Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca #02

A falta de novas postagens não é devida a falta de tempo, ou de que estou atolada na minha bagunça – como de costume. Eu poderia fazer uma lista de desculpas com coisas e coisas que soariam mais ou menos aceitáveis – afinal eu não ganho pago para escrever, não tenho que dar satisfação da minha falta de vontade, a não ser para mim mesma. Então é só isso mesmo, desânimo. Grande, e em certos momentos, perturbador. Eu nem lembro onde eu ouvi que a palavra desânimo tem origem grega e que significa “sem alma” (anima significa alma em grego). Faz sentido que tudo pareça pesado e triste e irritante.

E daí porque colocar isso em Pequenas Grandes Coisas da Minha Vida Sueca? Justamente porque eu li em alguns outros blogs várias pessoas falando do quanto “cool” parece aos outros (digo os outros brasileiros) quando a gente muda para fora do país, principalmente Europa e USA. Viramos gente chique, importante, que mora nos “estrengeiro”. Pessoas absolutamente felizes de conto de fadas que viajam, se dão bem acima de tudo e que mesmo quando tem um trabalho ruim tem grandes salários e estão por cima da carne seca.

É verdade que meu salário de Marinete é maior do que o que eu recebia no Brasil. E? É tão frustante quando as pessoas pensam que a vida se resume a quanto você percebe por mês como… trabalhador. Não, eu definitivamente não estou reclamando, apenas gostaria de deixar todas as coisas muitíssimo claras porque, apesar de tudo, tem gente que acredita no conto do vigário.

Conheci uma moça que está morando aqui cerca de dois meses. Ela veio da Bahia, foi auxiliar de enfermagem em uma fábrica no Brasil. A fábrica fechou, estava um pouco difícil para ela encontrar trabalho e aí, apareceu uma amiga. “Vamos comigo para a Europa, lá você vai se dar bem”. E ela veio, está aqui, sem visto, sem trabalho e sem… o que mais eu poderia dizer?

Eu tenho Joel aqui e a família dele me ajudando e dando apoio todo o tempo. Eu posso estudar sueco porque tenho permissão de residir aqui e isso me ajuda a ter um emprego (se você não vem para cá com contrato de trabalho assinado, não importa o nível do seu inglês). Falo de trabalho porque é importante para mim, mas existem muitas moças que mudam para ser esposas de um sueco – nada contra, acho que elas fazem muita coisa sendo somente esposas. Minha mãe foi esposa a vida inteira e não conheço ninguém que tenha trabalhado mais do que ela – e para isso também é importante o visto: é sua garantia de atendimento de saúde, na escola para as crianças, para o transporte, para ser livre. E as pessoas que vem com contrato de trabalho então tem tudo isso.

Mas se você não tem visto por conta de um trabalho ou visto por laço familiar, por que sair do Brasil e se aventurar como “preto” na Europa/USA? Para tentar a sorte? Sei que cada um faz da vida o que quiser, mas quem tem uma formação no Brasil tem mais chances de conseguir um emprego lá, por mais difícil que a coisa seja, do que aqui – sem documentação, sem poder aprender a língua numa escola.

Eu sou feliz, e muito, e não quero dar uma de “pobre menina rica, olha ela reclamando de barriga cheia”. Mas depois de encontrar a Fulana aqui, eu fiquei pensando que caraca!, ainda tem realmente gente que acredita que estamos num conto de fadas? A vida é igual em qualquer lugar do mundo, seja no Brasil, na Europa ou na Nova Zelândia. Todo mundo tem que ralar, tudo tem que ser conquistado!

E sabem qual a coisa mais engraçada disso tudo? O Brasil aqui está sendo noticiado cada vez mais como a terra das oportunidades – mostraram no jornal essa semana que 1200 sueco se mudaram para o Brasil. E todo mundo aposta que vai ser para lá que os portugueses e espanhóis vão tentar correr, devido a crise.

Não quero criticar ninguém. Não acho burrice mudar – eu fiz isso, sei os meus motivos, e tem muitas brasileiras como eu, que encontraram marido e mudaram para cá, ou pessoas com contrato de trabalho, estudando e ou o quê. Mas o que eu gostaria de sublinhar é que todas essas opções que eu citei vem com uma espécie de suporte – financeiro, social e familiar – além do visto e essa é uma diferença grande, que só quem já saiu sabe!

A vida por aqui é exatamente como aí. Mas a diferença pode ser desestimulante e esmagadora se você está sozinho.

Desventuras em Série

By Benett!

Eu adoro caminhar… Mas não quando preciso fazer isso porque esqueci alguma coisa e, infelizmente acontece com frequência: esqueço de colocar o celular na bolsa, ou o cartão do trem, ou comida para o dia, ou…  Já dizia a minha mãe “quem não tem cabeça tem pernas”.

Enquanto eu não estava trabalhando estava levando a coisa em uma média em que eu conseguia não me atrasar demais. Não é lagom estar atrasado e mais do que isso, eu me stresso sem medida com essa coisa de não poder ir a pé para o trabalho. Sério! Eu adoro ir de spårvagn para todo o lado, mas não quando ele para no meio do caminho por motivos de manutenção, ou quando o condutor fala alguma coisa em sueco – que obviamente eu não consigo entender, ou quando uma mãe desnaturada esquece o bebê dentro do trem.

Abre parenteses para comentar a respeito dos bebês suecos: sabe aquelas propagandas em que as crianças parecem anjos? É exatamente assim que as crianças suecas parecem. Estou me referindo a bebês e/ou crianças pequenas de até 3 anos. Primeiro: eles são lindos, muito branquinhos com olhos grandes e azuis, bochechas gordas e vermellhas, aquele cabelo que você já imaginou… e quietos. Ou educados? Eu não vi NENHUMA criança sueca chorando desesperadamente dentro do carrinho de bebê; ou tentando fugir do carrinho; ou pulando em pé no carrinho; ou tentando perigosamente jogar-se do colo da mãe ou pai para baixo – sim porque aqui você vê os pais passeando sozinhos com as crianças gente!; ou gritando deitados no chão do mercado alguma coisa do tipo eu quero! eu quero!; enfim, não vi nenhum pai ou mãe passando vergonha com seus anjinhos. E olha que eu não gostaria de ser um bebê sueco em dia de chuva, porque as mães saem com a criança dentro do carrinho, e no carrinho vai uma capa de chuva que faz o “trem” parecer um grande bolha plástica com rodas. Me espanta sobremaneira porque isso não é impressão: eu já fiquei 30 minutos no trem próximo a uma mãe sueca só para ver quando o bebê ia começar a chorar, resmungar, ou tentar pular fora do carrinho e adivinhe?

Nota: crianças negras são lindas, amarelas também, indígenas, enfim, todas parecem anjos – principalmente quando estão no colo dos outros. Mas eu vi apenas crianças suecas se comportando como anjos. Isso não se aplica a filhos de árabes e os latinos então… bem, eles fazem a gritaria a que estamos acostumados.

Voltemos a mãe desnaturada que esqueceu o bebê dentro do spårvagn: a duas estações de casa o trem parou e o senhor condutor avisou que precisaríamos fazer uma pausa por motivo de [eu não entendi], e que isso demoraria apenas alguns minutos. Já havia um trem parado na estação então o condutor parou de forma que foi possível desembarcar apenas por uma das portas. Ficamos lá cerca de 10 minutos e então o primeiro trem partiu depois que já mais dois trens estavam parados atrás de nós. Eu estava xingando em pensamente e caralho por que justo em uma estação antes da minha?, e torcendo vai logo! vai logo! e as portas fecharam e o trem partiu. Eu não havia dado conta de que um bebê estava sozinho algumas poltronas a minha frente, sentado placidamente em seu carrinho, sem piscar, sem chupeta, só e simplesmente esperando a mãe, que não sei porque cargas d’água desceu na estação sem a criança. Ela bateu na porta, correu e gritou o que fez com que algumas mulheres começassem também a gritar até saírem correndo falar com o condutor, abandonando completamente a criança que – pasmem – apesar do auê e gritaria, continuou calma com cara de quem tá curtindo a viagem.

É claro que o condutor não parou. Iria fazer o que? Ele já estava há quase metade do caminho da próxima estação. Uma das mulheres voltou e ficou ao lado do bebê (talvez de um ano) que nem estranhou; desceu com ele na estação seguinte – ainda uma antes minha – e lá todo mundo se encontrou com a mãe que chegou no trem seguinte. Final feliz – menos para a mãe que obviamente levou uma bronca, e para gente como eu que só queria chegar em casa, comer e tomar banho; pois tivemos que esperar mais 10 minutos porque o condutor precisava ter certeza que a criança estaria a salvo com a mãe (será?).

Tem duas estações “perto” de casa, coisa de 5 minutos de caminhada. São 3 trens que vão para a cidade, obviamente para diferentes lugares. Então quando eu esqueço alguma coisa, tenho que voltar correndo para casa e com certeza perdi “o trem”, o que me obriga a pegar um outro e ficar pulando de trem em trem para tentar chegar no horário ou esperar cerca de 15 minutos. Na primeira semana eu sabiamente saí de casa cerca de meia hora antes do que seria necessário. Mas eu sou brasileira né? Vendo que tinha chegado cedo demais todo dia, eu comecei a ficar mais tempo na cama. Me fudi. Infelizmente, eu simplesmente não posso porque isso é igual a chegar atrasada.

O sistema de transporte na cidade é muito bom e realmente não tem porque reclamar: os carros são novos ou em boas condições para o uso, 95% do tempo são pontuais, não degradam o meio ambiente, dão aos usuários uma gama bem variada de opções de rota afinal, tem trem ou ônibus para qualquer canto da cidade. Além disso você pode fazer consultas na internet por meio do Västtrafik (para a cidade de Göteborg) e eles apontam como chegar em qualquer lugar. A coisa é que eu sempre estive apenas a 5 ou 10 minutos a pé de qualquer coisa e quando mais do que isso eu usava bicicleta, dai meu stress de sentar num trem ou ônibus por 1h ou 2h por dia.

No último sábado quando eu trabalhei com o X – que é o rapaz que eu cuido – nós saímos para a cidade e precisávamos tomar o ônibus 75 e depois o spårvagn 8 para chegar ao destino. Como foi a primeira vez que eu sai com um cadeirante estava perdendo feio para a cadeira de rodas mas graças a Deus apareceram uns caras legais que me ajudaram a subir e descer do ônibus. Eu não entendi o que aconteceu pois a maioria dos ônibus suecos tem um sistema de suspensão a ar que desce e sobe o carro para facilitar o embarque e desembarque de idosos e cadeirantes e, ou o motorista não viu o que, mas o degrau tava grandão. Bom que no spårvagn é tranquilo quando ele para na estação. Detalhe que o condutor do trem falou em sueco que o trem iria fazer um desvio. Advinha? Eu não entendi, óbvio, e quando eu vi o trem pegando outra direção eu rapidamente desci – fora da estação com um degrau grandão – e lá foi a Maria empurrando X para pular para outro spårvagn. Quando entramos no spårvagn vi o outro (8) voltando para pegar a direção correta! Chegamos 20 minutos atrasados…

Parece brincadeira né? Mas é só a língua gritando para mim: decifra-me ou te devoro!

Branco no Preto/08 ou 80

Acredito que tudo o que vivemos depende em grande parte da nossa subjetividade, uma vez que tudo o que vem para nós pode e será interpretado pelo eu interior. Assim, enquanto existem pessoas que riem a valer quando fazem algo estúpido, outras ficam a ponto de explodir, algumas choram, e outras ainda apenas aceitam com algum desapontamento pensando: por quê?

A questão fica um pouco difícil quando buscamos a definição: o que é uma coisa estúpida? Ou boa/certa? Ruim/errada? Etc etc?, porque normamlmente essa resposta não é construída individualmente. Aprendemos sem que alguém tenha que realmente nos ensinar, está nas entrelinhas das relações sociais: todo mundo faz, a gente faz também desde criança, e sabe sem saber até aonde pode/não pode ir.

Essa é uma questão delicada quando muda-se de país. Porque essas definições não são óbvias, e ninguém vai explicar para você faça tim-tim por tim-tim. É, acontece em algumas situações quando a coisa é grande e importante, mas na maioria das vezes, não. Como resultado, por diversas vezes eu me sinto uma caipira mesmo (é, eu sei…) que não sabe se comportar na cidade grande.

Se você vai embarcar para essa viagem de mudança de hábitos, hemisfério, país; especificamente para a Suécia é bom saber sobre o lagom. Lagom é a medida sueca para as coisas, e significa que menos é mais. Você não vai sair para uma festa produzida demais, você não vai ter um carro luxuoso demais, você não vai ter uma casa ostensiva demais, um celular caro demais. Claro que eles também compram coisas caras e luxuosas mas não é para se gabar socialmente, é porque eles podem.

No dia do midsommar, por exemplo, estivemos comemorando com novos amigos, em Jonsered. Era um lugar lindo, uma casa enorme, estudantes de medicina, duas bailarinas… todo mundo simples, todo mundo igual. A anfitriã preparou tudo no sótão do estábulo, e ficou tão legal, tudo tão lindo em um lugar rústico. Porque lá, e não na casa? Porque a casa é enorme, e luxuosa (do tipo lagom), como comemorar uma tradição simples com luxo? Fizemos coisas simples como cantar canções antigas… você já imaginou uma festa em que as pessoas ouvem música folclórica e cantam canções antigas no Brasil? Festa Junina não vale porque já descaracterizou há tempos…

Olha a anfitriã!

Quando você entende lagom consegue identificar exato onde moram/estão os suecos. Esta é uma coisa tão gritante em Angered, porque é um bairro com muitos estrangeiros: se na rua passa um BMW grande e novinho, pode apostar que é de um árabe. Se estiver em alta velocidade então, certeza que é um árabe. Porque suecos pensam em lagom, andam muito, usam o carro para coisas necessárias, e quando usam, jamais estão correndo. Suecos amam segurança – aqui você ganha multa se é menor de 18 anos e sai de bicicleta sem capacete.

Penso que por isso que a sociedade sueca é tão tranquila e decidida em relação a questões sociais como homossexualismo, sexo, casamento, estrangeiros, bla bla bla; que geralmente dão o que falar em qualquer lugar do mundo: as pessoas tem uma opinião sobre cada uma dessas questões, mas o geral é que tudo está bem desde que seja lagom.

Enfim, lagom signfica moderado. Está na dúvida se vai sair com isso ou aquilo para um encontro importante? Use o meio termo, pense lagom. A medida certa não é 08 nem 80, nem preto, nem branco; lembrando sempre que menos é mais. Difícil? Mais fácil do que falar sueco…

Caraca, acho que agora entendi porque as calcinhas suecas são tão grandes!

Comer rezar amar

Talvez eu já tenho escrito isso por aqui, mas quando eu disse ao Joel que iria viajar para a Suécia, ele ficou – claro – imensamente feliz e me perguntou se eu estava preparada para fazer isso mesmo. Como boa tagarela que sou, respondi que eu iria fazer o passaporte dia tal, que eu tava olhando a coisa com bagagem, e com a alfandega, e com… Mas não era isso. Ele me perguntou se eu estava preparada para mudar, porque toda viagem que se faz também pode ser uma viagem dentro de nós mesmos.

E foi assim. Eu só podia pensar em chegar na Suécia e encontrar o Joel. Puxa eu lembro que a viagem parecia interminável. Teve tanta gente que perguntou depois: ô Maria e você teve medo de voar? Que medo o quê, eu nem pensei nisso. Talvez dois segundos, mas no instante seguinte eu estava como o burro do Shrek: a gente já chegou?

Eu pus meus pés na Suécia a primeira vez em 30 de junho de 2010, imaginando que ia curtir minhas férias com uma pessoa especial, e depois voltar para casa e ficar de boa. Encontrei o Joel. Foi maravilhoso. Encontrei também um velhinho que me disse que iria voltar dentro de um tempo, que ia me lascar estudando sueco… não, isso é brincadeira. Mas aquilo que a gente havia conversado antes era verdade, mudei meu lugar no mundo para um mês, e nunca mais voltei para o mesmo plano dentro de mim mesma.

Primeiro, obviamente porque eu estava (estou) tão apaixonada. Sempre fui passional, mas era tudo fugaz. Segundo porque eu percebi que meu mundo era imensamente bom, mas que estava na hora de eu sair da zona de conforto. Ou eu iria ficar ali sempre e sempre, esperando… a oportunidade de alguma coisa.

É maravilhoso perceber que eu tive coragem para mudar. Não porque eu ache errado alguém viver anos a fio ou todo uma vida em um lugar só, não é isso. A verdade é que precisei mudar muito mais dentro de mim mesma, do que a distância que me separa do Brasil agora. Deixar meus velhos preconceitos, mudar um tanto a filosofia de vida, pensar a minha forma de produzir e consumir nesse mundo…

Hoje eu estava respondendo um e-mail para a Dani e pensando nisso. O que teria sido de mim se eu não tivesse dado a cara a tapa? Eu gosto de pensar que estaria igualmente feliz, mas igualmente teria mudado de cidade. Porque quando cheguei aqui, ano passado, sem querer esqueci algumas coisas, perdi outras…

Elas não me fazem falta, porque é exatamente como diz o ditado: “Deus nunca nos tira nada, apenas deixa nossas mãos livres para receber coisas novas”.

Jardim Botânico de Göteborg... no dia dos namorados (brasileiro).

Salada de frutas

Estou realmente viciada no meu e-mail. Dai que estava checando ele todo o dia várias vezes ao dia. E sabe o que? Fico imensamente aborrecida com a quantidade que recebo daquelas correntes chatas. Não porque elas lotam a caixa de entrada, não é isso, é que me chateia o tamanho da preguiça das pessoas que reencaminham este tipo de e-mail. Se você está lendo isso e é esse tipo de pessoa, antes de se irritar por favor pense: quantas vezes você recebeu um e-mail pedindo ajuda para Raquel/Laura/Sofia/qualquer-nome-de-menina e era a mesma foto? Você não viu que era a mesma foto? Por favor, antes de encher os olhos de lágrimas com o sofrimento de alguma criancinha que vai morrer, repare na foto!  E os pais do João/Pedro/Matheus/qualquer-nome-de-menino já recebem há mais cinco anos dinheiro da AOL e não sei quem mais, porque desde que eu tenho e-mail é o mesmo menino que está com algum tipo de problema para a qual a cirurgia é imensamente cara.

Essa semana eu recebi um daqueles sobre ser cristão. Normalmente eles vem com uma oração – tipo o Salmo 22/23 – com aquele final dramático: se você não reencaminhar essa mensagem está negando a Jesus, e todos aqueles que negarem a Jesus, Ele também os negará… e vão arder nas chamas do inferno (isso eu acrescentei para parecer mais apocalíptico). Mas era sobre o deputado Jean Wilis que está perseguindo os cristãos no Brasil porque os cristãos são (?) contra os homossexualismo. Todos os cristãos brasileiros devem se unir contra esse movimento e testemunhar Jesus senão… fogo do inferno!

Hummm duas coisas: se ser contra o homossexualismo significa não ficar de boa quando tem dois caras (ou duas gurias) se amassando loucamente na rua, eu também sou. Não porque são homossexuais, mas porque para isso existe quarto, casa, motel, hotel, banheiro, sei lá. Também não curto quando tem um casal heterossexual a meio caminho das vias de fato em público. Dois: se ser contra o homossexualismo significa não entender porque alguns homens tem que fazer papel de tolos… puxa, acho que lugar de palhaço é no circo e ser gay não precisa necessariamente ser igual a ser ridículo, tem um monte de gente que curte sua opção sexual de forma saudável, não precisa parecer uma gata no cio.

Enfim, eu não to a fim de discutir essa questão do homossexualismo, ou do que é ser cristão, eu só usei isso para poder perguntar: o que aconteceu com a liberdade? Ou o que aconteceu com o livre arbítrio? Você não pode expressar sua opinião – qualquer que seja, preconceituosa ou não – que já começa a rolar uma corrente (de novo elas!!) no twitter, facebook, por e-mail, na mídia e bla bla bla… de repúdio a declaração de fulano/ciclano/beltrano porque ele/ela não é a favor dos homossexuais, ou dos cristãos, ou da preservação da floresta Amazônica, ou da luta pelos direitos dos animais, ou em defesa das mulheres que quebraram o salto do sapato que mais gostavam justo no meio da festa – quando estava tão boa!

E no fim, balela. Um dia depois ninguém lembra que assinou eletronicamente em favor daquela causa ou outra. Sai na rua e começa a zoar com o colega de classe/trabalho ou qualquer coisa porque ele tem trejeito, parece bixinha. Vai no mercado e não compra nem um produto ecológico, nem um que seja para dizer que pensa um pouquinho no meio ambiente. Nunca lê a Bíblia ou reza uma ave-maria, mas enche a caixa de e-mail dos outros com um monte de orações – deve ser medo do fogo do inferno.

Eu fico puta da cara com hipocrisia. Puta da cara com discurso. E mais puta ainda da cara porque antes de ler qualquer coisa que preste eu tenho que deletar trocentas correntes do meu e-mail. Pra quê? Você já reparou que até no You Tube as pessoas ficam discutindo? Alguém vai lá e escreve adorei isso, o outro embaixo escreve isso é merda você tem que gostar disso… Porque de repente parece que todo mundo tem que ter a mesma opinião? Gostar das mesmas coisas?

Ninguém é igual a vida inteira. Tudo muda todo o tempo, a opinião das pessoas também. Porque crescemos, aprendemos, pensamos, sofremos, choramos, amamos, vivemos! E por causa disso, temos menos direito de expressar o que sentimos ou pensamos em relação ao mundo?

Eu por exemplo, hoje, odeio correntes.