Uma Caipira na Suécia #02

Eu não sei ao certo se o Brasil está há doze ou treze mil quilômetros daqui – ou melhor, o pedaço de Brasil que eu chamo de meu; mas fiquei surpresa com uma coisa: to me sentindo em casa.

Não que as férias não estivessem boas. Foram demais. Infelizmente, precisaria de mais três ou quatro ou infinitas férias para mim fazer tudo o que eu queria, como poder gastar toda a conversa acumulada, e visitar meus irmãos, e tomar tererê e cerveja com as amigas, e ir para baile sertanejo… Me fez uma falta danada ficar mais ao sol, mas eu to com uma manchinha suspeita e tive recomendações expressas de me conter. Fora disso, tudo 10.

Nos últimos dias antes de sair fiquei martelando todos os “se”s da minha existência. Eu realmente queria ficar mais, nem consegui dar um abraço no Silvio! , mas ao final percebi que todo mundo tem saudades de alguma coisa que já teve: da infância, da juventude, de um grupo de amigos, de alguém que não pode mais voltar… e eu não sou exceção. Vou sempre ter um buraco no peito lembrando que eu tenho mais, e não menos, do que eu acho que tenho.

Mais amigos, e mais histórias para contar. Me surpreendi com o tanto de pessoas que mandaram uma mensagem ou um alô para dizer que estavam felizes com a minha volta – o pessoal aqui tem consciência de que o Brasil é um páreo e tanto para a Suécia. Mas o importante é que parece que to aprendendo a ler os suecos, e finalmente, fazendo amigos!

Hoje volto ao trabalho e terça-feira começa a escola. Ainda sonho com o Brasil, mas no fim das contas, minha vida está aqui…

Lar doce lar #02

Uma semana de Brasil e ainda to felizona com o sol, o calor e os mosquitos. Tudo bem, talvez nem tão feliz assim com o calor afinal, pois ontem cortei o cabelo e hidratei, fiquei lindona mas nem durou já que a noite rolei pra caramba na cama. Mas como a culpa é do Joel também (amorrrr, que saudade d’ocê!!!), e como brasileiro adora tomar banho e agora eu posso fazer isso mais de uma vez por dia, continuo satisfeita.

Eu tenho um lado bem… sei lá, to com dó do povo que vive da roça e perdeu tudo. Todo mundo espera a chuva só para tentar plantar alguma coisa outra vez, porque tudo que está na lavoura morreu. Em contrapartida, depois da visitinha ao salão meu cabelo – que estava meio morto apesar da intensa chuva de Göteborg – reviveu.

Aliás, eu amo ir ao salão. Só porque aquele é um momento pra mim mesma, porque tem alguém que vai lavar e massagear e hidratar o meu cabelo, e porque sempre me sinto uma princesa depois disso – ainda que vista shorts, regata e havaianas. E quando a gente tem uma profissional de beleza que é nota 10 – Isa, to falando de você – melhor ainda.

Acho que essa é uma das coisas que mais me faz falta na Suécia. Mas aqui no Brasil também sinto falta de coisas que eu tenho lá em Göteborg – mercado aberto até as 22h no domingo também, por exemplo – ou seja, coisas de cidade grande. Pagar com cartão em qualquer boteco também.

Falando nisso, esqueci de levar o cartão no mercado (C-Vale) hoje pela manhã e passei raiva. A compra deu R$27,97 e quando eu pedi o meu troco de R$0,03 centavos, a caixa me olhou com bico. Primeiro, que acho o cúmulo caixa de supermercado trabalhar emburrado. Segundo, se em um só dia 100 pessoas deixam R$0,03 centavos para trás, o dono do mercado, claro, ganha R$30,00. Assim, sem fazer nada – e isso que to falando de Maripá – Paraná, 3 mil habitantes; imagina nos grandes centros. Claro que se for alguém bem intencionado, vai orientar os funcionários a fazerem a coisa certa, afinal, de três em três centavos o cidadão pode perder muito mais do que imagina em um ano. Não me intimidei com o bico não, e fiquei lá esperando até me darem os três centavos.

Coisa de gente chata? Pode ser, mas ninguém vai me dar três centavos de graça. Aliás, tá muito mais fácil perder os três centavos, ou com o caixa do supermercado, ou na compra do pão, ou naquelas compras que dão pá pá pá e 99, e você nunca ganha o centavo de volta. Talvez uma bala. E se a pessoa é diabética, de que serve?

Outra coisa ridícula desse Brasil é patrão que paga funcionário com cheque de terceiros. Ao invés do cidadão receber o salário no fim do mês recebe um pepino: vai da sorte conseguir trocar o cheque em algum lugar, se não tiver de depositar e esperar mais sei lá quantos dias o dinheiro entrar na conta.

Por essas e outras me irrita o discurso sobre a corrupção. Que o Brasil é um país corrupto, infelizmente, não posso contestar. Afinal, nem receber o troco certo em mercado eu posso. E se faltar três centavos para pagar a conta, será que eu posso levar os produtos? Na minha opinião, consumidor não pode deixar passar os centavinhos não: paga-se um monte em impostos, tá todo mundo se lascando por causa da inflação e reclamando do governo (com razão); mas façam as contas dos centavinhos que se perdem na padaria, mercado, e todas as compras de ,99… ficou surpreso?

Economia não é apenas guardar dinheiro: é cuidar do dinheiro também…

 

Que ideia genial!!! Mas na Suécia eu não ganho balinha no troco…

Ordem e Progresso, a bunda é o sucesso!

Dias desses eu encontrei um folhetim com propaganda do Brasil daquele tipo com o slogan “conheça o Brasil” no céu de uma praia ensolarada, mulheres bonitas e todo mundo feliz, mais ou menos pelado. Abri o folhetim para espiar – o que será que teria ali? – e vi duas páginas sobre o Rio de Janeiro,  meia página sobre Salvador, e dali em diante um quarto de página para algumas outras localidades brasileiras – a Amazônia, o Pantanal, Fernando de Noronha, e pasmem, nesse folhetim Foz do Iguaçu existe!

Eu não sei como se sente o resto do povo brasileiro, mas me dá uma depressão disso! Todo brasileiro é da cor de jambo – até se assustaram por eu dizer que sou brasileira porque “sou branca demais”, toda mulher sabe sambar, em todo o Brasil tem praia, todo mundo usa bíkini – para trabalhar também… Assim assim, o Brasil é formada de um número sem fim de Rios de Janeiro com direito a um pacote completo que contém desde o glamour de Ipanema a bizarrice da favela – porque até a favela está cool devido algumas produções hollywoodianas.

So… o que dizer dos índios de verdade? Sim, aqueles que em pouco tempo serão afogados… O que dizer de nós, do sul, que não sambamos, não temos praias famosas (Balneário Camboriú talvez?), que somos colonos, gaúchos e caipiras? Quem sabe o que é chamamé? Alguém sabe que nem todo baiano pratica candomblé, e que nem todo mundo na Bahia curte axé? Sabem que o nordeste é mais do que sertão, é mais do que pobreza, falta d’água e forró? E o povo do meio do Brasil, que está agorinha mesmo descobrindo o que é água, energia elétrica e estrada de asfalto?

Sabe que às vezes quando o Joel diz para um grupo “minha namorada é brasileira”, alguém me olha e fala só: Ronaldo (?). E sorri. Ou faz um pouco de mímica do tipo o cara que joga bola. Puxa, índios falam o que mesmo, tupi? Não, os brasileiros falam espanhol.

Tinha uma festa de funk, no sábado e eu fui. Acho que gosto de tortura enfim. Ouvi cada coisa… “mulher brasileira tem vergonha de dançar o funk, tem vergonha de mostrar a cultura do seu país!”  Imagina se eu teria vergonha de mexer as cadeiras como se estivesse transando com o cara que canta ‘vai que vai, vou na frente, vou atrás…’

Eu amo mesmo o Brasil. E puxa vida, penso que está crescendo e melhorando. Mas daí ver um folhetim mostrando o Rio de Janeiro como “o Brasil” e ouvir que funk é a cultura do nosso país… tipo TODA A CULTURA, e não uma das expressões culturais de um país de 180 milhões, me faz sentir tanta estranheza, tanta tristeza…

Que país é esse???

Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #02

A falta de novas postagens não é devida a falta de tempo, ou de que estou atolada na minha bagunça – como de costume. Eu poderia fazer uma lista de desculpas com coisas e coisas que soariam mais ou menos aceitáveis – afinal eu não ganho pago para escrever, não tenho que dar satisfação da minha falta de vontade, a não ser para mim mesma. Então é só isso mesmo, desânimo. Grande, e em certos momentos, perturbador. Eu nem lembro onde eu ouvi que a palavra desânimo tem origem grega e que significa “sem alma” (anima significa alma em grego). Faz sentido que tudo pareça pesado e triste e irritante.

E daí porque colocar isso em Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca? Justamente porque eu li em alguns outros blogs várias pessoas falando do quanto “cool” parece aos outros (digo os outros brasileiros) quando a gente muda para fora do país, principalmente Europa e USA. Viramos gente chique, importante, que mora nos “estrengeiro”. Pessoas absolutamente felizes de conto de fadas que viajam, se dão bem acima de tudo e que mesmo quando tem um trabalho ruim tem grandes salários e estão por cima da carne seca.

É verdade que meu salário de Marinete é maior do que o que eu recebia no Brasil. E? É tão frustante quando as pessoas pensam que a vida se resume a quanto você percebe por mês como… trabalhador. Não, eu definitivamente não estou reclamando, apenas gostaria de deixar todas as coisas muitíssimo claras porque, apesar de tudo, tem gente que acredita no conto do vigário.

Conheci uma moça que está morando aqui cerca de dois meses. Ela veio da Bahia, foi auxiliar de enfermagem em uma fábrica no Brasil. A fábrica fechou, estava um pouco difícil para ela encontrar trabalho e aí, apareceu uma amiga. “Vamos comigo para a Europa, lá você vai se dar bem”. E ela veio, está aqui, sem visto, sem trabalho e sem… o que mais eu poderia dizer?

Eu tenho Joel aqui e a família dele me ajudando e dando apoio todo o tempo. Eu posso estudar sueco porque tenho permissão de residir aqui e isso me ajuda a ter um emprego (se você não vem para cá com contrato de trabalho assinado, não importa o nível do seu inglês). Falo de trabalho porque é importante para mim, mas existem muitas moças que mudam para ser esposas de um sueco – nada contra, acho que elas fazem muita coisa sendo somente esposas. Minha mãe foi esposa a vida inteira e não conheço ninguém que tenha trabalhado mais do que ela – e para isso também é importante o visto: é sua garantia de atendimento de saúde, na escola para as crianças, para o transporte, para ser livre. E as pessoas que vem com contrato de trabalho então tem tudo isso.

Mas se você não tem visto por conta de um trabalho ou visto por laço familiar, por que sair do Brasil e se aventurar como “preto” na Europa/USA? Para tentar a sorte? Sei que cada um faz da vida o que quiser, mas quem tem uma formação no Brasil tem mais chances de conseguir um emprego lá, por mais difícil que a coisa seja, do que aqui – sem documentação, sem poder aprender a língua numa escola.

Eu sou feliz, e muito, e não quero dar uma de “pobre menina rica, olha ela reclamando de barriga cheia”. Mas depois de encontrar a Fulana aqui, eu fiquei pensando que caraca!, ainda tem realmente gente que acredita que estamos num conto de fadas? A vida é igual em qualquer lugar do mundo, seja no Brasil, na Europa ou na Nova Zelândia. Todo mundo tem que ralar, tudo tem que ser conquistado!

E sabem qual a coisa mais engraçada disso tudo? O Brasil aqui está sendo noticiado cada vez mais como a terra das oportunidades – mostraram no jornal essa semana que 1200 sueco se mudaram para o Brasil. E todo mundo aposta que vai ser para lá que os portugueses e espanhóis vão tentar correr, devido a crise.

Não quero criticar ninguém. Não acho burrice mudar – eu fiz isso, sei os meus motivos, e tem muitas brasileiras como eu, que encontraram marido e mudaram para cá, ou pessoas com contrato de trabalho, estudando e ou o quê. Mas o que eu gostaria de sublinhar é que todas essas opções que eu citei vem com uma espécie de suporte – financeiro, social e familiar – além do visto e essa é uma diferença grande, que só quem já saiu sabe!

A vida por aqui é exatamente como aí. Mas a diferença pode ser desestimulante e esmagadora se você está sozinho.

Pro dia nascer feliz

Thomas Edson não conseguiu fazer a lâmpada incandescente na primeira tentativa.

Hoje eu levei um susto quando abri meu e-mail: tinha uma série de e-mails do povo da minha cidadela me avisando que eu fui chamada para apresentar títulos em um concurso do Estado do Paraná que eu nem lembro quando foi que eu prestei… mas eu  passei!! Ahá, bom né?

Eu entendo que meus amigos fiquem me mandando e-mails do tipo: volta guria!!, porque é o que eu gostaria que acontecesse – ter todos os meus amigos perto e que eles me queiram perto também. Mas eu não quero voltar para o Brasil (agora), e isso não tem nada haver com aquela coisa de a Suécia é melhor que o Brasil, vice versa blá blá blá; isso está relacionado ao fato de que eu escolhi morar na Suécia, apostar no meu relacionamento com o Joel e eu mal e mal cheguei aqui.

Quando eu sai do Brasil, mesmo tendo um emprego no setor público e sabendo que eu podia ter licença, eu pedi demissão. É, eu poderia ter requerido uma licença de dois anos, afinal era meu direito (no caso de casar, abrir uma empresa em outra cidade ou … não lembro mas eram três itens) e ainda optei pela demissão. Um monte de gente veio me dizer para repensar porque seria uma garantia se as coisas não dessem certo na Suécia, que eu poderia fazer igual não sei quem que fica dois anos lá e dois aqui e… eu sempre respondi que eu não acredito que funciona ter os pés em dois barcos diferentes ou ficar em cima do muro.

Clichês a parte, e com sua licença para ser repetitiva, ser feliz é escolher e eu não considero dois passarinhos na mão uma escolha. É como aquela história da Bíblia que a mulher vira uma estátua de sal por ficar olhando para trás… qual é o grau de motivação que você coloca numa coisa se você sabe que pode contar com outra? Reserva é para o esporte, onde ganhar ou ganhar é a alternativa, mas na vida, perder muitas vezes significa ganhar: experiência, maturidade, confiança, sabedoria… e não é que eu seja a sabichona que decidiu o mais correto, mas eu escolhi uma coisa: mudar para a Suécia, começar uma vida nova aqui, nova fase, novo tudo; para quê um emprego no Brasil? Para voltar correndo na primeira dificuldade?

Infelizmente, penso que é isso que acontece (comigo) com muita gente: o medo de escolher nos faz ficar paralisados e perder, perder oportunidades, perder tempo, perder pouco a pouco a confiança em nós mesmos. E se não der certo com o Joel? Eu vou sofrer, mas vou seguir porque minha vida não vai acabar. Não é que eu seja sou orgulhosa mas é que não acho que está correta a forma como se maximiza a importância da escolha na nossa sociedade.

Sim: aos 17 anos você deve ter CERTEZA de qual profissão quer exercer, e em 4 ou 5 anos você estará entrando no mercado de trabalho ou, aquela pessoa especial que mexe com você TEM DE SER  o amor da sua vida – não importa se é o primeiro amor. Por quê? Porque não é interessante perder tempo. Desde quando cursar uma universidade é perder tempo? Desde quando ficar perto de outro alguém é perder tempo? Desde que você precisa ser um guru, sempre ganhar e nunca,  nunca, nunca, jamais perder.

Então escolher fica difícil, uma coisa escura e ruim: pense bem, você quer ou não? Tem certeza? Olha que depois não pode mudar, hein? Parece que vamos perder um milhão de reais (oi!)! Nada disso! Sempre podemos recomeçar, tentar outra vez! Sabendo porque erramos, na segunda tentativa fica mais fácil! Ninguém de nós lembra, mas não decidimos um belo dia caminhar e então levantamos e demos um, dois, dez passos e de repente corremos. Com certeza, primeiro ficamos em pé, caímos, ficamos em pé e demos um passo e ficamos em pé e caímos e… só continuamos até que hoje podemos andar sem pensar em direito-esquerdo-direito. Mas não é sempre assim! Às vezes acertamos de primeira, mas o mais importante não é acertarmos e sim decidir arremessar, chutar, tentar.

Eu to super feliz que fui chamada para um emprego, mostra que eu sou/fui boa naquilo que fiz, mas eu não preciso de garantias no Brasil. Tenho minha vida na Suécia e preciso lutar por ela…  Não é orgulho, é só porque eu abracei a minha escolha! Cada um precisa abraçar aquilo que escolhe, trabalhar nisso, e se não for bom, paciência, sempre dá para recomeçar.

Amigos: tenho imensas saudades! Mas tem como estar mais perto do que do lado de dentro?

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo…

No Brasil eu tive a assinatura da revista Seleções por quase dois anos. Sempre gostei muito daquelas matérias de histórias fantásticas da vida real e sobre felicidade. Em uma delas, uma pesquisa havia questionado um número X de pessoas sobre qual era a época mais feliz de sua vida em diferentes períodos dela. O resultado em todas as enquetes foi que maioria das pessoas disseram não estar tão felizes atualmente; que tinham sido muito felizes em certo tempo atrás; que cultivavam a esperança de ter mais felicidade no futuro.

Penso que a discussão sobre felicidade é lugar comum, mas você já percebeu que é exatamente isso? As pessoas sempre acham que estavam mais felizes há um ano atrás – por exemplo – do que hoje, e que vão estar melhores no futuro. Mas daqui a um ano dirão o mesmo!!

Essa semana eu estava puta da cara, um pouco triste. Afinal nem tudo são flores, eu passo bastante tempo sozinha, até chorei… eu choro quando tenho vontade. Não gosto: a cara da gente fica horrível, olhos inchados, o nariz escorrendo, que coisa nojenta! Mas eu aprendi com a Angela isso, botar para fora, chorar quando se tem vontade de chorar!! E eu me achei no direito: tem todo aquele blá blá blá de choque cultural, mudança de tempo e espaço, o clima muitas vezes não ajuda (estamos no verão, julho, o mês mais quente do ano: chove e faz entre 15 e 17 graus C), todo mundo está de férias viajando e eu to na casa, as partições públicas (leia-se Arbetsförmedlingen) não ajudam, to estudando sueco quase que todo o tempo sozinha… poxa, tadinha d’eu né?

Eu sou meio Pollyanna às vezes, quem lê o blog sabe, mas não porque eu brinque de contente e sim porque eu sou feliz. Posso estar frustrada, chateada e puta da cara com um monte de coisas, mas eu sou feliz! Simplesmente porque ser feliz é uma escolha. Hoje eu li um blog de uma brasileira que foi para os EUA e ela deixou umas palavras que eu vou copiar (com a maior cara de pau):

Às vezes temos a tendência de achar que a felicidade virá naturalmente.Não é não gente, ela precisa ser cultivada. Às vezes esperamos pelo momento perfeito com a visita perfeita para fazer aquela  sobremesa, para mudar o cabelo, para usar aquele vestido que não sai do guarda-roupa, pelo dia perfeito em que não estaremos cansados demais  para namorar o(a) esposo(a) na cama , pelo o corpo sarado para só então poder usar um biquíni ,pela conta bancária gorda para poder casar, etc…Em suma, passamos a vida esperando por um ideal que não virá até nós.
Na nossa realidade tudo trabalha contra nós:
o trânsito, o atraso, o estresse, a data de entrega de certo material, filas longas de banco, a doença,o almoço que tem que está pronto em cinco minutos, o problema do cliente chato, a criança que não pára de chorar,a burocracia de um país, etc… Essa é a verdade, gente.
O senhor tempo não vai esperar que as condições favoreçam para que sejamos felizes. O tempo de viver bem e feliz é agora. Dê fim as desculpas, dê fim a negação, dê fim a justificativas sem causa.Faça diferente.O amanhã não é garantido a seu ninguém.

 

Cada tempo traz a sua dificuldade, e agora é um período complicado para mim: não poder me expressar em sueco e não ter um trabalho são coisas difíceis e parecem tão grandes, mas eu sou feliz. Quando eu arrumar um trabalho vou ter dificuldades no trabalho – todo mundo tem, mas vou ser feliz. Eu nunca vou deixar de aprender sueco, e ainda quando conseguir me expressar não vou deixar de ser estrangeira. Mas vou estar feliz.

Eu sinto uma saudade enorme de meus amigos. Mas eu me sinto imensamente feliz por ter vivido tantos momentos fantásticos que me fazem pensar nessas pessoas de forma especial! Hoje por exemplo é aniversário da minha irmã (Gio parabéns!!)  e nós estamos milhares de quilômetros longe, mas assim é a vida! Eu posso escolher lamentar pelo resto do mês que foi aniversário da minha irmã e eu não estava lá para comer o bolo ou posso cantar parabéns para ela e mandar um vídeo!

Eu escolho o quanto perto ou longe vou estar, legal ou chata posso ser, o quanto posso amar. É verdade: amor é escolha, perdão é escolha, respeito é escolha, porque felicidade seria diferente?

A vida é aquilo que a gente trabalha para ser. É aquilo que a gente pinta!

Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida…

De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo…

[…]

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá…

A Suécia é melhor do que o Brasil?

O Anderson me perguntou isso dia desses e eu respondi de pronto: não. NÃOOO???!!

É, uai. O que é melhor: Corinthians ou Flamengo? Ter namorado ou ter rolos? Morar junto ou casar? Ter filhos ou não? Chocolate branco ou preto? Cada um vai dizer uma coisa… porque tem sua própria opinião. O Matheus mesmo, para a primeira questão respondeu Grêmio.

Enfim, a coisa é que eu não mudei para cá porque desgosto do Brasil. Eu amo o Brasil, adoro aquela região agrícola em que eu cresci e aquela cidadela onde o povo vem pra cidade de caminhoneta em dia de chuva e tudo fica cheio de barro… todo mundo se cumprimenta no mercado e quando você vai a farmácia o atendente conta para todo mundo que você comprou camisinha.

Eu estou gostando de morar na Suécia e no último post eu disse que gosto muito do serviço de saúde daqui, que é grátis. Assim como as escolas aqui são muito boas, e a pavimentação, e o transporte público (eu adoro andar de spårvagn, o trem elétrico dentro da cidade); a segurança, blá, blá, blá. Mas a cidade também tem problemas: nesta semana dois carros foram incendiados por jovens perto daqui e a adminsitração pública decidiu que vai remover 90 professores deste bairro.

É mas no Brasil… no Brasil tem um monte de gente honesta e trabalhadeira que passa a semana inteira ralando por aquele salário mínimo de miséria, e ainda acredita. E o Brasil tá crescendo e melhorando! A nossa praga é a administração pública com um monte de gente inepta que fica cagando na cabeça de quem faz alguma coisa e/ou desviando dinheiro público. E eu não to falando só de políticos e o seu bando com cargo político, o famoso CC, mas de funcionário público também. Eu trabalhei 5 anos em uma prefeitura e vi de perto como (não) funcionam as coisas.

E daí adentra aquela velha discussão de o quanto o brasileiro é politizado, e que a culpa é dos nordestinos, porque não é o povo que pensa que elege o presidente da república… É, vai ver por isso São Paulo, Rio de Janeiro e as capitais do sul do Brasil são cidades modelo de qualidade no mundo… top de linha. Eu trabalhei com democracia participativa no SUL do Brasil e tinha que implorar para o povo participar. É mesmo tudo culpa dos nordestinos!

A questão não é gostar ou desgostar do Lula, ou da Dilma. Tem gente que gosta, assim como tem quem gosta de ver gente acidentada na internet, tem quem gosta de sofrer e é masoquista, tem quem gosta do Maradona e tem quem curte o Justin Bieber (é assim que se escreve??). A coisa é acreditar no potencial do Brasil.

Parece discurso político, mas não é. Eu gosto do Brasil. E acredito nele…