisa ir para uma favela!
Ela: Não precisar não precisa mas lá tudo é favela… além disso não é bom para mulheres irem para o Brasil porque os homens de lá não tem nenhum respeito. (e falando meio baixo) Ela foi quase estuprada na frente do namorado!

Três coisas me passam pela cabeça quando eu ouço uma conversa como essa: primeiro, que eu tenho uma opinião muito dura e preconceituosa contra gringo que vai para o Brasil e quer entrar numa favela, pelo motivo que for… pra não ser politicamente incorreta, paro por aqui.

Dois, é que eu acho um saco que todo mundo entende o Brasil a partir de três palavras: samba, futebol e Rio de Janeiro. E pensar no tamanho do Brasil! E na diversidade cultural! E na cara do povo quando eu digo que “não sei sambar” e que eu não morava nem no Rio de Janeiro e muito menos na praia. É, o Brasil tem 6 mil quilômetros de praia mas eu fui nascer as beiras do mar de soja e milho, lá onde comer carne não é pecado e ser vegetariano é que é ser esquisito. Minha cidade não tem estádio de futebol, acho mesmo que é uma das  únicas cidades no Brasil que construiu uma pista de corrida para tratores – é um “tratoródromo”; o maior show que já teve por lá foi de Fernando e Sorocaba (na minha opinião, claro); a gente dança, canta e vive sertanejo (alguns gostam de vanera, vanerão e mais um monte de coisas gaúchas também); e nem por isso sou menos brasileira que uma carioca.

E três… puxa essa coisa do machismo brasileiro realmente não casa com o feminismo sueco – se é que eu posso simplificar as coisas desse jeito. Só para reafirmar: não sou a favor de nenhum “ismo”. A verdade é que há uma imagem muito forte de que as mulheres latinas gostam de homens sem vergonha, porque somos todos passionais e queremos emoções fortes, sejam quais sejam.   Também posso acrescentar que as brasileiras (em especial) são fáceis e promíscuas. Homens acostumados com mulheres como essas não respeitam ninguém; e apesar de não concordar que o X esteja aí, também não acho que seja hora para discutir quem nasceu primeiro – o ovo ou a galinha; ao menos não nesse blog. O que posso afirmar é que os homens brasileiros são extremamente confiantes em si mesmos e muitas vezes não aceitam um não como resposta. Em contrapartida, na Suécia nenhuma mulher precisa se preocupar com avanços indesejáveis porque qualquer movimento incalculado de um homem pode e será usado contra ele em um tribunal em um processo de assédio sexual ou estupro, como no caso de Julian Assange.

O que eu quero testemunhar é que me dá um sentimento super estranho, mais ou menos do mesmo jeito que me incomoda que alguém pergunte como vai meu alemão e se a Suiça é mesmo fria, me incomoda escutar as pessoas falando que no Brasil tudo é uma merda, que a violência está em toda a parte e que as mulheres só servem para servirem.

Enfim, estamos mal na foto hein?

Comentaristas Suecos

Consegui pegar alguns jogos do Brasil pela internet: o vôlei de praia feminino (bronze) e agora to olhando o basquete  (no momento perdemos por 3 pontos para a Argentina – ahhhhhhhhhh!!!).  A qualidade do vídeo é muito boa e a conexão com a internet que tenho é suficiente para assistir sem que a transmissão fique travando o tempo todo.

Como são muitas modalidades rolando ao mesmo tempo eu posso escolher o quero quero ver, daí que peguei alguns esportes sem comentarista. Estranho, mas interessante. Comentarista esportivo sueco é extremamente apaixonado e, pelos menos nas transmissões que assisti, não importa se não é a Suécia que está em campo, eles meio que escolhem alguém para torcer. Isso significa que cada jogada bem feita por aquele time é fantástica, linda, maravilhosa; e que tal e qual jogador é esplêndido!

Tava assistindo o handebol, quando a Suécia conquistou um lugar nas semi finais, e eles (os comentaristas) tiveram quase um treco – porque o jogo foi muito disputado: era uma montanha russa de emoções, cada gol sueco era perfeito e cada jogada perdida ou gol dinamarquês era seguido de milhares de lamentações. Eu lembro que durante a Euro Copa quando a Suécia perdeu de virada também foi assim, e eles repetiam que: isso não é verdade, isso não é verdade, a Suécia volta para casa já na primeira etapa do campeonato…

Agora eu sinto que eles estão com um ladinho para los hermanos. Que saco!

O mais engraçado foi que passei metade do tempo do jogo tentando adivinhar qual era o sobrenome do jogador Anderson, que eles dizem Vorejau. Fiquei colada nos movimentos do cidadão para ver se eu conseguia ver o tal do nome, pensando que devia ser um apelido então, e quando eu consigo pegar o guri de costas explodi na risada: o sobrenome (ou apelido) dele é VAREJÃO!!!

Tomara que o Brasil vire o jogo!

Brasil x Suécia

Tem dias que eu odeio a Suécia.

Não exatamente o Reino da Suécia em si, no fundo, no fundo; eu curto muito esse país e realmente me sinto em casa. O problema são as coisas que têm no Brasil que não têm aqui. E eu não estou falando das enchentes, corrupção, políticas públicas deficientes, inflação e todas as coisas que nós brasileiros costumamos pensar em primeira instância como sendo Brasil. Também não me refiro a samba, carnaval, capoeira, feijoada, Michel Teló, praias e índios. Tô pensando na minha família, amigos, cerveja gelada e em churrasco.

Racionalmente, sei que me sinto assim porque estava no Brasil com todo mundo até bem pouco. Emocionalmente, é bem mais difícil conter a vontade de só e simplesmente caminhar até aqui e ali, tomar tererê, jogar conversa fora, fazer churrasco e  passar o tempo numa boa. É claro que tenho plena consciência que eu to romantizando e que férias sempre deixam a gente com um gostinho de quero mais, mas eu me dou o direito de pensar que tenho mesmo tudo do bom e do melhor no Brasil e que nem todas as férias do mundo seriam suficientes para aproveitar isso.

Não que o Brasil seja melhor do que a Suécia, ou vice e versa. É só que em alguns momentos quando eu to caminhando no meio do gelo penso tanto no sol e calor do Brasil que me dá uma deprê… Quando to no meio do Nordstan e sei que ninguém me conhece e que eu não conheço ninguém no meio daquele povão, me sinto imensamente sozinha e me dá uma deprê… Eu posso entender todo mundo e me fazer entender no sueco, mas em alguns momentos perco o timing e sou a ultima a rir da piada. Isso também me dá uma deprê… Ninguém me mandou embora do Brasil, e eu vim parar aqui porque quis. E isso também me deprime!

Eu já passei por aquela de “odiar” de verdade tudo que a Suécia representava para mim: salmão, batatas, vegetarianos, frio e neve; e por isso mesmo sei que esse sentimento agora, esse saudosismo não tem nada a ver com isso. Eu tenho uma vida aqui tão boa quanto a que eu tinha no Brasil – poderia até sublinhar que em algumas questões é até melhor, como a questão do trabalho: eu gostei muito de estar assistente social no Brasil, ser funcionária pública e trabalhar em uma prefeitura; mas agora eu tenho desafios grandes no meu trabalho – seja por causa da língua, seja por causa do trato pessoal; uma coisa com a qual estava sonhando antes.

Racionalmente, eu sei que não é culpa da Suécia. Somente porque eu moro na Suécia posso comemorar uma série de coisas que, se não são realmente fantásticas são, ao menos, peculiares: a neve deixa tudo mesmo lindo (estou apaixonada!); eu tenho família em dois lugares extraordinários do globo, e; eu to falando sueco! Hahá, apenas cerca de 9 milhões de pessoas no mundo podem dizer isso!

To numa situação tipo elástico: fico pensando que seria maravilhoso ter todo mundo de “lá” aqui, ou pegar todo mundo “daqui” e levar para lá… simplesmente impossível. Dai que o impasse continua…

Por isso tem dias que eu odeio a Suécia… mas em todos os outros, eu amo de paixão!!

Uma Caipira na Suécia #02

Eu não sei ao certo se o Brasil está há doze ou treze mil quilômetros daqui – ou melhor, o pedaço de Brasil que eu chamo de meu; mas fiquei surpresa com uma coisa: to me sentindo em casa.

Não que as férias não estivessem boas. Foram demais. Infelizmente, precisaria de mais três ou quatro ou infinitas férias para mim fazer tudo o que eu queria, como poder gastar toda a conversa acumulada, e visitar meus irmãos, e tomar tererê e cerveja com as amigas, e ir para baile sertanejo… Me fez uma falta danada ficar mais ao sol, mas eu to com uma manchinha suspeita e tive recomendações expressas de me conter. Fora disso, tudo 10.

Nos últimos dias antes de sair fiquei martelando todos os “se”s da minha existência. Eu realmente queria ficar mais, nem consegui dar um abraço no Silvio! , mas ao final percebi que todo mundo tem saudades de alguma coisa que já teve: da infância, da juventude, de um grupo de amigos, de alguém que não pode mais voltar… e eu não sou exceção. Vou sempre ter um buraco no peito lembrando que eu tenho mais, e não menos, do que eu acho que tenho.

Mais amigos, e mais histórias para contar. Me surpreendi com o tanto de pessoas que mandaram uma mensagem ou um alô para dizer que estavam felizes com a minha volta – o pessoal aqui tem consciência de que o Brasil é um páreo e tanto para a Suécia. Mas o importante é que parece que to aprendendo a ler os suecos, e finalmente, fazendo amigos!

Hoje volto ao trabalho e terça-feira começa a escola. Ainda sonho com o Brasil, mas no fim das contas, minha vida está aqui…

Lar doce lar #02

Uma semana de Brasil e ainda to felizona com o sol, o calor e os mosquitos. Tudo bem, talvez nem tão feliz assim com o calor afinal, pois ontem cortei o cabelo e hidratei, fiquei lindona mas nem durou já que a noite rolei pra caramba na cama. Mas como a culpa é do Joel também (amorrrr, que saudade d’ocê!!!), e como brasileiro adora tomar banho e agora eu posso fazer isso mais de uma vez por dia, continuo satisfeita.

Eu tenho um lado bem… sei lá, to com dó do povo que vive da roça e perdeu tudo. Todo mundo espera a chuva só para tentar plantar alguma coisa outra vez, porque tudo que está na lavoura morreu. Em contrapartida, depois da visitinha ao salão meu cabelo – que estava meio morto apesar da intensa chuva de Göteborg – reviveu.

Aliás, eu amo ir ao salão. Só porque aquele é um momento pra mim mesma, porque tem alguém que vai lavar e massagear e hidratar o meu cabelo, e porque sempre me sinto uma princesa depois disso – ainda que vista shorts, regata e havaianas. E quando a gente tem uma profissional de beleza que é nota 10 – Isa, to falando de você – melhor ainda.

Acho que essa é uma das coisas que mais me faz falta na Suécia. Mas aqui no Brasil também sinto falta de coisas que eu tenho lá em Göteborg – mercado aberto até as 22h no domingo também, por exemplo – ou seja, coisas de cidade grande. Pagar com cartão em qualquer boteco também.

Falando nisso, esqueci de levar o cartão no mercado (C-Vale) hoje pela manhã e passei raiva. A compra deu R$27,97 e quando eu pedi o meu troco de R$0,03 centavos, a caixa me olhou com bico. Primeiro, que acho o cúmulo caixa de supermercado trabalhar emburrado. Segundo, se em um só dia 100 pessoas deixam R$0,03 centavos para trás, o dono do mercado, claro, ganha R$30,00. Assim, sem fazer nada – e isso que to falando de Maripá – Paraná, 3 mil habitantes; imagina nos grandes centros. Claro que se for alguém bem intencionado, vai orientar os funcionários a fazerem a coisa certa, afinal, de três em três centavos o cidadão pode perder muito mais do que imagina em um ano. Não me intimidei com o bico não, e fiquei lá esperando até me darem os três centavos.

Coisa de gente chata? Pode ser, mas ninguém vai me dar três centavos de graça. Aliás, tá muito mais fácil perder os três centavos, ou com o caixa do supermercado, ou na compra do pão, ou naquelas compras que dão pá pá pá e 99, e você nunca ganha o centavo de volta. Talvez uma bala. E se a pessoa é diabética, de que serve?

Outra coisa ridícula desse Brasil é patrão que paga funcionário com cheque de terceiros. Ao invés do cidadão receber o salário no fim do mês recebe um pepino: vai da sorte conseguir trocar o cheque em algum lugar, se não tiver de depositar e esperar mais sei lá quantos dias o dinheiro entrar na conta.

Por essas e outras me irrita o discurso sobre a corrupção. Que o Brasil é um país corrupto, infelizmente, não posso contestar. Afinal, nem receber o troco certo em mercado eu posso. E se faltar três centavos para pagar a conta, será que eu posso levar os produtos? Na minha opinião, consumidor não pode deixar passar os centavinhos não: paga-se um monte em impostos, tá todo mundo se lascando por causa da inflação e reclamando do governo (com razão); mas façam as contas dos centavinhos que se perdem na padaria, mercado, e todas as compras de ,99… ficou surpreso?

Economia não é apenas guardar dinheiro: é cuidar do dinheiro também…

 

Que ideia genial!!! Mas na Suécia eu não ganho balinha no troco…

Ordem e Progresso, a bunda é o sucesso!

Dias desses eu encontrei um folhetim com propaganda do Brasil daquele tipo com o slogan “conheça o Brasil” no céu de uma praia ensolarada, mulheres bonitas e todo mundo feliz, mais ou menos pelado. Abri o folhetim para espiar – o que será que teria ali? – e vi duas páginas sobre o Rio de Janeiro,  meia página sobre Salvador, e dali em diante um quarto de página para algumas outras localidades brasileiras – a Amazônia, o Pantanal, Fernando de Noronha, e pasmem, nesse folhetim Foz do Iguaçu existe!

Eu não sei como se sente o resto do povo brasileiro, mas me dá uma depressão disso! Todo brasileiro é da cor de jambo – até se assustaram por eu dizer que sou brasileira porque “sou branca demais”, toda mulher sabe sambar, em todo o Brasil tem praia, todo mundo usa bíkini – para trabalhar também… Assim assim, o Brasil é formada de um número sem fim de Rios de Janeiro com direito a um pacote completo que contém desde o glamour de Ipanema a bizarrice da favela – porque até a favela está cool devido algumas produções hollywoodianas.

So… o que dizer dos índios de verdade? Sim, aqueles que em pouco tempo serão afogados… O que dizer de nós, do sul, que não sambamos, não temos praias famosas (Balneário Camboriú talvez?), que somos colonos, gaúchos e caipiras? Quem sabe o que é chamamé? Alguém sabe que nem todo baiano pratica candomblé, e que nem todo mundo na Bahia curte axé? Sabem que o nordeste é mais do que sertão, é mais do que pobreza, falta d’água e forró? E o povo do meio do Brasil, que está agorinha mesmo descobrindo o que é água, energia elétrica e estrada de asfalto?

Sabe que às vezes quando o Joel diz para um grupo “minha namorada é brasileira”, alguém me olha e fala só: Ronaldo (?). E sorri. Ou faz um pouco de mímica do tipo o cara que joga bola. Puxa, índios falam o que mesmo, tupi? Não, os brasileiros falam espanhol.

Tinha uma festa de funk, no sábado e eu fui. Acho que gosto de tortura enfim. Ouvi cada coisa… “mulher brasileira tem vergonha de dançar o funk, tem vergonha de mostrar a cultura do seu país!”  Imagina se eu teria vergonha de mexer as cadeiras como se estivesse transando com o cara que canta ‘vai que vai, vou na frente, vou atrás…’

Eu amo mesmo o Brasil. E puxa vida, penso que está crescendo e melhorando. Mas daí ver um folhetim mostrando o Rio de Janeiro como “o Brasil” e ouvir que funk é a cultura do nosso país… tipo TODA A CULTURA, e não uma das expressões culturais de um país de 180 milhões, me faz sentir tanta estranheza, tanta tristeza…

Que país é esse???